E a propósito do racismo covém lembrar que todos nós portugueses somos filhos de viagens, vagabundagens e criolagens diversas. Temos sangue celta, godo, àrabe,judeu, grego, cartaginês, romano, negro... E agora também eslavo, chinês, e sei lá que mais.
É essa mistura, essa abertura à diferença que fez e faz esta pátria fantasticamente multifacetada.
E aproveito para voltar a trazer aqui um momento que para mim foi muito emocionante. A canção que tem música do Pedro Osório e letra minha no momento em que a Lúcia Moniz a apresentou em Oslo, 1996, e que é a canção portuguesa melhor classificada
de semopre no Eurofestival.
Uma canção que nunca teve edição discográfica comercia e que falava de nós, da porta aberta da cultura portuguesa ao mundo e da riqueza notável que resulta dessa porta aberta que é a lusofonia-
domingo, 24 de outubro de 2010
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
E AGORA QUALQUER COISA DIFERENTE 2
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
A REPÚBLICA DOS AMIGOS
No lançamento de "ERA UMA VEZ A REPÚBLICA", na belíssima sala do Arquivo nos Paços do Concelho de Lisboa, tive a sorte de ter muitos amigos à minha volta. Luís Gamito, Violante Magalhães, Carlos Albuquerque, Alberto Trovão do Rosário, Aníbal Bento, Luísa Vicente, José Moreno, Luciano Marmelada, José Jorge Letria, e tantos, tantos mais.
A todos um grande e forte abraço de agradecimento pela amizade que me quiseram demonstrar.

A grande dama que é a dra. Maria Barroso

O Vasco Lourenço a quem todos devemos tanto e, através dele a quantos nos ajudaram a recuperar a liberdade.

E os outros amigos. Tantos e tão queridos!
A todos um grande e forte abraço de agradecimento pela amizade que me quiseram demonstrar.
A grande dama que é a dra. Maria Barroso
O Vasco Lourenço a quem todos devemos tanto e, através dele a quantos nos ajudaram a recuperar a liberdade.
E os outros amigos. Tantos e tão queridos!
terça-feira, 19 de outubro de 2010
domingo, 17 de outubro de 2010
E AGORA, QUALQUER COISA DIFERENTE 1
Como diziam os Monty Python: e agora, qualquer coisa diferente. Uma colecção de citações do baú onde vou guardando frases, versos, ideias, coisas pequenas que me ajudam por vezes a organizar o meu próprio pensamento.

(Erri de Luca, escritor, jornalista e poeta italiano)
“Precisamos de uma geração que conte à geração seguinte a sua experiência . E que conte de viva voz, não com o cinema ou a televisão, mas envolvendo-se com o corpo”
Erri de Luca, O Público, 27/11/09

(Erri de Luca, escritor, jornalista e poeta italiano)
“Precisamos de uma geração que conte à geração seguinte a sua experiência . E que conte de viva voz, não com o cinema ou a televisão, mas envolvendo-se com o corpo”
Erri de Luca, O Público, 27/11/09
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
UMA QUESTÃO DE LUZ E DE TEIMOSIA

