A Margarida Botelho conta histórias. Mas as suas histórias não são o ponto de chegada. São um ponto de partida, um caminho que ajuda a crescer, a pensar, a inventar, a voar.
Os seus livros resultam de um trabalho levado a cabo em conjunto com meninos. O que interessa não é apenas que eles leiam e naveguem na narrativa. O que interessa e que eles aprendam a ser. Por isso a Margarida lhes propõe partilhar o melhor de si própria e o melhor da sua arte.
Com ela não se trata de competências. Trata-se de respiração.
Ouvi-a há dias contar as suas viagens e o seu trabalho num campo de refugiados africanos em Moçambique, numa favela brasileira, no meio da Amazónia ou na Índia.
Histórias vividas até ao osso. Transformadas em num livro chamado EVA que conta duas Evas, uma europeia, outra africana.
Uma que tem água para tomar banho, escolas com carteiras e livros, computadores que a põem em contacto com o mundo.
Outra que tem de andar 10 Kms para arranjar água, uma única sala de aulas para muitos muitos meninos, com chão e uma janela, um único professor e um único livro para todos aqueles meninos, e um velho contador de histórias que a põe em contacto com o mundo fantástico das palavras e das histórias.
De tudo isso resultou este filme delicioso. É fácil de fazer e junta simplicidade e altíssima qualidade.
E ler ou dar a ler é isso mesmo, uma urgência, uma partilha, um mergulho na maravilha, uma aposta na grande qualidade, aquela que vai até ao osso.
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
sábado, 5 de novembro de 2011
PRECISAMOS DE LITERATURA E NÃO DE RESUMOS

Precisamos de literatura como de pão para a boca. Para ser. Para crescer. Para voar.
Dizia noutro dia a minha amiga Margarida Botelho que "A leitura é a didáctica dos afectos". Estou de acordo.
Mas ler é duro, por vezes. E bom. É muito bom esta descoberta da palavra e da sua força carnal, telúrica, transcendente.
Tenho a certeza de que fazer reduções, resumos ou caricaturas das grandes obras para que as crianças se vão "habituando", é um caminho perverso, espertalhote e safardanas.
Que me desculpem os confrades da escrita que resumiram grandes obras para os meninos se irem "habituando" aos "Maias", ao "Auto da Barca do inferno", às "Lendas e Narrativas", ao "Memorial do Convento", etc etc.
Este caminho esquece que as grandes obras da literatura não são só a narrativa que contêm. Literatura é linguagem, mergulho na palavra, escrita que serve para narrar uma história.
Os meninos que ficam a saber a história dos Maias não ficam a conhecer o sumo, o desenvolvimento da frase, o uso brilhante do adjectivo, a festa da língua em que Eça era mestre.
Saber apenas uma história é curto e perigoso. Permite até que as crianças pensem que já não precisam de ler os "Maias" porque já sabem a história.
Mais idiota ainda é transformar os "Maias" em gatos e coisas tão destravadas como esta que já vi. É transformar alta culinária em comida de fast food.
Não podemos baixar a exigência neste campo.
Não acredito que quem se habitue à fast food passe um dia a gostar de chanfana, arroz de lingueirão ou feijoada à transmontana. Por isso também sempre achei que habituar as crianças a lerem obras menores e redutoras as leve algum dia a gostar das grandes obras com tanto de complexidade como de capacidade para nos maravilharem de forma única.
Desconfio ainda que os professores, editores e outros que gostam muito destes resumos e caricaturas que vou encontrando por algumas Bibliotecas Escolares, são pessoas que nunca leram os originais e que lá no fundo, no fundo, não gostam mesmo de ler.

