Há já anos que Portugal não estava representado no INTERNATIONAL BOARD ON BOOKS FOR YOUNG PEOPLE.
Foi agora criada a secção portuguesa desta organização que reune escritores, ilustradores, bibliotecários, èditores, professores, gente ligada à escrita e promoção do livro para o público infanto-juvenil.
Quem quiser saber mais da IBBY é fácil, basta consultar o respectivo site na net.
Quem quiser juntar-se pode contactar o Eduardo Filipe que foi eleito Presidente da Direcção da Secção portuguesa.
Morreu há poucos dias aquele que é para muitos um dos grandes escritores europeus dos últimos 50 anos: Jorge Semprún.
Filho de um embaixador espanhol, em 1941 estuda filosofia em Paris, em 1942 torna-se militante do Partido Comunista Espanhol, em 1943 é preso e torturado pela Gestpo e deportado para o campo de concentração de Buchenwald.
Durante os anos 50 dirige o PCE na cadestinidade no interior da Espanha franquista e torna-se famoso sob o pseudónimo de Federico Sanchez.
No início dos anos 60 abandonou a militância comunista e dedicou-se apenas às actividades de escritor e guionista de cinema.
De 1988 a 91 foi ministro da cultura de um governo de Felipe González.
Da sua obra destaco o guião para o filme "A CONFISSÃO" de Costa-Gravas e dois livros que me marcaram profundamente: "A ESCRITA OU A VIDA" e "VINTE ANOS E UM DIA".
Perante certas correntes literárias que pretendem uma literatura liofilizada e defendem a independência do autor e da sua biografia pessoal em relação à respectiva obra, Semprún lembrava sempre que a biografia de um escritor não interessava à literatura apenas no caso dos escritores que não tinham biografia.
Jorge Semprún era um escritor, um cavalheiro, um homem.
Ao saber da morte de D. João II, Isabel a Católica anunciou: "Morrió el hombre!"
De Jorge Senprún pode dizer-se que Morreu um Homem com letra grande que também era um grande escritor
Às vezes a vida dá umas voltas que nos impedem de acorrer a todos os compromissos. Este compromisso que tenho comigo, com alguns-muitos amigos, de manter este blog de pé vai continuar depois de uma pequena pausa.
E já agora aproveito para comemorar 100.000 visitas! É obra para quem, como eu, nunca votou em ninguém que ganhasse, para quem como eu passa distante dos vários caminhos politicamente correctos.
Obrigado amigos visitantes e visitantes que, não sendo amigos, partilham os caminhos das ideias, da poesia, do orgulho e da liberdade. Obrigado.
E fica bem aqui o Zeca. Dele todas as canções são canções da minha vida. Todas são pilares da construção de mim. Todas me emocionaram e continuam a emocionar, todas me fizeram sentir uma grande vontade de limpeza e verdade.
Aqui juntam-se as palavras de Camões, a música do Zeca, a voz da Úxia.
Vítor Jara, cantor chileno, depois do golpe de estado fascista de Pinochet em 1973 foi barbaramente assassinado no Estádio Nacional, após ser e espancado e ter as duas mãos quebradas. O seu corpo foi depois abandonado num beco sujo de um bairro miserável de Santiago.
Alguns cantores de todo o mundo cantaram depois várias das suas canções nomeadamente esta.
A minha relação com Brecht tem sido longa. Adaptei vários textos seus com Vera San Payo Lemos e João Lourenço. Sempre com encenações de João Lourenço.
"Baal", no Teatro da Trindade, "Ascensão e queda da cidade de Mahagony" para o Teatro de S. Carlos, "A boa pessoa de Setzuan" e "Ópera de três vinténs" e fizemos ainda uma peça que reunia pedaços de várias obras de Brecht intitulada "O mar é azul azul".
De todas as canções das peças e óperas há uma muito especial A "Balada de Mack The Knife" que aqui deixo em três versões, Ute Lemper, Nick Cave e Louis Amstrong.
É uma canção com história. Na véspera da estreia de "Ópera de três vinténs" Brecht achava que faltava qualquer coisa à peça. Depois de várias discussões com Kurt Weill, autor da música,sentaram-se os dois ao piano e fizeram de um fôlego esta canção que conta os feitos de um terrível gangster e que viria a tornar-se num tema que faria parte do reportório de muitos músicos e, sobretudo, de músicos de jazz.
Os Beatles espantaram-me a mim e a muitos outros jovens da minha idade. Inventaram, reinventaram. Criaram novas formas de faalr de coisas simples ou mais complexas. Também deles poderia dizer que toda a música que fizeram me levou nas asas de um tempo que foi da puberdade à idade adulta. E ajudaram-me a crecer, a procurara outros sentidos, a celebrar valores que ainda hoje são meus.
