domingo, 25 de julho de 2010

NA TERRA DOS "BONS DIAS"



O Alvito é uma das terras do meu encanto.

O branco do casario, o castelo transformado em pousada, a planície, como um mar amarelo e verde a perder de vista.

Amo a quietude, a pedra do calor de Julho e Agosto, o cante que se solta das tabernas ao fim do dia.

Sinto-me irmão dos vestígios mouros e godos, do fortíssimo renascimento presente na Matriz e em dezenas de portais de pedra nas casinhas da Vila.

Esta é, também o sei, a terra de um belíssimo poeta que é bom relembrar sempre, Raul de Carvalho, nascido em 1920 e falecido em 84. O Adriano Correia de Oliveira cantava o seu poema



Aqui vieram procurar sossego e algum retiro grandes amigos meus. O Alípio de Freitas, o Xico Fanhais, o Camilo Mortágua. Gosto mutio de os visitar e pegar-me à conversa com eles para lhes ouvir as histórias da vida.

Mas é gente inquieta. Às vezes estão, outras não. O Xico anda por aí a cantar, O Alípio foi ao Paraguai e à Bolívia para ver ao vivo as voltas que as novas democracias estão a dar por lá. O camilo anda sempre metido em projectos e sonhos. O AP Braga, cantor de baladas nos anos 60, aparece por aí ao fim de semana.



Uma das coisas que adoro no Alvito (e julgo que é hábito de todas as pequenas terras alentejanas) é o hábito das pessoas, por mais que passem umas pelas outras, dizerem quantas vezes for preciso: bom dia, boa tarde, boa noite.

Ao primeiro bom dia fico alapardado, espantado, confrontado com a solidão urbana, que ainda trago aos ombros, de não ver os seres humanos à minha volta e não lhes falar.

Mas rapidamente me integro na respiração da terra e reencontro o prazer de dizer bom dia, boa tarde, boa noite.

Bom dia, Alvito.

Bom dia a todos, vizinhos do planeta terra.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

COISAS DE POETA



Há algumas semanas dei comigo a fazer horas. A ter horas para fazer. Ou melhor, a ter horas para não fazer nada. E mergulhei no espaço maravilhoso e raro da minha infância que é o Jardim da Estrela.

Andei por ali, meio vagabundo, a deixar que o verde me entrasse pelos olhos, a gozar o esplendor das ávores e arbustos, das flores, da relva e das sombras, da brisa e dos risos das crianças. E foi muito bom porque é sempre bom mergulhar nos jardins da cidade e porque é tão raro fazê-lo nesta vida ofegante que levo e muitos de nós levamos.

Era o princípio de uma tarde sábadado daquelas que fazem de Lisboa uma cidade mágica. Há muito que não gozava de um momento de tão tranquila entrega.

A dado momento parei encantado frente a um arbusto grande carregado de umas flores de que ainda não consegui saber o nome. São brancas e grandes, com um palmo de comprimento e a forma de sinos alongados.

Parecia uma chuva de flores... Pensei que lhes podia chamar "campainhas do céu".

Parado à frente daquelas flores começavam as palavras a bailar-me na cabeça à procura de formar esse comboiinho por vezes inquieto e revolto, por vezes doce e amável, a que se chama poema.

De tão distraído, nem reparei numa menina de 8/9 anos que arrancava uma daquelas belíssimas flores. Reparei depois na jovem avó que me sorria pouco à vontadde como quem pedisse desculpa do rapinanço da neta.

Eu sorri à menina de dentro do meu devaneio e disse-lhe que levava na mão uma campainha do céu. A menina atirou a flor pelo ar e comentou desinteressada: "Isto é mas é um espanador!"

Fui andando a pensar que a poesia não é tão fácil de abraçar cmo eu gostava. E a lembrar-me daquela magnífica frase do Maio de 68: "Cuidado: Os ouvidos têm paredes!"

terça-feira, 20 de julho de 2010

MÁRIO QUINTANA



Mário Quintana, poeta brasileiro, nascido em Alegrete, 1906, e falecido em Porto Alegre, 1994, foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro, deixou uma vasta obra de textos, pensamentos e poesia, pelo conjunto da qual recebeu em 1980 o prêmio Machado de Assis da academia Brasileira de Letras.


