segunda-feira, 23 de maio de 2011

MAIS PINA

O Manuel António Pina não é só um excelentíssimo escritor para a infância. É também um belíssimo poeta e um cronista (Jornal de Notícias) de grande desassombro e coragem na forma como aponta o dedo aos muitos desvarios em que o nosso país é fértil.

As nossas instâncias académicas e de recensão literária sofrem tiques graves de centripetismo e vivem muito mergulhadas em modas e modismos que deixam muitas vezes de parte os poetas menos dados a frequentar os mesmos bailes.

Mas às vezes acertam, como é o caso.

Com o Manel cruzei-me num trabalho de guionismo que nos levou à Galiza numa colaboração entre a TV portuguesa e a Galega que acabou por ficar no tinteiro.

Passámos um fim-de-semana a trabalhar com guionistas galegos. Foi uma delícia conviver com a sua ironia e os eu talento. Mas o Manel sofria porque para ele, estar longe de casa é um pesadelo. Anda ali pelo bairro e não gosta de deixar os gatos sem companhia.

E aqui vai um grande abraço e mais um poema do grande poeta que é o Manuel António Pina.

A UM HOMEM DO PASSADO

Estes são os tempos futuros que temia
o teu coração que mirrou sob pedras,
que podes recear agora tão fundo,
onde não chegam as aflições nem as palavras duras?

Desceste em andamento; afinal era
tudo tão inevitável como o resto.
Viraste-te para o outro lado e sumiram-se
da tua vista os bons e os maus momentos.

Tu ainda tinhas essa porta à mão.
(Aposto que a passaste com uma vénia desdenhosa.)
Agora já não é possível morrer ou,
pelo menos, já não chega fechar os olhos.

sábado, 21 de maio de 2011

MANUEL ANTÓNIO PINA


Grande Manel! Ganhou o Prémio Camões, ninguém esperava e é mais que merecido.

Cruzei-me muito com a sua escrita. Vários dos seus livres estiveram no topo das histórias preferidas do meu filho João, nomeadamente o "TÊPLUQUÊ" e os "GIGÕES E ANANTES"

Gigões são anantes muito grandes.
Anantes são gigões muito pequenos.
Os gigões diferem dos anantes porque
uns são um bocado mais outros são um bocado menos.

Era uma vez um gigão tão grande, tão grande,
que não cabia. – Em quê? – O gigão era tão grande
que nem se sabia em que é que ele não cabia!
Mas havia um anante ainda maior que o gigão,
e esse nem se sabia se ele cabia ou não.

Só havia uma maneira de os distinguir:
era chegar ao pé deles e perguntar:
Mas eram tão grandes que não se podia lá chegar!
E nunca se sabia se estavam a mentir!

Então a Ana como não podia
resolver o problema arranjou uma teoria:
xixanava com eles e o que ficava
xubiante ou ximbimpante era o gigão,
e o anante fingia que não.

A teoria nunca falhava porque era toda
com palavras que só a Ana sabia.
E como eram palavras de toda a confiança
só queriam dizer o que a Ana queria.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

10 CANÇÕES QUE FAZEM PARTE DA MINHA VIDA - LES FEUILLES MORTES

Gostava de partilhar algumas canções que andam por aí meio esquecidas e que fazem parte da minha vida A primeira "les feuilles Mortes" tem a letra de Jacques Prévert música de
Joseph Kosma.

Aqui quem a canta é um dos cantores da minha vida, Yves Montand.

Mais a baixo uma versão jazzíStica inesquecível de Miles Davies sob o título "Autumn Leaves" que surgiu num disco que já perdi e já voltei a comprar várias vezes. Quero tê-lo sempre ao pé de mim. "Something Else". Já devo ter comprado mais de 5 cópias para mim e também para oferecer a amigos.



segunda-feira, 16 de maio de 2011

WE ALL STAND TOGETHER

Há pouco mais de uma semana fui gostosamente "acusado" de generosidade. E fiquei satisfeito e agradecido. Gosto de me pensar como pessoa solidária e generosa.

Talvez olhe a vida de um certo ponto de vista aristocrático de quem tem para com os outros mais deveres que direitos.