Morreu uma das mais emblemáticas e entusiastas protagonistas da festa que tem sido (sempre que as autarquias não se distraem) a implementação da Rede de Leitura Pública.
Amiga do coração, a Isabelinha abriu várias Bibliotecas e vivia a promoção do livro e da leitura como uma coisa fundamental da sua vida.
É pena que várias autarquias continuem a promover incultura pimba, do espectáculo de momento, da pastilha elástica de mastigar e deitar fora e, à pala da crise, deixem de lado a promoção do livro e da leitura, cortem as verbas às Bibliotecas Municipais, retirem (nalguns casos) os jornais dessas bibliotecas onde os mais velhos iam ler o seu jornal diário, para oferecerem o dinheiro de todos nós sem qualquer retorno aos fazedores de festas de "abana-o-capacete".
A grande, a verdadeira crise é a de falta de valores sólidos que continua a ser a de muitos dos que nos governam nas várias instâncias do poder. E se as autarquias em geral têm levado a luz da cultura e do entretenimento de qualidade ao interior do país, é também verdade que muitas delas continuam a deixar-se iludir pelo sucesso efémero que dura o arder de um fósforo.
A Isabel de Sousa e o Joaquim Mestre (da Biblioteca de Beja e também desaparecido há pouco) pertenceram à primeira fornada dos Bibliotecários na construção dessa revolução silenciosa que tem sido o crescimento das Bibliotecas da Rede de Leitura Pública. Eles continuam a ser uma luzinha para todos nós que sabemos que não há desenvolvimento económico e social sem promoção séria e sustentada do livro e da leitura.
Resta-nos o adeus amargo. Até sempre, Isabel. Nós somos teimosos. Continuamos. Também em teu nome.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
AMIGOS
Por vezes os oficiais do mesmo ofício têm invejas, pequenos ódios, rezinguices. Pois entre os escritores para a infancia e juventude isso praticamente não acontece.
Quem me chamou a atenção para a nossa geral boa relação foi a Luísa Ducla Soares. Eu nunca tinha pensado noisso. Sentia-me bem com os meus companheiros de escrita e pronto. Agora tenho o duplo prazer de me sentir bem e de apreciar especialmente esse bom entendimento e cumplicidade até que nos une.
Afinal, para se escrever para crianças é preciso ter viva dentro de si uma criança encantada com o prazer de brincar com palavras e inventar histórias.
E aqui está uma fotografia que celebra essa amizade intensa, neste caso durante as Palvras Andarilhas em que tenho o orgulho de ter estado ao lado do António Torrado e da Luísa Ducla Soares.
Quem me chamou a atenção para a nossa geral boa relação foi a Luísa Ducla Soares. Eu nunca tinha pensado noisso. Sentia-me bem com os meus companheiros de escrita e pronto. Agora tenho o duplo prazer de me sentir bem e de apreciar especialmente esse bom entendimento e cumplicidade até que nos une.
Afinal, para se escrever para crianças é preciso ter viva dentro de si uma criança encantada com o prazer de brincar com palavras e inventar histórias.
E aqui está uma fotografia que celebra essa amizade intensa, neste caso durante as Palvras Andarilhas em que tenho o orgulho de ter estado ao lado do António Torrado e da Luísa Ducla Soares.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
MARAVILHAS DA LEITURA

Belíssimo livro de Rui Zink. Delicioso divertimento e magnífica lição sobre o que é a leitura e o amor aos livros.
Um menino embarca sem querer num navio que vai à procura de um animal fantástico, um animal leitor de que um remoto explorador deixou notícia num escrito em que por estar constipado troca na escrita (!) os emes pelos bês e, por em vez de “animal leitor” escreve “anibaleitor”.
Num naufrágio, o menino naufraga e vai ter à caverna do Anibaleitor, um imenso gorila que Lê e come seres humanos. Não como o protagonista porque precisa de alguém para falar dos livros que lê.
Os diálogos entre os dois são não divertidíssimose carregados do humor e do uso brilhante do non-sense habituais em Rui Zink. Simultaneamente são uma lição fantástica sobre a leitura que vai derrubando um a um todos os lugares comuns que se interpõem entre os jovens e a fantástica aventura que é a leitura.
Este é daqueles livros que pode e deve ser lido por todas as idades, dos 12 aos 82 anos. E todos terão motivo para um tempo útil e muito bem passado.