O AUTO-RETRATO

No retrato que me faço
- traço a traço -
às vezes me pinto nuvem,
às vezes me pinto árvore...

às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança...
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão...

e, desta lida, em que busco
- pouco a pouco -
minha eterna semelhança,

no final, que restará?
Um desenho de criança...
Corrigido por um louco!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

A CRIAÇÃO



"E EIS QUE,

TENDO DEUS DESCANSADO NO SÉTIMO DIA,

OS POETAS CONTINUARAM A OBRA DA CRIAÇÃO."


Mário Quintana

sábado, 17 de julho de 2010

A BONDADE, A INTELIGÊNCIA, O CONHECIMENTO

Um amigo meu teve a notícia feliz do nascimento do segundo neto. E foi assim que lhe deu as boas vindas dirigindo-se a ele e ao irmão:

"Queremos todos que sejam felizes, conheçam a vidaas dificuldades da mesma, e que saibam que studar custa , mas que é fantástico saber, é fantástico conhecer.

Queremos todos que saibam que a vida, esta vida, é a relação e a combinação do eu e do tu e que ninguém é capaz de tudo mesmo que a fama e o dinheiro julguem conquistar este mundo e o outro.

Queremos todos que os nossos netos saibam ser humildes nas vitórias e solidários nas derrotas e que saibam que aqueles que julgam ser o centro do mundo não têm nem a consciência do transitório, nem a percepção do efémero.

Queremos todos que entendam que têm de contar com as circunstâncias e a sorte e que a liberdade individual consiste, em regra, na limitação do poder do destino.

Queremos também que percebam, que percebam sempre, que inteligência e bondade se confundem. Sempre se confundiram e sempre se confundirão Qualquer que seja o percurso da vida profissional que se exerça.

Queremos, enfim, que interiorizem, que nunca se esqueçam que, ao contrário do que se escreveu, há difertença, há verdadeira diferença entre a Gioconda e uma garrafa de Coca-Cola. mesmo que só esta última seja patrocinadora de um Mundial de futebol!"

O meu amigo, e camarada de Colégio Militar, chama-se Fernando Seara e o texto veio publicado no jornal A Bola no último domingo, dia 11 de Julho de 2010.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

AS FADAS VERDES




Outro livro da Matilde Um livro que corre pelo maravlhoso, não o maravilhoso fantástico, mas o maravilhoso concreto da natureza e da vida. Porque aqui as Fadas têm a ver com a natureza e, especialmente, da floresta. As Fadas são o Silêncio, o Rosmaninho, a Pinha, a Romã, a Garça, o Amor, a Borboleta, a Manhã, etc, etc, etc.

A Matilde deixou-nos a felicidade de olhar em redor e viver com alegria coisas simples que às vezes andam tão afastadas das nossas preocupações. E deixou-nos essa felicidade com palavras cheias de música e delicadeza.

FELICIDADE

O lagarto estendido ao sol
Disse: O Sol seja louvado!
E o Sol brilhou mais ainda:
Lagarto!Muito obrigado!

A rã no charco da noite
Disse: Que lindo ]e o luar!
E a Lua brilhou mais ainda
Rã! Que lindo o teu coaxar!

E o sapo verde, a saltar
No chão sozinho saltou
E à Terra disse baixinho:
Terra! Que feliz eu não sou!

terça-feira, 13 de julho de 2010

O LIVRO DA TILA




Este livro foi um marco importante na poesia para crianças.

Com quase nada, uma brisa, uma ideia pequenina, mais duas ou três palavras transparentes, a Matilde conseguia fazer passar pelos poemas a deliciosa respiração da sua escrita tão delicada e doce.

HISTÓRIA DO SENHOR DO MAR

Deixa contar...
Era uma vez
O Senhor Mar
com muita onda...
Com muita onda...