Quem lê escreve-se a si próprio.
Quem gosta de ler, a sério a sério, quem ama os clássicos, leva aos seus meninos essa paixão, dá-lhes chaves para entrarem nessa festa intensa e saborosa, das obras que muito acrescenta à nossa humanidade e que nos foram deixadas por Cervantes, Eça, Melville, García Marquez, Hemingway, etc, etc, etc
Ler é bom e só quem gosta de ler é capaz de passar o vício aos outros. Esta parece-me ser a questão fundamental.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
LICÍNIA QUITÉRIO
Já aqui tenho falado desta bela poeta que é a minha amiga Licínia Quitério. Aqui vai um textinho que ela publicou no Facebook. E, já agora, para quem goste de poesia é indispensável vivitar o seu blog O SÍTIO DO POEMA

"Não, não está escuro. Caminha de olhos fechados. Não tenhas medo. Sente a terra debaixo dos pés. Vai em frente, devagar. Não abras os olhos ainda. Sim, cheira a água do rio. E a ervas também. Continua. O rio não está no teu caminho. Ouves? As rãs. Ouves? As cigarras. Não, não pares. Não abras os olhos. Não tenhas medo. É bom, não é? Quando eu disser, só quando eu disser, abre os olhos. Espera um pouco. Caminha devagar, assim. Agora! Abre os olhos!".
Foi quando a luz das estrelas iluminou o caminho, as árvores, a prata do rio. O escuro ficou lá atrás, nos olhos cegos de outras luzes. Ainda hoje, passada que foi a foz do rio, há uma voz no escuro a dizer: "Fecha os olhos. Vai em frente. Sente a terra." Depois é só esperar pela ordem: "Agora! Abre os olhos." E a luz das estrelas volta a iluminar a estrada, limpos os olhos da cegueira dos dias.

"Não, não está escuro. Caminha de olhos fechados. Não tenhas medo. Sente a terra debaixo dos pés. Vai em frente, devagar. Não abras os olhos ainda. Sim, cheira a água do rio. E a ervas também. Continua. O rio não está no teu caminho. Ouves? As rãs. Ouves? As cigarras. Não, não pares. Não abras os olhos. Não tenhas medo. É bom, não é? Quando eu disser, só quando eu disser, abre os olhos. Espera um pouco. Caminha devagar, assim. Agora! Abre os olhos!".
Foi quando a luz das estrelas iluminou o caminho, as árvores, a prata do rio. O escuro ficou lá atrás, nos olhos cegos de outras luzes. Ainda hoje, passada que foi a foz do rio, há uma voz no escuro a dizer: "Fecha os olhos. Vai em frente. Sente a terra." Depois é só esperar pela ordem: "Agora! Abre os olhos." E a luz das estrelas volta a iluminar a estrada, limpos os olhos da cegueira dos dias.
sábado, 29 de outubro de 2011
"LUSCO-FUSCO" de CRISTINA CARVALHO

A minha amiga Cristina Carvalho, essa mesmo, a filha do poeta António Gedeão, a Cristina que escreveu dois livros deliciosos "O gato de Upsala" e "Nocturno" (que tem Chopin como personagem principal, acaba de publicar um novo livro: "LUSCO FUSCO".
É um livro cheio de fadas, e até salamandras. Uma delícia. De lamber os beiços. E, ainda por cima, é daqueles livros para todas as idades. E com aquela escrita doce e envolvente que a Cristina nos oferece.
Conclusão: de que é que estão à espera? Faz favor de o lerem depressa.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
ILUSTRADORES - MARTA TORRÃO

Volto aos meus amigos ilustradores com a Marta Torrão. formada em ilustração pela escola ARCO e que recebeu o Prémio Nacional de Ilustração em 2004.

Encontro desenhos e ilustrações e desenhos da Marta um pouco por toda a parte do meu caminho ligado aos livros.
Ilustrações de livros infantis, cartazes, desdobráveis. As suas ilustrações têm dado cara às campanhas de leitura da Câmraa Municipal de Lisboa. E &.

Há qualquer coisa de lúdico, de quem se diverte muito a fazer o seu trabalho, tal e qual uma criança se diverte a lançar balões de sabão ao ar.
Só que estes balões, esta aparente simplicidade ternurenta dos seus desenhos, nós sabemos que dão muito trabalho e exigem uma entrega enorme ao seu belo ofício que todos agradecemos e apreciamos.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
TEATRO JANGADA
Há coisas boas no Facebook. Não sou viciado mas por vezes sabe bem receber notícias de longe no espaço ou no tempo.
É o caso desta fotografia. 25 de Abril de 2008 (creio eu). Naquele auditório Municipal foi bonita a festa, pá... Muito bonita.
E aqui estamos, o Zé Jorge Letria, o Samuel, eu e o Teatro Jangada de Lousada.