Por puro acaso li de seguida estes dois livros com muitos pontos de semelhança. Afonso Cruz (também magnífico ilustrador de livros para a infância) serve-se também de uma imaginação e de um humor notáveis para nos dar a história de um homem que dedica a sua vida a ler e morre com um problema cardíaco. O filho vai percorrer o caminho das leituras do pai para o encontrar.
Da Ilha do dr. Moreau de Wells, passa ao Médico e o Monstro de Stevenson, deste chega a Crime e Castigo de Dostoievsky, passa pelo Barão Trepador de Italo Calvino e pelo “Farenheit 451” de Ray Bradbury. Conversa e discute com as personagens, irrita-se com elas, vai aprendendo que a leitura nos questiona ou ilumina a vida, como acontece no caso da sua amizade pelo gordo Bombo ou no amor por Beatriz, ambos seus colegas.
Outro livro que devia ser obrigatório (se é que faz sentuido falar de livros obrigatórios…), construído com uma ironia notável e que constitui também uma magnífica lição sobre o supremo prazer da leitura.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
DO 5 DE OUTUBRO AO 25 DE ABRIL

Lojistas, operários, marinheiros e soldados, anarquistas, socialistas, republicanos e (até) monárquicos, carbonários e maçons convergiram na tentativa de mudar o regime e instaurar uma cidadania plena a 5 de Outubro.
Mas a revolução (talvez pelo equívoco de uma bandeira branca tomada por sinal de rendição) só se tornou imparável quando o povo saiu à rua e a transformou numa festa.
Como em Abril.

(Eduardo Gageiro)
domingo, 3 de outubro de 2010
MACHADO SANTOS

Faz hoje 100 anos que o chefe civil da revolução republicana em curso, o dr. Miguel Bombarda, foi assassinado por um doente.
Receando a reacção dos populares e dos militantes republicanos, o governo deu ordem para que os quarteis entrassem de prevenção.
Alguns dos chefes republicanos recearam avançar com o plano revolucionário.
Machado Santos, obcessivo, teimoso, resoluto, senhor de uma valentia invulgar, resolveu avançar quase que por sua conta e risco e por volta da uma da manhã do dia
4, com algumas dezenas dos seus carbonários, entrou no quartel de Infantaria 16 onde se lhe juntaram cerca de centena e meia de soldados, sargentos e dois ou três oficiais.
Sairam com 5 canhões. Pretendiam dirigir-se ao Palácio de Belém. No entanto, interceptados por uma força da Guarda Municipal fiel ao governo, dirigiram-se à Rotunda onde se instalaram e onde ficariam até à vitória da República no dia 5.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
APRESENTAÇÃO DE "ERA UMA VEZ A REPÚBLICA"

Queridos amigos,
Vou fazer o lançamento deste livro que me é muito importante. Será muito apropriadamente nos Paços do Concelho já que se trata de um livro sobre a República e não deve haver melhor lugar do que aquele em que a República foi proclamada.
"ERA UMA VEZ A REPÚBLICA" é um livro de que estou muito orgulhoso pelo cuidado que a editora nele pôs e +pela grande qualidade gráfica. Destina-se especialmente aos jovens dos 10 aos 15 anos. Mas creio que será bonito e útil a pessoas de qualquer idade.
Tenho o orgulho de poder anunciar que a apresentação será feiet pela dra. Maria Barroso e que contaremos ainda com uma intervenção do José Jorge Letria e do tenor Carlos Miguel que vai apresentar 2 ou 3 canções que se cantavam por altura da implantação do República.
Gostava muito de vos ver por lá. É no dia 28 de Setembro pelas 18h30.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
terça-feira, 21 de setembro de 2010
3 ANOS DE QUERIDAS BIBLIOTECAS
Faz hoje 3 anos que comecei esta aventura de me abalançar a fazer um blog. O resultado foi para mim inesperado porque passados estes três anos continua a aumentar o número dos visitantes e, neste momento, chegámos à média de quase 70 visitas por dia.
É um blog pessoal que não vive à volta do umbigo mas procura tornar-se um espaço de partilha de ideias, experiências, emoções e memórias. É um espaço de liberdade e de valores éticos e morais. É um espaço de indignação e de festa também.
A Licínia, a Maria, a Teresa Queirós, o Mar Arável (Eufrázio Filipe), o Samuel, o Júlio Pego, o Tiago Carvalho, são apenas alguns dos companheiros queridos que me animam com os seus comentários e ajudam assim a criar uma corrente fraterna que existe com mais ou menos visibilidade, uma rede que vai mantendo vivos este espaço de liberdade de pensamento.

