quinta-feira, 20 de outubro de 2011

TEATRO JANGADA

Há coisas boas no Facebook. Não sou viciado mas por vezes sabe bem receber notícias de longe no espaço ou no tempo.

É o caso desta fotografia. 25 de Abril de 2008 (creio eu). Naquele auditório Municipal foi bonita a festa, pá... Muito bonita.

E aqui estamos, o Zé Jorge Letria, o Samuel, eu e o Teatro Jangada de Lousada.



Tenho ouvido dizer que a cultura vai levar muitos cortes.É o costume. E é natural. As nossas elites dirigentes há séculos que, com raras excepções, primam pela falta de qualidade humana, técnica e cultural. Pensam pequenino.

Estas elites não sabem ou evitam lembrar que hoje em dia as chamadas indústrias culturais correspondem a 10% do PIB.

Mesmo que o PIB se acabe e o governo vá de férias, mesmo que passemos a pagar mais do que ganhamos para ter o direito a trabalhar,mesmo que os orçamentos se transformem em buracos e os buracos em orçamentos, mesmo que com o nosso esforço colectivo consigamos salvar os BPP'ês e outros não sei quês, mesmo que o país feche para obras, a cultura continuará como espaço de reflexão, de indignação e, às vezes, até de luta.

"Não há machado que corte a raiz ao pensamento..." Lembram-se?

Por isso devemos lembrar estes grupos que persistem pelo país fora mantendo de pé o amor ao teatro. E devemos sublinhar o esforço de algumas autarquias que continuam, com maior ou menor esforço, a manter o seu apoio a uma vivência cultural consistente
e frutífera.

domingo, 16 de outubro de 2011

BORIS VIAN E A INDIGNAÇÃO

Num tempo de indignação vale a pena lembrar um grande e admirável indignado: BORIS VIAN.

Boris Vian foi Engenheiro Químico, trompetista de Jazz, romancista ("O Outouno em Pequim", "Espuma dos dias", etc), inventor da Patafísica, poeta, autor de canções como LE DÉSERTEUR.


Monsieur le Président
Je vous fais une lettre
Que vous lirez peut-être
Si vous avez le temps
Je viens de recevoir
Mes papiers militaires
Pour partir à la guerre
Avant mercredi soir
Monsieur le Président
Je ne veux pas la faire
Je ne suis pas sur terre
Pour tuer des pauvres gens
C'est pas pour vous fâcher
Il faut que je vous dise
Ma décision est prise
Je m'en vais déserter
Depuis que je suis né
J'ai vu mourir mon père
J'ai vu partir mes frères
Et pleurer mes enfants
Ma mère a tant souffert
Elle est dedans sa tombe
Et se moque des bombes
Et se moque des vers
Quand j'étais prisonnier
On m'a volé ma femme
On m'a volé mon âme
Et tout mon cher passé
Demain de bon matin
Je fermerai ma porte
Au nez des années mortes
J'irai sur les chemins
Je mendierai ma vie
Sur les routes de France
De Bretagne en Provence
Et je dirai aux gens:
Refusez d'obéir
Refusez de la faire
N'allez pas à la guerre
Refusez de partir
S'il faut donner son sang
Allez donner le vôtre
Vous êtes bon apôtre
Monsieur le Président
Si vous me poursuivez
Prévenez vos gendarmes
Que je n'aurai pas d'armes
Et qu'ils pourront tirer

E aqui, Serge Reggiani canta LE DÉSERTEUR antecdedido por um belíssimo poema de Rimbaud

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

WOODY GUTHRIE

Vale a pena recordar figuras cujo nome se vai apagando na poeira do tempo.

W0ody Guthrie, que em plena 2ª Guerra Mundial escreveu na viola "This machine kills fascists", foi um excepcional cantor folk americano que correu o seu país a cantar apoiando lutas sociais e sindicais e que é considerado grande inspiração para outros cantores como Bob Dylan, Pete Seeger ou o grupo Peter Paul and Mary.

A canção que aqui fica, "This land is your land", é hoje cantada pelos meninos de muitas escolas ao território americano

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

RTP MEMÓRIA, DIA 14, 19H00

SEXTA FEIRA, DIA 14, DAS 19H00 ÀS 20H00

ESTAREI NA RTP MEMÓRIA

NUM DIÁLOGO BEM DISPOSTO COM A MARIA JOÃO GAMA

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

ILUSTRADORES - GÉMEO LUÍS



Gémeo Luís nasceu em Lourenço Marques em 1965. Professor na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e na Escola Superior de Artes e Design.



