O meu amigo Miguel Real, magnífico escritor, acaba de publicar a novela "A Ministra". Ainda não li. Vou ler, gostosamente, por certo. Mas mesmo antes de o ler achei urgente dar notícia da sua publicação. E já agora, acrescentando a nota que o autor colocou no início do livro. Uma nota que ajuda a desfazer equívocos ou a confirmá-los, conforme o ponto de vista de cada leitor...
À prostituta mais nova Do bairro mais velho e escuro, Deixo os meus brincos, lavrados Em cristal, límpido e puro...
E àquela virgem esquecida Rapariga sem ternura, Sonhamdo algures uma lenda, Deixo o meu vestido branco, O meu vestido de noiva, Todo tecido de renda...
Este meu rosário antigo Ofereço-o àquele amigo Que não acredita em Deus...
E os livros, rosários meus Das contas de outro sofrer, São para os homens humildes, Que nunca souberam ler.
Quanto aos meus poemas loucos, Esses, que são de dor Sincera e desordenada...
Esses, que são de esperança, Desesperada mas firme, Deixo-os a ti, meu amor...
Para que, na paz da hora, Em que a minha alma venha Beijar de longe os teus olhos, Vás por essa noite fora... Com passos feitos de lua, Oferecê-los às crianças Que encontrares em cada rua...
ALDA LARA vei muito nova veio para Lisboa onde concluiu o 7º ano do Liceu. Freqüentou as Faculdades de Medicina de Lisboa e Coimbra, licenciando-se por esta última. Em Lisboa esteve ligada a algumas das atividades da Casa dos Estudantes do Império
Declamadora,chamou a atenção para os poetas africanos.
O poema publicado acima ouvi-o pela primeira vez na voz do meu querido amigo, jornalista, comentador de econimia e amante de poesia Nicolau Santos.
Gosto muito de dizer que se um homem das bandas da economia gosta de dizer poesia, talvez este mundo tenha uma pequena esperança de salvação...
Borboletas me convidaram a elas. O privilégio insetal de ser uma borboleta me atraiu. Por certo eu iria ter uma visão diferente dos homens e das coisas. Eu imaginava que o mundo visto de uma borboleta – Seria, com certeza, um mundo livre aos poemas. Daquele ponto de vista: Vi que as árvores são mais competentes em auroras do que os homens. Vi que as tardes são mais aproveitadas pelas garças do que pelos homens. Vi que as águas têm mais qualidade para a paz do que os homens. Vi que as andorinhas sabem mais das chuvas do que os cientistas. Poderia narrar muitas coisas ainda que pude ver do ponto de vista de uma borboleta. Ali até o meu fascínio era azul.
MANOEL DE BARROS é bacharel em direito viveu em Nova York e é actualmente criador de gado na zona do pantanal onde vive.
Poeta pouco conhecido até tarde, a sua obra "estoirou" a partir dos anos 80 e é hoje reconhecido como uma voz única e fundamental na poesia brasileira.
A sua poesia é doce, quase infantil e aparentemente ingénua, embora se pressinta nas suas descontruções de forma e sentido uma erudição funda mas cristalina e aberta ao diálogo com o leitor.
Foi para mim uma das mais belas descobertas poéticas dos últimos anos.
A publicação da sua obra em Portugal deve-se às Quasi edições.
A poesia em português não se esgota na poesia portuguesa. Cabo Verde, Angola, Moçambique, Brasil, toda a lusofonia respira também na maravilhosa voz dos poetas.
Vou trazer para aqui alguns poemas destas raízes transcontinentais que me têm acompanhado ao longo dos anos e outros com que só me cruzei mais recentemente.
São apenas pequenas portas abertas para que cada um entre por elas e descubra o ouro da grande poesia em língua portuguesa.
Assim devia ser o mundo: claro e transparente desenhado a régua e esquadro em cores indiscutíveis com a rectilínea precisão do traçado de um jardim francês.
Assim devia ser o homem: claro e transparente irmão do seu irmão trabalhando a pedra da alegria amassando noite fora o pão ou roubando à terra a turfa do poema.
Assim devia ser o tempo: claro e transparente. uma tangente azul à negritude um edifício perfeito construído apenas de água comovida ou de cristal.
José Fanha (inédito do livro a publicar "Marinheiro de outras luas")
Esfregou o soalho lavou a roupa e os vidros da janela costurou bainhas descosidas e levou toalhas a cheirar a rosmaninho à senhora do andar de cima.
Vai ao quintal buscar hortelã para a canja e adormece ao som das gargalhadas dos meninos hoje já todos engenheiros com a Graça do Senhor.
Agora está atada ao côncavo da terra por atilhos grossos.