(Foto Sílvia Alves)
E como é de amigos e com amigos que falo aproveito para trazer para aqui uma nova amiga. Chama-se Fanny Abramovich, escritora brasileira deliciosa pela sua ironia, pela sua alegria, pela sua irreverência e pela sua escrita na ária da literatura para a infância e a juventude. Conhecemo-nos neste fim de semana em Beja nas Palavras Andarilhas, e trarei aqui alguns exemplos da sua deliciosa escrita.
É um blog pessoal que não vive à volta do umbigo mas procura tornar-se um espaço de partilha de ideias, experiências, emoções e memórias. É um espaço de liberdade e de valores éticos e morais. É um espaço de indignação e de festa também.
A Licínia, a Maria, a Teresa Queirós, o Mar Arável (Eufrázio Filipe), o Samuel, o Júlio Pego, o Tiago Carvalho, são apenas alguns dos companheiros queridos que me animam com os seus comentários e ajudam assim a criar uma corrente fraterna que existe com mais ou menos visibilidade, uma rede que vai mantendo vivos este espaço de liberdade de pensamento.

(Foto Sílvia Alves)
E como é de amigos e com amigos que falo aproveito para trazer para aqui uma nova amiga. Chama-se Fanny Abramovich, escritora brasileira deliciosa pela sua ironia, pela sua alegria, pela sua irreverência e pela sua escrita na ária da literatura para a infância e a juventude. Conhecemo-nos neste fim de semana em Beja nas Palavras Andarilhas, e trarei aqui alguns exemplos da sua deliciosa escrita.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
A MISTERIOSA HISTÓRIA DE UM LONGO EQUÍVOCO
Faço aqui uma declaração solene: para minha grande tristeza sou desafinado, não sei música, não sei tocar nenhum instrumento musical, nunca cantei em público.
Apesar que acima reza e que é absolutamente verdade, sou perseguido há muitos anos pela fama de ser cantor. Há escolas onde sou recebido com uma viola para cantar, há pessoas que me pedem para cantar uma daquelas minhas cantiguinhas, várias foram as pessoas que juram já me ter visto cantar.
Inúmeras vezes senti que algumas pessoas ficam desconfiadas a pensar que estou a gozar com elas quando lhes digo que não sei cantar. Mas é verdade. Verdade pura e crua! Verdade indesmentível!
Desconfio que depois do último livro que publiquei,este equívoco ameaça agravar-se mercê desta página:

Creio que sei de onde vem este equívoco. Acompanhei muitas vezes alguns cantores e ainda o faço com alguma frequência. Eles cantam, eu digo poesia. Começou com o Zeca Afonso em 1969, com o Adriano Correia de Oliveira, o Carlos Alberto Moniz, o Manuel Freire, o Xico Fanhais, o Fernando Tordo, o Carlos Mendes, a Amélia Muge... E até com os filhos de alguns deles, o Francisco Mendes, por exemplo, com quem faço às vezes sessões de canções e poesia.
Fiz muitas letras de canções, um poema meu ganhou o Festival RTP da canção com música do Pedro Osório, cantado pela Lúcia Moniz.
Mas nunca cantei. Juro. E mesmo quando chega àquelas canções que todos cantam em coro (como a Grândola e outras), para não estragar o canto com a minha desafinação, abro e fecho a boca a fingir que estou a cantar.
Julgo que tenho um certo sentido ritmíco. Esse é um instrumento fundamental da poesia. Talvez< consiga dominar alguma música das palavras o escrever. Mas nunca cantei! Não sei música e tenho muita pena.
Não sei mais o que fazer para desfazer este equívoco! Peço apenas a todos os meus amigos que espoalhem por toda a parte com muito engenho e arte que o Fanha faz muitas coisas, coisas até relacionadas com a música e a canção, mas não sabe e nunca soube cantar!
Apesar que acima reza e que é absolutamente verdade, sou perseguido há muitos anos pela fama de ser cantor. Há escolas onde sou recebido com uma viola para cantar, há pessoas que me pedem para cantar uma daquelas minhas cantiguinhas, várias foram as pessoas que juram já me ter visto cantar.
Inúmeras vezes senti que algumas pessoas ficam desconfiadas a pensar que estou a gozar com elas quando lhes digo que não sei cantar. Mas é verdade. Verdade pura e crua! Verdade indesmentível!
Desconfio que depois do último livro que publiquei,este equívoco ameaça agravar-se mercê desta página:

