domingo, 6 de março de 2011

CONTAR FILMES



Sempre vivi com as emoções às costas.

Quando leio um livro ou vejo um filme de que gosto muito tenho de o impingir a toda a gante. É mais forte do que eu. Se quiserem, de forma poética, direi que é uma ínapelável pulsão de partilha das emoções.

Alguns dos meus amigos já me pediram várias vezes para não lhes contar os filmes. Depois vão vê-los e acham-lhes muito menos graça...

Eu gosto tanto de contar como gosto que me contem filmes ou livros. Porque quase sempre vou ver outra coisa, de outro ângulo, ovou ver outro filme, o meu filme, que não fica magoado se me contarem o filme que cada um viu dentro daquele que eu vou ver.

Por isso, o título deste livro agarrou-me imediatamente. Esta é das minhas!

Ainda por cima, Hernán Rivera Letelier é um dos meus autores favoritos. Ex-mineiro nas minas do salitre no deserto de Atacama, Letelier fala-nos dos pobres, dos mais pobres, da vida duríssima da gente do deserto. E apesar dessa dureza, a sua escrita é doce e amável e quando acabo de ler os seus livros fico sempre a sentir-me mais carregado da mais funda humanidade que as palavras podem trazer-nos. Atrevam-se a descobri-lo meus amigos.

quinta-feira, 3 de março de 2011

FESTIVAL RTP DA CANÇÃO

SÁBADO DIA 5

Qurem quiser e puder dar mais uma ajudinha pode telefonar para a RTP durante o Festival(para o número que eles anunciarem durante a emissão - chamada de valor acrescentado, 0,60 €) e votar na

CANÇÃO nº 5

"QUASE A VOAR"

Música: Pedro Feist

Letra: José Fanha

Intérprete: Henrique Feist

terça-feira, 1 de março de 2011

ZECA, O POETA




Esta saiu da caneta do Bastos, veio no Jornal de Negócios e chegou-me pelas mãos do Manuel Freire e do Viriato Teles:

"Zeca Afonso morreu há 24 anos [23 de Fevereiro de 1987], com uma doença atroz: esclerose lateral amiotrófica.
Tinha 57 anos e manteve, até ao remate dos dias, aquele sorriso meio-cândido, meio-malicioso, que lhe conferia o ar de menino de sempre. Pouco tempo antes conversámos numa leitaria à entrada das Escadinhas do Duque, das duas ou três tertúlias da zona a que chamávamos o Triângulo das Bermudas. Não era um local de perdição, ao contrário do que a alcunha pode querer dizer. Mas os encontros poderiam levar-nos pela noite adiante.

Os mesários dessas reuniões eram, entre muito outros, fixantes e passantes, Herberto Hélder, António José Forte, António Carmo, Aldina Costa, José Carlos González, Ricarte-Dácio de Sousa, Adriano de Carvalho, Serafim Ferreira, Teresa Roby, Luiz Pacheco, os actores Fernando Gusmão e António Assunção, e por aí fora. Olho para trás e reconheço que esses encontros são irrepetíveis, não só porque a morte já fez a sua ceifa como pelo facto de a atmosfera moral e afectuosa ser, agora, muito diferente.

Frequentei aqueles grupos durante anos. O "Diário Popular" era ali perto e dava-me jeito ir à bebida e à conversa com amigos, alguns dos quais (o Herberto, por exemplo) vinham dos bulícios da adolescência. O Zeca Afonso não era habitual; mas, naquele fim de tarde, sentou-se para conversar sonhos e esperanças tão antigos como o homem. "Estou a morrer devagarinho", disse-me. E a voz era como se viesse do fundo do corpo. A frase impressionou-me pela coragem. Ele sabia que estava condenado e talvez quisesse dizer-me que o sabia. Falou, logo a seguir, de outras coisas. Olhava para este homem novo, atingido por uma doença medonha, e recordava a generosidade limpa e aberta de alguém que dera tudo a todos e oferecera à Revolução o seu hino definitivo.

O Viriato Teles, grande jornalista que os senhores dos jornais têm laminado mas não destruído, escreveu, sobre o amigo e companheiro, páginas definitivas, e conhece, como ninguém, a dimensão da grandeza de uma pessoa rara. Mas o País ainda não homenageou o poeta admirável e o cantor de palavras claras que esteve sempre com as causas justas, as batalhas necessárias e as urgências que a História exigia. Melhor do que nós, fazem-no os galegos, para os quais José Afonso é um marco e um símbolo da dignidade e da probidade humanas.
Os textos de "intervenção" que escreveu pertencem à mais rigorosa selecta da lírica portuguesa.
Provêm, directamente, das fontes medievais e da tradição de combate e crítica da grande poesia. Zeca Afonso não facilitava a interpretação dos seus poemas. A diversidade de leituras que propõem sugeriu muitos estudos no estrangeiro e o respeito de duas ou três gerações que ele distinguiu com a lição de um desprendimento total.