E depois?
E depois...
Ondinha vai...
Ondinha vem...
Ondinha vai...
Ondinha vem...
E depois...

A menina adormeceu
Nos braços da sua mãe.

terça-feira, 6 de julho de 2010

A NOSSA MATILDINHA



Era assim que nós, os outros escritores para a infância, tratávamos com um carinho sem fim a "nossa" Matilde Rosa Araújo.

Era a nossa decana, dizia com frequência o António Torrado. E ela, um dia, com o seu humor delicadíssimo, respondeu ao António: "De cana, não, filho! De bengala, de bengala..."

A Matilde, que em cada livro tinha sempre uma dedicatória especial para a minha flha Matilde, punha a criança à frente de tudo. E é bom lembrar isso neste tempo em que a criança se tornou, por vezes, num empecilho, outras vezes num produto do super-mercado da fama.

Li por aí que era a fada-madrinha da literatura para a infância. E era. Uma inspiração muito forte para todos nós, pais, professores ou escritores.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

AMADORA EDUCA



No final do ano lectivo várias Câmaras celebram a Educação. Na Amadora chama-se AMADORA EDUCA e representa um grande esforço. Fazem-nos pensar estas festas que educar e ensinar pode ser sempre uma festa. Poder pode... Nem sempre é. Mas isso são rosários de utras contas. Porque festa é festa e os lamentos ficam para outra altura.



A Câmara escolheu um livro meu, "O DIA EM QUE A BARRIGA REBENTOU" para oferecer aos seus meninos. Por isso, f também uma festa ir até lá contar-lhes de viva voz uma história que mete uns passarões chamados Bisnaus que comem muito e mal.

CANTAR O TEMPO DA REPÚBLICA



O meu amigo João Balula Cid e o comum amigo Carlos Guilherme resolveram pegar nas canções que se cantavam nos palcos dos teatros, na revista, na rua, durante os anos da República.

A juntar, na parte interior aparece um desenho delicioso do Cid, Augusto, primo do Cid, João.

O resultado é uma graça.

O João e o Guilherme andam por aí a fazer espectáculos a mostrar estas canções ao vivo. O próximo é nos Paços do Conselho de Condeixa, no próximo dia 5, pelas 18h00.

vale a pena ir assistir.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

CAMARADA



Há canções que nos acompanham pela vida. Ficam a ressoar. Adormecem. Reaparecem aqui e ali, trazendo um gosto doce peito. É o caso desta que traz uma palavra muito especial.

Há palavras que se gastam e perdem o sentido. Foram tantas as que já vi desapossadas da sua verdade. Uma delas é esta: Camarada. Vem de um tempo antigo e belo, o tempo da plena solidariedade. É uma palavra muito bonita, camarada...

C'est un joli nom Camarade
C'est un joli nom tu sais
Qui marie cerise et grenade
Aux cent fleurs du mois de mai
Pendant des années Camarade
Pendant des années tu sais
Avec ton seul nom comme aubade
Les lèvres s'épanouissaient
Camarade Camarade

C'est un nom terrible Camarade
C'est un nom terrible à dire
Quand, le temps d'une mascarade
Il ne fait plus que frémir
Que venez-vous faire Camarade
Que venez-vous faire ici
Ce fut à cinq heures dans Prague
Que le mois d'août s'obscurcit
Camarade Camarade

C'est un joli nom Camarade
C'est un joli nom tu sais
Dans mon cœur battant la chamade
Pour qu'il revive à jamais
Se marient cerise et grenade
Aux cent fleurs du mois de mai

sábado, 26 de junho de 2010

INÊS MASSANO



Com a Inês Massano, ilustradora do meu livro "Zulaida e o poeta". Só nos conhcíamos pelo telefone e pelo mail. Ela é professora no Louriçal e pudemos finalmente conhecermo-nos pessoalmente.Adoro seu trabalho. E s meninos também.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

HISTÓRIAS PARTILHADAS



Dia da Criança, no Instituto D. João V, no Louriçal.

E um concurso: Histórias partilhadas.

