segunda-feira, 1 de novembro de 2010

AS CANÇÕES A QUE VOLTAMOS



Como os livros, há canções que cheiram a novas e outras que cheiram a usadas. Talvez as mais usadas sejam as melhores. Há canções que usamos muito ao longo da vida. É nelas também que encontramos pedaços da nossa raiz, do nosso afecto, da nossa asa.

Esta, "Tom Trautber's blues" é daquelas a que volto, volta e meia. Está muito usada mas que bem que me sabe ainda ouvi-la...

sábado, 30 de outubro de 2010

E AGORA QUALQUER COISA DIFERENTE 3



(Ray Bradbury, escritor norte-americano de livros de ficção científica)

“Os livros só têm dois cheiros: o cheiro a novo, que é bom, e o cheiro a usado que é ainda melhor.”

Ray Bradbury, “Babélia”, 25/7/2009

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

BIBLIOTECA MUNICIPAL DE PENAFIEL



Nas minhas voltas andarilhas pelas bibliotecas do país, aqui estou em Penafiel com o Veredor da Cultura António Vieira de Sousa e a Bibliotecária Adelaide Galhardo que põe uma alegria e uma convicção invulgares na sua comunicação com os meninos que tínhamos à frente, e uma enorme paixão e orgulho pela sua biblioteca e pela sua actividade. Quem trabalha nas bibliotecas é muitas vezes assim.

Depois, foi contar histórias, dizer poesia e falar da República com uns cem meninos no auditório da Biblioteca.



terça-feira, 26 de outubro de 2010

ESCOLA MESTRE DOMINGOS SARAIVA

Une-me uma já longa relação de amizade e colaboração com esta escola do Algueirão cujo dinamismo e qualidade pedagógica não me canso de referir.

Desta vez vim fazer a apresentação do meu livro "O MEU AMIGO ZECA-TUM E OS OUTROS" e tive a felicidade de ter ao meu lado a pesença sempre calorosa do meu amigo e Presidentea da Câmara de Sintra Fernando Seara.




Neste livrinho alinhei pequenas histórias passadas numa turma onde convivem alunos de várias origens, um caboverdeano, outro brasileiro, uma bielo-russa, um chinês, etc, etc.

A certa altura aparece a letra de um rap que o Zeca Tum-Tum compôs. E foram o Fábio Rocha e o Rafael Costa, dois alunos da Professora Marília que interpretaram o rap. Uma delícia.




Não sou preto sou castanho
vou para o banho
e o castanho não me sai
não me cai
não se vai da minha pele.

Sou castanho e tenho mel
no olhar
no cantar
vou a andar devagarinho
e o meu sangue
é vermelho vermelhinho~
como o sangue do vizinho.

(...)


segunda-feira, 25 de outubro de 2010

JAVIER SAEZ CASTÁN EM ÓBIDOS



Quem conheceu o Javier em Beja nas PALAVRAS ANDARILHAS ficou fascinado com o seu trabalho gráfico, a forma excepcionalmente interessante como o apresenta, pelo sentido pedagógico de que se revestem as suas intervenções.



Pois ele vai estar em Óbidos a fazer um atelier a 4 e 5 de Novembro intitulado "VEJO LOGO EXISTO - o livro enquanto suporte na animação da leitura", promovido pela livraria BICHINHO DE CONTO da Mafalda Milhões (www.bichinhodoconto.pt)

Vale a pena, garanto-vos eu.

domingo, 24 de outubro de 2010

O MEU CORAÇÃO NÃO TEM COR

E a propósito do racismo covém lembrar que todos nós portugueses somos filhos de viagens, vagabundagens e criolagens diversas. Temos sangue celta, godo, àrabe,judeu, grego, cartaginês, romano, negro... E agora também eslavo, chinês, e sei lá que mais.

É essa mistura, essa abertura à diferença que fez e faz esta pátria fantasticamente multifacetada.

E aproveito para voltar a trazer aqui um momento que para mim foi muito emocionante. A canção que tem música do Pedro Osório e letra minha no momento em que a Lúcia Moniz a apresentou em Oslo, 1996, e que é a canção portuguesa melhor classificada
de semopre no Eurofestival.