Comparar a obra do poeta às "cançonetas" "dos" Deolinda, como por aí se tenta, é um ultraje e uma demonstrada ignorância. Mas estas comparações não são ingénuas. Fazem parte do arsenal de apoucamento do Zeca, que um sector da vida portuguesa deseja, há muito promover. É desnecessário. A força, a qualidade do imenso trabalho criador do autor de "Traz outro amigo também" não sofre paralelismo com outro qualquer. O que não passa de uma funçanata divertida e trôpega dificilmente poderá ser levada a sério e entendida como "intervenção social e ideológica." As comparações são propositadamente estabelecidas (inclusive por alguma Imprensa desprezível) para fomentar a confusão e enganar tolos. A estratégia não é nova. Ainda há quem não perdoe a Zeca Afonso a magnitude do seu talento e o cariz de uma arte que sempre recusou o panfleto sem desprezar a intenção de revolta.

No dia 23 de Fevereiro completaram-se 24 anos sobre a data da morte de um grande poeta português. É muito bom que, sob outras roupagens, a sua música e as suas palavras sejam cantadas pelo pessoal mais novo e ouvidas por todos aqueles que possuem da arte um conceito diferente porque superior. Quanto a mim, que fui amigo deste português incomum, deste artista sem paralelo, recordo-o com emoção, encantamento e orgulho. Ele faz parte do nosso comum património moral, ética e estético.

b.bastos@netcabo.pt

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

DIA 19



No dia 19, dos meus 60 anos, a minha querida amiga Cristina Carvalho, filha do grande poeta António Gedeão publicou o extracto final do seu diário.

Tenho uma imensa admiração pelo poeta e a coincidência da data comoveu-me particularmente.

"‎...As minhas dores no estômago e nos intestinos continuam sem descanso e os médicos não descobrem o que tenho apesar de todo o seu saber, simpatia e generosidade. É preferível morrer. É neste estado que vos escrevo embora a minha letra, que aqui vêdes, não dê sinal de tantos males e de tão profundo abatimento. Fui sempre pessoa de grande coragem e espero conservá-la até ao último momento.
A todos os que me estimaram e, no extremo, me amaram, um longo adeus com os olhos tristes. Muito em particular para os meus mais íntimos. Deixo, neste vale, a minha mulher Natália, dois filhos (uma filha e um filho) e cinco netos (duas netas do filho, e uma neta e dois netos da filha). Todos me estimaram, e até me amaram muito, cada um com a sua capacidade de expressão.
E é tudo.

Chamo-me Rómulo e nasci no dia 24 de Novembro de 1906 com sete meses de gestação. Faleci em 19 de Fevereiro de 1997.

Adeus"

domingo, 20 de fevereiro de 2011

POUCA VERGONHA

Os meus amigos irão desculpar-me a pouca vergonha com que pus aqui os Beatles darem-me os parabéns, ontem, no dia dos meus 60 anos...

E já agora vou trazer-vos um blogue e um trabalho curiosíssimo do Paulo Freixinho que faz palavras cruzadas a partir de obras literárias.

A minha amiga Sílvia Alves de Leiria pediu-lhe para fazer umas palavras cruzadas a partir de palavras relacionadas comigo:

Abril
Amabilidade
Amizade
Amor
Azul
Declamar
Dignidade
Eça
Escrita
Esdrúxulas
Fanha
Fraternidade
Livro
Poeta
Ternura

Aqui vai o endereço do bloguie do Paulo com um grande abraço para ele e para a Sìlvia pela notável prenda de anos que quiseram fazer a gentileza de me oferecedr.

http://palavrascruzadas-paulofreixinho.blogspot.com/

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

DIZER POESIA


O meu amigo José Teiga de Loulá envia-me com frequência notícias daqueles pequenos acontecimentos culturais que não cabem nos grandes jornais.

O Zé é um heróico resistente do teatro amador e da cultura popular. daquela que faz as pessoas juntarem-se em volta da fraternidade, da palavra, da canção, da poesia.

À sua mesa nunca falta a poesia dita. E a poesia do António Aleixo anda-lhe sempre nos lábios.

Esta enviou-ma ele ontem. É do Aleixo, pois claro.


"mágoas descritas em verso
quando nascem de almas sãs
percorrem todo o universo
em busca das almas irmãs"


Grande abraço, Zé e até um dia destes.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

ARQUIVO, UMA BELA LIVRARIA



"Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria", afirmou Jorge Luís Borges. E o site da Livraria ARQUIVO de Leiria relembra-nos.

A própria ARQUIVO é um lugar muito agradável, cheio de livros, com café mesas e cadeiras para sentar a ler, a conversar, a namorar. Tem ainda uma pequena galeria de exposições e uma programação cultural de primeira água por onde passam muitos dos nomes da literatura que apetece mesmo ouvir falar.