Tenho ouvido dizer que a cultura vai levar muitos cortes.É o costume. E é natural. As nossas elites dirigentes há séculos que, com raras excepções, primam pela falta de qualidade humana, técnica e cultural. Pensam pequenino.
Estas elites não sabem ou evitam lembrar que hoje em dia as chamadas indústrias culturais correspondem a 10% do PIB.
Mesmo que o PIB se acabe e o governo vá de férias, mesmo que passemos a pagar mais do que ganhamos para ter o direito a trabalhar,mesmo que os orçamentos se transformem em buracos e os buracos em orçamentos, mesmo que com o nosso esforço colectivo consigamos salvar os BPP'ês e outros não sei quês, mesmo que o país feche para obras, a cultura continuará como espaço de reflexão, de indignação e, às vezes, até de luta.
"Não há machado que corte a raiz ao pensamento..." Lembram-se?
Por isso devemos lembrar estes grupos que persistem pelo país fora mantendo de pé o amor ao teatro. E devemos sublinhar o esforço de algumas autarquias que continuam, com maior ou menor esforço, a manter o seu apoio a uma vivência cultural consistente
e frutífera.
É o caso desta fotografia. 25 de Abril de 2008 (creio eu). Naquele auditório Municipal foi bonita a festa, pá... Muito bonita.
E aqui estamos, o Zé Jorge Letria, o Samuel, eu e o Teatro Jangada de Lousada.

