sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

LIVRARIA "POESIA INCOMPLETA"

Nunca visitei a "POESIA INCOMPLETA". Falha grave minha. Ando pouco por Lisboa mas a falha é mesmo grave. Já me tinham avisado que era imprescindível. E agora, os amigos andam a pedir para lá irmos e não a deixarmos morrer. Recebi a mensagem abaixo. Vou já lá a correr.



"Actualmente existe, em Lisboa, uma livraria absolutamente única no país: uma livraria integralmente dedicada à poesia.

Sucede, contudo,que, apesar de fantástica, ela encontra-se com alguma dificuldade emsobreviver. O que não se compreende: tem à sua frente um jovem livreiro que, além de extremamente eficiente, como verão, possui um total conhecimento do que está a vender: conhece os autores, as edições, tudo.

A livraria de que vos falo chama-se Poesia Incompleta, fica na Rua Cecilio de Sousa nº 11 (Príncipe Real) e vai com certeza ser uma revelação para quem a visitar. Abrange todas as épocas e o que não tem, o Mário, o dito livreiro, arranja, normalmente - e com uma brevidade que, no mínimo, surpreende.

Peço-vos - a vós que sois leitores, presumo - que façais uma visitinhaa este sitio, que não pode de maneira nenhuma fechar e que, pela sua qualidade, vai-se tornar, mais tarde ou mais cedo, como aliás disse Vasco Graça Moura, num local de culto.

Isto, claro, se não fechar, coisa que, passando a palavra e recomendando a amigos este tãos ingular espaço, podemos evitar."

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

AMESTERDÃO 1970



Já muito perto dos 60 anos, às vezes dá-me para umas viagens ao passado. Nada de saudosismo. Mas o passado, os passados são para lembrar.

Encontrei por aí esta foto. Amesterdão, 1970, 19 anos, a bordo de um barco pelos canais. Estou ao lado de uma portuguesa, um português e um holandês.

Foi a primeira vez que saí sozinho para o mundo. Sozinho não. Fui com o meu amigo Manuel Botelho. Estudava arquitectura e tinha trabalhado o ano inteiro no Ministério das Obras Públicas como desenhador. Deu para a viagem de um mês.

Portugal era triste, sujo, pequenino, mesquinho, bolorento, dominado por bufos. Vivíamos de frente para uma guerra que parecia não ter fim. E a gente da minha idade barafustava, protestava, conspirava e sentia-se às vezes muito triste.

Lá fora havia tanta coisa, as revoltas estudantis, os hippies, o rock, o Make Love not War, o Guevara, o Vietname e o protesto contra a guerra (com muitas parecenças com a nossa Guerra Colonial) e mais e mais e mais.

A chegada a Amesterdão foi um deslumbre. Respirava-se liberdade, festa, delírio. E havia o mercado das flores. A Casa de Anne Frank. A juventude ocupava a cidade vestida das formas para nós mais deliciosas. Havia música nas ruas, nos parques, havia gente de Itália, da Dinamarca, da América, de toda a parte. E era fácil falar. E cantar. E fazer amigos. E...

Não se tem duas vezes 19 anos. Mas é nessa idade que estabelecemos as nossas pátrias.

Amesterdão, a Cidade-de-Todos-os-Espantos-de-Amesterdão ficou a ser uma das minhas pátrias para sempre.

É claro que tenho outras pátrias. Umas mais pequenas, outras maiores. Um dia falarei delas.

domingo, 9 de janeiro de 2011

NÓS SOMOS TEIMOSOS



ABRIL vai ficando mais longe. Crescemos muito mas também houve muito que ficou por cumprir.

A democracia que vivemos não é bem aquela que alguns de nós sonhámos.

Instrumentos antigos com histórias gloriosas como, por exemplo, os sindicatos parecem ter perdido a sua função.

Os partidos transformaram-se em agências de empregos, centros de jogo de interesses particulares e pouco mais.

Os interesses nacionais têm-se apagado. O neo-liberalismo instaurou um estado de coisas muito feio.

Mas é claro que não vamos desistir.

O mundo tem evoluído com uma mecha do caraças... Parece que as grandes lutas transformaram-se numa multiplicidade de pequenas lutas. Pelo ambiente, pela qualidade de vida e do ensino, pela saúde, pela cultura, pelo respeito e pela dignidade da vida humana, pela verdade, pela informação... Coisas pequenas mas que todas juntas...

