Tenho 60 anos.
Já acreditei em muitos mitos veiculados pelas melhores e pelas piores intenções.
Das imbatíveis verdades da imprensa já bebi muita aldrabice.
Este texto recebi-o da Associação 25 de Abril. Vale a pena reflectir.
"O 25 de Abril tem servido para muitos dislates, ao longo destes 37 anos.
Agora utilizá-lo para definir o que se passa na Líbia, comparando os dois acontecimentos, admitindo que houve boa fé,revela enorme ignorância.
Ignorância, porque mostra um total desconhecimento sobre a acção libertadora de 1974; mas também incompreensão, porque tenta justificar uma das acções mais hipócritas dos países ocidentais que, no seguimento da acção contra o Iraque, volta a aproveitar o facto de existir um ditador -ontem Sadam, hoje Khadafi - para legitimar acções de todo em todo condenáveis, se analisadas à luz das regras do direito internacional. Não se veja nisto qualquer defesa dos referidos ditadores, mas já se sabe que o direito internacional é a manifestação da vontade dos vencedores, dos mais fortes, mas, por favor, poupem-nos à hipocrisia de tentar justificar o injustificável...
Afirmar, como o primeiro ministro de Portugal, Passos Coelho, que "o fim do regime de Khadafi foi uma espécie de 25 de Abril", que "houve uma espécie de 25 de Abril, uma tomada de consciência dos líbios em relacção ao seu regime" ou que "houve também uma intervenção da NATO que foi extraordinariamente bem sucedida. Não existiu, digamos, invasão terrestre. Isso permitiu da parte do povo líbio uma tomada de posição contra o próprio regime, que fez lembrar aquilo que se passou em Portugal", ultrapassa tudo o que é admissível.
Isto leva-nos, enquanto militares de Abril e representantes dos que em 1974 tudo arriscaram para acabar com a ditadura, acabar com a guerra, devolver a liberdade e a democracia aos portugueses, a protestar veementemente contra as declarações do primeiro ministro, que nos ofendem, ofendem o 25 de abril, ofendem Portugal.
Tenhamos presente que a NATO, ou qualquer outra organização semelhante, não deu qualquer apoio ao Movimentos dos Capitâes e no Terreiro do Paço ou no Largo do Carmo não podem ser vistos sinais de bombardeamentos, porque então se utilizaram cravos..."
sábado, 10 de setembro de 2011
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
A BRUXINHA DE LEIRIA

Reproduzo o post de O Jardim Assombrado" da minha amiga Carla Maia de Almeida e junto a minha voz a outras como o blog da Revista "Os Meus Livros" que lamentam o final desta página única na nossa imprensa.
Da Carla:
Porque o fim de uma coisa é sempre o princípio cativo de outra coisa qualquer – quantas vezes maior e mais forte –, não é com penas nem melancolias de chuva pré-outonal que O Jardim Assombrado termina o silêncio das últimas semanas para anunciar o fim de A Bruxinha, suplemento infantil do semanário Região de Leiria coordenado por Sílvia Alves – autora, contadora de histórias e uma das pessoas que mais têm contribuído para a divulgação da literatura para crianças nos últimos anos. Para a Sílvia, vai um grande abraço e o desejo de outros voos e outras latitudes. O texto que se segue corresponde à última crónica publicada no Região de Leiria, a 27 de Agosto de 2011:
“Os hábitos de leitura fazem-se de pequenos passos. Os leitores do futuro são as crianças que começam a fazer caminho. A Bruxinha começou há doze anos a falar de livros e leitura, muito antes de um PNL decretar esse caminho. Os jornais estão em reinvenção lenta de um saber fazer que pede a articulação da tradição do papel com novos caminhos que se abrem online. Os que souberem ver mais longe construirão o futuro. A rapidez da notícia viverá a par da narrativa mais detalhada mas, num ou noutro formato, não haverá jornais grátis: são feitos de pessoas e do seu trabalho que tem um preço inalienável.
Hoje, com memorandos hostis a ditar tempestades, a Bruxinha chega ao fim. No seu coração, amarrotado já de saudade, leva a esperança de ter deixado algumas sementes de bons leitores. A eles e a todos os que, em doze anos, comigo colaboraram desejo as maiores felicidades. Continuaremos a encontrar-nos nos livros e nas histórias contadas onde nascem e vivem para sempre as Bruxinhas de Papel.