Encontro-me muitas vezes, em actos ou em palavras, a dar a mão aos mais fracos, aos injustiçados, aos que sofrem e passam mal.

Não peço reconhecimento nenhum Não sei ser de outra maneira, o que é que querem? Sempre achei que o colectivo é melhor, que todos juntos podemos chegar muito mais longe

Lamento ver jovens e não tão jovens como isso amarrados a um individualismo feroz, cercados de janelas para dentro e sem uma porta por onde sair ao encontro dos outros.

Fui adolescente nos anos 60 e fiquei marcado por esse sentido do colectivo, pelas grandes manifestações de estudantes de França, Alemanha e Itália ou dos EUA contra a guerra do Vietname, a que poderia juntar muitos eteceteras mais.


Sou filho de um tempo e das canções desse tempo. ALL TOGUETHER NOW, UNIDOS EN LA LUCHA NO NOS MOVERÁN, LES ANARCHISTES, e mais e mais.

Por tudo isto apetece-me hoje celebrar o desejo do colectivo e trazer à memória uma canção do Paul McCartney que me deixa sempre enternecido

quinta-feira, 12 de maio de 2011

MEMÓRIAS RECENTES - ABRIL EM CASTRO VERDE



Às vezes as fotografias chegam depois. Desta vez chegaram por correio, num disco, enviadas pelo me amigo, companheiro e poeta Xico Beja.

Comemorações de Abril em Castro Verde. Maria do Céu Guerra, Afonso Dias, Manuel Freire, Xico Fanhais, Tino Flores e este que se assina, José Fanha.

Gente que ainda vem do antes dos Cravos e que traz muitos kilómetros de cantigas e poesia às costas.

Gente que gosta de se rever, reencontrar e ocupar uma e outra vez a "Praça da Canção".

Gente que gosta de estar com gente à volta de palavras com sentido, com raiva, com sangue, riso, com amor, palavras que a voz põe a voar.





terça-feira, 10 de maio de 2011

CAMINHOS DA LEITURA



Depois das "PALAVRAS ANDARILHAS" de Beja, os "CAMINHOS DA LEITURA" de Pombal vêm a crescer de ano para ano.

É mais uma festa do livro e dos seus autores, da promoção da leitura, da arte de contar histórias que vai crescendo e ganhando visibilidade pelo mundo fora.

No fim-de-semana passado (embora o programa incluísse actividades que ocuparam uma semana inteira) estiveram presentes ilustradores como o francês Serge Bloch, e o espanhol Javier, Castán, contadores como Estrella Ortiz e os Piratas de Alejandria de Sevilha e mais os portugueses Serafim, Paulo Condessa, Thomas Bakk que sendo brasileiro já foi adoptado.

E houve oficinas diversas, nomeadamente uma notável com a Margarida Botelho, arquitecta (olá colega) escritora, ilustradora e contadora de histórias.

E etc.

Foi muito bom. O grande auditório da Biblioteca de Pombal esteve quase sempre cheio. A organização foi impecável graças ao trabalho notável do pessoal da Biblioteca liderado pela Sónia Gameiro.



(Com o António Torrado)



(Com o Manuel Sevillano dos PIRATAS DE ALEJANDRIA)



(Com a Luísa Ducla Soares)

quinta-feira, 5 de maio de 2011

ABRIL EM MAIO



Foi a 29 e 30 de Abril no Clube Asas do Atlântico na maravilhosa Ilha de Santa Maria. Comemorámos o 25 de Abril à beira do 1º de Maio.

E não há palavras para falar da imensa ternura e fraterna amizade com que a Ana Loura, a Cris, o Tó Pincho e tantos mais nos receberam e nos levaram pelos recantos da ILha para partilhar connosco os seus encantos e celebrar em conjunto essa data única da nossa História.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

REMÉDIOS DO RISO



Pela mão da dra. Margarida Carrolo, Ou, aliás, pelo sorriso feliz da dra. Maragarida Carrolo acompanhei durante uma manhã no Hospital da Cuf Descobertas a actuação dos DOUTORES PALHAÇOS do projecto REMÉDIOS DO RISO, que me levaram atrás deles desde a sala de espera das consultas para crianças, passando pela zona dos bébés prematuros até aos quartos de meninos internados.