Uma canção que nunca teve edição discográfica comercia e que falava de nós, da porta aberta da cultura portuguesa ao mundo e da riqueza notável que resulta dessa porta aberta que é a lusofonia-

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

E AGORA QUALQUER COISA DIFERENTE 2



(Caetano Veloso, cantor e poeta brasileiro)

“De um racista eu exijo, no mínimo, que ele finja que o não é.”

Caetano Veloso, O Público 11.12.2009

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A REPÚBLICA DOS AMIGOS

No lançamento de "ERA UMA VEZ A REPÚBLICA", na belíssima sala do Arquivo nos Paços do Concelho de Lisboa, tive a sorte de ter muitos amigos à minha volta. Luís Gamito, Violante Magalhães, Carlos Albuquerque, Alberto Trovão do Rosário, Aníbal Bento, Luísa Vicente, José Moreno, Luciano Marmelada, José Jorge Letria, e tantos, tantos mais.

A todos um grande e forte abraço de agradecimento pela amizade que me quiseram demonstrar.



A grande dama que é a dra. Maria Barroso



O Vasco Lourenço a quem todos devemos tanto e, através dele a quantos nos ajudaram a recuperar a liberdade.



E os outros amigos. Tantos e tão queridos!

domingo, 17 de outubro de 2010

E AGORA, QUALQUER COISA DIFERENTE 1

Como diziam os Monty Python: e agora, qualquer coisa diferente. Uma colecção de citações do baú onde vou guardando frases, versos, ideias, coisas pequenas que me ajudam por vezes a organizar o meu próprio pensamento.




(Erri de Luca, escritor, jornalista e poeta italiano)

“Precisamos de uma geração que conte à geração seguinte a sua experiência . E que conte de viva voz, não com o cinema ou a televisão, mas envolvendo-se com o corpo”

Erri de Luca, O Público, 27/11/09

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

UMA QUESTÃO DE LUZ E DE TEIMOSIA



Morreu uma das mais emblemáticas e entusiastas protagonistas da festa que tem sido (sempre que as autarquias não se distraem) a implementação da Rede de Leitura Pública.

Amiga do coração, a Isabelinha abriu várias Bibliotecas e vivia a promoção do livro e da leitura como uma coisa fundamental da sua vida.

É pena que várias autarquias continuem a promover incultura pimba, do espectáculo de momento, da pastilha elástica de mastigar e deitar fora e, à pala da crise, deixem de lado a promoção do livro e da leitura, cortem as verbas às Bibliotecas Municipais, retirem (nalguns casos) os jornais dessas bibliotecas onde os mais velhos iam ler o seu jornal diário, para oferecerem o dinheiro de todos nós sem qualquer retorno aos fazedores de festas de "abana-o-capacete".

A grande, a verdadeira crise é a de falta de valores sólidos que continua a ser a de muitos dos que nos governam nas várias instâncias do poder. E se as autarquias em geral têm levado a luz da cultura e do entretenimento de qualidade ao interior do país, é também verdade que muitas delas continuam a deixar-se iludir pelo sucesso efémero que dura o arder de um fósforo.

A Isabel de Sousa e o Joaquim Mestre (da Biblioteca de Beja e também desaparecido há pouco) pertenceram à primeira fornada dos Bibliotecários na construção dessa revolução silenciosa que tem sido o crescimento das Bibliotecas da Rede de Leitura Pública. Eles continuam a ser uma luzinha para todos nós que sabemos que não há desenvolvimento económico e social sem promoção séria e sustentada do livro e da leitura.

Resta-nos o adeus amargo. Até sempre, Isabel. Nós somos teimosos. Continuamos. Também em teu nome.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

AMIGOS

Por vezes os oficiais do mesmo ofício têm invejas, pequenos ódios, rezinguices. Pois entre os escritores para a infancia e juventude isso praticamente não acontece.

Quem me chamou a atenção para a nossa geral boa relação foi a Luísa Ducla Soares. Eu nunca tinha pensado noisso. Sentia-me bem com os meus companheiros de escrita e pronto. Agora tenho o duplo prazer de me sentir bem e de apreciar especialmente esse bom entendimento e cumplicidade até que nos une.

Afinal, para se escrever para crianças é preciso ter viva dentro de si uma criança encantada com o prazer de brincar com palavras e inventar histórias.