A ARQUIVO, na Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, é mais uma daquelas livrarias que pelo país fora se constituem quase como uma rede de resistência à globalização.

Aqui amam-se os livros. Já lá estive. E hei-de voltar.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

DIA DO AMOR



IBN ARABI

(Poeta Árabe nascido em Múrcia, Séc. XII-XIII)



um apaixonado veio bater
à porta da sua bem-amada
e ela, lá de dentro, veio dizer:
quem é? Deu ele em responder;
sou eu, minha adorada!

disse ela, de seguida, já irada:
eu e tu não cabemos nesta casa!

no deserto foi ele arder a sua brasa
meditando até de madrugada

voltou à porta dela, e bateu
e, uma vez mais, a voz se ouviu:
quem é? és tu! ele respondeu
e logo aquela porta então se abriu

(Tradução: Adalberto Alves)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

ABIÚL



Abiúl, freguesia do Concelho de Pombal. Nunca tinha ouvido falar desta terra e logo o nome invulgar e de origem árabe me chamou a curiosidade.

Abiúl é uma terra antiga, com foral e história vasta até ter perdido a sede do Concelho para Pombal e entrar numa certa decadência a partir de inícios do século XIX.

São por vezes interessantíssimas as histórias dos pequenos recantos do nosso país como é o caso de Abiúl. Vale muito a pena conhecer a sua história que pode ser consultada no site da Junta de Freguesia.

Fui recebido com invulgar gentileza, interesse e empenho de professoras, meninos e do prórpio presidente da Junda de Freguesia que fez questão de assistir às sessões na Escola e de me acompanhar em todo o tempo que estive em Abiúl.

Há autarcas assim mas são poucos os que dão valor ao crescimento cultural da sua população e à promoção do livro e da leitura. Às vezes não se dá por eles mas são estes que fazem o país evoluir.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

DIANA KRALL E OS MUPPETS

Não resisto a trazer esta canção para aqui. Diana Krall com os Muppets, filhos desse excepcional criador de histórias que foi Jim Henson, pai dos Marretas e de outras séries como o maravilhoso "Storyteller" que passou discretamente há uns anos na nossa RTP (quem se lembra?).




Não é frequente a grande indústria do espectáculo produzir obras verdadeiramente inovadoras e criativas. Os trabalhos de Jim Henson são quase sempre prova de que essa criatividade é, apesar de tudo possível.

E em relação a esta canção (como às muitas que grandes músicos interpretaram no show dos Marretas) apetece-me sublinhar que trabalhar para crianças não implica baixar a qualidade estética ou literária do que lhes oferecemos. Pelo contrário, as crianças merecem e são capazes de entender o melhor e até, por vezes, à sua maneira, o mais complexo.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

FABULA URBIS




Mais uma livraria diferente, e onde não se vendem livros como margarina mas como livros, portas doces e queridas que nos abrem o caminho à poesia, à viagem, ao pensamento.

É a FABULA URBIS, pertence aos meus amigos Carmo e João Pimentel. Fica na Rua Augusto Rosa, na esquina a seguir à Sé de Lisboa quem sobe a caminho do miradouro de Santa Luzia.

É uma livraria especializada em Lisboa. Ali podemos encontrar poesia, romance, história, tudo o que tenha a ver com Lisboa. E também, como é óbvio, o Fado está presente em publicações e discos.

Mas a FABULA URBIS é muito mais do que isso. É um espaço de afectos, de convívio, de troca de ideias. Tem uma pequena galeria de exposições no primeiro andar. Há por lá poesia, música, arte, conversa e um copito ao fim de tarde. Vale a pena consultar na Net a sua programação cultural e passar por lá, folhear os livros, ficar à conversa.

A FABULA URBIS é mais um daqueles pequenos e preciosos focos de resistência cultural à massificação. Há vários por este país fora. Às vezes, na nossa pressa, passamos ao lado e nem damos por eles.

Mas é importante passar palavra. Há gente que resiste e insiste em voar.

domingo, 30 de janeiro de 2011

QUE GENTE É ESTA?

Comentário retirado do ViriatoTeles.net, sexta-feira, dia 28. Sem comentários porque está tudo dito.

"Leio espantado a notícia do Correio da Manhã de hoje: «O director do Conservatório de Música de Coimbra foi espancado sem razão aparente por um grupo de jovens, perto da estação de Coimbra B. Manuel Rocha, 48 anos, ficou ferido com gravidade, fracturando uma perna, e foi com o amigo até às Urgências dos Hospitais da Universidade de Coimbra, onde está internado.
A cena de pancadaria ocorreu na segunda-feira, às 20h45, quando o músico esperava um amigo na estação ferroviária. Um jovem abordou-o, junto ao seu carro, e pediu--lhe lume para acender um cigarro. Manuel Rocha disse que não tinha, por não fumar, e após troca de palavras começou a ser agredido. A violência aumentou de intensidade quando amigos do agressor, entre eles uma mulher, se juntaram contra Manuel.»