Ladra á lua e tudo nela é carne e sangue.
Morde a mão e dança a valsa sobre o chão confuso de algum sonho diluído lá no longe dos botões dourados do maestro de um coreto nos domingos e feriados.
Ela é grossa e ladra á lua. Sente o corpo a crepitar e rasga o coração.
Entre sangues fala línguas que nunca ninguém lhe ensinou.
Está atada à sangrenta forja das gramáticas lunares e procura uma palavra um nome mesmo que obscuro e difícil de entender.
É uma mulher grossa e no côncavo do corpo fala línguas sem sentido.
Deixou secar os coentros a salsa e a hortelã.
Chama-se cão e ladra à lua.
Vive atada às chamas que a consomem.
José Fanha (inédito do livro a publicar "marinheiro de outras luas")
Em que língua de barro falarei às uvas e às calandras nas manhãs de Primavera?
Em que língua de líquen falarei à pedra?
Em que música que cor que pigmento darei nome ao coração sempre à beira de tocar uma outra transparência?
Em que luz que lua que evidência falarei dos recônditos mistérios que nos chegam cavalgando brumas seculares?
Em que silêncio de neve ou discurso de giesta falarei do meu amor quando o seu sorriso adormecer e todas as palavras se tornarem em pegadas apagadas pelo vento?
José Fanha (inédito do livro a publicar: "Marinheiro de outras luas")
Andei à procura de uma foto dele. Uma mão amiga fez-ma chegar. Era o António Macedo. Quem se lembra? Fomos companheiros de sonhos e palcos, de noites e protestos, do gosto pela poesia e pela canção. Já se foi há uns tempos. Cantava ele e nós com ele:
"Canta canta amigo canta vem cantar a nossa canção tu sozinhos não és nada juntos temos o mundo na mão"
E nós acreditávamos mesmo que cantando tínhamos o mundo na mão. Quem é que ainda acredita?
Eu cá, de vez em quando acredito. Mesmo que nada pareça confirmar essa certeza, acredito. Nos braços da canção, todos juntos... Ou mesmo que não estejam todos... Acredito. E repito:
Visita à Biblioteca escolar da Escola Secundária de Tondela. Mis uma vez encontro o empenho notável de quem trabalha nas Bibliotecas Escolares. O país vai mudando por dentro e em silêncio. A leitura é, sem dúvida, um motor notável de transformação.
A propósito, vale a pena visitar o notável blog da Biblioteca que eu julgo que é obra do trabalho tranquilo e apaixonado do professor David Duarte.
Vi-os tocar há uns 3 ou 4 anos na LERDEVAGAR no Bairro Alto. E fiquei encantado.
O disco é bastante iconoclasta, muito divertido, muito enérgico e representa um caminho muito próprio dentro da música portuguesa.
Tocam a 200 à hora. Divertem-se e divertem-nos. Misturam tudo, estilos, géneros, línguas... Bebem no fado, na música caboverdeana, onde calha. Sente-se neles óbvia influência da música dos filmes de Kusturica.
Na sua atitude sentem-se pontos comuns com Manu Chao, sobretudo no desejo de fazer a ponte entre o local e o mundo e de assumir a mistura como atitude estética que, aliás, está presente, neste momento, em muitas das manifestações culturais de vanguarda e que consiste na exploração de uma linguagem resultante da mais abrangente vivência da alteridade.
Numa noite muito especial na "ILHA DAS LETRAS" de S. Pedro do Sul, uma invenção muito feliz do Rogério Duarte onde se realizam conversas e desconversas e se soltam poemas ao ar no meio de dois rios entre os pavilhões da feira do Livro.
As fotografias são simplesmente do António Homem Cardoso. Um mestre da fotografia. Um imenso amigo que é natural de S. Pedro don Sul e que mora ali a dois passos numa casa belíssimamente recuperada mesmo à beira rio.
Fomos amigos e companheiros em palcos bem como em lutas políticas e culturais. Trabalhámos juntos no "Baal" de Brecht e noutras peças de teatro.
Divertia-me muito com alguma da sua iconoclastia. Aprendi muito a ouvi-lo dizer poesia e honro-me de me crer devedor de uma linha de dezedores de poesia que vem de João Vilaret e passa pelo Zé Carlos Ary dos Santos, pela Céu Guerra e pelo Mário, entre vários outros.
Que saudade e que falta que o Mário faz para pôr um bocadinho a nu este país tão abandalhadito...