"Eleanor Rigby" é seguramente um desses casos de absoluto espanto. Aqui também m.nterpretado por uma voz única que me acompanhou e continua a acompanhar pela vida: um grande senhor da música chamado Ray Charles ue sendo da família do JAZZ não teve problemas em passear por vários outros géneros. Questão de mestiçagem... Resulta quase sempre bem.
Ainda me emociono ao ouvir esta maravilhosa canção de Manolo Diaz e dos Aguaviva, grupo espanhol do início dos anos 70. Poema de Rafael Alberti. Do tempo em que a noz do poema tinha coisas por dentro, rios que desaguavam na canção e nos uniam numa mesma voz.
Comecei a ouvir o Nat King Cole nos discos do meu irmão mais velho. Havia lá por casa o Sinatra, canções Napolitanas e o Nat King Cole en español.
Havia ali qualquer coisa quente e confortável naquela intromissão que um excelente cantor e pianista de Jazz (o seu "Unforgetable" é verdadeiramente unforgetable) fazia no calor de corpo dos ritmos das Caraíbas.
A canção é da autoria do cubano Osvaldo Farrés de 1947 e a interpretação de Nat King Cole vem de alguma forma afirmar que a música é tanto mais universal quanto mais local. Que música boa era música para a troca.
E, numa chapelada ao meu amigo Zé Duarte, cabe perguntar: a menina dança?
Esta coisa da mestiçagem tem momentos deliciosos e inesperados eabaixo vem uma versão coreana do "Qizás, quiás, quizás" Imbatível!
Poucas serão as canções de Chico Buarque que não façam parte da minha forma de respirar.
"A construção" (1971) tem, no entanto, um lugar especial. É dos mais belos poemas da poesia em língua portuguesa dos últimos 40 anos. Devia estar presente obrigatoriamente em todos os compêndios de Português.
Amou daquela vez como se fosse a última Beijou sua mulher como se fosse a última E cada filho seu como se fosse o único E atravessou a rua com seu passo tímido Subiu a construção como se fosse máquina Ergueu no patamar quatro paredes sólidas Tijolo com tijolo num desenho mágico Seus olhos embotados de cimento e lágrima Sentou pra descansar como se fosse sábado Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago Dançou e gargalhou como se ouvisse música E tropeçou no céu como se fosse um bêbado E flutuou no ar como se fosse um pássaro E se acbou no chão feito um pacote flácido Agonizou no meio do passeio público Morreu na contramão atrapalhando o tráfego Amou daquela vez como se fosse o último Beijou sua mulher como se fosse a única E cada filho seu como se fosse o pródigo E atravessou a rua com seu passo bêbado Subiu a construção como se fosse sólido Ergueu no patamar quatro paredes mágicas Tijolo com tijolo num desenho lógico Seus olhos embotados de cimento e tráfego Sentou pra descansar como se fosse um príncipe Comeu feijão com arroz como se fosse máquina Dançou e gargalhou como se fosse o próximo E tropeçou no céu como se ouvisse música E flutuou no ar como se fosse sábado E se acabou no chão feito um pacote tímido Agonizou no meio do passeio náufrago Morreu na contramão atrapalhando o público Amou daquela vez como se fosse máquina Beijou sua mulher como se fosse lógico Ergueu no patamar quatro paredes flácidas Sentou pra descansar como se fosse um pássaro E flutuou no ar como se fosse um príncipe E se acabou no chão feito um pacote bêbado Morreu na contramão atrapalhando o sábado
O Manuel António Pina não é só um excelentíssimo escritor para a infância. É também um belíssimo poeta e um cronista (Jornal de Notícias) de grande desassombro e coragem na forma como aponta o dedo aos muitos desvarios em que o nosso país é fértil.
As nossas instâncias académicas e de recensão literária sofrem tiques graves de centripetismo e vivem muito mergulhadas em modas e modismos que deixam muitas vezes de parte os poetas menos dados a frequentar os mesmos bailes.
Mas às vezes acertam, como é o caso.
Com o Manel cruzei-me num trabalho de guionismo que nos levou à Galiza numa colaboração entre a TV portuguesa e a Galega que acabou por ficar no tinteiro.
Passámos um fim-de-semana a trabalhar com guionistas galegos. Foi uma delícia conviver com a sua ironia e os eu talento. Mas o Manel sofria porque para ele, estar longe de casa é um pesadelo. Anda ali pelo bairro e não gosta de deixar os gatos sem companhia.
E aqui vai um grande abraço e mais um poema do grande poeta que é o Manuel António Pina.
A UM HOMEM DO PASSADO
Estes são os tempos futuros que temia o teu coração que mirrou sob pedras, que podes recear agora tão fundo, onde não chegam as aflições nem as palavras duras?