Vás tu descansado, Vítor. Nós somos teimosos.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

UMA ESPÉCIE DE VISITA AO PARAÍSO



Há homens que se tornam em pontos de referência fundamentais na nossa vida. Pelo seu exemplo, pelo seu talento, pela sua consistência, pela dimensão da sua alma.

São raros na nossa vida. E por isso preciosos. Dos meus, e de memória, poderia falar do Zeca Afonso, do Alípio de Freitas, do Claudio Torres, do Siza Vieira, do João Abel Manta e, seguramente do José Mattoso.

São âncoras, pilares, nuvens que nos indicam os caminhos a seguir.

Aproveitei os dias agitados das chamadas Festas para pôr em dia algumas pequenas leituras, entrevistas, artigos de jornal, coisas amontoadas ao canto da mesa de trabalho e a transbordarem para o chão.

Li duas entrevistas com o José Mattoso. E ficaram-me frases e pensamentos que merecem partilha e reflexão.

Cá vão algumas da entrevista conduzida por Anabela Mota Ribeiro e publicada em O Público, 24.10.2010.

"A minha concepção de Deus - não sei se é pretensão de mais dizê-lo - foi-se aperfeiçoando. Foi perdendo os aspectos antropomórficos, os aspectos lógicos. Os Vedas falam na meditação da escuridão que cobre a escuridão. A escuridão é o mistério de Deus, coberta por outra escuridão, e por outra , e por outra. Temos de encontrar o que está por detrás, que nunca é exprimível. Há aproximações metafóricas, metafdísicas, conceptuais."

"O Homem é o homem e a mulher. O amor faz parte daquilo que completa o Homem. Se não existir é uma mutilçação. É uma falha irreparável."

"O 1º de Maio (de 1974) foi uma espécie de visita ao paraíso."

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O GRANDE FEITICEIRO ADORMECEU




O grande feiticeiro, meu irmão, adormeceu hoje. Foi lá para o céu tirar um descanso desta vida maluca.

Que se cuidem os anjos, e mais ainda as anjas, porque reboliço vem ali.


MALANGATANA VALENTE NGWENYA


MULHER

Nas águas frescas do rio
vamos ter peixes imensos
que darão o sinal do ´
fim do mundo talvez
porque vão dar cabo da mulher
a mulher que embeleza os campos
a mulher que é o fruto do homem.

Oh peixe voador, acaba com a rusga
porque a mulher é o ouro do homem
quando ela canta e até parece
a viola do fadista bem afinada
quando ela morre cortarei
o cabelo dela para livrar-me do pecado

O cabelo da mulher será o cobertor
do meu caixão, quando outro Artista
me chamar lá no Céu para me pintar
o seio da mulher será minha almofada
o olho da mulher me abrirá o caminho do Céu
a barriga da mulher vai-me nascer lá em cima
quando subir aos Céus

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

UMA CHUVA DE ENGENHEIROS

UMA CHUVA DE ENGENHEIROS

(Relembrando alguns quadros de Magritte)


O meu guarda-chuva preto
é um engenheiro verde.




Ou melhor,
tenho um copo de água
Inesperadamente cheio
de engenheiros amargos
vestidos de absinto.




Ou ainda,
uma chuva de engenheiros
transforma um copo de absinto
na água que cai do alto da tristeza.



Ou talvez,
a mãe do pintor afogou-se
num rio de copos de água
e nunca mais deixou de se ver
uma chuva de engenheiros
a descer suavemente para o céu.

José Fanha

(do livro inédito "CANCIONEIRO FELIZ com algumas nuvens")

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

NATAL



"Não se vê bem senão com o coração. O essecial é invisível aos olhos."