Aqui, a dizer dois textos de Mário Henrique Leiria ("Contos do Gin Tónico")
Na EB1 do Louriçal, em Pombal, fui recebido de forma muito invulgar. O jardim da frente da escola estava transformado na recriação de uma das minhas histórias ("O dia em que a mata ardeu"). Foi simplesmente comovente. Mas o mais importante é encontrar pelo país fora um número muito significativo de escolas em que, apesar dos muitos entraves que lhes são criados e da burocracia absurda em que vivem atafulhados, os professores conseguem fazer um trabalho de muita dedicação e empenho no que toca à promoção do livro e da leitura.
Tenho orgulho em ser companheiro nesta guerra boa que se trava em silêncio e cujos resultados mais seguros havemos de ver dentro de alguns anos.
Ler é um grande mergulho no mar sem fundo do pensamento, dos afectos, das emoções.
Ler leva-nos para além das circunstâncias. Na leitura nós encontramo-nos connosco próprios. Experimentamo-nos. Questionamo-nos. E conhecemos o outro. Os outros. E experimentamos o espaço e o tempo da diferença. E crescemos nesse fantástico universo das palavras.
Ler é uma aventura que está muito para além do espartilhamento em que os textos são submetidos em nome da necessidade de cumprir os programas por quem não sabe cumprir senão a casca do programa e fica muito aquém do fundamental.
A propósito, algumas palavras do professor e psicanalista Pierre Bayard que tem uma extensa bibliografia sobre a leitura e é, nomeadamente, autor do ensaio notável "Como falar dos livros que não lemos?"
“Existe um exercício catastrófico que consiste em resumir o livro de maneira muito precisa e responder de forma também muito precisa a questões como: qual é o nome e o apelido de todos os personagens, qual é a cidade onde vive o herói, etc. Para muitos este procedimento pode poarecer como uma espécie de registo científico, mas o verdadeiro leitor não funciona desta maneira.”
Pierre Bayard. Magazine Littéraire, Junho 2009
Esta citação faz parte de uma extraordinária conversa tida em público por Pierre Bayard e Umberto Eco em Nova York. A conversa integral pode ser vista em:
Porque não será fácil entender todo o texto, dada a intensidade com que Ferré o atira, aqui vai por escrito para poder ser lido calmamente.
Há muitos anos que este Préface é para mim uma referência fundamental.
A poesia encerrada nas instituições oficiais e nas outras menos oficiais estiola e perde a alma.
PRÉFACE
La poésie contemporaine ne chante plus… Elle rampe Elle a cependant le privilège de la distinction… elle ne fréquente pas les mots mal fameés… elle les ignore On ne prend les mots qu'avec des gants: à "menstruel" on préfère "périodique", et l'on va répétant qu'il est des termes médicaux qui ne doivent pas sortir des laboratoires ou du Codex. Le snobisme scolaire qui consiste, en poésie, à n'employer que certains mots déterminés, à la priver de certains autres, qu'ils soient techniques, médicaux, populaires ou argotiques, me fait penser au prestige du rince-doigts et du baisemain Ce n'est pas le rince-doigts qui fait les mains propres ni le baisemain qui fait la tendresse Ce n'est pas le mot qui fait la poésie, c'est la poésie qui illustre le mot. Les écrivains qui ont recours à leurs doigts pour savoir s'ils ont leur compte de pieds, ne sont pas des poètes, ce sont des dactylographes Le poète d'aujourd'hui doit appartenir à une caste à un parti ou au Tout-Paris Le poète qui ne se soumet pas est un homme mutilé La poésie est une clameur. Elle doit être entendue comme la musique. Toute poésie destinée à n'être que lue et enfermée dans sa typographie n'est pas finie. Elle ne prend son sexe qu'avec la corde vocale tout comme le violon prend le sien avec l'archet qui le touche L'embrigadement est un signe des temps. De notre temps Les hommes qui pensent en rond ont les idées courbes Les sociétés littéraires sont encore la Société La pensée mise en commun est une pensée commune Mozart est mort seul, accompagné à la fosse commune par un chien et des fantômes Renoir avait les doigts crochus de rhumatismes Ravel avait une tumeur qui lui suça d'un coup toute sa musique Beethoven était sourd Il fallut quêter pour enterrer Bela Bartok Rutebeuf avait faim Villon volait pour manger Tout le monde s'en fout L'Art n'est pas un bureau d'anthropométrie La Lumière ne se fait que sur les tombes Nous vivons une époque épique et nous n'avons plus rien d'épique La musique se vend comme le savon à barbe Pour que le désespoir même se vende il ne reste qu'à en trouver la formule. Tout est prêt: les capitaux La publicité La clientèle. Qui donc inventera le désespoir? Avec nos avions qui dament le pion au soleil. Avec nos magnétophones qui se souviennent de " ces voix qui se sont tues ", avec nos âmes en rade au milieu des rues, nous sommes au bord du vide, ficelés dans nos paquets de viande, à regarder passer les révolutions N'oubliez jamais que ce qu'il y a d'encombrant dans la Morale, c'est que c'est toujours la Morale des autres. Les plus beaux chants sont les chants de revendications Le vers doit faire l'amour dans la tête des populations
A L'ECOLE DE LA POESIE ET DE LA MUSIQUE ON N'APPREND PAS
“Toda a poesia que apenas se destina a ser lida e fechada nos seus caracteres é uma poesia incompleta. Só as cordas vocais lhe dão o sexo, como o arco do violino, tocando-lhe.”