Creio que sei de onde vem este equívoco. Acompanhei muitas vezes alguns cantores e ainda o faço com alguma frequência. Eles cantam, eu digo poesia. Começou com o Zeca Afonso em 1969, com o Adriano Correia de Oliveira, o Carlos Alberto Moniz, o Manuel Freire, o Xico Fanhais, o Fernando Tordo, o Carlos Mendes, a Amélia Muge... E até com os filhos de alguns deles, o Francisco Mendes, por exemplo, com quem faço às vezes sessões de canções e poesia.
Fiz muitas letras de canções, um poema meu ganhou o Festival RTP da canção com música do Pedro Osório, cantado pela Lúcia Moniz.
Mas nunca cantei. Juro. E mesmo quando chega àquelas canções que todos cantam em coro (como a Grândola e outras), para não estragar o canto com a minha desafinação, abro e fecho a boca a fingir que estou a cantar.
Julgo que tenho um certo sentido ritmíco. Esse é um instrumento fundamental da poesia. Talvez< consiga dominar alguma música das palavras o escrever. Mas nunca cantei! Não sei música e tenho muita pena.
Não sei mais o que fazer para desfazer este equívoco! Peço apenas a todos os meus amigos que espoalhem por toda a parte com muito engenho e arte que o Fanha faz muitas coisas, coisas até relacionadas com a música e a canção, mas não sabe e nunca soube cantar!
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
HOJE EM BEJA

Começam hoje em Beja as Andarilhas, essa festa da liratura e sobretudo da oratura, como diz o António Torrado. A arte de contar histórias e de crescer contando e ouvindo contar histórias.
E a este maravilhoso acontecimento que teimosamente continua de pé há um nome que tem de estar sempre ligado, o da Cristina Taquelim.
Parabéns Cristna, a tua/nossa festa vai ser, já é linda.
domingo, 12 de setembro de 2010
GORDINHAS E BARRIGUDAS

A Texto Editora, na pessoa da Susana Borges, fez-me o desafio de escrever um livro para a excelente colecção Gramofone com textos, lenga-lengas e histórias que abordassem a brincar a acentuação das palavras na língua portuguesa.
Aí está o livro com ilustrações deliciosas do Afonso Cruz.
Deixo ficar
ROMANCE DAS CATATUAS DE LISBOA
Teodora catatua
era tia de uma linda
Teolinda
também ela catatua.
Catua e catatia
uma sopra outra assobia
Catatia e catatua
mais parecem capicuas
seja noite ou seja dia
seja chuva ou ventania
seja sol ou seja lua
vão andando pela rua
com seus dotes palavrantes
num chorrilho bem falante
de coisas ditas à toa.
Catatia e Catatua
uma aperta outra abotoa
vieram de muito longe
de Mombaça ou de Quiloa
de Damão ou Calcutá
das terras do patuá
e o seu falar atrevido
dá um ar mais colorido
às ruelas de Lisboa
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
O MEU AMIGO PINTO
O meu amigo Pinto abriu em 1972 o seu estabelecimento de cabeleireiro de homens em Lisboa na cave do então chamado drugstore Apolo 70 e ainda lá está. Ganhou vários prémios nacionais e internacionais. E pode contar por amigos com a maior parte dos seus clientes.
E os seu clientes, alto lá com ele!, vão desde vários Presidentes da Répública, a muitos políticos de todas as cores, escritores, músicos, actores, gente da televisão, do cinema, médicos, professores universitários, eu sei lá que mais. O Pinto é uma figura fundamental da nossa Lisboa.
Eu cá já lá corto o cabelo desde finais dos anos 70. É verdade que, com esta mania do cabelo comprido, não lhe dou muito dinheiro a ganhar.
Mas é sempre um prazer sentar-me na sua cadeira de barbeiro e deixar correr a conversa, até porque bom barbeiro tem de ser bom conversador e o o meu amigo Pinto é mestre na arte da tesoura e na da palavra.