Manuel Rocha, esse mesmo, desde há mais de 30 anos um dos pilares da Brigada Victor Jara, e um dos mais talentosos violinistas deste país. Foi a ele que calhou o miserável episódio, presenciado passivamente por vários transeuntes e utentes da estação ferroviária interurbana de Coimbra, como é relatado pelo próprio e na primeira pessoa:
«Estou vivo e não quero ter medo de ir a Coimbra-B. Queridos amigos! Boletim clínico: fractura do perónio e lesão na articulação da perna direita; escoriações muito ligeiras; sem mais lesões físicas ou morais; sono profundo e descansado.»
E prossegue:
«Descrição da ocorrência: abordagem por marginal à entrada da estação de Coimbra-B; impedimento, pelo dito, de fecho da porta do automóvel; reacção enérgica, minha, à prepotência do marginal; agressão primeira sob a forma de pontapé; reacção enérgica, minha, saindo do carro para desimpedir a via pública (revelando excesso de visionamento de séries norte-americanas nas quais o “bom” ganha sempre); confronto físico de exagerada proximidade; intervenção do resto do bando colocando-me em inferioridade numérica e física seguida de manobra de elemento feminino (demonstrativo de elevado profissionalismo) de inutilização do membro acima referido; pausa para retirar os feridos do campo de batalha (eu).»

Do sucedido, Manuel Rocha sublinha «a atitude demissionária e de assobiar para o ar de quem presenciou a ocorrência», que «não pode ser justificada pelo medo, ou não faria sentido evocar esse pilar da civilização ocidental que é o amor ao próximo.»

O Manel é um homem de bom feitio e melhor humor, o que se saúda. Mas este caso, o seu caso, é sobretudo revelador do estado a que chegou não apenas o país, mas sobretudo o povo que vive nele. Os que na segunda-feira passaram ao largo da agressão ao músico são da mesma massa dos que, na véspera, voltaram a escolher o cinzentismo e a mesquinhez em formato presidencial. Não, não é contra Cavaco que estou. Ele é apenas um mísero professor, coitado, ainda para mais agora forçado a exercer a presidência pro-bono. Não, o que me irrita é mesmo esse «Portugal rançoso, supersticioso e ignorante, que tarda em deixar a indolência preguiçosa» de que fala o Baptista-Bastos. É essa, afinal, a mais triste evidência do episódio de Coimbra-B. A mão que elegeu Cavaco não foi a mesma que agrediu Manuel Rocha. Mas foi, com certeza, a que não se ergueu para o defender."

sábado, 29 de janeiro de 2011

EB23 JOÃO AFONSO DE AVEIRO



Há escolas especiais. Esta é uma delas. Visitá-la, conversar com os seus alunos, sentir que as minhas palavras, os meus textos, as minhas histórias podem acrescentar alguma coisa ao processo educativo deixa-me muito, muito feliz.

Aqui cresce-se graças a alguns professores cuja capacidade de entrega e de sonho está muito para além daquilo que as avaliações ou os avaliadores são capazes de entender.



Entre esses professores está o meu muito querido amigo e ex-aluno de História de Arte e actual professor de EVT, Tiago Carvalho. Já por aqui falei dele. E falarei mais porque além de magnífico professor e excelente web designer (responsável por este blog e pelos 7leitores.blogspot.com é ainda um poeta muito especial, da vida e das palavras.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

QUASE A VOAR




Queridos amigos,

A canção "QUASE A VOAR" com música de Nuno Feist, letra minha e cantada pelo Henrique Feist precisa até 5ª feira dos vossos votos e dos votos dos vossos amigos e familiares, vizinhos, colegas, etc, etc para chegar à final do Festival RTP da Canção 2011.

Para votar é fácil:

- Site "FESTIVAL RTP 2011"

- Clica-se em "VOTAÇÃO"

- Clica-se na canção "QUASE A VOAR"

- Seguem-se as instruções colocando o respectivo email.

- Recebe-se no email um pedido de confirmação. É preciso confirmá-lo para que o voto seja efectivo.

- Cada email permite votar 3 vezes na mesma canção repetindo 3 vezes a operação descrita.

Obrigado!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

FESTIVAL RTP 2011 - QUASE A VOAR

Trabalhei com o Henrique Feist na versão portuguesa do "Sweeney Todd" encenada magnificamente pelo João Lourenço, primeiro no Teatro Nacional D. Maria e uns anos depois no Teatro Aberto.

O Henrique fazia muitíssimo bem o Toby, ajudante do barbeiro Pirelli. Ficámos amigos. E eu fiquei admirador da voz e do profissionalismo do Henrique.



Há poucas semanas o Henrique pediu-me para fazer a letra de uma canção com música do irmão, o NUNO FEIST, para concorrer ao Festival RTP da Canção 2011.