“Nunca compreendi a luta senão como um meio de acabar com ela. Nunca aceitei o rigor senão como um meio para deixar de existir o rigor. Tomei um caminho porque creio que esse caminho nos leva, a todos, a essa amabilidade duradoura. Luto pela bondade ubíqua, extensa, inexaurível.”
“…porque as únicas pessoas autênticas para mim são as loucas, as que estão loucas por viver, loucas por falar, loucas por ser salvas, desejosas de tudo ao mesmo tempo, aquelas que nunca bocejam ou dizem um lugar comum, mas ardem, ardem, ardem como fabulosas peças de fogo-de-artifício a explodir entre aranhas, entre estrelas…”
disse o Rui (que agora já passa dos 30 anos) quando, um dia, a professora Ana Maria levou os meninos da escola do Seixal, Monchique, a ver o mar pela primeira vez.
Aqui estou eu n EB1 da Horta das Figueiras com o meu amigo Leandro e a prenda que ele fez questão de fazer para me oferecer.
O Leandro tem dois brincos de fazer parar o trânsito e eu achei que o mínimo que podia fazer era uns versos para celebrar os brincos do Leandro e a nossa amizade.
O Leandro tem dois brincos cada um em sua orelha, e são tão lindos os brincos que até lhe disse uma velha: "Anda cá, Leandrozinho, tão jeitoso, ataviado, chega aqui junta-te a mim que vais ser meu namorado!"
O Leandro deu um salto e fugiu muito assustado. "Sai daqui malvada velha, não serei teu namorado! Quero rapariga nova, ligeirinha e elegante, pois para isso me enfeitei com dois brincos de brilhante!"
As palavras são curtas quando queremos transmitir as grandes emoções.
Em troca das histórias, lengalengas, poemas que levo, a ternura que recebo nalgumas escolas é tão intensa que nenhum cansaço é suficiente para me fazer privar desses momentos únicos que tenho tido o previlégio de viver.
É o caso dos meninos e da Professora Ana Piçarra na sala da EB1 da Horta das Figueiras.
Bem haja a Câmara Municipal de Évora pelo Projecto "A Fada Palavrinha e o Gigante das Bibliotecas" em que se incluiram as visitas a esta escola, entre outras.
Do saxofone à fotografia, o meu amigo Nanã Sousa Dias deixa-nos sem saber em que arte melhor improvisa.
Há dias soprámos juntos na Biblioteca de Almodôvar. Ele soprou a música e eu as palavras. E até parece que as palavras assim acompanhadas ganhavam asas.
À frente do grupo estava o António Palma no piano, mais o Tó Cruz a cantar e o João Ferreira nas percussões.
O tema: canções e poesia do neorealismo ao 25 de Abril. Foi uma noite quente. Muito.
Quanto às fotografias do Nanã, para quem quiser ver mais, a morada na net é:
Já que falamos da família... "Les bourgeois" de Jacques Brel. Era no tempo em que alguns animais falavam... E cantavam.
LES BOURGEOIS
Le coeur bien au chaud Les yeux dans la bi�re Chez la grosse Adrienne de Montalant Avec l'ami Jojo Et avec l'ami Pierre On allait boire nos vingt ans Jojo se prenait pour Voltaire Et Pierre pour Casanova Et moi, moi qui �tais le plus fier Moi, moi je me prenais pour moi Et quand vers minuit passaient les notaires Qui sortaient de l'h�tel des "Trois Faisans" On leur montrait notre cul et nos bonnes mani�res En leur chantant
Les bourgeois c'est comme les cochons Plus ça devient vieux plus ça devient bete Les bourgeois c'est comme les cochons Plus ça devient vieux plus ça devient c...
Le coeur bien au chaud Les yeux dans la bi�re Chez la grosse Adrienne de Montalant Avec l'ami Jojo Et avec l'ami Pierre On allait br�ler nos vingt ans Voltaire dansait comme un vicaire Et Casanova n'osait pas Et moi, moi qui restait le plus fier Moi j'�tais presque aussi saoul que moi Et quand vers minuit passaient les notaires Qui sortaient de l'h�tel des "Trois Faisans" On leur montrait notre cul et nos bonnes mani�res En leur chantant
Les bourgeois c'est comme les cochons Plus ça devient vieux plus ça devient bete Les bourgeois c'est comme les cochons Plus ça devient vieux plus ça devient c...