"O Principezinho", Saint-Exupery


Litania para este Natal (1967)

Vai nascer esta noite á meia-noite em ponto
num sótão num porão numa cave inundada
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
dentro de um foguetão reduzido a sucata
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
numa casa de Hanói ontem bombardeada

Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
num presépio de lama e de sangue e de cisco
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
para ter amanhã a suspeita que existe
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
tem no ano dois mil a idade de Cristo

Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
vê-lo-emos depois de chicote no templo
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
e anda já um terror no látego do vento
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
para nos vir pedir contas do nosso tempo

David Mourão-Ferreira

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

NATAL NO HOSPITAL




O meu amigo Gonçalves André, administrador do Centro Hospital de Torres Vedras pediu-me para "dar uma perninha" no almoço de Natal do Hospital do Barro. Desafiei os meus companheiros e excepcionais músicos Nanã Sousa Dias e António Palma e fizemos uma pequena viagem pela poesia e pelo Jazz como temos vindo a fazer nos últimos meses por aqui e por ali, um pouco por todo o país.


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

LIVRARIA LERDEVAGAR



Continuando a visita a livrarias que procuram constituir-se como alternativa aos Centros Comerciais, aqui vem uma que é talvez a aposta mais aventureira, mais calorosa, mais entusiasmante de todas as que conheço.

Quem já lá foi sabe que tem sido e continua a ser um espaço único de encontro com os livros, a leitura, a cultura, o convívio, a cumplicidade, a amizade, o calor humano.

A "Lerdevagar" já teve várias localizações. No Bairro Alto, em Braço de Prata e agora na Lx Factory em Alcântara, Lisboa.

Está instalada nas instalações imensas de uma antiga fábrica que continua continua presente nas suas impressionantes maquinarias, agora invadidas por livros, a maioria deles a preço barato.

Está aberta até tarde e tem sofás, bar, restaurante e simpatia. Pode-se tomar café, jantar, beber um copo, conversar, namorar... E ler, ler, ler mas devagar.

Quem não a conhece fica desde já obrigado a passar por lá, deixar cair a boca de espanto e, naturalmente, a ficar apaixonado por este espaço único no país.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

INVENTÁRIO DO MEU MUNDO



O meu querido amigo Alberto Trovão do Rosário acaba de publicar um livro que aconselho todos a ler.

Intitula-se "INVENTÁRIO DO MEU MUNDO"

Trata-se de um conjunto de pequenos textos, reflexões diversas, ideias, impressões e poemas servidos por uma escrita de grande qualidade.

Não se trata de um diário nem de nada que possamos definir numa palavra. É um belíssimo inventário de quem tem uma vida cheia para inventariar.

Um exemplo para todos nós. Porque todos temos uma vida para inventariar. E esse perccurso é o melhor que podemos oferecer aos amigos, à família, à gente que não anda no mundo por andar. É claro que quem quiser meter ombros a esta tarefa tem de o fazer com um tremendo respeito por essa arte única que é a das palavras.

O Alberto fê-lo com grande brilho e posso dizer que este exemplo nos ajuda e muito a que cada um encontre um caminho para fazer o seu próprio inventário.

Para o adquirir é fácil. Basta aceder ao site da editora e encomendar à cobrança.

http://www.edita-me.pt/


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A REPÚBLICA À CONVERSA EM BARCELOS



Na magnífica Biblioteca Municipal de Barcelos decorreram nos dias 3 e 4 de Dezembro fim-de-semana as Jornadas sobre a República.

Sábado, a dra. Alice Samara falou sobre "A mulher na República, o dr. Luís Gamito sobre "Os Psiquiatras e o delírio na República, o Prof. Adelino Maltez sobre "Carbonária e maçonaria na República", o escritor Miguel Real sobre "A literatura e as ideias durante a República" e o dr. Sérgio Pinto sobre "A questão religiosa e o fim do liberalismo socio-político.

Na noite de sexta feira o Dr. Medeiros Ferreira fez uma excelente oração de abertura e eu, com o pianista António Palma, fizemos uma rápida viagem pela poesia e pela música do final do séc. XIX até à queda do Estado Novo em 1974.


sábado, 11 de dezembro de 2010

FEIRA DO LIVRO DE ALPIARÇA



Muito vêm fazendo um número significativo de autarquias e de Bibliotecas Municipais na promoção do livro e da leitura.

Esperemos que a crise e o medo da crise não faça cair os cortes sobre esta área. Porque, infelizmente, há também muitas autarquias que gastam rios de dinheiro em espectáculos de circunstância ditos populares, que duram duas horas e não fazem filhos a ninguém, embora alguns autarcas menos avizados acreditem que com esses espectáculos agradam ao povo e conquistam votos.