Esta é também, ao fim de sete anos, a minha última crónica no Região de Leiria. O sempre e o nunca são palavras armadilhadas, neste tempo de estender mapas e descobrir novos rumos. Do fim diz Agustina: “O que resta é sempre o princípio feliz de alguma coisa". Seja.”ão os que têm lamentado o desaparecimento da página "A Bruxinha" do Jornal
domingo, 4 de setembro de 2011
ILUSTRADORES - MARGARIDA BOTELHO
A Margarida é uma jovem arquitecta que se dedicou às histórias para crianças. Um pouco como eu, tirando a juventude que de espírito terei mas não de articulações a ganhar alguma ferrugem.
Mas a Margarida é mais que ilustradora. É autora das histórias, contadora, performer, etc, etc.
Os livros são o pretexto para deliciosas intervenções que moram à beira do teatro e da teatralização feita a partir de imagens e cenários fortes e muito divertidos.
Assisti já a várias apresentações dela quer para adultos quer para crianças e fiquei deliciado.
Além do mais a Margarida tem corrido mundo, levando as histórias no bolso, trabalhando com crianças em Moçambique, na Amazónia, sei lá que mais, e recolhendo influências e elementos que retrabalha e nos devolve revestidos por uma magia muito especial.
Só posso acrescentar: Viva a Margarida, e desejar que todos os meus amigos tenham a possibilidade de conhecer os seus livros e de a ver numa das suas apresentações em escolas, museus & etc.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
ILUSTRADORES - HENRIQUE CAYATTE
O Henrique é muito mais que um ilustrador. Além de professor universitário é um designer de comunicação. Quer isto dizer que tem trabalhado em tudo quanto é comunicação em espaços urbanos, organização de percursos e exposições, autor de projectos gráficos na imprensa e no livro, autor de cenários para teatro, etc, etc.
É longa a lista de trabalhos do Henrique. Aqui vão alguns deles:
- Autor do projecto gráfico do jornal !Público", editor e ilustrador até 2000.
- Co-autor do sistema de sinalética e comunicação da EXPO ‘98.
- Responsável pelo design dos Pavilhões de Portugal na exposição mundial Expo ’98, e nas exposições universais de Hannover 2000 e Aichi 2005. Comissário e designer da exposição “Cassiano Branco – uma obra para o futuro”, “Liberdade e Cidadania – 100 Anos Portugueses”
- co-comissário e designer da exposição “Engenharia Portuguesa do Século XX” e comissário principal e designer da exposição “Arquitectura e Design de Portugal 1990-2004” na Trienal de Milão
- Autor do design da revista Egoísta entre outras publicações
- Autor do design global do novo Passaporte Electrónico Português e do Cartão Único de Cidadão.
- Recebeu inúmeros prémios entre os quais o Prémio Nacional de Ilustração em 2000.
Conhecemo-nos e cruzamo-nos de vez em quando. Trocamos sorrisos e abraços. Admiro muito a consistência do seu trabalho e a marca pessoal que imprime às ilustrações dos livros para a infância que lhe conheço e ando atento porque o Henrique é daquelas pessoas que veste o nosso quotidiano e muitas vezes nem damos por isso.
domingo, 28 de agosto de 2011
ILUSTRADORES - DANUTA WOJCIECHOWSKA
E continuando com os ilustradores chegou agora a vez da Danuta. De origem canadiana, Donuta é designer de comunicação e tem-se destacado com uma das obras mais intensas e personalizadas do livro para crianças em Portugal tendo ganho o Prémio Nacional de Ilustração em 2003.
Quem trabalha o livro para a infância e juventude conhece bem a obra da Danuta.
Também já tenho com ela uma promessa sem data para um livro conjunto. (Esta minha vontade de partilhar os livros com bons ilustradores vai acabar por me obrigar a escrever muito, tantos são os bons ilustradores em Portugal).
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
10 CANÇÕES QUE FAZEM PARTE DA MINHA VIDA - CABO VERDE
Para terminar esta viagem por 10 canções da minha vida não trago uma mas três canções caboverdeanas. Estou convencido que a música de Cabo verde é a melhor do mundo. Ou mesmo do universo.
Houve um tempo em que andei muito pelas ilhas de Cabo Verde. Anos 80. Ao todo, somados os vários bocadinhos, estive por lá coisa de 2 anos.
Ainda não era destino turístico.
