Apesar que acima reza e que é absolutamente verdade, sou perseguido há muitos anos pela fama de ser cantor. Há escolas onde sou recebido com uma viola para cantar, há pessoas que me pedem para cantar uma daquelas minhas cantiguinhas, várias foram as pessoas que juram já me ter visto cantar.
Inúmeras vezes senti que algumas pessoas ficam desconfiadas a pensar que estou a gozar com elas quando lhes digo que não sei cantar. Mas é verdade. Verdade pura e crua! Verdade indesmentível!
Desconfio que depois do último livro que publiquei,este equívoco ameaça agravar-se mercê desta página:

Creio que sei de onde vem este equívoco. Acompanhei muitas vezes alguns cantores e ainda o faço com alguma frequência. Eles cantam, eu digo poesia. Começou com o Zeca Afonso em 1969, com o Adriano Correia de Oliveira, o Carlos Alberto Moniz, o Manuel Freire, o Xico Fanhais, o Fernando Tordo, o Carlos Mendes, a Amélia Muge... E até com os filhos de alguns deles, o Francisco Mendes, por exemplo, com quem faço às vezes sessões de canções e poesia.
Fiz muitas letras de canções, um poema meu ganhou o Festival RTP da canção com música do Pedro Osório, cantado pela Lúcia Moniz.
Mas nunca cantei. Juro. E mesmo quando chega àquelas canções que todos cantam em coro (como a Grândola e outras), para não estragar o canto com a minha desafinação, abro e fecho a boca a fingir que estou a cantar.
Julgo que tenho um certo sentido ritmíco. Esse é um instrumento fundamental da poesia. Talvez< consiga dominar alguma música das palavras o escrever. Mas nunca cantei! Não sei música e tenho muita pena.
Não sei mais o que fazer para desfazer este equívoco! Peço apenas a todos os meus amigos que espoalhem por toda a parte com muito engenho e arte que o Fanha faz muitas coisas, coisas até relacionadas com a música e a canção, mas não sabe e nunca soube cantar!







