O retorno do trabalho cultural de base não é imediato mas é sólido e é sobre esse retorno que podemos acreditar num Portugal moderno e mais capaz de resolver as suas crises.

domingo, 5 de dezembro de 2010

UM AMIGO



Esta canção pertence-me ou seu eu que lhe pertenço. Faz parte do território da minha juventude.

E continuo a emocionar-me quando a ouço, mesmo nesta recente e poderosa versão.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

HISTÓRIAS COM DIREITOS



O Instituto de Apoio à Criança, em colaboração com a Plátano editora, acabou de publicar este livrinho de histórias e versos dedicados aos Direitos da Criança.

Os autores convidados foram: António Torrado, Mª Teresa M. González, Inês de Barros Baptista, Raquel Palermo, Inês Pupo, Augusto Carlos, António Mota, Luísa Ducla Soares, José Jorge Letria, Rui Zink e este que se assina, José Fanha. Ilustrações da Vera Pyrrait. Voz de Pedro D'Orey e música de Carlos Daniel e Tiago Barbosa.

Não pude estar presente na apresentação pública e, por isso mesmo, ainda não vi o livro, não lhe toquei, não o cheirei. Mas estou ansioso.

E agora, para aguçar o apetite, um bocadinho do texto que escrevi


RECEITA PARA FAZER UM NINHO

Toda a mãe prepara
um sítio quentinho
a que chama ninho
e onde com cuidado
de um velho saber
põe o seu filhinho
logo que nascer.

Para fazer o ninho
os ingredientes
podem ser diferentes
seja um passarinho
seja um passarão
seja um coelhinho
seja gato ou cão
menino ou menina
Joana ou João.

(...)

sábado, 27 de novembro de 2010

CANTIGAS E CANTIGOS PARA FORMIGAS E FORMIGOS



Há alguns anos publiquei as "CANTIGAS E CANTIGOS". Eram lengalengas, brincadeiras de palavras e rimas, rendas de sílabas, músicas da língua em estado puro.

Ficou aprazado o 2º volume. Demorou uns anos a sair cá para fora mas aqui está. Mais lemgalengas já experimentadas há algum tempo com meninos em escolas e bibliotecas. Ilustrações do meu filho João Fanha. E uma das cantigas, ou cantigos, para amostra.

O QUE AS COISAS DIZEM


Vem o sol e diz que sim
vem a chuva e diz que não
vem o mar e diz azul
vem o ar e diz balão.

Cada mala diz partida
cada barco diz saudade
cada lenço diz adeus
cada pente diz vaidade.

Uma sopa diz almoço
uma roda diz rodar
uma bota diz caminho
uma asa diz voar.

O poema diz poeta
o braseiro diz calor
o abraço diz amigo
o beijinho diz amor.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

VIZELA



É fantástica a ternura que os meninos dispensam aos escritores que os visitam e que eles sentem que, através dos livros e das palavras escritas, lhes oferecem um voo, uma promessa de magia, uma porta aberta para crescerem e se construirem em torno da leitura.

Criam-se momentos únicos de cumplicidade com os meninos e os professores. E não falo só de mim. Esta experiência é comum a companheiros meus como o António Torrado, a Luísa Ducla Soares e António Mota e alguns outros mais.



E a propósito da última foto vêm a propósito estes versos de um livrinho que está m sair por estes dias "CANTIGAS E CANTIGOS PARA FORMIGAS E FORMIGOS"~

PALAVRINHA


Ai palavra palavrinha
Ai palavra apalavrada
Uma salta pula e dança
Outra dorme descansada

Ai palavra palavrinha
Ai palavra palavrenta
A esta deitei-lhe sal
À outra deitei pimenta

Ai palavra palavrinha
Ai palavra palavrita
Uma é mesmo papagaia
A outra só piriquita

Ai palavra palavrinha
Ai palavra palavrosa
Se um dia tu fores vermelha
Noutro dia és cor-de-rosa.

Ai palavra palavrinha
Ai palavra palavruda
Se agora já és careca
Foste um dia cabeluda.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

SALTA FOLHINHAS



Algumas pequenas livrarias existem, ou persistem, ou resistem pelo país fora, à margem dos grandes grupos e dos Centros Comerciais onde se repetem os best-sellers e raramente encontramos espaço para o requinte verdadeiro do livro que sabemos que poucos comprarão mas que é precioso.