Histórias Partilhadas teve como ponto de partida o primeiro capítulo
do meu livro “A Porta”.

A partir daí alunos de dez escolas do Primeiro Ciclo ( Almagreira, Louriçal, Outeiro do Louriçal, Casal da Rola, Torneira, Moita do Boi, Barbas Novas, Reguengo, Assanha da Paz e Vinha da Rainha) continuaram a história que a turma A, do quinto
ano, da escola anfitriã, encerrou.

A ideia foi dos professores: Adélia Figueiredo, Dulcina Sintra e José Gaspar, para despertar nas crianças o gosto pela escrita.



Foi emocionante contactar com todos os envolvidos neste concurso e senti-me muito orgulhoso por ver que o meu trabalho pode ser útil e ajudar à promoção do livro, da leitura e da escrita.

terça-feira, 22 de junho de 2010

HOJE ESTOU BEM...



Atravessei ou atravesso um ano de mortes. De alguns amigos entre os quais o grande amigo que foi, que é, que será sempre o João Aguiar,de companheiros das lutas do antes de Abril, do meu próprio irmão mais velho.

Vivi de longe a morte de José Saramago. Cruzei-me algumas vezes com ele. Nunca lhe fui próximo. Admirava-o muito como grande escritor que foi, que é.

Lamento muito a sua morte mas regozijo-me por ver que usou a idade de uma forma repleta de plenitude. Amando e sendo amado. Exercendo o direito a ter opiniões firmes e assumidas. Deixando uma obra que nos engrandece e perdurará, dando conta do nosso tempo aos que vierem muito depois.

Hoje encontrei uma outra velha companheira de luta dos anos 60. Estava quase irreconhecível.

"Como estás?"

"Hoje estou bem...", respondeu-me ela. "Mas daqui a dois dias talvez o céu me caia em cima da cabeça."

Abraçámo-nos. E eu queria tanto que o céu não lhe caísse em cima da cabeça. Tanto...

terça-feira, 15 de junho de 2010

NAS VOLTAS QUE A VIDA DÁ



Os amigos nascem ao sabor de momentos em que os laços dessa amizade e dos seus afectos nascem e se consolidam.

Depois vem o tempo que nos separa e nos atira daqui para ali e, da velha amizade, fica um fio de memória e, muitas vezes, aquele desejo sempre adiado que nos faz prometer e acreditar que um dia destes temos de nos reencontrar.



Estava em Mira quando me vieram dizer que ia inaugurar-se daí a pouco, na Biblioteca Municipal, uma exposição de pintura do meu amigo Mário Silva. Não o via desde os anos 7o, talvez, quando a arte e a vida dos portugueses andava de braço dado pela rua e e nenhuma crise era suficiente forte para nos coartar a capacidade de sonhar.



Fui dar um grande abraço ao Mário Silva. E aproveitámos para telefonar ao nosso comum amigo que é o Manuel Freire. E pronto. Foi bom revê-lo e disso aqui dou notícia e espero que os seus 80 anos permitam que nos reencontremos, pelo menos, daqui a mais 20 anos.

ANTÓNIO ALEIXO



O meu amigo José Teiga não desiste da sua velha paixão pelo teatro. Não desiste de juntar gente e de lhes transmitir aquele grão de inquietação que sempre foi seu timbre.

Aqui vai a estreia do trabalho que tem estado a pôr de pé com gente da Universidade Sénior de Loulé.

O texto é o "AUTO DO TI JAQUIM" do poeta António Aleixo.

E que bom que é revisitar este este poeta analfabeto e a sua voz insubmissa.

Vendedor de lotaria, não o deixavam entrar nos principais cafés de Loulé a não ser quando um "Senhor" o chamava.

Quem não se lembra daquela quadra com que mimoseou um advogado que achou que ele tinha uma cara que parecia de ladrão?

SEI QUE PAREÇO UM LADRÃO
MAS HÁ MUITOS QUE EU CONHEÇO
QUE NÃO PARECENDO O QUE SÃO
SÃO AQUILO QUE EU PAREÇO.