A cançãoe acaba de ser seleccionada para a 2ª fase em que as canções estarão na net para serem votadas pelo público. As 12 mais votadas serão apresentadas pela RTP.

A canção chama-se "QUASE A VOAR". Por isso, meus amigos, conto com a vossa simpatia e o vosso voto. Por email. Amanhã direi como.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

LIVRARIA "POESIA INCOMPLETA"

Nunca visitei a "POESIA INCOMPLETA". Falha grave minha. Ando pouco por Lisboa mas a falha é mesmo grave. Já me tinham avisado que era imprescindível. E agora, os amigos andam a pedir para lá irmos e não a deixarmos morrer. Recebi a mensagem abaixo. Vou já lá a correr.



"Actualmente existe, em Lisboa, uma livraria absolutamente única no país: uma livraria integralmente dedicada à poesia.

Sucede, contudo,que, apesar de fantástica, ela encontra-se com alguma dificuldade emsobreviver. O que não se compreende: tem à sua frente um jovem livreiro que, além de extremamente eficiente, como verão, possui um total conhecimento do que está a vender: conhece os autores, as edições, tudo.

A livraria de que vos falo chama-se Poesia Incompleta, fica na Rua Cecilio de Sousa nº 11 (Príncipe Real) e vai com certeza ser uma revelação para quem a visitar. Abrange todas as épocas e o que não tem, o Mário, o dito livreiro, arranja, normalmente - e com uma brevidade que, no mínimo, surpreende.

Peço-vos - a vós que sois leitores, presumo - que façais uma visitinhaa este sitio, que não pode de maneira nenhuma fechar e que, pela sua qualidade, vai-se tornar, mais tarde ou mais cedo, como aliás disse Vasco Graça Moura, num local de culto.

Isto, claro, se não fechar, coisa que, passando a palavra e recomendando a amigos este tãos ingular espaço, podemos evitar."

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

AMESTERDÃO 1970



Já muito perto dos 60 anos, às vezes dá-me para umas viagens ao passado. Nada de saudosismo. Mas o passado, os passados são para lembrar.

Encontrei por aí esta foto. Amesterdão, 1970, 19 anos, a bordo de um barco pelos canais. Estou ao lado de uma portuguesa, um português e um holandês.

Foi a primeira vez que saí sozinho para o mundo. Sozinho não. Fui com o meu amigo Manuel Botelho. Estudava arquitectura e tinha trabalhado o ano inteiro no Ministério das Obras Públicas como desenhador. Deu para a viagem de um mês.

Portugal era triste, sujo, pequenino, mesquinho, bolorento, dominado por bufos. Vivíamos de frente para uma guerra que parecia não ter fim. E a gente da minha idade barafustava, protestava, conspirava e sentia-se às vezes muito triste.

Lá fora havia tanta coisa, as revoltas estudantis, os hippies, o rock, o Make Love not War, o Guevara, o Vietname e o protesto contra a guerra (com muitas parecenças com a nossa Guerra Colonial) e mais e mais e mais.

A chegada a Amesterdão foi um deslumbre. Respirava-se liberdade, festa, delírio. E havia o mercado das flores. A Casa de Anne Frank. A juventude ocupava a cidade vestida das formas para nós mais deliciosas. Havia música nas ruas, nos parques, havia gente de Itália, da Dinamarca, da América, de toda a parte. E era fácil falar. E cantar. E fazer amigos. E...

Não se tem duas vezes 19 anos. Mas é nessa idade que estabelecemos as nossas pátrias.

Amesterdão, a Cidade-de-Todos-os-Espantos-de-Amesterdão ficou a ser uma das minhas pátrias para sempre.

É claro que tenho outras pátrias. Umas mais pequenas, outras maiores. Um dia falarei delas.

domingo, 9 de janeiro de 2011

NÓS SOMOS TEIMOSOS



ABRIL vai ficando mais longe. Crescemos muito mas também houve muito que ficou por cumprir.

A democracia que vivemos não é bem aquela que alguns de nós sonhámos.

Instrumentos antigos com histórias gloriosas como, por exemplo, os sindicatos parecem ter perdido a sua função.

Os partidos transformaram-se em agências de empregos, centros de jogo de interesses particulares e pouco mais.

Os interesses nacionais têm-se apagado. O neo-liberalismo instaurou um estado de coisas muito feio.

Mas é claro que não vamos desistir.

O mundo tem evoluído com uma mecha do caraças... Parece que as grandes lutas transformaram-se numa multiplicidade de pequenas lutas. Pelo ambiente, pela qualidade de vida e do ensino, pela saúde, pela cultura, pelo respeito e pela dignidade da vida humana, pela verdade, pela informação... Coisas pequenas mas que todas juntas...