Num dos quartos, foi delicioso assistir a um "jogo de ténis" entre os dois "doutores" que acabaram por envolver a mãe e puseram o menino internado com um imenso sorriso na boca.

Sempre sonhei ser um dia palhaço. Acho que lhes vou pedir para de vez em quando me juntar a eles. O que é que há de melhor do que levar umas gotas de felicidade e riso ao coração de quem sofre?



Foi uma festa. O dr.Nano Sirene e o dr. Pessoa começaram pela sala de espera. A princípio foi a surpresa de ver ali aparecer aqueles estranhos doutores que a pocuco e pouco fizeram abrir sorrisos e risos e acabaram por envolver pais e meninos nos seus divertidos jogos e brincadeiras.

Num dos quartos, foi delicioso assistir a um "jogo de ténis" entre os dois "doutores" que acabaram por levar a mãe a entrar no jogo e puseram o menino internado com um imenso sorriso na boca.

Sempre sonhei ser um dia palhaço. Acho que lhes vou pedir para de vez em quando me juntar a eles. O que é que há de melhor do que levar umas gotas de felicidade e riso ao coração de quem sofre?


Para informação:

"Remédios do Riso” é uma Associação Sem Fins Lucrativos que procura contribuir para a melhoria da qualidade de vida das crianças hospitalizadas, ajudando-as, e às suas familias a suportar melhor a sua estadia.

Antes de cada intervenção reunem-nos com os enfermeiros de serviço, que fornecem toda a informação necessária sobre o estado das crianças internadas, de forma afazer visitas personalizada.

As intervenções em cada quarto são únicas e individualizadas, à medida de cada criança e com o seu consentimento. Improvisações, canções, jogos de magia, mimos, marionetas e malabares, são algumas das técnicas usadas durante a visita. Os familiares, a equipa médica e o pessoal da limpeza também são chamados a participar.

As visitas realizam-se nas consultas externas, obstetrícia, neonatologia, urgências e internamentos.

E-mail geral@remediosdoriso.pt
Telefone 966569307 / 912656402
Site http://www.remediosdoriso.pt

Não pude deixar de me emocionar muito com o dr. Nano Sirene a tocar muito suavemente um pequeno kissanje (julgo que assim se chama o instrumento musical) junto um bébé prematuro. Até parecia que a sua respiração de tornava mais suave como se a música lhe desse a mão e dissesse: "Vem. A vida também tem gente boa e contigo pode ser melhor ainda."

O ABRAÇO E O CRAVO



Manuel Freire, Rui Curto, José Fanha)

O Rui Curto da Brigada Víctor Jara enviou-me um pedacinho de passado relativamente recente. Maio de 2004, aniversário do SPGL, no Barreiro.

´É bom falar com o passado. Tirá-lo de vez em quando do armário. Limpar-lhe o pó. Convidá-lo para almoçar.

Aproveita-se para recordar amigos, manter os sonhos na ordem do dia. E, depois, seguir em frente que a vida não nos dá tempo para ficar parado a olhar para trás.

Fica o abraço e o cravo.javascript:void(0)



(Manuel Freire, Rui Curto, José Fanha, Julián del Vale)

10 CANÇÕES QUE FAZEM PARTE DA MINHA VIDA - VERDES SÃO OS CAMPOS

O Zeca fez uma das mais delicadas e belas canções com este poema de Camões. Dois pilares da minha respiração.

É claro que todas as canções do Zeca atravessaram e atressam e atravessarão a minha vida em todos os sentidos.

Esta escolhi pela sua rara delicadeza.

Quando passo pelo vale do Mondego, pelos campos de Montemor-oVelho, páro sempre e fico a ver os verdes campos que dali terão preenchido de ternura bela o coração do grande poeta.

Aqui fica cantada pela galega Uxia, outra voz que nos faz voar para dentro e para fora da nossa emoção.

Outra voz, tal como o Zeca que muito faz pela lírica comunidade galaico-portuguesa.

sábado, 30 de abril de 2011

BOM DIA

Este tempo, este mundo, esta economia tão cega, esta pedagogia ofegante tão cheia de objectivos rombos e azedos, esta informação tão desinformante, fazem-nos esquecer muitas vezes o mais simples que é, se calhar, o mais complicado.