Era terra cheia de feridas, pobreza e fome deixadas pelo colonialismo. Mas os caboverdeanos eram gente de cara limpa, de imensa dignidade, gente que tinha a felicidade de soltar o corpo e a voz na festa da música.
Guardo entre as mais fortes emoções da vida, quando poucos a conheciam, ter ouvido a Cesária a cantar à solta no bar do pianista Xico Serra em Mindelo, assistir a espectáculos dos Tubarões ou dos Finaçon na Praia, assistir aos improvisos fantásticos do violista Travadinha nas aventuras artística do Leão Lopes e do Carlos Barroco.
E falta falar de muitos, muitos mais. Luís Morais e o seu clarinete, o grande Bana, o meu amigo Tito Paris, Paulino Vieira, Codé di Dona e os outros, os mais jovens (Lura e Nancy Vieira, por exemplo) que continuam a dar voz a uma música única que se desdobra em estilos, ritmos, acentuações tão diversas quanto envolventes.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
10 CANÇÕES QUE FAZEM PARTE DA MINHA VIDA - AMSTERDAM
O Jacques Brel é o cantor de um par de gerações que vão do fim dos anos 50 até... Até aos anos 70, embora o meu filho João, nascido em 80 seja um apaixonado intenso das suas canções.
Grande poeta, extraordinário animal do palco, provocador carregado de raiva e de ternura, genial... E muito masi dele se podia dizer.
Pertence ao restrito clube dos grandes.
Todas as suas canções fazem parte da minha vida. Todas elas. E julgo que um bocadinho da poesia que escrevo lhe deve qualquer coisa. Porque muito do que escrevo é também destinado ao palco dos teatros, da rua e da voz.
Um dia, e esta é uma história já muito contada mas que vale a pena contar de novo, Brel aportou num barco, suponho que um veleiro, à Ilha do Faial. O resto da história, pequena delícia, vem narrada aqui em baixo pelo outro protagonista, o dr. Decq Mota.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
LUSTRADORES - ALEX GOZBLAU
Alex Gozblau nasceu em Itália mas radicou-se em Portugal. A sua obra como ilustrador e designer é das mais interessantes e inovadoras do panorama português que, aliás, conta com uma boa quantidade de excelentes ilustradores.
Por isto esta chamada de atenção a todos os que fazem a gentileza de frequentar este meu blog, para que dêem atenção ao trabalho e aos nomes destes belos ilustradores que produzem o seu trabalho no nosso país.
RAlex Gozblau realizou já várias exposições individuais e o seu trabalho foi distinguido pelo Clube de Criativos de Portugal e pela Society for News Design (EUA) e pela Society for News Design (Ibéria). Em 2009 foi-lhe atribuído o Prémio Stuart de Carvalhais de Desenho de Imprensa patrocinado pela Casa da Imprensa e pelo El Corte Inglês.
O meu livro "Era uma vez a República" tem algumas ilustrações do Alex que, em conjunto com a direcção gráfica do Jorge Silva, contribuíram para a excepcional qualidade gráfica com que resultou.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
ILUSTRADORES - ANDRÉ LETRIA
Diz-se que filho de peixe sabe nadar. Neste caso teríamos de dizer que filho de escritor sabe ilustrar.
Eu, por mim, sou suspeito. Amigo de pai e filho e admirador dos dois, só posso sublinhar que em meia dúzia de anos o André construiu um estilo muito próprio, uma obra notável e uma presença impressionante na ilustração portuguesa.
Há livros ilustrados por ele em que me perco nas suas ilustrações e só depois me lembro que também há um texto e que o livro nasce justamente do diálogo entre um e outro.
Como no caso do Afonso Cruz há também no trabalho do André um sentido da representação popular trabalhada com a erudição simples e eficaz de um verdadeiro artista plástico.
Muitos dos seus livros são verdadeiros regalos para a vista. Também gostava muito de ver um texto meu ilustrado por ele. E tenho a certeza que mais dia menos dia iremops concretizar a amizade que nos une num trabalho comum.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
ILUSTRADORES - TERESA LIMA
Teresa Lima é licenciada em pintura, professora de Artes do Ensino Secundário e recebeu o Prémio Nacional de Ilustração 2006.
O seu trabalho de ilustração prima pela luminosidade e pela delicadeza de linhas impregnadas de poesia e magia.