Vás tu descansado, Vítor. Nós somos teimosos.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

UMA ESPÉCIE DE VISITA AO PARAÍSO



Há homens que se tornam em pontos de referência fundamentais na nossa vida. Pelo seu exemplo, pelo seu talento, pela sua consistência, pela dimensão da sua alma.

São raros na nossa vida. E por isso preciosos. Dos meus, e de memória, poderia falar do Zeca Afonso, do Alípio de Freitas, do Claudio Torres, do Siza Vieira, do João Abel Manta e, seguramente do José Mattoso.

São âncoras, pilares, nuvens que nos indicam os caminhos a seguir.

Aproveitei os dias agitados das chamadas Festas para pôr em dia algumas pequenas leituras, entrevistas, artigos de jornal, coisas amontoadas ao canto da mesa de trabalho e a transbordarem para o chão.

Li duas entrevistas com o José Mattoso. E ficaram-me frases e pensamentos que merecem partilha e reflexão.

Cá vão algumas da entrevista conduzida por Anabela Mota Ribeiro e publicada em O Público, 24.10.2010.

"A minha concepção de Deus - não sei se é pretensão de mais dizê-lo - foi-se aperfeiçoando. Foi perdendo os aspectos antropomórficos, os aspectos lógicos. Os Vedas falam na meditação da escuridão que cobre a escuridão. A escuridão é o mistério de Deus, coberta por outra escuridão, e por outra , e por outra. Temos de encontrar o que está por detrás, que nunca é exprimível. Há aproximações metafóricas, metafdísicas, conceptuais."

"O Homem é o homem e a mulher. O amor faz parte daquilo que completa o Homem. Se não existir é uma mutilçação. É uma falha irreparável."

"O 1º de Maio (de 1974) foi uma espécie de visita ao paraíso."

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O GRANDE FEITICEIRO ADORMECEU




O grande feiticeiro, meu irmão, adormeceu hoje. Foi lá para o céu tirar um descanso desta vida maluca.

Que se cuidem os anjos, e mais ainda as anjas, porque reboliço vem ali.


MALANGATANA VALENTE NGWENYA


MULHER

Nas águas frescas do rio
vamos ter peixes imensos
que darão o sinal do ´
fim do mundo talvez
porque vão dar cabo da mulher
a mulher que embeleza os campos
a mulher que é o fruto do homem.

Oh peixe voador, acaba com a rusga
porque a mulher é o ouro do homem
quando ela canta e até parece
a viola do fadista bem afinada
quando ela morre cortarei
o cabelo dela para livrar-me do pecado

O cabelo da mulher será o cobertor
do meu caixão, quando outro Artista
me chamar lá no Céu para me pintar
o seio da mulher será minha almofada
o olho da mulher me abrirá o caminho do Céu
a barriga da mulher vai-me nascer lá em cima
quando subir aos Céus

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

UMA CHUVA DE ENGENHEIROS

UMA CHUVA DE ENGENHEIROS

(Relembrando alguns quadros de Magritte)


O meu guarda-chuva preto
é um engenheiro verde.




Ou melhor,
tenho um copo de água
Inesperadamente cheio
de engenheiros amargos
vestidos de absinto.




Ou ainda,
uma chuva de engenheiros
transforma um copo de absinto
na água que cai do alto da tristeza.



Ou talvez,
a mãe do pintor afogou-se
num rio de copos de água
e nunca mais deixou de se ver
uma chuva de engenheiros
a descer suavemente para o céu.

José Fanha

(do livro inédito "CANCIONEIRO FELIZ com algumas nuvens")

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

NATAL



"Não se vê bem senão com o coração. O essecial é invisível aos olhos."

"O Principezinho", Saint-Exupery


Litania para este Natal (1967)

Vai nascer esta noite á meia-noite em ponto
num sótão num porão numa cave inundada
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
dentro de um foguetão reduzido a sucata
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
numa casa de Hanói ontem bombardeada

Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
num presépio de lama e de sangue e de cisco
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
para ter amanhã a suspeita que existe
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
tem no ano dois mil a idade de Cristo

Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
vê-lo-emos depois de chicote no templo
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
e anda já um terror no látego do vento
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
para nos vir pedir contas do nosso tempo

David Mourão-Ferreira

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

NATAL NO HOSPITAL




O meu amigo Gonçalves André, administrador do Centro Hospital de Torres Vedras pediu-me para "dar uma perninha" no almoço de Natal do Hospital do Barro. Desafiei os meus companheiros e excepcionais músicos Nanã Sousa Dias e António Palma e fizemos uma pequena viagem pela poesia e pelo Jazz como temos vindo a fazer nos últimos meses por aqui e por ali, um pouco por todo o país.


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

LIVRARIA LERDEVAGAR



Continuando a visita a livrarias que procuram constituir-se como alternativa aos Centros Comerciais, aqui vem uma que é talvez a aposta mais aventureira, mais calorosa, mais entusiasmante de todas as que conheço.