E aqui está uma fotografia que celebra essa amizade intensa, neste caso durante as Palvras Andarilhas em que tenho o orgulho de ter estado ao lado do António Torrado e da Luísa Ducla Soares.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

MARAVILHAS DA LEITURA




Belíssimo livro de Rui Zink. Delicioso divertimento e magnífica lição sobre o que é a leitura e o amor aos livros.

Um menino embarca sem querer num navio que vai à procura de um animal fantástico, um animal leitor de que um remoto explorador deixou notícia num escrito em que por estar constipado troca na escrita (!) os emes pelos bês e, por em vez de “animal leitor” escreve “anibaleitor”.

Num naufrágio, o menino naufraga e vai ter à caverna do Anibaleitor, um imenso gorila que Lê e come seres humanos. Não como o protagonista porque precisa de alguém para falar dos livros que lê.

Os diálogos entre os dois são não divertidíssimose carregados do humor e do uso brilhante do non-sense habituais em Rui Zink. Simultaneamente são uma lição fantástica sobre a leitura que vai derrubando um a um todos os lugares comuns que se interpõem entre os jovens e a fantástica aventura que é a leitura.

Este é daqueles livros que pode e deve ser lido por todas as idades, dos 12 aos 82 anos. E todos terão motivo para um tempo útil e muito bem passado.



Por puro acaso li de seguida estes dois livros com muitos pontos de semelhança. Afonso Cruz (também magnífico ilustrador de livros para a infância) serve-se também de uma imaginação e de um humor notáveis para nos dar a história de um homem que dedica a sua vida a ler e morre com um problema cardíaco. O filho vai percorrer o caminho das leituras do pai para o encontrar.

Da Ilha do dr. Moreau de Wells, passa ao Médico e o Monstro de Stevenson, deste chega a Crime e Castigo de Dostoievsky, passa pelo Barão Trepador de Italo Calvino e pelo “Farenheit 451” de Ray Bradbury. Conversa e discute com as personagens, irrita-se com elas, vai aprendendo que a leitura nos questiona ou ilumina a vida, como acontece no caso da sua amizade pelo gordo Bombo ou no amor por Beatriz, ambos seus colegas.

Outro livro que devia ser obrigatório (se é que faz sentuido falar de livros obrigatórios…), construído com uma ironia notável e que constitui também uma magnífica lição sobre o supremo prazer da leitura.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

DO 5 DE OUTUBRO AO 25 DE ABRIL



Lojistas, operários, marinheiros e soldados, anarquistas, socialistas, republicanos e (até) monárquicos, carbonários e maçons convergiram na tentativa de mudar o regime e instaurar uma cidadania plena a 5 de Outubro.

Mas a revolução (talvez pelo equívoco de uma bandeira branca tomada por sinal de rendição) só se tornou imparável quando o povo saiu à rua e a transformou numa festa.

Como em Abril.



(Eduardo Gageiro)

domingo, 3 de outubro de 2010

MACHADO SANTOS



Faz hoje 100 anos que o chefe civil da revolução republicana em curso, o dr. Miguel Bombarda, foi assassinado por um doente.

Receando a reacção dos populares e dos militantes republicanos, o governo deu ordem para que os quarteis entrassem de prevenção.

Alguns dos chefes republicanos recearam avançar com o plano revolucionário.

Machado Santos, obcessivo, teimoso, resoluto, senhor de uma valentia invulgar, resolveu avançar quase que por sua conta e risco e por volta da uma da manhã do dia
4, com algumas dezenas dos seus carbonários, entrou no quartel de Infantaria 16 onde se lhe juntaram cerca de centena e meia de soldados, sargentos e dois ou três oficiais.

Sairam com 5 canhões. Pretendiam dirigir-se ao Palácio de Belém. No entanto, interceptados por uma força da Guarda Municipal fiel ao governo, dirigiram-se à Rotunda onde se instalaram e onde ficariam até à vitória da República no dia 5.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

APRESENTAÇÃO DE "ERA UMA VEZ A REPÚBLICA"


Queridos amigos,


Vou fazer o lançamento deste livro que me é muito importante. Será muito apropriadamente nos Paços do Concelho já que se trata de um livro sobre a República e não deve haver melhor lugar do que aquele em que a República foi proclamada.