O trabalho de qualquer ilustrador resulta de uma certa forma de ler a obra que vai ser ilustrada. No caso de Teresa Lima essa leitura vai fundo e é transformada numa obra que, não deixando de servir o texto, consegue constituir-se também num discurso plástico paralelo de um encanto muito especial.
Quero muito ter um dia um livro meu ilustrado pela Teresa. Já lho disse. E ela prometeu que sim. Mas o muito que tem entre mãos apenas permite a certeza de que... Um dia vai ser.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
ILUSTRADORES - AFONSO CRUZ

Continuemos esta visita aos nossos principais ilustradores com a certeza de que temos imenso por onde olhar e apreciar quer em qualidade quer em quantidade.

Falo-vos hoje do Afonso Cruz, um homem completo. Ilustrador, escritor, músico, agricultor, senhor de uma sorriso daqui até à lua e de uma amabilidade própria de quem se entrega à vida sem poeira na alma.
Ganhou o Prémio SPA 2011 para o melhor livro infantil com "A contradição humana".

É já extenso o trabalho que tem no campo da literatura para a infância quer como ilustrador de textos alheios quer como autor dos seus próprios textos.
Os seus "bonecos" têm uma alegria, uma felicidade extensa colorida, um referente nas mais puras representações populares e uma ressonância na tradição surrealista que nos encanta a nós, adultos, e torna numa festa a leitura para os meninos.
Mas há mais. O Afonso tem escrito pequenos grandes romances que me têm encantado e que aconselho todos a ler. "Os livros que devoraram o meu pai, "A boneca de Kokoschka". "O pintor debaixo do lava-loiças". Não percam.
Tenho a sorte de já ter um livro ilustrado por ele. Está aqui ao lado. Enviei-lhe na altura um mail a dar-lhe os parabéns pelo trabalho. Na volta contou-me que o primeiro livro de poesia que tinha lido era um livrinho meu.
Ficámos amigos para o resto da vida. Pois Canté (como cantava o GAC).
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
ILUSTRADORES - MARIA KEIL
Muitas vezes passamos por obras de artes plásticas, de arquitectura, de azulejaria ou lemos livros ilustrados e não temos a curiosidade de saber quem é o autor desses cenários da nossa vida.
Lemos livros aos nossos filhos ou netos. Dizemos-lhes quem é o autor do texto e esquecemo-nos de referir o nome da do ilustrador ou simplesmente do autor da capa quando capa tem um autor reconhecido.
Algumas Bibliotecas Municipais já fazem exposições do trabalho destes ilustradores. Bem hajam. Porque esse trabalho merece a nossa atenção e o nosso reconhecimento.
Gostava de falar dos ilustradores, do seu trabalho, das suas obras e sobretudo, de lhes sublinhar o nome.
A decana dos ilustradores é a Maria Keil. Mãe do meu amigo Pitum Keil do Amaral. Desenhadora, pintora, azulejista, ceramista, designer, cenografista, ilustradora. Faz 97 anos no próximo dia 9 de Agosto.
Aqui por baixo a capa de uma revista que ela desenhou em... 1947.
O trabalho da Maria Keil faz parte da minha vida, da dos meus filhos e da de muitos de nós. São dela, por exemplo, os azulejos das primeiras estações do metropolitano de Lisboa.
E como não lembrar as ilustraçoes que ela fez para vários livros, especialmente os da Matilde Rosa Araújo?
A alegria dos seus trabalhos como ilustradora, a aparente simplicidade do seu traço, a clareza do rosto dos meninos que ela lançou e lança aos livros para crianças são peças dedliciosas da arte de fazer livros onde se casam texto e imagem.
Lemos livros aos nossos filhos ou netos. Dizemos-lhes quem é o autor do texto e esquecemo-nos de referir o nome da do ilustrador ou simplesmente do autor da capa quando capa tem um autor reconhecido.
Algumas Bibliotecas Municipais já fazem exposições do trabalho destes ilustradores. Bem hajam. Porque esse trabalho merece a nossa atenção e o nosso reconhecimento.
Gostava de falar dos ilustradores, do seu trabalho, das suas obras e sobretudo, de lhes sublinhar o nome.
A decana dos ilustradores é a Maria Keil. Mãe do meu amigo Pitum Keil do Amaral. Desenhadora, pintora, azulejista, ceramista, designer, cenografista, ilustradora. Faz 97 anos no próximo dia 9 de Agosto.