Desceste em andamento; afinal era tudo tão inevitável como o resto. Viraste-te para o outro lado e sumiram-se da tua vista os bons e os maus momentos.
Tu ainda tinhas essa porta à mão. (Aposto que a passaste com uma vénia desdenhosa.) Agora já não é possível morrer ou, pelo menos, já não chega fechar os olhos.
Grande Manel! Ganhou o Prémio Camões, ninguém esperava e é mais que merecido.
Cruzei-me muito com a sua escrita. Vários dos seus livres estiveram no topo das histórias preferidas do meu filho João, nomeadamente o "TÊPLUQUÊ" e os "GIGÕES E ANANTES"
Gigões são anantes muito grandes. Anantes são gigões muito pequenos. Os gigões diferem dos anantes porque uns são um bocado mais outros são um bocado menos.
Era uma vez um gigão tão grande, tão grande, que não cabia. – Em quê? – O gigão era tão grande que nem se sabia em que é que ele não cabia! Mas havia um anante ainda maior que o gigão, e esse nem se sabia se ele cabia ou não.
Só havia uma maneira de os distinguir: era chegar ao pé deles e perguntar: Mas eram tão grandes que não se podia lá chegar! E nunca se sabia se estavam a mentir!
Então a Ana como não podia resolver o problema arranjou uma teoria: xixanava com eles e o que ficava xubiante ou ximbimpante era o gigão, e o anante fingia que não.
A teoria nunca falhava porque era toda com palavras que só a Ana sabia. E como eram palavras de toda a confiança só queriam dizer o que a Ana queria.
Gostava de partilhar algumas canções que andam por aí meio esquecidas e que fazem parte da minha vida A primeira "les feuilles Mortes" tem a letra de Jacques Prévert música de Joseph Kosma.
Aqui quem a canta é um dos cantores da minha vida, Yves Montand.
Mais a baixo uma versão jazzíStica inesquecível de Miles Davies sob o título "Autumn Leaves" que surgiu num disco que já perdi e já voltei a comprar várias vezes. Quero tê-lo sempre ao pé de mim. "Something Else". Já devo ter comprado mais de 5 cópias para mim e também para oferecer a amigos.
Há pouco mais de uma semana fui gostosamente "acusado" de generosidade. E fiquei satisfeito e agradecido. Gosto de me pensar como pessoa solidária e generosa.
Talvez olhe a vida de um certo ponto de vista aristocrático de quem tem para com os outros mais deveres que direitos.
Encontro-me muitas vezes, em actos ou em palavras, a dar a mão aos mais fracos, aos injustiçados, aos que sofrem e passam mal.
Não peço reconhecimento nenhum Não sei ser de outra maneira, o que é que querem? Sempre achei que o colectivo é melhor, que todos juntos podemos chegar muito mais longe
Lamento ver jovens e não tão jovens como isso amarrados a um individualismo feroz, cercados de janelas para dentro e sem uma porta por onde sair ao encontro dos outros.
Fui adolescente nos anos 60 e fiquei marcado por esse sentido do colectivo, pelas grandes manifestações de estudantes de França, Alemanha e Itália ou dos EUA contra a guerra do Vietname, a que poderia juntar muitos eteceteras mais.
Sou filho de um tempo e das canções desse tempo. ALL TOGUETHER NOW, UNIDOS EN LA LUCHA NO NOS MOVERÁN, LES ANARCHISTES, e mais e mais.
Por tudo isto apetece-me hoje celebrar o desejo do colectivo e trazer à memória uma canção do Paul McCartney que me deixa sempre enternecido
Depois das "PALAVRAS ANDARILHAS" de Beja, os "CAMINHOS DA LEITURA" de Pombal vêm a crescer de ano para ano.
É mais uma festa do livro e dos seus autores, da promoção da leitura, da arte de contar histórias que vai crescendo e ganhando visibilidade pelo mundo fora.
No fim-de-semana passado (embora o programa incluísse actividades que ocuparam uma semana inteira) estiveram presentes ilustradores como o francês Serge Bloch, e o espanhol Javier, Castán, contadores como Estrella Ortiz e os Piratas de Alejandria de Sevilha e mais os portugueses Serafim, Paulo Condessa, Thomas Bakk que sendo brasileiro já foi adoptado.
E houve oficinas diversas, nomeadamente uma notável com a Margarida Botelho, arquitecta (olá colega) escritora, ilustradora e contadora de histórias.
E etc.
Foi muito bom. O grande auditório da Biblioteca de Pombal esteve quase sempre cheio. A organização foi impecável graças ao trabalho notável do pessoal da Biblioteca liderado pela Sónia Gameiro.