Tenho ouvido dizer que a cultura vai levar muitos cortes.É o costume. E é natural. As nossas elites dirigentes há séculos que, com raras excepções, primam pela falta de qualidade humana, técnica e cultural. Pensam pequenino.
Estas elites não sabem ou evitam lembrar que hoje em dia as chamadas indústrias culturais correspondem a 10% do PIB.
Mesmo que o PIB se acabe e o governo vá de férias, mesmo que passemos a pagar mais do que ganhamos para ter o direito a trabalhar,mesmo que os orçamentos se transformem em buracos e os buracos em orçamentos, mesmo que com o nosso esforço colectivo consigamos salvar os BPP'ês e outros não sei quês, mesmo que o país feche para obras, a cultura continuará como espaço de reflexão, de indignação e, às vezes, até de luta.
"Não há machado que corte a raiz ao pensamento..." Lembram-se?
Por isso devemos lembrar estes grupos que persistem pelo país fora mantendo de pé o amor ao teatro. E devemos sublinhar o esforço de algumas autarquias que continuam, com maior ou menor esforço, a manter o seu apoio a uma vivência cultural consistente
e frutífera.
domingo, 16 de outubro de 2011
BORIS VIAN E A INDIGNAÇÃO
Num tempo de indignação vale a pena lembrar um grande e admirável indignado: BORIS VIAN.
Boris Vian foi Engenheiro Químico, trompetista de Jazz, romancista ("O Outouno em Pequim", "Espuma dos dias", etc), inventor da Patafísica, poeta, autor de canções como LE DÉSERTEUR.
Monsieur le Président
Je vous fais une lettre
Que vous lirez peut-être
Si vous avez le temps
Je viens de recevoir
Mes papiers militaires
Pour partir à la guerre
Avant mercredi soir
Monsieur le Président
Je ne veux pas la faire
Je ne suis pas sur terre
Pour tuer des pauvres gens
C'est pas pour vous fâcher
Il faut que je vous dise
Ma décision est prise
Je m'en vais déserter
Depuis que je suis né
J'ai vu mourir mon père
J'ai vu partir mes frères
Et pleurer mes enfants
Ma mère a tant souffert
Elle est dedans sa tombe
Et se moque des bombes
Et se moque des vers
Quand j'étais prisonnier
On m'a volé ma femme
On m'a volé mon âme
Et tout mon cher passé
Demain de bon matin
Je fermerai ma porte
Au nez des années mortes
J'irai sur les chemins
Je mendierai ma vie
Sur les routes de France
De Bretagne en Provence
Et je dirai aux gens:
Refusez d'obéir
Refusez de la faire
N'allez pas à la guerre
Refusez de partir
S'il faut donner son sang
Allez donner le vôtre
Vous êtes bon apôtre
Monsieur le Président
Si vous me poursuivez
Prévenez vos gendarmes
Que je n'aurai pas d'armes
Et qu'ils pourront tirer
E aqui, Serge Reggiani canta LE DÉSERTEUR antecdedido por um belíssimo poema de Rimbaud
Boris Vian foi Engenheiro Químico, trompetista de Jazz, romancista ("O Outouno em Pequim", "Espuma dos dias", etc), inventor da Patafísica, poeta, autor de canções como LE DÉSERTEUR.
Monsieur le Président
Je vous fais une lettre
Que vous lirez peut-être
Si vous avez le temps
Je viens de recevoir
Mes papiers militaires
Pour partir à la guerre
Avant mercredi soir
Monsieur le Président
Je ne veux pas la faire
Je ne suis pas sur terre
Pour tuer des pauvres gens
C'est pas pour vous fâcher
Il faut que je vous dise
Ma décision est prise
Je m'en vais déserter
Depuis que je suis né
J'ai vu mourir mon père
J'ai vu partir mes frères
Et pleurer mes enfants
Ma mère a tant souffert
Elle est dedans sa tombe
Et se moque des bombes
Et se moque des vers
Quand j'étais prisonnier
On m'a volé ma femme
On m'a volé mon âme
Et tout mon cher passé
Demain de bon matin
Je fermerai ma porte
Au nez des années mortes
J'irai sur les chemins
Je mendierai ma vie
Sur les routes de France
De Bretagne en Provence
Et je dirai aux gens:
Refusez d'obéir
Refusez de la faire
N'allez pas à la guerre
Refusez de partir
S'il faut donner son sang
Allez donner le vôtre
Vous êtes bon apôtre
Monsieur le Président
Si vous me poursuivez
Prévenez vos gendarmes
Que je n'aurai pas d'armes
Et qu'ils pourront tirer
E aqui, Serge Reggiani canta LE DÉSERTEUR antecdedido por um belíssimo poema de Rimbaud
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
WOODY GUTHRIE
Vale a pena recordar figuras cujo nome se vai apagando na poeira do tempo.
W0ody Guthrie, que em plena 2ª Guerra Mundial escreveu na viola "This machine kills fascists", foi um excepcional cantor folk americano que correu o seu país a cantar apoiando lutas sociais e sindicais e que é considerado grande inspiração para outros cantores como Bob Dylan, Pete Seeger ou o grupo Peter Paul and Mary.
A canção que aqui fica, "This land is your land", é hoje cantada pelos meninos de muitas escolas ao território americano
W0ody Guthrie, que em plena 2ª Guerra Mundial escreveu na viola "This machine kills fascists", foi um excepcional cantor folk americano que correu o seu país a cantar apoiando lutas sociais e sindicais e que é considerado grande inspiração para outros cantores como Bob Dylan, Pete Seeger ou o grupo Peter Paul and Mary.
A canção que aqui fica, "This land is your land", é hoje cantada pelos meninos de muitas escolas ao território americano
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
RTP MEMÓRIA, DIA 14, 19H00
SEXTA FEIRA, DIA 14, DAS 19H00 ÀS 20H00
ESTAREI NA RTP MEMÓRIA
NUM DIÁLOGO BEM DISPOSTO COM A MARIA JOÃO GAMA
ESTAREI NA RTP MEMÓRIA
NUM DIÁLOGO BEM DISPOSTO COM A MARIA JOÃO GAMA
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
ILUSTRADORES - GÉMEO LUÍS

Gémeo Luís nasceu em Lourenço Marques em 1965. Professor na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e na Escola Superior de Artes e Design.