Agora, perto do café onde em tempos não podia entrar, está a estátua (de Mestre Lagoa Henriques) que o homenageia.

Mas a melhor homenagem que se lhe pode fazer é reler e relembrar os seus versos e os seus autos como faz o Zé Teiga.

sábado, 12 de junho de 2010

MOZART, NET E LEITURA



A minha amiga Bruxinha, magnífica contadora de histórias, que tem uma página sobre literatura para a infância no "Região de Leiria", enviou-me um inquérito em que surgia a pergunta que muita gente pode fazer: "

"Em que é que a net pode influenciar a leitura?"

Pensei, pensei, pensei e não encontrei resposta. Pelo contrário, pareceu-me que a questão se deveria pôr ao contrário:

"Em que é que a leitura pode ajudar a net?"

É que sem hábitos sólidos de leitura prévios, a utilização da net pode ser um logro e uma imensa inutilidade.

Há poucos dias, a Rosário, querida amiga e professora de uma EB23 do centro do país contou-me esta história exemplar passada consigo própria.

Por altura dos 250 anos do nascimento de Mozart, a professora Rosário pediu a um aluno para fazer uma biografia do grande compositor. Poucos dias depois, cheio de orgulho, o aluno apareceu com uma extensa biografia de Mozart encabeçada com o seu nome completo em magníficos carateres góticos: Wolfgang Amadeus Mozart.

A Rosário olhou para o trabalho e, guardando o espanto que o mesmo lhe provocou, pediu ao aluno que o lesse.

O jovem olhou para o trabalho, engasgou-se e não foi capaz de o ler, apercebendo-se apenas nesse momento que tinha copiado da net um documento em alemão.

É claro que se tratava de copy and paste. Ou seja, de corta e cola, a partir da net. Mas os seus hábitos provavelmente nulos de leitura levaram-no a copiar um documento sem sequer lhe ler a primeira página... Nem a primeira frase!

E aqui temos a prova de que o uso da a net pode ser de uma tremenda inutilidade. E o jovem que julga eventualmente que para ter o mundo aos seus pés (como lhe prometeram alguns políticos) lhe basta saber teclar, usar os programas e toda a parafernália informática, é, na verdade, um info-excluído apenas e tão só porque não tem nenhuns hábitos de leitura.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

EB23 de AMARANTE



Esta é talvez a maior recompensa que um poeta pode ter: ver os seus versos transbordarem para os muros e as paredes e passarem a fazer parte do quotidiano de quem por eles passa.

Em tempos, um poema meu esteve nas paredes de um Centro de Saúde no Alentejo.~

Agora, numa escola do Minho.

Se calhar é o que dá ser português aqui...

Não tenho mpalavras para agradecer aos professores desta escola e em especial à professora Leonor.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

EB 23 de AMARANTE



Um marcador e um auto-colante... É quase indescritível a emoção que senti nesta escola.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

EB23 de AMARANTE



É difíl explicar a forma extraordinária como fui recebido por todos nesta escola.

A simpatia, os cravos, o entusiasmo, o trabalho à volta dos meus livros... Tudo coordenado pela professora Leonor Moura, coordenadora da Biblioteca Escolar.

Sinto um imenso orgulho por ver que as coisas que escrevo servem para implementar o livro e a leitura. Só só um entre muitos que tentam mudar vos hábitos culturais deste país. E há mais gente a mexer do que daqui de Lisboa se possa pensar.



Um imenso pássaro Bisnau roubado às páginas das minhas histórias.



Um computador em que as teclas estavam vivas e iam contando a história do ALEX PONTO COM.



Por toda a parte a presença de trabalhos de várias disciplinas à volta da minha visita.

Um ambiente de festa, cor e alegria como talvez só seja possível no Minho.

terça-feira, 8 de junho de 2010

EB 123 do BOM SUCESSO, ALVERCA



Há escolas onde os problemas são muitos. Problemas que, em geral, vêm de fora das escolas. Nascem em situações de pobreza e desestruturação social e familiar. E nem sempre essas escolas dispõem de meios para fazerem frente aos graves problemas com que se deparam.