Gémeo Luís tem-nos oferecido um trabalho de poesia plástica. Por vezes parece que as suas deliciosas ilustrações voam do texto e ganham autonomia num mundo de delicadíssima magia. No entanto, o texto está sempre presente em referências diáfanas e encantatórias.



Um livro do Gémeo Luís é sempre um prazer para a vista que cumpre a dupla função de objecto de leitura e de prazer visual.


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

GATO GATAFUNHO



A minha querida amiga Ana Paula Faria criou uma chancela editorial que tem vindo a ganhar cada vez mais prestígio entre pais e educadores preocupados com a pro moção do livro e da leitura.

No sábado inaugurou uma livraria no Centro Comercial do Chiado (entradas pela Rua da Misercórdia ou/e pela Rua Nova da Trindade).

Foi uma festa bonita que juntou as caixinhos cheias de histórias do Delphim Miranda, as canções do Pedro Branco, os poemas do moçambicano Elmar Goçalves, as histórias fantásticas e delirantes do argentino Rudolfo Castro & etc.

A Loja de Livros GATAFUNHO é um espaço pequenino e mágico, com um catálogo de perder a cabeça de livros para o público infantil, e que vai ter actividades para crianças todos os sábados pelas 15h30. E está ainda disponível para visitas de escolas e grupos de crianças.

O melhor contacto é o do Facebook: GATAfunho loja de livros.

Na inauguração lançámos um desafio a poetas, escritores, fotógrafos, artistas plásticos & etc para desenharem um gato ou escreverem um pequenina história com um gato e enviarem para a GATAFUNHO. A Ana Paula Faria fará perto do Natal uma espocição desses trabalhos.

Bora, pessoal, vamos atirar-nos ao GATAFUNHO!

sábado, 24 de setembro de 2011

DENTINHO DENTOLA DENTÃO



Para começar o 5º ano deste blog aqui vai o anúncio de mais um livrinho que já está nas livrarias.

É a minha estreia na literatura para os meninos da pré-leitura (dos 3 aos 7 anos).

Começa assim:

O dia nascia e já via
Dentinho Dentola Dentão
Os três a tocar a tocar
Trombone tambor violão
E sempre a fazerem assim:

BADALIM BADALIM BADALIM
BADALIM BADALIM BADALÃO

Pais, professores, educadores, ou seja, quem ler a lengalenga que faz este livrinho, podem dar azo à sua maior liberdade de interpretação.

Pode lê-lo quem tiver alma de palhaço que é uma das coisas mais belas que existem no mundo.

Espero que os meninos entrem na lengalenga e, página a página, vão repetindo:

BADALIM BADALIM, BADALIM

BADALIM, BADALIM, BADALÃO

terça-feira, 20 de setembro de 2011

TRAZ OUTRO AMIGO TAMBÉM - 4 ANOS DE UM BLOG

Este blog começou por ser uma experiência, quase uma brincadeira. Transformou-se. Já leva 4 anos e mais de 100.000 visitas!

Creio que se tem mostrado como um lugar de encontro, de palavras, de livros e leituras, de música.

Um lugar de liberdade. Há por aqui canções e memórias, imagens, protestos, gritos de amor, abraços de amizade. E tudo isto se junta como se numa biblioteca com uma arrumação muito própria.

No fundo o que nos une é a palavra e a sua fantástica capacidade para nomear, entender, atear o fogo da poesia e dar um pouco mais de sentido à vida.

Há companheiros de viagem que aqui deixam mensagens, recados, como que a dizer:"Estou vivo!", como que a afirmar que há uma comunidade sem limites definidos onde a poesia, a dignidade, os valores éticos, o prazer da música e da leitura, a solidariedade, a necessidade de preservar memórias de forma não passadista, onde tudo isso e mais constitui o cimento que nos vai unindo.

Há amigos e companheiros que não dizem nada, ou só muito raramente o fazem. Mas eu sinto-os. Pressinto-os. Encontro-os quando ando, país fora, por escolas, bibliotecas, cantos e recantos.