Gémeo Luís tem-nos oferecido um trabalho de poesia plástica. Por vezes parece que as suas deliciosas ilustrações voam do texto e ganham autonomia num mundo de delicadíssima magia. No entanto, o texto está sempre presente em referências diáfanas e encantatórias.
Um livro do Gémeo Luís é sempre um prazer para a vista que cumpre a dupla função de objecto de leitura e de prazer visual.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011
GATO GATAFUNHO

A minha querida amiga Ana Paula Faria criou uma chancela editorial que tem vindo a ganhar cada vez mais prestígio entre pais e educadores preocupados com a pro moção do livro e da leitura.
No sábado inaugurou uma livraria no Centro Comercial do Chiado (entradas pela Rua da Misercórdia ou/e pela Rua Nova da Trindade).
Foi uma festa bonita que juntou as caixinhos cheias de histórias do Delphim Miranda, as canções do Pedro Branco, os poemas do moçambicano Elmar Goçalves, as histórias fantásticas e delirantes do argentino Rudolfo Castro & etc.
A Loja de Livros GATAFUNHO é um espaço pequenino e mágico, com um catálogo de perder a cabeça de livros para o público infantil, e que vai ter actividades para crianças todos os sábados pelas 15h30. E está ainda disponível para visitas de escolas e grupos de crianças.
O melhor contacto é o do Facebook: GATAfunho loja de livros.
Na inauguração lançámos um desafio a poetas, escritores, fotógrafos, artistas plásticos & etc para desenharem um gato ou escreverem um pequenina história com um gato e enviarem para a GATAFUNHO. A Ana Paula Faria fará perto do Natal uma espocição desses trabalhos.
Bora, pessoal, vamos atirar-nos ao GATAFUNHO!
sábado, 24 de setembro de 2011
DENTINHO DENTOLA DENTÃO
Para começar o 5º ano deste blog aqui vai o anúncio de mais um livrinho que já está nas livrarias.
É a minha estreia na literatura para os meninos da pré-leitura (dos 3 aos 7 anos).
Começa assim:
O dia nascia e já via
Dentinho Dentola Dentão
Os três a tocar a tocar
Trombone tambor violão
E sempre a fazerem assim:
BADALIM BADALIM BADALIM
BADALIM BADALIM BADALÃO
Pais, professores, educadores, ou seja, quem ler a lengalenga que faz este livrinho, podem dar azo à sua maior liberdade de interpretação.
Pode lê-lo quem tiver alma de palhaço que é uma das coisas mais belas que existem no mundo.
Espero que os meninos entrem na lengalenga e, página a página, vão repetindo:
BADALIM BADALIM, BADALIM
BADALIM, BADALIM, BADALÃO
terça-feira, 20 de setembro de 2011
TRAZ OUTRO AMIGO TAMBÉM - 4 ANOS DE UM BLOG
Este blog começou por ser uma experiência, quase uma brincadeira. Transformou-se. Já leva 4 anos e mais de 100.000 visitas!
Creio que se tem mostrado como um lugar de encontro, de palavras, de livros e leituras, de música.
Um lugar de liberdade. Há por aqui canções e memórias, imagens, protestos, gritos de amor, abraços de amizade. E tudo isto se junta como se numa biblioteca com uma arrumação muito própria.
No fundo o que nos une é a palavra e a sua fantástica capacidade para nomear, entender, atear o fogo da poesia e dar um pouco mais de sentido à vida.
Há companheiros de viagem que aqui deixam mensagens, recados, como que a dizer:"Estou vivo!", como que a afirmar que há uma comunidade sem limites definidos onde a poesia, a dignidade, os valores éticos, o prazer da música e da leitura, a solidariedade, a necessidade de preservar memórias de forma não passadista, onde tudo isso e mais constitui o cimento que nos vai unindo.
Há amigos e companheiros que não dizem nada, ou só muito raramente o fazem. Mas eu sinto-os. Pressinto-os. Encontro-os quando ando, país fora, por escolas, bibliotecas, cantos e recantos.
Para todos um imenso abraço fraterno e uma canção, um pequeno elo que une amigos que se conhecem e muitos que, não se conhecendo, são grandes amigos também.
Creio que se tem mostrado como um lugar de encontro, de palavras, de livros e leituras, de música.
Um lugar de liberdade. Há por aqui canções e memórias, imagens, protestos, gritos de amor, abraços de amizade. E tudo isto se junta como se numa biblioteca com uma arrumação muito própria.
No fundo o que nos une é a palavra e a sua fantástica capacidade para nomear, entender, atear o fogo da poesia e dar um pouco mais de sentido à vida.
Há companheiros de viagem que aqui deixam mensagens, recados, como que a dizer:"Estou vivo!", como que a afirmar que há uma comunidade sem limites definidos onde a poesia, a dignidade, os valores éticos, o prazer da música e da leitura, a solidariedade, a necessidade de preservar memórias de forma não passadista, onde tudo isso e mais constitui o cimento que nos vai unindo.
Há amigos e companheiros que não dizem nada, ou só muito raramente o fazem. Mas eu sinto-os. Pressinto-os. Encontro-os quando ando, país fora, por escolas, bibliotecas, cantos e recantos.
Para todos um imenso abraço fraterno e uma canção, um pequeno elo que une amigos que se conhecem e muitos que, não se conhecendo, são grandes amigos também.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
SABE MAIS K OS TEUS PAIS