"ERA UMA VEZ A REPÚBLICA" é um livro de que estou muito orgulhoso pelo cuidado que a editora nele pôs e +pela grande qualidade gráfica. Destina-se especialmente aos jovens dos 10 aos 15 anos. Mas creio que será bonito e útil a pessoas de qualquer idade.


Tenho o orgulho de poder anunciar que a apresentação será feiet pela dra. Maria Barroso e que contaremos ainda com uma intervenção do José Jorge Letria e do tenor Carlos Miguel que vai apresentar 2 ou 3 canções que se cantavam por altura da implantação do República.


Gostava muito de vos ver por lá. É no dia 28 de Setembro pelas 18h30.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

3 ANOS DE QUERIDAS BIBLIOTECAS

Faz hoje 3 anos que comecei esta aventura de me abalançar a fazer um blog. O resultado foi para mim inesperado porque passados estes três anos continua a aumentar o número dos visitantes e, neste momento, chegámos à média de quase 70 visitas por dia.

É um blog pessoal que não vive à volta do umbigo mas procura tornar-se um espaço de partilha de ideias, experiências, emoções e memórias. É um espaço de liberdade e de valores éticos e morais. É um espaço de indignação e de festa também.

A Licínia, a Maria, a Teresa Queirós, o Mar Arável (Eufrázio Filipe), o Samuel, o Júlio Pego, o Tiago Carvalho, são apenas alguns dos companheiros queridos que me animam com os seus comentários e ajudam assim a criar uma corrente fraterna que existe com mais ou menos visibilidade, uma rede que vai mantendo vivos este espaço de liberdade de pensamento.



(Foto Sílvia Alves)

E como é de amigos e com amigos que falo aproveito para trazer para aqui uma nova amiga. Chama-se Fanny Abramovich, escritora brasileira deliciosa pela sua ironia, pela sua alegria, pela sua irreverência e pela sua escrita na ária da literatura para a infância e a juventude. Conhecemo-nos neste fim de semana em Beja nas Palavras Andarilhas, e trarei aqui alguns exemplos da sua deliciosa escrita.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A MISTERIOSA HISTÓRIA DE UM LONGO EQUÍVOCO

Faço aqui uma declaração solene: para minha grande tristeza sou desafinado, não sei música, não sei tocar nenhum instrumento musical, nunca cantei em público.

Apesar que acima reza e que é absolutamente verdade, sou perseguido há muitos anos pela fama de ser cantor. Há escolas onde sou recebido com uma viola para cantar, há pessoas que me pedem para cantar uma daquelas minhas cantiguinhas, várias foram as pessoas que juram já me ter visto cantar.

Inúmeras vezes senti que algumas pessoas ficam desconfiadas a pensar que estou a gozar com elas quando lhes digo que não sei cantar. Mas é verdade. Verdade pura e crua! Verdade indesmentível!

Desconfio que depois do último livro que publiquei,este equívoco ameaça agravar-se mercê desta página:



Creio que sei de onde vem este equívoco. Acompanhei muitas vezes alguns cantores e ainda o faço com alguma frequência. Eles cantam, eu digo poesia. Começou com o Zeca Afonso em 1969, com o Adriano Correia de Oliveira, o Carlos Alberto Moniz, o Manuel Freire, o Xico Fanhais, o Fernando Tordo, o Carlos Mendes, a Amélia Muge... E até com os filhos de alguns deles, o Francisco Mendes, por exemplo, com quem faço às vezes sessões de canções e poesia.

Fiz muitas letras de canções, um poema meu ganhou o Festival RTP da canção com música do Pedro Osório, cantado pela Lúcia Moniz.

Mas nunca cantei. Juro. E mesmo quando chega àquelas canções que todos cantam em coro (como a Grândola e outras), para não estragar o canto com a minha desafinação, abro e fecho a boca a fingir que estou a cantar.

Julgo que tenho um certo sentido ritmíco. Esse é um instrumento fundamental da poesia. Talvez< consiga dominar alguma música das palavras o escrever. Mas nunca cantei! Não sei música e tenho muita pena.

Não sei mais o que fazer para desfazer este equívoco! Peço apenas a todos os meus amigos que espoalhem por toda a parte com muito engenho e arte que o Fanha faz muitas coisas, coisas até relacionadas com a música e a canção, mas não sabe e nunca soube cantar!