Gostava de falar delas. À medida que as vou conhecendo. Porque os verdadeiros amantes dos livros e da leitura tendem a encontrar-se mais tarde ou mais cedo.

Estas pequenas livrarias sobrevivem graças aos amigos que passam palavra e lá vão à procura de livros mesmo especiais. Sobrevivem ainda graças a actividades de animação no seu espaço e da capacidade de responder às necessidades de Escolas e Bibliotecas na sua zona geográfica.

As pessoas que põem estes espaços a funcionar, e a brilhar, e a persistir, sobrevivem com muito trabalho, muita dedicação e alegria. E merecem toda a nossa ternura. Porque também eles mostram que há lugares de felicidade muito ara além dos espaços leofilizados e passados a papel químico da globalização.

A Salta Folhinhas fica na Rua de António Patrício, 50, perto da Boavista no Porto, a poucas centenas de metros da Casa da Música. Já tem 6 anos de idade. Costuma ter actividades diversas para criança ao fim do dia e ao fim de semana. A proprietária é a Teresa Cunha. É um espaço caloroso e cheio da magia dos bons livros para crianças.

Passem por lá e levem os meninos. Vale a pena.

domingo, 21 de novembro de 2010

DE QUE É QUE FALAMOS QUANDO FALAMOS DE LEITURA?


O que é uma leitura bem feita?

“É uma leitura que implica uma responsabilidade, e neste termo contém-se o de resposta. Trata-se, portanto, de responder a um texto, à presença e à voz de outrem. E isso tornou-se difícil senão impossível numa cultura onde o ruído é constante, que não tem de reserva uma prata de silêncio ou sequer de paciência.”

“Ler não é sofrer mas, falando com propriedade, estarmos prontos a receber em nossa casa um convidado, ao cair da noite.”


“(Ler...) Trata-se de aprender com os outros a escutar melhor.”

Georges Steiner

“Quatro entrevistas com George Steiner”, Ramin Jahanbegloo, Fenda edições, Lisboa, 2006

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

BOBADELA



Nalgumas escolas a leitura fica em segundo plano. Há que "cumprir o programa", um terrível papão que pesa sobre a cabeça de alguns professores, como se não fosse o programa que tem de cumprir a missão de educar, instruir e ajudar a crescer em todos os sentidos.

Ler é um divertimento. E é também uma forma de crescer. E é ainda uma base fundamental para a aQuisição de conhecimentos nnas áreas científicas. E finalmente para uma utilização adequada desse instrumento tão útil quanto perigoso que é a net.




Noutras escolas, como nesta, em Bobadela, a leitura é um trabalho a que os professores dão o melhor de si próprios. E os meninos ganham muito com isso. E o país também. Porque sem vencermos a batalha da leitura, não venceremos a batalha do desenvolvimento nem poderemos incluir-nos verdadeiramente numa sociedade do conhecimento e da comunicação.


quarta-feira, 17 de novembro de 2010

E AGORA QUALQUER COISA DIFERENTE 8


“Como quase todas as coisas, a inteligência democratizou-se de tal forma que deixou de ser privilégio das classes pobres”

“As ideias que Cristo nos legou são tão boas que houve necessidade de criar toda a organização da Igreja para combatê-las.”

“Os anões têm uma espécie der sexto sentido que lhes permite reconhecerem-se á primeira vista.”

Aforismos e citações de Eduardo Torres, personagem de

“O resto é silêncio”, Augusto Monterroso, colecção Ovelha Negra, ed.Oficina do Livro

terça-feira, 16 de novembro de 2010

E AGORA QUALQUER COISA DIFERENTE 7




"... de todas as leis da natureza, a mais maravilhosa é talvez a da sobrevivência dos mais fracos."

Vladimir Nabokov, no Prefácio a "Contos de Tchéhkov Volume I"

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

E AGORA QUALQUER COISA DIFERENTE 6


"Se não se pode ser um grande criador, é preciso ser carteiro – postino como no belo filme sobre Neruda -, aquele que leva cartas. Um professor leva cartas, é um privilégio imenso."

Georges Steiner

Magazine Littéraire, junho 2006-08-10

Entrevista Conduzida Por François L’yvonnet


Para se ser professor)

“É preciso ser-se um dador, ser-se um pouco louco, é preciso estar-se nu e não ter vergonha da nudez.”