Aqui por baixo a capa de uma revista que ela desenhou em... 1947.
O trabalho da Maria Keil faz parte da minha vida, da dos meus filhos e da de muitos de nós. São dela, por exemplo, os azulejos das primeiras estações do metropolitano de Lisboa.
E como não lembrar as ilustraçoes que ela fez para vários livros, especialmente os da Matilde Rosa Araújo?
A alegria dos seus trabalhos como ilustradora, a aparente simplicidade do seu traço, a clareza do rosto dos meninos que ela lançou e lança aos livros para crianças são peças dedliciosas da arte de fazer livros onde se casam texto e imagem.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
UM LIVRO RARO
Caros amigos,
O meu querido amigo Alberto Trovão do Rosário publicou um livro que aconselho todos a ler.
Intitula-se "INVENTÁRIO DO MEU MUNDO"
Trata-se de um conjunto de pequenos textos, reflexões diversas, ideias, impressões e poemas servidos por uma escrita de grande qualidade.
Não se trata de um diário nem de nada que possamos definir numa palavra. É um belíssimo livro que podemos ler de trás para a frente ou da frente para trás.
Podemos abri-lo a meio e deliciarmo-nos com uma ou duas ou três páginas de reflexões, poesia e magnífica prosa. Trata-se de um inventário de quem tem uma vida cheia para inventariar e partilhar connosco o que dessa vida entendeu verter em palavras.
Um exemplo para todos nós. Porque todos temos uma vida para inventariar. E esse percurso é o melhor que podemos oferecer aos amigos, à família, à gente que não anda no mundo por andar.
O Alberto meteu ombros à tarefa de inventariar uma vida e fê-lo com grande brilho e posso dizer que este exemplo nos ajuda e muito a que cada um encontre um caminho para fazer o seu próprio inventário.

Como a distribuição do livro tem sido muito deficiente, tomei a iniciativa de fazer chegar notícia a amigos e companheiros de livros, de sonhos, de aventuras diversas, ou seja, àqueles que julgo, gostarão muito de o ler.
Criei um email próprio para o encomendarem à cobrança e ao preço especial de 15 Euros. O livro aparecer-les-á em casa pelo correio por isso não se esqueçam de enviar a morada.
inventarioencomenda@gmail.com
Grande abraço amigo,
José Fanha
O meu querido amigo Alberto Trovão do Rosário publicou um livro que aconselho todos a ler.
Intitula-se "INVENTÁRIO DO MEU MUNDO"
Trata-se de um conjunto de pequenos textos, reflexões diversas, ideias, impressões e poemas servidos por uma escrita de grande qualidade.
Não se trata de um diário nem de nada que possamos definir numa palavra. É um belíssimo livro que podemos ler de trás para a frente ou da frente para trás.
Podemos abri-lo a meio e deliciarmo-nos com uma ou duas ou três páginas de reflexões, poesia e magnífica prosa. Trata-se de um inventário de quem tem uma vida cheia para inventariar e partilhar connosco o que dessa vida entendeu verter em palavras.
Um exemplo para todos nós. Porque todos temos uma vida para inventariar. E esse percurso é o melhor que podemos oferecer aos amigos, à família, à gente que não anda no mundo por andar.
O Alberto meteu ombros à tarefa de inventariar uma vida e fê-lo com grande brilho e posso dizer que este exemplo nos ajuda e muito a que cada um encontre um caminho para fazer o seu próprio inventário.
Como a distribuição do livro tem sido muito deficiente, tomei a iniciativa de fazer chegar notícia a amigos e companheiros de livros, de sonhos, de aventuras diversas, ou seja, àqueles que julgo, gostarão muito de o ler.
Criei um email próprio para o encomendarem à cobrança e ao preço especial de 15 Euros. O livro aparecer-les-á em casa pelo correio por isso não se esqueçam de enviar a morada.
inventarioencomenda@gmail.com
Grande abraço amigo,
José Fanha
segunda-feira, 25 de julho de 2011
LEITURA E ESCRITA

Estou de acordo com o Professor Daniel Sampaio. Profundamente de acordo e também no aplauso às recentes medidas do Ministro Nuno Crato.
A questão da exigência no ensino do Português e da Matemática é urgente. E, nesse sentido, a questão da leitura e da escrita. É fundamental promover e incentivar a Leitura e não "animar" a leitura. E, para promover a leitura é preciso que os professores sejam leitores.