Para todos um imenso abraço fraterno e uma canção, um pequeno elo que une amigos que se conhecem e muitos que, não se conhecendo, são grandes amigos também.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

SABE MAIS K OS TEUS PAIS




Sabe Mais k(que) os teus Pais é um blogue de Palavras Cruzadas.11
Um sítio para miúdos curiosos e para crescidos que não tenham perdido a curiosidade.

http://sabemaiskosteuspais.blogspot.com/

A Língua Portuguesa é tão rica que muitas palavras andam "escondidas" e “esquecidas” nos dicionários. Vamos colocar os miúdos a brincar com elas e a desafiar os adultos mais desprevenidos.

Aqui vão aparecer muitas palavras "escanifobéticas".
Este blogue existe para as transformar em palavras simples e normais.

De tempos a tempos, aparecerão pequenas histórias, com as tais palavras, para serem contadas, recriadas, continuadas... (re)ilustradas…
Livros e escritores hão-de aparecer no meio dessas histórias.
Estamos a começar...

Há tantas palavras que o caminho será longo.

Um grande abraço amigo aos autores:

Sílvia Alves: Escritora e contadora de histórias.
Maria del Toro: Designer.
Paulo Freixinho: Autor de Palavras Cruzadas.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

ILUSTRADORES - JOSÉ EMÍDIO



O meu amigo Zé Emídio não veio do design gráfico ou de comunicação. É um pintor que também desaguou na ilustração. Um artista que integra a direcção da Cooperativa Árvore do Porto, essa casa mítica da artes plásticas em Portugal.



A poesia que derrama nos livros, a delicadeza das suas figuras, a paleta de cores que se situa do lado da ternura fazem-no mais próximo ou mais longe da família de artistas como a Maria Keil ou o Júlio Resende.



Conheci-lhe o trabalho de ilustrador nalguns livros da Campo das Letras, essa magnífica editora do comum amigo Jorge Araújo que publicou livros notáveis durante anos e anos.



Entre os vários livros que o Zé Emídio gosto de destacar os do poeta Nuno Higino. Cheguei ao Nuno através do Zé, adorei a sua poesia e tornámo-nos amigos ao primeiro olhar.

Temos os três uma almoçarada combinada para um dia tão próximo quanto possível. Não sei quando mas vai ser bom.

sábado, 10 de setembro de 2011

ABRIL E A QUEDA DE KHADAFI

Tenho 60 anos.

Já acreditei em muitos mitos veiculados pelas melhores e pelas piores intenções.

Das imbatíveis verdades da imprensa já bebi muita aldrabice.

Este texto recebi-o da Associação 25 de Abril. Vale a pena reflectir.

"O 25 de Abril tem servido para muitos dislates, ao longo destes 37 anos.
Agora utilizá-lo para definir o que se passa na Líbia, comparando os dois acontecimentos, admitindo que houve boa fé,revela enorme ignorância.
Ignorância, porque mostra um total desconhecimento sobre a acção libertadora de 1974; mas também incompreensão, porque tenta justificar uma das acções mais hipócritas dos países ocidentais que, no seguimento da acção contra o Iraque, volta a aproveitar o facto de existir um ditador -ontem Sadam, hoje Khadafi - para legitimar acções de todo em todo condenáveis, se analisadas à luz das regras do direito internacional. Não se veja nisto qualquer defesa dos referidos ditadores, mas já se sabe que o direito internacional é a manifestação da vontade dos vencedores, dos mais fortes, mas, por favor, poupem-nos à hipocrisia de tentar justificar o injustificável...
Afirmar, como o primeiro ministro de Portugal, Passos Coelho, que "o fim do regime de Khadafi foi uma espécie de 25 de Abril", que "houve uma espécie de 25 de Abril, uma tomada de consciência dos líbios em relacção ao seu regime" ou que "houve também uma intervenção da NATO que foi extraordinariamente bem sucedida. Não existiu, digamos, invasão terrestre. Isso permitiu da parte do povo líbio uma tomada de posição contra o próprio regime, que fez lembrar aquilo que se passou em Portugal", ultrapassa tudo o que é admissível.
Isto leva-nos, enquanto militares de Abril e representantes dos que em 1974 tudo arriscaram para acabar com a ditadura, acabar com a guerra, devolver a liberdade e a democracia aos portugueses, a protestar veementemente contra as declarações do primeiro ministro, que nos ofendem, ofendem o 25 de abril, ofendem Portugal.
Tenhamos presente que a NATO, ou qualquer outra organização semelhante, não deu qualquer apoio ao Movimentos dos Capitâes e no Terreiro do Paço ou no Largo do Carmo não podem ser vistos sinais de bombardeamentos, porque então se utilizaram cravos..."