Quem já lá foi sabe que tem sido e continua a ser um espaço único de encontro com os livros, a leitura, a cultura, o convívio, a cumplicidade, a amizade, o calor humano.

A "Lerdevagar" já teve várias localizações. No Bairro Alto, em Braço de Prata e agora na Lx Factory em Alcântara, Lisboa.

Está instalada nas instalações imensas de uma antiga fábrica que continua continua presente nas suas impressionantes maquinarias, agora invadidas por livros, a maioria deles a preço barato.

Está aberta até tarde e tem sofás, bar, restaurante e simpatia. Pode-se tomar café, jantar, beber um copo, conversar, namorar... E ler, ler, ler mas devagar.

Quem não a conhece fica desde já obrigado a passar por lá, deixar cair a boca de espanto e, naturalmente, a ficar apaixonado por este espaço único no país.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

INVENTÁRIO DO MEU MUNDO



O meu querido amigo Alberto Trovão do Rosário acaba de publicar um livro que aconselho todos a ler.

Intitula-se "INVENTÁRIO DO MEU MUNDO"

Trata-se de um conjunto de pequenos textos, reflexões diversas, ideias, impressões e poemas servidos por uma escrita de grande qualidade.

Não se trata de um diário nem de nada que possamos definir numa palavra. É um belíssimo inventário de quem tem uma vida cheia para inventariar.

Um exemplo para todos nós. Porque todos temos uma vida para inventariar. E esse perccurso é o melhor que podemos oferecer aos amigos, à família, à gente que não anda no mundo por andar. É claro que quem quiser meter ombros a esta tarefa tem de o fazer com um tremendo respeito por essa arte única que é a das palavras.

O Alberto fê-lo com grande brilho e posso dizer que este exemplo nos ajuda e muito a que cada um encontre um caminho para fazer o seu próprio inventário.

Para o adquirir é fácil. Basta aceder ao site da editora e encomendar à cobrança.

http://www.edita-me.pt/


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A REPÚBLICA À CONVERSA EM BARCELOS



Na magnífica Biblioteca Municipal de Barcelos decorreram nos dias 3 e 4 de Dezembro fim-de-semana as Jornadas sobre a República.

Sábado, a dra. Alice Samara falou sobre "A mulher na República, o dr. Luís Gamito sobre "Os Psiquiatras e o delírio na República, o Prof. Adelino Maltez sobre "Carbonária e maçonaria na República", o escritor Miguel Real sobre "A literatura e as ideias durante a República" e o dr. Sérgio Pinto sobre "A questão religiosa e o fim do liberalismo socio-político.

Na noite de sexta feira o Dr. Medeiros Ferreira fez uma excelente oração de abertura e eu, com o pianista António Palma, fizemos uma rápida viagem pela poesia e pela música do final do séc. XIX até à queda do Estado Novo em 1974.


sábado, 11 de dezembro de 2010

FEIRA DO LIVRO DE ALPIARÇA



Muito vêm fazendo um número significativo de autarquias e de Bibliotecas Municipais na promoção do livro e da leitura.

Esperemos que a crise e o medo da crise não faça cair os cortes sobre esta área. Porque, infelizmente, há também muitas autarquias que gastam rios de dinheiro em espectáculos de circunstância ditos populares, que duram duas horas e não fazem filhos a ninguém, embora alguns autarcas menos avizados acreditem que com esses espectáculos agradam ao povo e conquistam votos.




O retorno do trabalho cultural de base não é imediato mas é sólido e é sobre esse retorno que podemos acreditar num Portugal moderno e mais capaz de resolver as suas crises.

domingo, 5 de dezembro de 2010

UM AMIGO



Esta canção pertence-me ou seu eu que lhe pertenço. Faz parte do território da minha juventude.

E continuo a emocionar-me quando a ouço, mesmo nesta recente e poderosa versão.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

HISTÓRIAS COM DIREITOS



O Instituto de Apoio à Criança, em colaboração com a Plátano editora, acabou de publicar este livrinho de histórias e versos dedicados aos Direitos da Criança.

Os autores convidados foram: António Torrado, Mª Teresa M. González, Inês de Barros Baptista, Raquel Palermo, Inês Pupo, Augusto Carlos, António Mota, Luísa Ducla Soares, José Jorge Letria, Rui Zink e este que se assina, José Fanha. Ilustrações da Vera Pyrrait. Voz de Pedro D'Orey e música de Carlos Daniel e Tiago Barbosa.

Não pude estar presente na apresentação pública e, por isso mesmo, ainda não vi o livro, não lhe toquei, não o cheirei. Mas estou ansioso.

E agora, para aguçar o apetite, um bocadinho do texto que escrevi


RECEITA PARA FAZER UM NINHO

Toda a mãe prepara
um sítio quentinho
a que chama ninho
e onde com cuidado
de um velho saber
põe o seu filhinho
logo que nascer.