Vive-se muitas vezes e dramaticamente a falência do papel educativo das famílias. Algumas escolas vêem-se limitadas devido ao excesso de burocracia, ao delírio avaliativo, à obsessão com o cumprimento estrito e limitativo dos programas. Essas escolas têm muita dificuldade em implementar as estratégias que permitam trabalhar a educação dos jovens que vai da postura física ao inter-relacionamento, passando em primeiríssimo lugar pela linguagem e pela palavra.

Outras escolas, como esta, encontram na promoção do livro e da leitura uma forma fundamental para abrir outros caminhos aos jovens. Caminhos de educação, de reflexão, de magia, de leitura. A Biblioteca dirigida pela Professora Conceição Gregório é um lugar de afectos e crescimento equlibrado onde eu me senti como se estivesse em casa.

É em escolas como esta que um escritor cai que nem ginja em cima do bolo.


segunda-feira, 7 de junho de 2010

EB1 de ESPINHO nº 3



Gosto de ser criança e brincar com palavras como uma criança, e inventar histórias fantásticas para dar asas às crianças.

Aqui foi com as crianças da EB1 de Espinho nº 3.



Frente ao painel da POESIA da sala da professora Aná Correia que faz da poesia uma das grandes vertentes do seu trabalho de educadora.

Bem haja, minha amiga. O futuro é dos poetas. Digo eu. Os outros têm falhado tanto...

sábado, 5 de junho de 2010

CANÇÃO PARA AS MINHAS FILHAS

CANÇÃO PARA AS MINHAS FILHAS


À Sara e à Matilde

Como sereis minhas filhas
quando o meu poema terminar?

Como sereis
agora mesmo
daqui a 5 minutos
5 anos
uma medida qualquer
impalpável
dessas que vestem o tempo
como se o tempo pudesse ser vestido?

Como sereis então
nesse tempo que eu não sei dizer?
Mais claras? Mais azuis? Mais aves?
Tereis já uma ruga pousada junto à boca
e o cântaro da água entornado no olhar?

Que sol trará a luz às vossas mãos?
Que sal tomará conta da música do corpo?
Quem vos cantará
quando eu fechar a casa dos meus versos?

Viverá nos vossos dedos o estilete
o aparo
o bico de carvão
com que sobre o mar se escreve
o desejo de ser livre?

Haverá uma canção que venha em vós
romper a noite
e instaurar a transparência do ar?

Sede espertas e vivas, filhas minhas!
Não deixeis que vos roubem
a alegria do abraço.
Não vos torneis funcionárias!
Cantai!
Sede ciganas
e levai a pátria atrás de vós
na carroça dos mais belos sonhos
que o vosso peito engendrar!

Entrai pelas florestas e tocai em cada tronco
para que ele
de folha em folha:
vos reconheça e diga:
estas são nossas irmãs! Vamos dançar!

Amai como quem cavalga o vento!
Sede mágicas e grandes por dentro do coração!
Não deixeis que injustiça ou mesquinhez
façam ninho à vossa porta.

Ensinai os vossos filhos
a ser pedras
oceanos
a ser sábios.
Ensinai-lhes os caminhos da bondade
e fazei-los sorrir em cada esquina.

E por fim
queridas filhas
se para tanto chegar
o lado mais claro do meu nome a arder
levai-o em vossas mãos
e deixai-o junto ao mar
para que as ondas o tornem
num barco feliz
eternamente a navegar.


(Poema iédito do livro a publicar "Cancioneiro Feliz")

quinta-feira, 3 de junho de 2010

JOÃO AGUIAR



A vida é burra e trata tantas vezes mal os que menos o merecem.

Morreu um homem bom. O escritor, o meu querido amigo, mais que amigo, o meu irmão João Aguiar.

Não tenho mais palavras. Apenas lágrimas.

terça-feira, 1 de junho de 2010

UMA NOVA BIBLIOTECA

Uma nova Biblioteca é sempre uma festa. Uma porta aberta para muitas viagens e sonhos, para o acesso a mais conhecimento. Uma biblioteca é sempre uma estrada para o futuro.