Sem a leitura, o estudo das ciências fica coxo. Sem a leitura a cidadania fica coxa. Sem a leitura ficamos com menos um canal importantíssimo de ligação de cada um consigo próprio e de cada um com o outro, de cada um com a sociedade.
É preciso assumir a leitura plena e não a simplificação. O texto e não o resumo. A literatura e não o hamburger.
Ler é bom. Ler é indispensável. E falo de ler ligado a escrever. São indissociáveis.
É necessário que esta urgência se inscreva de uma vez no plano das urgências políticas e das práticas pedagógicas.
sábado, 23 de julho de 2011
MEMÓRIAS DE ABRIL NA ILHA DE SANTA MARIA
Chega-se à beira das férias e está na altura de fazer balanços, arrumar memórias. Dessas memóroias, logo ao de cima, vem a estadia na Ilha da Santa Maria e do convívio com a Ana Loura, a Cris, o Tó ´Pincho e tantos outros.
Er o 25 de Abril misturado com o 1º de Maio. Foi uma festa e pêras. De amigos que já se conheciam. E de outros que, não se conhecendo pessoalmente, se calhar já eram amigos há muito tempo.
O Zeca Medeiros foi um deses que fiquei muito feliz por reencontrar. Realizador, criador de canções e cantor, senhor de uma voz única, daquelas que nos vai até ao fundo de lugares muito especiais. Merecia mais reconhecimento pela qualidade do seu trabalho em várias árias. Merecia estar sempre a realizar cinema e televisão onde assinou trabalhos notáveis como "Xailes Pretos". Lembram-se?

Aqui está o Zeca Medeiros, o Xico Fanhais, eu próprio, o Otelo e alguns músicos cujos nomes lamento escaparem-me de momento.
Pode ser que estas festas já tragam a marca dos 37 anos que passaram desde 74. Mas sabem sempre bem porque congregam sensibilidades, sonhos semi-naufragados mas nunca esquecidos, abraços sempre saborosos.
Er o 25 de Abril misturado com o 1º de Maio. Foi uma festa e pêras. De amigos que já se conheciam. E de outros que, não se conhecendo pessoalmente, se calhar já eram amigos há muito tempo.
O Zeca Medeiros foi um deses que fiquei muito feliz por reencontrar. Realizador, criador de canções e cantor, senhor de uma voz única, daquelas que nos vai até ao fundo de lugares muito especiais. Merecia mais reconhecimento pela qualidade do seu trabalho em várias árias. Merecia estar sempre a realizar cinema e televisão onde assinou trabalhos notáveis como "Xailes Pretos". Lembram-se?

Aqui está o Zeca Medeiros, o Xico Fanhais, eu próprio, o Otelo e alguns músicos cujos nomes lamento escaparem-me de momento.
Pode ser que estas festas já tragam a marca dos 37 anos que passaram desde 74. Mas sabem sempre bem porque congregam sensibilidades, sonhos semi-naufragados mas nunca esquecidos, abraços sempre saborosos.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
FEIRA DO LIVRO DE BARCELOS
É uma das Feiras do Livro por onde tenho passado com um mais vivo e concorrido programa de realizações que vão das apresentações de livros, passam pelas conversas com escritores, por espectáculos musicais e actividades diversas com e para o público infantil. Um mimo.
Há uns 3 anos que participo de uma ou outra maneira nesta Feira do Livro e colaboro com frequência com a Biblioteca Municipal que tem uma forte dinâmica posta em acção com alegria e grande competência por uma equipa de trabalho dirigida pelo meu amigo Vítor Pinho, especialista em História local.
Este ano estive envolvido com meninos que fizeram diversos trabalhos criados a partir de textos e poemas meus. Saí de lá de coração a transbordar de ternura e a palavra obrigado dirigida a todos os colaboraram.
domingo, 17 de julho de 2011
ANDRÉ BEJA
Há esquecimentos quse criminosos. André Beja, filho da escritora Filomena Marona Beja é um magnífico fotógrafo.
O último livro da Filomena, "HISTÓRIAS VINDAS A CONTO", é pontuado por excelentes fotografias do André num diálogo vivo, por vezes irónico, atento e motivador.
Falei do livro e da autora dos textos. Deixei o autor das fotografias no tinteiro. Mea culpa. Aqui fica a emenda e um abraço ao André.