Sabe Mais k(que) os teus Pais é um blogue de Palavras Cruzadas.11
Um sítio para miúdos curiosos e para crescidos que não tenham perdido a curiosidade.
http://sabemaiskosteuspais.blogspot.com/
A Língua Portuguesa é tão rica que muitas palavras andam "escondidas" e “esquecidas” nos dicionários. Vamos colocar os miúdos a brincar com elas e a desafiar os adultos mais desprevenidos.
Aqui vão aparecer muitas palavras "escanifobéticas".
Este blogue existe para as transformar em palavras simples e normais.
De tempos a tempos, aparecerão pequenas histórias, com as tais palavras, para serem contadas, recriadas, continuadas... (re)ilustradas…
Livros e escritores hão-de aparecer no meio dessas histórias.
Estamos a começar...
Há tantas palavras que o caminho será longo.
Um grande abraço amigo aos autores:
Sílvia Alves: Escritora e contadora de histórias.
Maria del Toro: Designer.
Paulo Freixinho: Autor de Palavras Cruzadas.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
ILUSTRADORES - JOSÉ EMÍDIO

O meu amigo Zé Emídio não veio do design gráfico ou de comunicação. É um pintor que também desaguou na ilustração. Um artista que integra a direcção da Cooperativa Árvore do Porto, essa casa mítica da artes plásticas em Portugal.

A poesia que derrama nos livros, a delicadeza das suas figuras, a paleta de cores que se situa do lado da ternura fazem-no mais próximo ou mais longe da família de artistas como a Maria Keil ou o Júlio Resende.

Conheci-lhe o trabalho de ilustrador nalguns livros da Campo das Letras, essa magnífica editora do comum amigo Jorge Araújo que publicou livros notáveis durante anos e anos.