Um dia, o Pinto falou-me de um conhecido comum. Diabético como eu, mas com muito poucos cuidados com a doença. Estava em casa. Muito triste. Tinham-lhe cortado uma perna. O Pinto tinha lá ido cortar-lhe o cabelo. "É que eu, quando os clientes ficam doentes, faço questão de ir lá a casa tratar deles. E não levo dinheiro. Na minha casa levo. Mas na casa dos clientes, nem pensar!"
Ah! Grande Pinto, pensei eu! Mantém uma ética do ofício que hoje já está tão desaparecida.
Os ofícios praticamente também já desapareceram. E é pena. Cresci em Alcântara. Conheci vários artistas. Quer dizer, mestres de ofício. Gente que trabalhava com mestria a madeira, o ferro, a lata, a fresa, a tesoura, a plaina... Com a mão. E a mão trazia consigo a ética, os valores morais e os sociais. Lisboa foi até aos anos 60/70 uma cidade de ofícios.
Meses depois voltei à cadeira do Pinto e, relembrando a história comovente da forma como ele tinha ido tratar do cabelo ao meu amigo diabético, fiz-lhe um elogio cá dos meus porque merecia isso e muito mais.
Com o seu sorriso caloroso e humilde, o Pinto acrescentou que também, quando um cliente falecia, fazia questão de ser ele a ir fazer-lhe a última barba.
O que é que eu posso dizer mais? Ainda há gente como o PInto. E eu tenho muito orgulho de ser amigo dele.
E os seu clientes, alto lá com ele!, vão desde vários Presidentes da Répública, a muitos políticos de todas as cores, escritores, músicos, actores, gente da televisão, do cinema, médicos, professores universitários, eu sei lá que mais. O Pinto é uma figura fundamental da nossa Lisboa.
Eu cá já lá corto o cabelo desde finais dos anos 70. É verdade que, com esta mania do cabelo comprido, não lhe dou muito dinheiro a ganhar.
Mas é sempre um prazer sentar-me na sua cadeira de barbeiro e deixar correr a conversa, até porque bom barbeiro tem de ser bom conversador e o o meu amigo Pinto é mestre na arte da tesoura e na da palavra.

Um dia, o Pinto falou-me de um conhecido comum. Diabético como eu, mas com muito poucos cuidados com a doença. Estava em casa. Muito triste. Tinham-lhe cortado uma perna. O Pinto tinha lá ido cortar-lhe o cabelo. "É que eu, quando os clientes ficam doentes, faço questão de ir lá a casa tratar deles. E não levo dinheiro. Na minha casa levo. Mas na casa dos clientes, nem pensar!"
Ah! Grande Pinto, pensei eu! Mantém uma ética do ofício que hoje já está tão desaparecida.
Os ofícios praticamente também já desapareceram. E é pena. Cresci em Alcântara. Conheci vários artistas. Quer dizer, mestres de ofício. Gente que trabalhava com mestria a madeira, o ferro, a lata, a fresa, a tesoura, a plaina... Com a mão. E a mão trazia consigo a ética, os valores morais e os sociais. Lisboa foi até aos anos 60/70 uma cidade de ofícios.
Meses depois voltei à cadeira do Pinto e, relembrando a história comovente da forma como ele tinha ido tratar do cabelo ao meu amigo diabético, fiz-lhe um elogio cá dos meus porque merecia isso e muito mais.
Com o seu sorriso caloroso e humilde, o Pinto acrescentou que também, quando um cliente falecia, fazia questão de ser ele a ir fazer-lhe a última barba.
O que é que eu posso dizer mais? Ainda há gente como o PInto. E eu tenho muito orgulho de ser amigo dele.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
ZECA TUM-TUM