Precisamos de falar mais uns com os outros. Com todos os meios que temos à nossa disposição. E um lápis... Um lápis... Ainda um dia vai ser de novo uma alta tecnologia.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

EU TAMBÉM NÃO USAVA

O meu amigo Joaquim Cardeira da Silva enviou-te 3 anúncios notáveis e comoventes onde com poucos meios e muita criatividade se produzem grandes mensagens com extraordinária capacidade de impacto.


terça-feira, 26 de abril de 2011

EB1 de PENACOVA



Ler mais é fundamental para uma cidadania mais consistente. E para muito mais.

Uma geração que que se habitua a ler talvez venha a ser uma geração capaz de pensar melhor.

É uma esperança contra a incompetência que reina entre quem dirige e gere este país.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

VAI PENSAMENTO

O meu amigo Fernando Sousa enviou-me este vídeo explicando:

"Aconteceu no mês passado e foi um momento inesquecível.

Riccardo Muti acabara de reger o célebre coro dos escravos, Va pensiero, do terceiro acto de Nabucco, e o público do Teatro da Ópera de Roma, aplaudia incessantemente e bradava bis! (Cabe lembrar que, para além de sua intrínseca beleza, que é inexcedível, o VA PENSIERO foi também uma espécie de hino informal dos patriotas do Risorgimento e daí o enorme apelo emocional que preservou entre os italianos.)

Que faz, então, Ricardo Mutti? Volta-se para a plateia e, depois de recordar o significado patriótico do Va pensiero, pede ao público presente que o cante agora, com a orquestra e o coro do teatro, como manifestação de protesto patriótico contra a ameaça de morte contida nos planeados cortes do orçamento da Cultura."

Parece-me um bom exemplo para este nosso 25 de Abril num tempo tão deslavado e tão longe do grande pensamento. Um tempo em que muitos portugueses vão desgraçadamente ter de pagar as dívidas de alguns poucos.


sábado, 23 de abril de 2011

MAIOR QUE O PENSAMENTO

Da minha amiga Lila Lacerda recebi há dias a seguinte mensagem:

Pedi a alguns dos entrevistados para o documentário em três partes "Maior que o Pensamento", sobre o poeta, compositor e cantor José Afonso, por mim dirigido e que será exibido na RTP1 nos próximos dias 24, 25 e 26 deste mês logo após o Telejornal (cerca das 21h00), que resumissem a figura do artista numa única palavra. O resultado foi este segmento, que não fará parte do programa:


quinta-feira, 21 de abril de 2011

JAZZ E POESIA

Temos andado por aí, a espalhar Jazz e poesia em Bibliotecas, auditórios municipais e até em hoispitais.

A palavra a voar na música de dois fantásticos intérpretes. Costuma ser bom. Muito bom. Para nós e para quem nos ouve.

terça-feira, 19 de abril de 2011

TÃO PERTO TÃO LONGE



Foi no dia 1 de Abril, na Bibloteca Municipal David Mourão-Ferreira num bairro lisboeta que dois passos do Parque das Nações.

Um bairro que tem uma piscina que estava cheia às 10h00 da manhã com gente da terceira idade e foi com espanto que dei, ao balcão, a atender os frequentadores e a tentar explicar-me o caminho para a Biblioteca, com uma das filhas do meu compadre Nhó-Nhó da Curraleira, já desaparecido há uns anos e quem fui companheiro de sonhos e utopias nos idos do 25 de Abril. Mas isso é história que fica para outro dia.

Um senhor logo se ofereceu para me ensinar o caminho, cheio de orgulho de me mostrar a "sua" Biblioteca.

E lá cheguei finalmente, à bela Biblioteca David Mourão-Ferreira para colaborar com gente que adora fazer o seu trabalho de promoção da leitura, da directora ao próprio segurança. E reparo mais uma vez como é sempre enorme o sorriso de quem trabalha com os livros e a leitura.



Os meninos eram do Agrupamento de Escolas da Piscina dos Olivais, do Espaço Crescer e da Pastoral Cigana. Gente pequena mas enorme, gente que anda a crescer com histórias e com livros, ali tão perto, e se calhar tão longe, do Parque das Nações.