Geosges Steiner

“Quatro entrevistas com George Steiner”, Ramin Jahanbegloo, Fenda edições, Lisboa, 2006

sábado, 13 de novembro de 2010

BISCOITOS



Na EB23 de Biscoitos, Ilha Terceira, Conselho de Praia da Vitória, onde fui recebido maravilhosamente pelos professores e por meninos do 2º ciclo e onde foi muito intensa a partilha da poesia e das histórias que levo no bornal.



Em baixo estou com as simpatiquíssimas presidente e vice-presidente do Concelho Directivo (ou Executivo...), as professoras Cecília Terra e Doroteia Dias.

Por aqui ainda reina a gestão democrática. E bem.

Nas minhas andanças por escolas do país tenho ouvido muitas queixas do novo sistema de gestão das escolas com directores em vez de Conselhos javascript:void(0)Directivos. Parece estar a criar graves incongruências, conflitos, incompreensões, desatinos, e etc.

Também conheço algumas escolas em que o novo sistema de gestão funciona muito bem.

Mas globalmente parece-me que há entre nós uma tremenda falta de cultura de autoridade democrática quer de quem a deve exercer, quer de quem a ela deve submeter-se.

Mas isto resulta apenas do olho de quem olha de fora e de quem tem a sorte de poder desfrutar de muitos momentos de grande comunicação e empenho pedagógico como aqui aconteceu.

E para acabar fica um beijinho e muita ternura para quem tão bem me recebeu nos Biscoitos.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

ISTO NÃO É UM FILME

Foi emocionante quando conheci aquele famoso quadro de Magritte onde está pintado um cachimbo e por baixo a frase: "Ceci n'est pas une pipe".

E é verdade. Aquilo não é um cachimbo. É a imagem de um cachimbo.

Ficou sempre a fazer parte das minhas paixões no mundo da pintura.

Enviaram-me agora este filme que não é um filme mas que é feito a partir de imagens de pinturas do Magritte e é muito belo. Não acham?

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O COMPADRE CUNHA



O meu amigo António Cunha é um alentejano convicto. Traz sempre no bolso um canivete pequeno para cortar queijo e pão como compete a um verdadeiro alentejano.

Fotógrafo notável, percorre o mundo com as suas máquinas a captar imagens que depois aparecem em revistas como a GRANDE REPORTAGEm, a NATIONAL GEOGRAPHIC MAGAZINE ou ainda em jornais, livros, que sei eu.

Já correu mais de meio mundo, Marrocos, Paris, Irão, Afeganistão, Vietname, Índia, Amazónia, lugares que nem sabemos que existem. Mas volta sempre a Beja, porque sem Alentejo é que um homem destes não pode viver.

Estava eu de férias no Alvito e ele apareceu por lá, montou um pequeno estúdio para fazer de mim e das minhas filhas Sara e Matilde um trio de modelos encalorados numa tarde de 40º.

Grande abraço compadre de coração grande e obrigadinho pelos bonecos.

domingo, 7 de novembro de 2010

MICROBAND



Trata-se de um duo italiano de músicos cómicos.

Assisti a um espectáculo deles na Praia da Vitória e foi das sessões mais divertidas a que assisti nos últimos anos.

Deles se poderá dizer que são qualquer coisa verdadeiramente diferente.

Quando aparecerem por aí vão vê-los. Vale mesmo a pena.

sábado, 6 de novembro de 2010

E AGORA QUALQUER COISA DIFERENTE 5



(Ferreira Gullar, poeta brasileiro que recebeu recentemente o Prémio Camões)

“Eu não quero ter razão. Eu quero ser feliz.”

Ferreira Gullar, O Público. 19.09.2010

terça-feira, 2 de novembro de 2010

E AGORA QUALQUER COISA DIFERENTE 4




(Escritor norte-americano. Vencedor do prémio Nobel em 1949)

Sobre ao que é preciso para ser escritor:

- Noventa e nove por cento de talento... Noventa e nove por cento de disciplina... Noventa e nove por cento de trabalho. Nunca nos podemos dar por satisfeitos com aquilo que fazemos. Nunca nada é tão bom como aquilo de que somos capazes."