Entre os vários livros que o Zé Emídio gosto de destacar os do poeta Nuno Higino. Cheguei ao Nuno através do Zé, adorei a sua poesia e tornámo-nos amigos ao primeiro olhar.
Temos os três uma almoçarada combinada para um dia tão próximo quanto possível. Não sei quando mas vai ser bom.
sábado, 10 de setembro de 2011
ABRIL E A QUEDA DE KHADAFI
Tenho 60 anos.
Já acreditei em muitos mitos veiculados pelas melhores e pelas piores intenções.
Das imbatíveis verdades da imprensa já bebi muita aldrabice.
Este texto recebi-o da Associação 25 de Abril. Vale a pena reflectir.
"O 25 de Abril tem servido para muitos dislates, ao longo destes 37 anos.
Agora utilizá-lo para definir o que se passa na Líbia, comparando os dois acontecimentos, admitindo que houve boa fé,revela enorme ignorância.
Ignorância, porque mostra um total desconhecimento sobre a acção libertadora de 1974; mas também incompreensão, porque tenta justificar uma das acções mais hipócritas dos países ocidentais que, no seguimento da acção contra o Iraque, volta a aproveitar o facto de existir um ditador -ontem Sadam, hoje Khadafi - para legitimar acções de todo em todo condenáveis, se analisadas à luz das regras do direito internacional. Não se veja nisto qualquer defesa dos referidos ditadores, mas já se sabe que o direito internacional é a manifestação da vontade dos vencedores, dos mais fortes, mas, por favor, poupem-nos à hipocrisia de tentar justificar o injustificável...
Afirmar, como o primeiro ministro de Portugal, Passos Coelho, que "o fim do regime de Khadafi foi uma espécie de 25 de Abril", que "houve uma espécie de 25 de Abril, uma tomada de consciência dos líbios em relacção ao seu regime" ou que "houve também uma intervenção da NATO que foi extraordinariamente bem sucedida. Não existiu, digamos, invasão terrestre. Isso permitiu da parte do povo líbio uma tomada de posição contra o próprio regime, que fez lembrar aquilo que se passou em Portugal", ultrapassa tudo o que é admissível.
Isto leva-nos, enquanto militares de Abril e representantes dos que em 1974 tudo arriscaram para acabar com a ditadura, acabar com a guerra, devolver a liberdade e a democracia aos portugueses, a protestar veementemente contra as declarações do primeiro ministro, que nos ofendem, ofendem o 25 de abril, ofendem Portugal.
Tenhamos presente que a NATO, ou qualquer outra organização semelhante, não deu qualquer apoio ao Movimentos dos Capitâes e no Terreiro do Paço ou no Largo do Carmo não podem ser vistos sinais de bombardeamentos, porque então se utilizaram cravos..."
Já acreditei em muitos mitos veiculados pelas melhores e pelas piores intenções.
Das imbatíveis verdades da imprensa já bebi muita aldrabice.
Este texto recebi-o da Associação 25 de Abril. Vale a pena reflectir.
"O 25 de Abril tem servido para muitos dislates, ao longo destes 37 anos.
Agora utilizá-lo para definir o que se passa na Líbia, comparando os dois acontecimentos, admitindo que houve boa fé,revela enorme ignorância.
Ignorância, porque mostra um total desconhecimento sobre a acção libertadora de 1974; mas também incompreensão, porque tenta justificar uma das acções mais hipócritas dos países ocidentais que, no seguimento da acção contra o Iraque, volta a aproveitar o facto de existir um ditador -ontem Sadam, hoje Khadafi - para legitimar acções de todo em todo condenáveis, se analisadas à luz das regras do direito internacional. Não se veja nisto qualquer defesa dos referidos ditadores, mas já se sabe que o direito internacional é a manifestação da vontade dos vencedores, dos mais fortes, mas, por favor, poupem-nos à hipocrisia de tentar justificar o injustificável...
Afirmar, como o primeiro ministro de Portugal, Passos Coelho, que "o fim do regime de Khadafi foi uma espécie de 25 de Abril", que "houve uma espécie de 25 de Abril, uma tomada de consciência dos líbios em relacção ao seu regime" ou que "houve também uma intervenção da NATO que foi extraordinariamente bem sucedida. Não existiu, digamos, invasão terrestre. Isso permitiu da parte do povo líbio uma tomada de posição contra o próprio regime, que fez lembrar aquilo que se passou em Portugal", ultrapassa tudo o que é admissível.
Isto leva-nos, enquanto militares de Abril e representantes dos que em 1974 tudo arriscaram para acabar com a ditadura, acabar com a guerra, devolver a liberdade e a democracia aos portugueses, a protestar veementemente contra as declarações do primeiro ministro, que nos ofendem, ofendem o 25 de abril, ofendem Portugal.
Tenhamos presente que a NATO, ou qualquer outra organização semelhante, não deu qualquer apoio ao Movimentos dos Capitâes e no Terreiro do Paço ou no Largo do Carmo não podem ser vistos sinais de bombardeamentos, porque então se utilizaram cravos..."
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
A BRUXINHA DE LEIRIA