O último livro da Filomena, "HISTÓRIAS VINDAS A CONTO", é pontuado por excelentes fotografias do André num diálogo vivo, por vezes irónico, atento e motivador.
Falei do livro e da autora dos textos. Deixei o autor das fotografias no tinteiro. Mea culpa. Aqui fica a emenda e um abraço ao André.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
A RIBEIRINHA
A andar pelas Escolas deste país também aprendemos.
Visitei por mais de uma vez as escolas do Agrupamento Maria Pais Ribeira, a Ribeirinha, em Macieira, Vila do Conde.
Fui ver quem era a Dona Maria Pais Ribeiro. a Ribeirinha, e aqui vem a sua história tão inesperada como farfalhuda.
Afirma-se que era "branca de pele, de fulvos cabelos, bonita, sedutora", qualidades que encantaram o soberano e cativaram os nobres de sua Corte. Em 1198, inspirou Paio Soares de Taveirós a compor a Cantiga da Ribeirinha, primeiro texto literário em Língua galego-portuguesa de que se tem registro.
Teve 6 filhos de D.Sancho I que, enquanto trovador, lhe dedicou a seguinte cantiga de amigo:
"Ay eu coitada
Como vivo em gran cuidado
Por meu amigo que ei alongado!
Muito me tarda
O meu amigo na Guarda!
Ay eu coitada
Como vivo em gram desejo
Por meu amigo que tarda e não vejo!
Muito me tarda
O meu amigo na Guarda."
Senhora de grande beleza, e "pelas razões de conversação que com ela teve...", ela e filhos do casal, em 1209 receberam do soberano a Vila do Conde rezando a doação:
Após a morte do rei, em Coimbra, a 26 de Março de 1212, retirou-se para as suas terras de Vila do Conde. Durante a viagem, trajada de branco cor do luto à época, ao passar perto de Avelãs, saiu-lhe ao encontro Gomes Lourenço Viegas, que por ela se apaixonara quando, ainda em vida do rei, a vira nos Paços de Coimbra. Após lutar com Martim Pais Ribeiro, irmão de D. Maria, e com outros cavaleiros que a acompanhavam, logrou apossar-se dela, refugiando-se no Reino de Leão.
A pedido de Martim Pais Ribeiro, Afonso II de Portugal redigiu uma carta para Fernando de Leão rogando-lhe que fizesse com que Gomes Lourenço retornasse a Portugal. Diante da recusa de Gomes Lourenço, sob a alegação de que poderia vir a ser vítima dos parentes de D. Maria, caso assim o fizesse. D. Maria, entretanto, habilmente convenceu Gomes Lourenço que também por ele se apaixonara e que, ao retornarem a Portugal conseguiria obter o perdão do soberano, uma vez que com ele se casaria.
Entretanto, ao retornarem à Corte Portuguesa, D. Maria instou o rei a que fizesse justiça e que fosse implacável. Deste modo, o soberano ordenou a execução de Gomes Lourenço.
Mais tarde foi desposada, pelo fidalgo galego João Fernandes de Lima, o Bom, com quem também teve descendência.
Terá vindo a recolher-se ao Mosteiro de Grijó, onde veio a falecer com a avançada idade de mais de noventa anos.
Agora resta o seu nome como padroeira de um belo Agrupamento Escolar.
Visitei por mais de uma vez as escolas do Agrupamento Maria Pais Ribeira, a Ribeirinha, em Macieira, Vila do Conde.
Fui ver quem era a Dona Maria Pais Ribeiro. a Ribeirinha, e aqui vem a sua história tão inesperada como farfalhuda.
Afirma-se que era "branca de pele, de fulvos cabelos, bonita, sedutora", qualidades que encantaram o soberano e cativaram os nobres de sua Corte. Em 1198, inspirou Paio Soares de Taveirós a compor a Cantiga da Ribeirinha, primeiro texto literário em Língua galego-portuguesa de que se tem registro.
Teve 6 filhos de D.Sancho I que, enquanto trovador, lhe dedicou a seguinte cantiga de amigo:
"Ay eu coitada
Como vivo em gran cuidado
Por meu amigo que ei alongado!
Muito me tarda
O meu amigo na Guarda!
Ay eu coitada
Como vivo em gram desejo
Por meu amigo que tarda e não vejo!
Muito me tarda
O meu amigo na Guarda."