Para fazer o ninho
os ingredientes
podem ser diferentes
seja um passarinho
seja um passarão
seja um coelhinho
seja gato ou cão
menino ou menina
Joana ou João.

(...)

sábado, 27 de novembro de 2010

CANTIGAS E CANTIGOS PARA FORMIGAS E FORMIGOS



Há alguns anos publiquei as "CANTIGAS E CANTIGOS". Eram lengalengas, brincadeiras de palavras e rimas, rendas de sílabas, músicas da língua em estado puro.

Ficou aprazado o 2º volume. Demorou uns anos a sair cá para fora mas aqui está. Mais lemgalengas já experimentadas há algum tempo com meninos em escolas e bibliotecas. Ilustrações do meu filho João Fanha. E uma das cantigas, ou cantigos, para amostra.

O QUE AS COISAS DIZEM


Vem o sol e diz que sim
vem a chuva e diz que não
vem o mar e diz azul
vem o ar e diz balão.

Cada mala diz partida
cada barco diz saudade
cada lenço diz adeus
cada pente diz vaidade.

Uma sopa diz almoço
uma roda diz rodar
uma bota diz caminho
uma asa diz voar.

O poema diz poeta
o braseiro diz calor
o abraço diz amigo
o beijinho diz amor.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

VIZELA



É fantástica a ternura que os meninos dispensam aos escritores que os visitam e que eles sentem que, através dos livros e das palavras escritas, lhes oferecem um voo, uma promessa de magia, uma porta aberta para crescerem e se construirem em torno da leitura.

Criam-se momentos únicos de cumplicidade com os meninos e os professores. E não falo só de mim. Esta experiência é comum a companheiros meus como o António Torrado, a Luísa Ducla Soares e António Mota e alguns outros mais.



E a propósito da última foto vêm a propósito estes versos de um livrinho que está m sair por estes dias "CANTIGAS E CANTIGOS PARA FORMIGAS E FORMIGOS"~

PALAVRINHA


Ai palavra palavrinha
Ai palavra apalavrada
Uma salta pula e dança
Outra dorme descansada

Ai palavra palavrinha
Ai palavra palavrenta
A esta deitei-lhe sal
À outra deitei pimenta

Ai palavra palavrinha
Ai palavra palavrita
Uma é mesmo papagaia
A outra só piriquita

Ai palavra palavrinha
Ai palavra palavrosa
Se um dia tu fores vermelha
Noutro dia és cor-de-rosa.

Ai palavra palavrinha
Ai palavra palavruda
Se agora já és careca
Foste um dia cabeluda.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

SALTA FOLHINHAS



Algumas pequenas livrarias existem, ou persistem, ou resistem pelo país fora, à margem dos grandes grupos e dos Centros Comerciais onde se repetem os best-sellers e raramente encontramos espaço para o requinte verdadeiro do livro que sabemos que poucos comprarão mas que é precioso.

Gostava de falar delas. À medida que as vou conhecendo. Porque os verdadeiros amantes dos livros e da leitura tendem a encontrar-se mais tarde ou mais cedo.

Estas pequenas livrarias sobrevivem graças aos amigos que passam palavra e lá vão à procura de livros mesmo especiais. Sobrevivem ainda graças a actividades de animação no seu espaço e da capacidade de responder às necessidades de Escolas e Bibliotecas na sua zona geográfica.

As pessoas que põem estes espaços a funcionar, e a brilhar, e a persistir, sobrevivem com muito trabalho, muita dedicação e alegria. E merecem toda a nossa ternura. Porque também eles mostram que há lugares de felicidade muito ara além dos espaços leofilizados e passados a papel químico da globalização.

A Salta Folhinhas fica na Rua de António Patrício, 50, perto da Boavista no Porto, a poucas centenas de metros da Casa da Música. Já tem 6 anos de idade. Costuma ter actividades diversas para criança ao fim do dia e ao fim de semana. A proprietária é a Teresa Cunha. É um espaço caloroso e cheio da magia dos bons livros para crianças.

Passem por lá e levem os meninos. Vale a pena.

domingo, 21 de novembro de 2010

DE QUE É QUE FALAMOS QUANDO FALAMOS DE LEITURA?


O que é uma leitura bem feita?

“É uma leitura que implica uma responsabilidade, e neste termo contém-se o de resposta. Trata-se, portanto, de responder a um texto, à presença e à voz de outrem. E isso tornou-se difícil senão impossível numa cultura onde o ruído é constante, que não tem de reserva uma prata de silêncio ou sequer de paciência.”

“Ler não é sofrer mas, falando com propriedade, estarmos prontos a receber em nossa casa um convidado, ao cair da noite.”


“(Ler...) Trata-se de aprender com os outros a escutar melhor.”

Georges Steiner

“Quatro entrevistas com George Steiner”, Ramin Jahanbegloo, Fenda edições, Lisboa, 2006