A Escola Mestre Domingos Saraiva, situada numa zona difícil, no Algueirão, tem posto de pé um projecto de escola muito forte, com uma séria relação com a comunidade e o desenvolvimento de actividades notáveis como é o caso de uma orquestra de 60 alunos.

Tenho colaborado amiúde com esta escola e tive a surpresa de me escolherem para patrono da sua biblioteca.

Foi uma festa muito bonita que me deixou... derretido e feliz mas apenas por ver que o meu nome pode ajudar a desenvolver e promover o livro e a leitura.



Ao calor humano, à alegria desta festa juntaram-se dois queridíssimos amigos: o Fernando Seara e o Carlos Alberto Moniz.



E eu aproveitei para estrear um poema dedicado às minhas filhas que publicarei no próximo post.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

A SENHORA ALICE




Senhoras donas, por favor!
Cada país (cada língua, cada cultura) tem a sua maneira específica de se dirigir às pessoas. Mal passamos Vilar Formoso, logo toda a gente se trata por tu, que os espanhóis não são de etiquetas nem de salamaleques.
Mas nós não somos espanhóis.
Também não somos mexicanos, que se tratam por "Licenciado" Fulano. Nem alinhamos com os brasileiros, para quem toda a gente é "Doutor", seguido do nome próprio: Doutor Pedro, Doutor António, Doutor Wanderlei, etc..
Por cá, Doutor é seguido de apelido, e as mulheres, depois de passarem por aqueles brevíssimos segundos em que são tratadas por "Menina", passam de imediato-- sejam casadas, solteiras, viúvas ou amigadas, sejam velhas ou novas, gordas ou magras, feias ou bonitas, ricas ou pobres -à categoria de "Senhora Dona".
Mas parece que uns estranhos ventos sopraram pelas cabeças das gerações mais novas que fizeram o "dona" ir pelos ares ou ficar no tinteiro. Quando recebo daqueles telefonemas que me querem impingir tudo o que se inventou à face da terra-- desde "produtos" bancários que me garantem vida farta, até prémios que supostamente ganhei por coisas a que nunca concorri-sou logo tratada por "Senhora Alice." Respondo sempre: " trate-me por tu, se quiser; ou só pelo meu nome, se lhe apetecer; mas nunca por Senhora Alice".
Mas o cérebro destes pobrezinhos não foi formatado para encontrar resposta a estas coisas, e exclamam logo: "ah, então não é a Senhora Alice que está ao telefone!"
Eu sei que isto não é uma coisa importante, mas que é que querem, irrita-me quando oiço este tratamento dado às mulheres.
Tal como me irrita quando vejo/oiço um jornalista tratar por você alguém com o dobro da idade dele.
É uma questão de delicadeza. De respeito. E de saber falar português. Três coisas, admito, completamente fora de moda.
Pois qual não é o meu espanto quando, aqui há dias, na televisão, oiço o Senhor Primeiro Ministro referir-se assim à mulher (também odeio a palavra "esposa"?) do Comendador Manuel Violas. "A Senhora Celeste?." (não sei se é este o nome da senhora, mas adiante).
Fico parva. Nos cursos todos que tirou, ninguém lhe ensinou que as senhoras são todas "Senhoras Donas"?
Parafraseando livremente o nosso Augusto Gil,"que quem trabalha num call-center nos faça sofrer tormentos? enfim! Mas o Primeiro-Ministro, Senhor? Por que nos dás esta dor? Por que padecemos assim?"

domingo, 30 de maio de 2010

O SENHOR JOSÉ



"Qual é o seu nome?", perguntam-me vezes sem conta naqueles assaltos à mão armada via telemóvel que são executados por pobres tarefeiros em nome das telefónicas, dos canais de televisão, dos bancos, dos seguros, dos inquéritos e de um sem número de chatos militantes que nos ligam com conversas oblíquas para, regra geral, nos venderem alguma coisa que não queremos.

"Qual é o seu nome?"
Caí que nem um patinho já não sei quantas vezes, respondendo imediatamente: "José Manuel Krusse Fanha Vicente."