Reproduzo o post de O Jardim Assombrado" da minha amiga Carla Maia de Almeida e junto a minha voz a outras como o blog da Revista "Os Meus Livros" que lamentam o final desta página única na nossa imprensa.
Da Carla:
Porque o fim de uma coisa é sempre o princípio cativo de outra coisa qualquer – quantas vezes maior e mais forte –, não é com penas nem melancolias de chuva pré-outonal que O Jardim Assombrado termina o silêncio das últimas semanas para anunciar o fim de A Bruxinha, suplemento infantil do semanário Região de Leiria coordenado por Sílvia Alves – autora, contadora de histórias e uma das pessoas que mais têm contribuído para a divulgação da literatura para crianças nos últimos anos. Para a Sílvia, vai um grande abraço e o desejo de outros voos e outras latitudes. O texto que se segue corresponde à última crónica publicada no Região de Leiria, a 27 de Agosto de 2011:
“Os hábitos de leitura fazem-se de pequenos passos. Os leitores do futuro são as crianças que começam a fazer caminho. A Bruxinha começou há doze anos a falar de livros e leitura, muito antes de um PNL decretar esse caminho. Os jornais estão em reinvenção lenta de um saber fazer que pede a articulação da tradição do papel com novos caminhos que se abrem online. Os que souberem ver mais longe construirão o futuro. A rapidez da notícia viverá a par da narrativa mais detalhada mas, num ou noutro formato, não haverá jornais grátis: são feitos de pessoas e do seu trabalho que tem um preço inalienável.
Hoje, com memorandos hostis a ditar tempestades, a Bruxinha chega ao fim. No seu coração, amarrotado já de saudade, leva a esperança de ter deixado algumas sementes de bons leitores. A eles e a todos os que, em doze anos, comigo colaboraram desejo as maiores felicidades. Continuaremos a encontrar-nos nos livros e nas histórias contadas onde nascem e vivem para sempre as Bruxinhas de Papel.
Esta é também, ao fim de sete anos, a minha última crónica no Região de Leiria. O sempre e o nunca são palavras armadilhadas, neste tempo de estender mapas e descobrir novos rumos. Do fim diz Agustina: “O que resta é sempre o princípio feliz de alguma coisa". Seja.”ão os que têm lamentado o desaparecimento da página "A Bruxinha" do Jornal
domingo, 4 de setembro de 2011
ILUSTRADORES - MARGARIDA BOTELHO
A Margarida é uma jovem arquitecta que se dedicou às histórias para crianças. Um pouco como eu, tirando a juventude que de espírito terei mas não de articulações a ganhar alguma ferrugem.
Mas a Margarida é mais que ilustradora. É autora das histórias, contadora, performer, etc, etc.
Os livros são o pretexto para deliciosas intervenções que moram à beira do teatro e da teatralização feita a partir de imagens e cenários fortes e muito divertidos.
Assisti já a várias apresentações dela quer para adultos quer para crianças e fiquei deliciado.
Além do mais a Margarida tem corrido mundo, levando as histórias no bolso, trabalhando com crianças em Moçambique, na Amazónia, sei lá que mais, e recolhendo influências e elementos que retrabalha e nos devolve revestidos por uma magia muito especial.
Só posso acrescentar: Viva a Margarida, e desejar que todos os meus amigos tenham a possibilidade de conhecer os seus livros e de a ver numa das suas apresentações em escolas, museus & etc.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
ILUSTRADORES - HENRIQUE CAYATTE
O Henrique é muito mais que um ilustrador. Além de professor universitário é um designer de comunicação. Quer isto dizer que tem trabalhado em tudo quanto é comunicação em espaços urbanos, organização de percursos e exposições, autor de projectos gráficos na imprensa e no livro, autor de cenários para teatro, etc, etc.
É longa a lista de trabalhos do Henrique. Aqui vão alguns deles:
- Autor do projecto gráfico do jornal !Público", editor e ilustrador até 2000.
- Co-autor do sistema de sinalética e comunicação da EXPO ‘98.
- Responsável pelo design dos Pavilhões de Portugal na exposição mundial Expo ’98, e nas exposições universais de Hannover 2000 e Aichi 2005. Comissário e designer da exposição “Cassiano Branco – uma obra para o futuro”, “Liberdade e Cidadania – 100 Anos Portugueses”
- co-comissário e designer da exposição “Engenharia Portuguesa do Século XX” e comissário principal e designer da exposição “Arquitectura e Design de Portugal 1990-2004” na Trienal de Milão
- Autor do design da revista Egoísta entre outras publicações
- Autor do design global do novo Passaporte Electrónico Português e do Cartão Único de Cidadão.
- Recebeu inúmeros prémios entre os quais o Prémio Nacional de Ilustração em 2000.
Conhecemo-nos e cruzamo-nos de vez em quando. Trocamos sorrisos e abraços. Admiro muito a consistência do seu trabalho e a marca pessoal que imprime às ilustrações dos livros para a infância que lhe conheço e ando atento porque o Henrique é daquelas pessoas que veste o nosso quotidiano e muitas vezes nem damos por isso.
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