(Com o António Torrado)
(Com o Manuel Sevillano dos PIRATAS DE ALEJANDRIA)
Foi a 29 e 30 de Abril no Clube Asas do Atlântico na maravilhosa Ilha de Santa Maria. Comemorámos o 25 de Abril à beira do 1º de Maio.
E não há palavras para falar da imensa ternura e fraterna amizade com que a Ana Loura, a Cris, o Tó Pincho e tantos mais nos receberam e nos levaram pelos recantos da ILha para partilhar connosco os seus encantos e celebrar em conjunto essa data única da nossa História.
Pela mão da dra. Margarida Carrolo, Ou, aliás, pelo sorriso feliz da dra. Maragarida Carrolo acompanhei durante uma manhã no Hospital da Cuf Descobertas a actuação dos DOUTORES PALHAÇOS do projecto REMÉDIOS DO RISO, que me levaram atrás deles desde a sala de espera das consultas para crianças, passando pela zona dos bébés prematuros até aos quartos de meninos internados.
Num dos quartos, foi delicioso assistir a um "jogo de ténis" entre os dois "doutores" que acabaram por envolver a mãe e puseram o menino internado com um imenso sorriso na boca.
Sempre sonhei ser um dia palhaço. Acho que lhes vou pedir para de vez em quando me juntar a eles. O que é que há de melhor do que levar umas gotas de felicidade e riso ao coração de quem sofre?
Foi uma festa. O dr.Nano Sirene e o dr. Pessoa começaram pela sala de espera. A princípio foi a surpresa de ver ali aparecer aqueles estranhos doutores que a pocuco e pouco fizeram abrir sorrisos e risos e acabaram por envolver pais e meninos nos seus divertidos jogos e brincadeiras.
Num dos quartos, foi delicioso assistir a um "jogo de ténis" entre os dois "doutores" que acabaram por levar a mãe a entrar no jogo e puseram o menino internado com um imenso sorriso na boca.
Sempre sonhei ser um dia palhaço. Acho que lhes vou pedir para de vez em quando me juntar a eles. O que é que há de melhor do que levar umas gotas de felicidade e riso ao coração de quem sofre?
Para informação:
"Remédios do Riso” é uma Associação Sem Fins Lucrativos que procura contribuir para a melhoria da qualidade de vida das crianças hospitalizadas, ajudando-as, e às suas familias a suportar melhor a sua estadia.
Antes de cada intervenção reunem-nos com os enfermeiros de serviço, que fornecem toda a informação necessária sobre o estado das crianças internadas, de forma afazer visitas personalizada.
As intervenções em cada quarto são únicas e individualizadas, à medida de cada criança e com o seu consentimento. Improvisações, canções, jogos de magia, mimos, marionetas e malabares, são algumas das técnicas usadas durante a visita. Os familiares, a equipa médica e o pessoal da limpeza também são chamados a participar.
As visitas realizam-se nas consultas externas, obstetrícia, neonatologia, urgências e internamentos.
E-mail geral@remediosdoriso.pt Telefone 966569307 / 912656402 Site http://www.remediosdoriso.pt
Não pude deixar de me emocionar muito com o dr. Nano Sirene a tocar muito suavemente um pequeno kissanje (julgo que assim se chama o instrumento musical) junto um bébé prematuro. Até parecia que a sua respiração de tornava mais suave como se a música lhe desse a mão e dissesse: "Vem. A vida também tem gente boa e contigo pode ser melhor ainda."
O Rui Curto da Brigada Víctor Jara enviou-me um pedacinho de passado relativamente recente. Maio de 2004, aniversário do SPGL, no Barreiro.
´É bom falar com o passado. Tirá-lo de vez em quando do armário. Limpar-lhe o pó. Convidá-lo para almoçar.
Aproveita-se para recordar amigos, manter os sonhos na ordem do dia. E, depois, seguir em frente que a vida não nos dá tempo para ficar parado a olhar para trás.
Fica o abraço e o cravo.javascript:void(0)
(Manuel Freire, Rui Curto, José Fanha, Julián del Vale)
O Zeca fez uma das mais delicadas e belas canções com este poema de Camões. Dois pilares da minha respiração.
É claro que todas as canções do Zeca atravessaram e atressam e atravessarão a minha vida em todos os sentidos.
Esta escolhi pela sua rara delicadeza.
Quando passo pelo vale do Mondego, pelos campos de Montemor-oVelho, páro sempre e fico a ver os verdes campos que dali terão preenchido de ternura bela o coração do grande poeta.
Aqui fica cantada pela galega Uxia, outra voz que nos faz voar para dentro e para fora da nossa emoção.
Outra voz, tal como o Zeca que muito faz pela lírica comunidade galaico-portuguesa.