William Faulkner, “Entrevistas da Paris Review”

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

AS CANÇÕES A QUE VOLTAMOS



Como os livros, há canções que cheiram a novas e outras que cheiram a usadas. Talvez as mais usadas sejam as melhores. Há canções que usamos muito ao longo da vida. É nelas também que encontramos pedaços da nossa raiz, do nosso afecto, da nossa asa.

Esta, "Tom Trautber's blues" é daquelas a que volto, volta e meia. Está muito usada mas que bem que me sabe ainda ouvi-la...

sábado, 30 de outubro de 2010

E AGORA QUALQUER COISA DIFERENTE 3



(Ray Bradbury, escritor norte-americano de livros de ficção científica)

“Os livros só têm dois cheiros: o cheiro a novo, que é bom, e o cheiro a usado que é ainda melhor.”

Ray Bradbury, “Babélia”, 25/7/2009

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

BIBLIOTECA MUNICIPAL DE PENAFIEL



Nas minhas voltas andarilhas pelas bibliotecas do país, aqui estou em Penafiel com o Veredor da Cultura António Vieira de Sousa e a Bibliotecária Adelaide Galhardo que põe uma alegria e uma convicção invulgares na sua comunicação com os meninos que tínhamos à frente, e uma enorme paixão e orgulho pela sua biblioteca e pela sua actividade. Quem trabalha nas bibliotecas é muitas vezes assim.

Depois, foi contar histórias, dizer poesia e falar da República com uns cem meninos no auditório da Biblioteca.



terça-feira, 26 de outubro de 2010

ESCOLA MESTRE DOMINGOS SARAIVA

Une-me uma já longa relação de amizade e colaboração com esta escola do Algueirão cujo dinamismo e qualidade pedagógica não me canso de referir.

Desta vez vim fazer a apresentação do meu livro "O MEU AMIGO ZECA-TUM E OS OUTROS" e tive a felicidade de ter ao meu lado a pesença sempre calorosa do meu amigo e Presidentea da Câmara de Sintra Fernando Seara.




Neste livrinho alinhei pequenas histórias passadas numa turma onde convivem alunos de várias origens, um caboverdeano, outro brasileiro, uma bielo-russa, um chinês, etc, etc.

A certa altura aparece a letra de um rap que o Zeca Tum-Tum compôs. E foram o Fábio Rocha e o Rafael Costa, dois alunos da Professora Marília que interpretaram o rap. Uma delícia.




Não sou preto sou castanho
vou para o banho
e o castanho não me sai
não me cai
não se vai da minha pele.

Sou castanho e tenho mel
no olhar
no cantar
vou a andar devagarinho
e o meu sangue
é vermelho vermelhinho~
como o sangue do vizinho.

(...)


segunda-feira, 25 de outubro de 2010

JAVIER SAEZ CASTÁN EM ÓBIDOS



Quem conheceu o Javier em Beja nas PALAVRAS ANDARILHAS ficou fascinado com o seu trabalho gráfico, a forma excepcionalmente interessante como o apresenta, pelo sentido pedagógico de que se revestem as suas intervenções.



Pois ele vai estar em Óbidos a fazer um atelier a 4 e 5 de Novembro intitulado "VEJO LOGO EXISTO - o livro enquanto suporte na animação da leitura", promovido pela livraria BICHINHO DE CONTO da Mafalda Milhões (www.bichinhodoconto.pt)

Vale a pena, garanto-vos eu.

domingo, 24 de outubro de 2010

O MEU CORAÇÃO NÃO TEM COR

E a propósito do racismo covém lembrar que todos nós portugueses somos filhos de viagens, vagabundagens e criolagens diversas. Temos sangue celta, godo, àrabe,judeu, grego, cartaginês, romano, negro... E agora também eslavo, chinês, e sei lá que mais.

É essa mistura, essa abertura à diferença que fez e faz esta pátria fantasticamente multifacetada.

E aproveito para voltar a trazer aqui um momento que para mim foi muito emocionante. A canção que tem música do Pedro Osório e letra minha no momento em que a Lúcia Moniz a apresentou em Oslo, 1996, e que é a canção portuguesa melhor classificada
de semopre no Eurofestival.

Uma canção que nunca teve edição discográfica comercia e que falava de nós, da porta aberta da cultura portuguesa ao mundo e da riqueza notável que resulta dessa porta aberta que é a lusofonia-