Senhora de grande beleza, e "pelas razões de conversação que com ela teve...", ela e filhos do casal, em 1209 receberam do soberano a Vila do Conde rezando a doação:
Após a morte do rei, em Coimbra, a 26 de Março de 1212, retirou-se para as suas terras de Vila do Conde. Durante a viagem, trajada de branco cor do luto à época, ao passar perto de Avelãs, saiu-lhe ao encontro Gomes Lourenço Viegas, que por ela se apaixonara quando, ainda em vida do rei, a vira nos Paços de Coimbra. Após lutar com Martim Pais Ribeiro, irmão de D. Maria, e com outros cavaleiros que a acompanhavam, logrou apossar-se dela, refugiando-se no Reino de Leão.
A pedido de Martim Pais Ribeiro, Afonso II de Portugal redigiu uma carta para Fernando de Leão rogando-lhe que fizesse com que Gomes Lourenço retornasse a Portugal. Diante da recusa de Gomes Lourenço, sob a alegação de que poderia vir a ser vítima dos parentes de D. Maria, caso assim o fizesse. D. Maria, entretanto, habilmente convenceu Gomes Lourenço que também por ele se apaixonara e que, ao retornarem a Portugal conseguiria obter o perdão do soberano, uma vez que com ele se casaria.
Entretanto, ao retornarem à Corte Portuguesa, D. Maria instou o rei a que fizesse justiça e que fosse implacável. Deste modo, o soberano ordenou a execução de Gomes Lourenço.
Mais tarde foi desposada, pelo fidalgo galego João Fernandes de Lima, o Bom, com quem também teve descendência.
Terá vindo a recolher-se ao Mosteiro de Grijó, onde veio a falecer com a avançada idade de mais de noventa anos.
Agora resta o seu nome como padroeira de um belo Agrupamento Escolar.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
HISTÓRIAS VINDAS A CONTO
Sou fã da escrita de Filomena Marona Beja. Aconselho todos a lerem romances seus como "A cova do lagarto", "As cidadãs" e todos, todos os outros.
Além de fã tenho a sorte de ser amigo da autora que acaba de publicar um livro de contos e me pediu para ler um deles, delicioso, que mete a Rainha Maria Pia de Sabóia, o futuro D. Manuel II e as queijadas de Sintra feitas pelas mãos da Mathilde.

O livro intitula-se "HISTÓRIAS VINDAS A CONTO" e foi editado pela Sextante, Editora dirigida pelo João Rodrigues, responsável por um catálogo de se lhe tirar o chapéu.

A apresentação teve lugar na "Saudade", entre a Estação da CP e a Câmara Municipal de Sintra, espaço excelente para comer uma empada, tomar um chá, ler um livro, preguiçar, deixar o olhar a passear pelo espaço e pelos maravuilhosos objectos antigos e menos antigos que se espalham pelas paredes.
Além de fã tenho a sorte de ser amigo da autora que acaba de publicar um livro de contos e me pediu para ler um deles, delicioso, que mete a Rainha Maria Pia de Sabóia, o futuro D. Manuel II e as queijadas de Sintra feitas pelas mãos da Mathilde.

O livro intitula-se "HISTÓRIAS VINDAS A CONTO" e foi editado pela Sextante, Editora dirigida pelo João Rodrigues, responsável por um catálogo de se lhe tirar o chapéu.

A apresentação teve lugar na "Saudade", entre a Estação da CP e a Câmara Municipal de Sintra, espaço excelente para comer uma empada, tomar um chá, ler um livro, preguiçar, deixar o olhar a passear pelo espaço e pelos maravuilhosos objectos antigos e menos antigos que se espalham pelas paredes.
sábado, 9 de julho de 2011
VIAJAR, PENSAR

Alberto Moravia, grande escritor italiano tem vários livros publicados em português. Um dos últimos foi "Uma ideia da Índia".
Livro magnífico numa colecção excelente de livros de viagens que nos mostram que o olhar do verdadeiro viajante vai muito mais além que o olhar do turista. Viajar serve para conhecermos o outro e não para nos atascarmos no mesmo.
Nesta viagem inquieta e atenta pela Índia surgem reflexões dignas de guardarmos connosco. Esta por exemplo:
"...um regime absurdo não deixa de ser absurdo porque é aceite pela maioria, pelo contrário, torna-se ainda mais absurdo."
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