Divertiu-me muito escrever este livro que acaba de sair e que fala da pluriculturalidade.
Conta as histórias que acontecem numa turma do 5º ano em que convivem o Zeca Tum-Tum, caboverdeano, a Maria Sarabandovitch, bielorussa,o Tiago Ping-Pong, chinês, o Piarapora, brasileiro, mais outros, um alentejano, um minhoto, um sintrense, e o narrador que é apenas... gordo.
"Entre mim e o meu amigo Zeca Tum-Tum as coisas começaram muito mal. Se calhar todas as grandes amizades começam assim. A nossa começou por um grande entalão.
Foi logo no primeiro dia de aulas, na entrada para a sala de EV. Vínhamos os dois a correr, quisemos entrar ao mesmo tempo e pumba! Chocámos um com o outro, demos uma grande cabeçada e ficámos entalados na porta.
Cada um de nós queria ser o primeiro a entrar na sala. O Zeca disse logo: “Sai daí ó gordo e deixa-me passar!”, “Quem é que é gordo, quem é que é gordo?”, reagi eu todo eriçado embora, naquele tempo, fosse mesmo um bocadinho gordo.. Mas uma coisa era ser gordo e outra era deixar que me chamassem gordo.
“Está bem, até podes não ser gordo…”, Concedeu-me o Zeca, “Mas quem chegou primeiro fui eu!”
Ele achava que tinha sido o primeiro., eu também achava que tinha sido o primeiro e ali ficámos, entra não entra, empurra não empurra, até que o professor Silvério abriu-nos muito os olhos e nós baixámos a cabeça e entrámos os dois ao mesmo tempo sem mais confusão.
Cada um foi para seu canto na sala e ficámos o tempo todo a atirar um ao outro uns olhares atravessados daqueles que estão mesmo a prometer que ia haver molho lá fora mal tocasse para o intervalo."
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
ERA UMA VEZ A REPÚBLICA

Acaba de sair. Levou tempo mas aí está. Ainda quente.
Foi dos desafios a que mais gosto me deu responder. Tratava-se de fazer um livro sobre a República que embora não se destinasse a uma idade específica, procurasse ser um livro agradável e útil para meninos e jovens desde os 8 anos até ao 3º Ciclo.
Procurei contar a História como se conta uma estória. Por isso tive de começar por dizer: ERA UMA VEZ A REPÚBLICA".
Quando comecei perguntei a mim mesmo se todos sabemos o que é uma República? Qual é a diferença entre a República e a Monarquia? E o MAPA COR-DE-ROSA, quem o desenhou? Como é que nasceu o hino nacional? Como é que se escolheu a nova bandeira portuguesa? Quem é que era eleito para o Parlamento? O que é a Maçonaria? E a Carbonária? Porque é que assassinaram o Rei D. Carlos? Quem foi Afonso Costa? Porque é que chamavam o Presidente-rei a Sidónio Pais?
São muitas as perguntas que nos vêm a boca quando falamos do 5 de Outubro de 1910. E foi à procura de respostas simples e claras a essas perguntas que meti mãos à obra e comecei a escrevi este livro.
O pai da ideia foi o PEDRO REISINHO, editor da Gailivro. As ilustrações são do ALEX GOZBLAU e a concepção gráfica e design do JORGE SILVA.
O resultado é um mimo. Espero que seja agradável e instrutivo. Um bom instrumento para todos conhecermos melhor o que foi esse momento tão importante da nossa História recente.
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