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

A BRUXINHA DE LEIRIA



Reproduzo o post de O Jardim Assombrado" da minha amiga Carla Maia de Almeida e junto a minha voz a outras como o blog da Revista "Os Meus Livros" que lamentam o final desta página única na nossa imprensa.

Da Carla:

Porque o fim de uma coisa é sempre o princípio cativo de outra coisa qualquer – quantas vezes maior e mais forte –, não é com penas nem melancolias de chuva pré-outonal que O Jardim Assombrado termina o silêncio das últimas semanas para anunciar o fim de A Bruxinha, suplemento infantil do semanário Região de Leiria coordenado por Sílvia Alves – autora, contadora de histórias e uma das pessoas que mais têm contribuído para a divulgação da literatura para crianças nos últimos anos. Para a Sílvia, vai um grande abraço e o desejo de outros voos e outras latitudes. O texto que se segue corresponde à última crónica publicada no Região de Leiria, a 27 de Agosto de 2011:

“Os hábitos de leitura fazem-se de pequenos passos. Os leitores do futuro são as crianças que começam a fazer caminho. A Bruxinha começou há doze anos a falar de livros e leitura, muito antes de um PNL decretar esse caminho. Os jornais estão em reinvenção lenta de um saber fazer que pede a articulação da tradição do papel com novos caminhos que se abrem online. Os que souberem ver mais longe construirão o futuro. A rapidez da notícia viverá a par da narrativa mais detalhada mas, num ou noutro formato, não haverá jornais grátis: são feitos de pessoas e do seu trabalho que tem um preço inalienável.

Hoje, com memorandos hostis a ditar tempestades, a Bruxinha chega ao fim. No seu coração, amarrotado já de saudade, leva a esperança de ter deixado algumas sementes de bons leitores. A eles e a todos os que, em doze anos, comigo colaboraram desejo as maiores felicidades. Continuaremos a encontrar-nos nos livros e nas histórias contadas onde nascem e vivem para sempre as Bruxinhas de Papel.

Esta é também, ao fim de sete anos, a minha última crónica no Região de Leiria. O sempre e o nunca são palavras armadilhadas, neste tempo de estender mapas e descobrir novos rumos. Do fim diz Agustina: “O que resta é sempre o princípio feliz de alguma coisa". Seja.”ão os que têm lamentado o desaparecimento da página "A Bruxinha" do Jornal

domingo, 4 de setembro de 2011

ILUSTRADORES - MARGARIDA BOTELHO



A Margarida é uma jovem arquitecta que se dedicou às histórias para crianças. Um pouco como eu, tirando a juventude que de espírito terei mas não de articulações a ganhar alguma ferrugem.



Mas a Margarida é mais que ilustradora. É autora das histórias, contadora, performer, etc, etc.

Os livros são o pretexto para deliciosas intervenções que moram à beira do teatro e da teatralização feita a partir de imagens e cenários fortes e muito divertidos.

Assisti já a várias apresentações dela quer para adultos quer para crianças e fiquei deliciado.



Além do mais a Margarida tem corrido mundo, levando as histórias no bolso, trabalhando com crianças em Moçambique, na Amazónia, sei lá que mais, e recolhendo influências e elementos que retrabalha e nos devolve revestidos por uma magia muito especial.



Só posso acrescentar: Viva a Margarida, e desejar que todos os meus amigos tenham a possibilidade de conhecer os seus livros e de a ver numa das suas apresentações em escolas, museus & etc.


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

ILUSTRADORES - HENRIQUE CAYATTE



O Henrique é muito mais que um ilustrador. Além de professor universitário é um designer de comunicação. Quer isto dizer que tem trabalhado em tudo quanto é comunicação em espaços urbanos, organização de percursos e exposições, autor de projectos gráficos na imprensa e no livro, autor de cenários para teatro, etc, etc.