"Senhor José..." começa então o funcionário do outro lado do telefone. E aqui é que a coisa se entorna. Fico transido, revoltado, irritado. Eu não sou o sr. José. Não quero ser, recuso-me a ser o senhor José. Detesto as pessoas que me tratam por senhor José. Senhor José é certamente uma marca de pastilhas elásticas. Ou de margarina. Ou de detergente. Ou de....

Eu tenho um nome! Tenho até vários nomes que me podem diferenciar dos outros Josés.

Gosto muito de ser diferente! E gosto muito dos que me são diferentes, c ada qual com o nome que o distingue, que o caracteriza, que o indivuidualiza. Não quero é ser mais um José! Isso é que não, por favor!

terça-feira, 18 de maio de 2010

CONTRA UM CERTO TIPO DE INTERPRETAÇÃO

“A IMAGINAÇÃO É MAIS IMPORTANTE QUE O CONHECIMENTO. ENQUANTO QUE O CONHECIMENTO DEFINE TUDO O QUE NÓS SABEMOS E COMPREENDEMOS NO NOSSO DIA-A-DIA, A IMAGINAÇÃO APONTA PARA TUDO O QUE PODEMOS VIR A DESCOBRIR E CRIAR."

Isto disse Einstein. Em contraste está o texto que recebi e transcrevo abaixo, com as respectivas perguntas de interpretação feitas à maneira de alguns corriqueiros testes escolares da disciplina de português. Há um pequeno pormenor: o texto não faz nenhum sentido. No entanto, muitos alunos responderiam correctamente a esse sem sentido, utilizando a lógica a que eventualmente se habituaram para obter os resulatdos que lhes são pedidos.

Talvez não estejamos muito longe das respostas a perguntas de interpretação sobre, por exemplo, "OS Maias" de que apenas se leu um resumo de 10 páginas...

Aqui vai o texto. Vale a pena reflectir sobre ele e o que ele nos permite reflectir sobre a interpretação de um texto.



Plot ro yo pedrí el escritor en el catón. Socré un ban cote. El graso estaba cantamente linendo. No lo drinió.
Una Para jocia y un Pari joci estaban plinando a mi endidor.
Estaban gribblando atamente. Yo grotí al Pari y a la para fotnamente. No goffrieron nu platión. Na el in yo
no putre licrerlo. Yo lindrió vala.



Perguntas

Dónde pedrió el escritor Plot ro?

Drinió al graso?

Quién estaba plinando a su endidor?

Estaban gribblando atamente o sapamente?

Lindrió o no?

sexta-feira, 14 de maio de 2010

CARREGAL DO SAL



Visitar escolas plo país fora e levar-lhes poesia, histórias reais e inventadas, amor pela leitura,reflexão sobre os livros e a vida, tem sido uma experiência riquíssima que me faz saber que a grande maioria das escolas, dos estudantes e dos professores estão muito, mas muito longe da imagem que se propaga nos meios de comunicação de desestruturação, indisciplina e incompetência.

É claro que nem tudo são rosas. O excesso delirante de burocracia imposto durante o consulado da anterior ministra é extremamente prejudicial. mantêm-se os processos de avaliação tendentes a empacotar e baixar a qualidade pedagógica. O excesso de actividades (ditas AECs) no 1º Ciclo criam problemas graves de saturaçã, stress e redução das capacidades de aprendizagem.

Mas os professores têm sabido superar estes desmandos de quem manda e não conhece o chão que pisa. E um dos muitos casos que tenho conhecido de uma escola a funcionar muito bem é esta EB23 de Carregal do Sal. Deixei lá amigos do coração e espero lá regressar assim que possível.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

BARCELOS



EB23 Goçalo Nunes de Barcelos onde fui excepcionalmente recebido por jovens motivados, educadíssimos, curiosos, entusiasmados e professores apaixonados pelo seu trabalho e que fizeram deste encontro um momento excepcional. E, ainda por cima, coroado por muitos cravos.

O que é que se pode desejar mais?