Le coeur au repos Les yeux bien sur terre Au bar de l'h�tel des "Trois Faisans" Avec ma�tre Jojo Et avec ma�tre Pierre Entre notaires on passe le temps Jojo parle de Voltaire Et Pierre de Casanova Et moi, moi qui suis rest� le plus fier Moi, moi je parle encore de moi Et c'est en sortant vers minuit Monsieur le Commissaire Que tous les soirs de chez la Montalant De jeunes "peigne-culs" montrent nos leur derri�re En nous chantant
Les bourgeois c'est comme les cochons Plus ça devient vieux plus ça devient bete Les bourgeois c'est comme les cochons Plus ça devient vieux plus ça devient c...
A canção chama-se "La mauvaise reputation" e aparece aqui na versão de Paco Ibañez e também cantada pelo seu autor Georges Brassens.
"LA MALA REPUTACION", versão cantada por Paco Ibañez
En mi pueblo sin pretensión Tengo mala reputación, Haga lo que haga es igual Todo lo consideran mal, Yo no pienso pues hacer ningún daño Queriendo vivir fuera del rebaño; No, a la gente no gusta que Uno tenga su propia fe No, a la gente no gusta que Uno tenga su propia fe Todos todos me miran mal Salvo los ciegos es natural.
Cuando la fiesta nacional Yo me quedo en la cama igual, Que la música militar Nunca me pudo levantar. En el mundo pues no hay mayor pecado Que el de no seguir al abanderado Y a la gente no gusta que Uno tenga su propia fe Y a la gente no gusta que Uno tenga su propia fe Todos me muestran con el dedo Salvo los mancos, quiero y no puedo.
Si en la calle corre un ladrón Y a la zaga va un ricachón Zancadilla doy al señor Y he aplastado el perseguidor Eso sí que sí que será una lata Siempre tengo yo que meter la pata Y a la gente no gusta que Uno tenga su propia fe Y a la gente no gusta que Uno tenga su propia fe Tras de mí todos a correr Salvo los cojos, es de creer.
Ya sé con mucha precisión Como acabará la función No les falta más que el garrote Pa' matarme como un coyote A pesar de que no arme ningún lío Con que no va a Roma el camino mío Que a le gente no gusta que Uno tenga su propia fe Que a le gente no gusta que Uno tenga su propia fe Tras de mí todos a ladrar Salvo los mudos es de pensar.
LA MAUVAISE REPUTATION" de Georges Brassens
Au village, sans prétention, J'ai mauvaise réputation. Qu'je m'démène ou qu'je reste coi Je pass' pour un je-ne-sais-quoi! Je ne fait pourtant de tort à personne En suivant mon chemin de petit bonhomme. Mais les brav's gens n'aiment pas que L'on suive une autre route qu'eux, Non les brav's gens n'aiment pas que L'on suive une autre route qu'eux, Tout le monde médit de moi, Sauf les muets, ça va de soi.
Le jour du Quatorze Juillet Je reste dans mon lit douillet. La musique qui marche au pas, Cela ne me regarde pas. Je ne fais pourtant de tort à personne, En n'écoutant pas le clairon qui sonne. Mais les brav's gens n'aiment pas que L'on suive une autre route qu'eux, Non les brav's gens n'aiment pas que L'on suive une autre route qu'eux, Tout le monde me montre du doigt Sauf les manchots, ça va de soi.
Quand j'croise un voleur malchanceux, Poursuivi par un cul-terreux; J'lance la patte et pourquoi le taire, Le cul-terreux s'retrouv' par terre Je ne fait pourtant de tort à personne, En laissant courir les voleurs de pommes. Mais les brav's gens n'aiment pas que L'on suive une autre route qu'eux, Non les brav's gens n'aiment pas que L'on suive une autre route qu'eux, Tout le monde se rue sur moi, Sauf les culs-de-jatte, ça va de soi.
Pas besoin d'être Jérémie, Pour d'viner l'sort qui m'est promis, S'ils trouv'nt une corde à leur goût, Ils me la passeront au cou, Je ne fait pourtant de tort à personne, En suivant les ch'mins qui n'mènent pas à Rome, Mais les brav's gens n'aiment pas que L'on suive une autre route qu'eux, Non les brav's gens n'aiment pas que L'on suive une autre route qu'eux, Tout l'mond' viendra me voir pendu, Sauf les aveugles, bien entendu.
Pergunto a um grupo de meninos numa escola do 1º Ciclo quem é que já leu "A Ilha do Tesouro".
Vários meninos levantam o dedo. Alguns dizem que TÊM O LIVRO, outros dizem que LERAM O LIVRO.
Passaram-me dezenas de comentários possíveis pela cabeça, dos mais negativos aos mais amáveis. Resolvi, no entanto, resumi-los na ideia de que a leitura deve ser um processo teimoso que nos leve a encontrarmo-nos a nós próprios no interior das palavras de outros e que estabeleça um pouco de luz sobre a nossa tão imperfeita humanidade.
Por isso, em última instância, TER soa-me a pouco. Tem-se um gira-discos, uma vassoura, um micro-ondas. Um livro não tem valor se não for utilizado. O texto, se calhar, nem sequer existe se não for lido.
Apetece-me dizer aos pais que não é preciso darem livros aos filhos. Basta levá-los pela mão através do bosque da leitura. Com um livro na mão, claro, mas sobretudo com as palavras no coração.
Na Biblioteca Escolar Dr. José dos Santos Bessa - Carapinheira, Montemor-o-Velho.
Por todo o país, muitos professores estão a fazer um trabalho notável nas Bibliotecas Escolares.
Não tenho dúvida de que em alguns níveis de ensino (2º e 3º Ciclos especialmente) é indispensável criar tempos no currículo apenas dedicados à leitura e à leitura partilhada (Clubes ou Comunidades de Leitura).
Também não tenho dúvidas de que a batalha pela promoção da leitura não é função apenas dos professores do 1º Ciclo e dos professores de Português. Tem de ser de todos os Porfessores. Porque sem hábitos sólidos de leitura não há hábitos de estudo seja em que dsciplina for.
Não tenho dúvidas ainda de que é fundamental envolver e empenhar os pais na batalha pela leitura e a altura melhor para estabelecer uma teia de cumplicidade entre a família e a escola nesse campo será, sem dúvida na Pré-Escolar e no 1º Ciclo onde é mais óbvio que a leitura é também um laço de afecto que une pais e filhos.
Por fim, não tenho dúvidas de que não se pode promover a leitura se não se tiver hábitos de leitura. É preciso que os professores leiam e aprendam a crescer através da leitura. Quem não tem a paixão da leitura tem tendência a refugiar-se na análise e, pessoalmente, não creio que, de uma forma geral, a análise conduza à paixão de ler. Estou convencido, no entanto, que a paixão de ler pode conduzir a uma análise muito mais funda e eficaz.
E a desculpa de que é preciso cumprir o programa já está um bocadinho esfiapada nos cotovelos... O programa pode dar-se de muitas maneiras... Ou não pode?
Não são muitos os amigos que nos acompanham toda a a vida. Tenho a sorte de contar com alguns. daqueles amigos mesmo amigos. Do fundo do osso. Capazes de vir a correr quando a vida nos faz encalhar num canto qualquer.
Um desses meus amigos é o Júlio Pego. Conhecemo-nos há, pelo menos, 40 anos. Temos muitas memórias e aventuras comuns. As do antes e as do depois de Abril de 74. Partilhamos uma fraterna amizade que não só não se esgota como tem crescido ao longo da vida.
O Júlio é médico psiquiatra. E, de há uns anos para cá, dedicou-se às artes plásticas. Primeiro a pintura, depois escultura.
Eu que continuo a achar que a completude da vida só se cumpre caminhando pelos trilhos da arte e da poesia tenho seguido esta aventura do Júlio que me parece um exemplo para todos os que pretendam crescer seja em que idade for.
E já agora, vale a pena visitar de vez em quando o seu blog: http://www.psicoarte-psicoarte.blogspot.com/
(Exposição de esculturas do Júlio no Convento de Tomar em Setembro de 2007)
Joaquim Mestre é um nome conhecido e admirado por toda a gente que vive à volta dos livros, das bibliotecas e da aventura ainda titubeante mas já tão calorosa que é o esforço pela promoção do livro e da leitura.
Escritor e director da Biblioteca Municipal de Beja, Joaquim Mestre morreu de cancro aos 54 anos, na noite de domingo.
Exercia as funções de Chefe da Divisão de Bibliotecas e Museus na Câmara Municipal de Beja e foi, segundo responsáveis do município, um dos grandes impulsionadores do novo conceito de biblioteca que surgiu em Beja no início dos anos 1990.
Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e pós-graduado em Ciências Documentais, o escritor foi galardoado no ano passado pela colectânea de contos «Breviário das Almas» (Oficina do Livro) com o Prémio Nacional de Conto Manuel da Fonseca, instituído pela Câmara de Santiago do Cacém.
Não tive o prazer de conviver com ele. Ter-nos-emos cruzado algum dia nas esquinas da vida e dos livro. É possível. Mas não estou certo. Tinha por ele um imenso respeito e admiração. Pertenci ao júri do Prémio Manuel da Fonseca que o atribuiu à sua última obra, o «Breviário das Almas». Fico feliz por supôr que isso lhe tenha trazido alguma satisfação ou contentamento. É um belo livro com uma escrita poética e densa que merece muito ser lido.
Os livros das nossas queridas bibliotecas vão certamente abrir as suas páginas para deixar passar o Joaquim Mestre com honra e agradecimento.
Mão amiga fez-me um reparo. A excelente fotografia que publico acima e que identifiquei como sendo do grande Henri Bresson é afinal da autoria de Martine Franck.
Aqui fica a correcção. Nesta coisa de autorias faço muita questão de dar o seu a seu dono.
A informação errada veio-me de algum site na net. Mas temos de ter atenção porque, de facto, a net é ainda um instrumento bastante tosco. Está cheio de incorrecções, imprecisões, pequenas e grandes falsidades.
É preciso cuidado.
E já agora aqui vai o endereço do magnífico site da Agência de fotografia Magnum, fundada por Henri Bresson e onde está incluído o portfolio de Martine Franck.
Em S. João da Madeira está um dos museus mais deliciosos que conheci: o MUSEU DA CHAPELARIA.
Era uma fábrica. A mais importante fábrica de chapéus do mundo. Foi magnificamente transformada em Museu e é dirigido com brilho pela drª Suzana Meneses.
O sr. Méssio é o guia que nos leva de máquina em máquina e de memória e memória. Trabalhou ali desde os 10 anos de idade. Só podia receber salário a partir dos 12. Mas foi trabalhar sem salário para garantir o lugar. O trabalho fazia falta e um operário chapeleiro era alguém nesse tempo.
O sr. Méssio tem agora à volta de 80. Foi ele o último a fechar a porta da fábrica. Foi o primeiro a entrar no Museu.
A sua humanidade, a ternura e graça com que conta as suas histórias fazem-nos emocionar quando, por exemplo, nos mostra a máquina de lixas de pele de tubarão que alisava o feltro dos chapéus e cortava dedos a muitos operários.
Mas o sr. que trabalhou 40 anos com essa máquina e nunca ficou sem dedos. Tinha um truque, diz ele. De manhã dizia bom dia à máquina e ao fim do dia agradecia-lhe poder voltar a casa com os dedos inteiros.
O Museu ainda tem deliciosa colecção de chapéus, um excelente serviço educativo com oficinas diversas, e um restaurante sofisticado,onde se come muito bem.
S. João da Madeira é a terra dos sapatos e dos chapéus. E sabe preservar o passado dessas importantes indústrias e da vida dos seus operários.
Caros amigos,
o que é que querem mais?
Quando passarem por ali vão lá visitá-lo. Garanto que vale a pena. E já agora, dêem cumprimentos meus ao sr. Méssio.
"SE EU TIVESSE DE COMEÇAR A LER HOJE , ESTARIA NECESSARIAMENTE LIMITADO POR ESSAS PILHAS DE NOVELAS PSEUDO-HISTÓRICAS, PSEUDO-MÍSTICAS, CONFESSIONAIS, ESSES GÉNEROS CRIADOS COM O OBJECTIVO DE O LEITOR ACREDITAR QUE NÃO É SUFICIENTEMENTE INTELIGENTE PARA LER COISAS MAIS PROFUNDAS"
Nicola Sacco (Torremaggiore, 22 de abril de 1891 — Charlestown, 23 de agosto 1927) e Bartolomeo Vanzetti (Villafalletto, 11 de junho de 1888 — Charlestown, 23 de agosto 1927) foram dois anarquistas italianos presos, processados, julgados e condenados nos Estados Unidos da América nos anos vinte, sob a acusação de homicídio de um contador e de um guarda de uma fábrica de sapatos. Sobre sua culpa houve muitas dúvidas já à época dos acontecimentos.
(Música: Ennio Morricone, voz: Joan Baez)
Não foram absolvidos nem mesmo depois de um outro homem ter admitido em 1925 a autoria dos crimes. Foram condenados à pena capital e executados por eletrocução em 23 de agosto de 1927.
Diz-se que filho de peixe sabe nadar. Neste caso poderia dizer que filho de peixe sabe dançar. Pai e filho, sofremos de mal idêntico: vamos fazendo não sei quantas coisas ao mesmo tempo e ainda queríamos fazer mais outras tantas.
E com o João está a Raquel que é a minha nora preferida e dado ser a única nora, acumula ser única e ser a preferida.
Aqui estão eles. E a seguir, pelas suas palavras, as coisas muito boas que fazem e põem os outros a fazer.
JOÃO FANHA e RAQUEL SANTOS
Somos dois Artistas Plásticos e Professores de Dança e temos vindo a desenvolver há vários anos um trabalho com crianças e jovens em áreas tão distintas, e ao mesmo tempo complementares, como a Ilustração, o Desenho, a Criatividade, a Magia ou a Dança. Propômos o nosso projecto de ateliers artísticos para escolas ou bibliotecas, que pode adquirir uma das seguintes configurações:
1. Desenho e jogos visuais 2. Leitura e ilustração 3. Oficina de criatividade (leitura, criação de um conto, ilustração e magia) 4. Dança criativa e dança a par (Funk, Boogie Woogy, Salsa, Boogaloo e outras)
-As sessões podem ter 1 hora e 30 minutos ou 3 horas e poder-se-ão repetir ao longo de um período determinado (ex: 2 sábados ou 3 dias seguidos) -O número de crianças não deverá exceder as 20 para 1 professor e as 30 para os 2 -As crianças deverão estar agrupadas preferencialmente em grupos de idade dos 4 aos 7, dos 8 aos 11 e dos 12 aos 15
Criámos este ano a nossa escola de dança e oficina de criatividade Estúdio 8. Por esse facto estamos também disponíveis para organizar exibições, workshops ou animações de várias danças para público de várias idades.
Sandomil, Conselho de Seia, EB1, num vale belíssimo, com a Primavera a querer fazer esquecer o Inverno que nos tem deixado o nariz a pingar.
Nós sabemos como uma certa economia se sobrepõe à respiração profunda da humanidade. Mas enquanto os seus desígnios não obrigam os governos a estragar ainda mais do que já fizeram, é tão bom encontrar aqui e ali escolas como esta, lá no sítio onde os meninos falam com voz de passarinho.
Há canções que se aguentam assim, vivas e revivas através dos tempos.
Os muros caíram. As ideologias morreram, dizem. O ultra-liberalismo tomou conta de tudo e deixou-se ir ao fundo gloriosamente.
O futuro não sabemos qual será. Apenas sabemos que de um lado estará sempre a liberdade, a solidariedade, a fraternidade, a capacidade de sonhar e criar. E do outro... OS VAMPIROS.
O Dia Mundial do Livro foi ontem mas ainda vai a tempo´lembrar. Vai sempre a tempo. Viva o livro! Books forever! Como os campos de morangos dos Beatles. Para sempre!
Na E23 Dr. Guilherme Correia de Carvalho, onde a Gina Mendes faz um grande trabalho na Biblioteca Escolar (como, apesar de inquietos com o seu futuro, muitos professores fazem pelas bibliotecas escolares um pouco por todo o país).
Sai esta semana. É o segundo volume da série "Os 4 cavaleiros" que estou a escrever com a minha amiga Luísa Beltrão.
O priumeiro chamava-se "Missão em Happy-Cosmos".
Destina-se a jovens. Talvez dos 12 aos 17. Mais ou menos. Porque nisto de leituras nunca sabemos exactamente as idades dos leitores que se deixam embarcar. Alguns mais novos, alguns mais velhos...
A história conta a segunda viagem iniciática de 4 jovens que, descobrem que as palavras estão a ser apagadas dos livros e transformadas em pó por uma entidade misteriosa: o SOL NEGRO e os seus servidores.
A linguagem está a ser reduzida a poucas palavras, as pessoas estão a deirxar de usar muitas palavras, e o resultado será o caos e a incomunicabilidade se ninguém fizer nada contra isso.
Os 4, sagrados Cavaleiros da Ordem dos Guardiões das Palavras, são incumbidos da missão de salvar as palavras. essa missão vai levá-los a atravessar mundos inimaginados e a defrontar as mais temíveis faces do Mal.
Irão conhecer Ecrãville, o desfiladeiro do Eco, a caverna de Platão e o terrível mundo dominado pelo SOL NEGRO. Serão ajudados por personagens muito especiais como Popov, o varredor de palavras, Pablo, o mineiro de palavras e pelo amigo chamado Amigo que já tinham conhecido em Happy-Cosmos.
E mais não conto. O livro deu-nos um gozo especial a escrever. Espero que esse gozo passe para quem o venha a ler.
Acaba de lançar um disco de Jazz. Chama-se ADRIANA e o disco também Tem 25 anos e estudou durante 7 nos EUA. Lembro-me de a ver com 4 ou 5 anos a correr pela casa do pai, agora babado: o meu querido amigo Zé Duarte. Esse mesmo, o do Jazz. Filha de peixe...