É longa a lista de trabalhos do Henrique. Aqui vão alguns deles:

- Autor do projecto gráfico do jornal !Público", editor e ilustrador até 2000.
- Co-autor do sistema de sinalética e comunicação da EXPO ‘98.
- Responsável pelo design dos Pavilhões de Portugal na exposição mundial Expo ’98, e nas exposições universais de Hannover 2000 e Aichi 2005. Comissário e designer da exposição “Cassiano Branco – uma obra para o futuro”, “Liberdade e Cidadania – 100 Anos Portugueses”
- co-comissário e designer da exposição “Engenharia Portuguesa do Século XX” e comissário principal e designer da exposição “Arquitectura e Design de Portugal 1990-2004” na Trienal de Milão
- Autor do design da revista Egoísta entre outras publicações
- Autor do design global do novo Passaporte Electrónico Português e do Cartão Único de Cidadão.
- Recebeu inúmeros prémios entre os quais o Prémio Nacional de Ilustração em 2000.



Conhecemo-nos e cruzamo-nos de vez em quando. Trocamos sorrisos e abraços. Admiro muito a consistência do seu trabalho e a marca pessoal que imprime às ilustrações dos livros para a infância que lhe conheço e ando atento porque o Henrique é daquelas pessoas que veste o nosso quotidiano e muitas vezes nem damos por isso.


domingo, 28 de agosto de 2011

ILUSTRADORES - DANUTA WOJCIECHOWSKA



E continuando com os ilustradores chegou agora a vez da Danuta. De origem canadiana, Donuta é designer de comunicação e tem-se destacado com uma das obras mais intensas e personalizadas do livro para crianças em Portugal tendo ganho o Prémio Nacional de Ilustração em 2003.



Quem trabalha o livro para a infância e juventude conhece bem a obra da Danuta.

Também já tenho com ela uma promessa sem data para um livro conjunto. (Esta minha vontade de partilhar os livros com bons ilustradores vai acabar por me obrigar a escrever muito, tantos são os bons ilustradores em Portugal).






quinta-feira, 25 de agosto de 2011

10 CANÇÕES QUE FAZEM PARTE DA MINHA VIDA - CABO VERDE



Para terminar esta viagem por 10 canções da minha vida não trago uma mas três canções caboverdeanas. Estou convencido que a música de Cabo verde é a melhor do mundo. Ou mesmo do universo.

Houve um tempo em que andei muito pelas ilhas de Cabo Verde. Anos 80. Ao todo, somados os vários bocadinhos, estive por lá coisa de 2 anos.

Ainda não era destino turístico.

Era terra cheia de feridas, pobreza e fome deixadas pelo colonialismo. Mas os caboverdeanos eram gente de cara limpa, de imensa dignidade, gente que tinha a felicidade de soltar o corpo e a voz na festa da música.

Guardo entre as mais fortes emoções da vida, quando poucos a conheciam, ter ouvido a Cesária a cantar à solta no bar do pianista Xico Serra em Mindelo, assistir a espectáculos dos Tubarões ou dos Finaçon na Praia, assistir aos improvisos fantásticos do violista Travadinha nas aventuras artística do Leão Lopes e do Carlos Barroco.



E falta falar de muitos, muitos mais. Luís Morais e o seu clarinete, o grande Bana, o meu amigo Tito Paris, Paulino Vieira, Codé di Dona e os outros, os mais jovens (Lura e Nancy Vieira, por exemplo) que continuam a dar voz a uma música única que se desdobra em estilos, ritmos, acentuações tão diversas quanto envolventes.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

10 CANÇÕES QUE FAZEM PARTE DA MINHA VIDA - AMSTERDAM



O Jacques Brel é o cantor de um par de gerações que vão do fim dos anos 50 até... Até aos anos 70, embora o meu filho João, nascido em 80 seja um apaixonado intenso das suas canções.

Grande poeta, extraordinário animal do palco, provocador carregado de raiva e de ternura, genial... E muito masi dele se podia dizer.

Pertence ao restrito clube dos grandes.

Todas as suas canções fazem parte da minha vida. Todas elas. E julgo que um bocadinho da poesia que escrevo lhe deve qualquer coisa. Porque muito do que escrevo é também destinado ao palco dos teatros, da rua e da voz.

Um dia, e esta é uma história já muito contada mas que vale a pena contar de novo, Brel aportou num barco, suponho que um veleiro, à Ilha do Faial. O resto da história, pequena delícia, vem narrada aqui em baixo pelo outro protagonista, o dr. Decq Mota.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

LUSTRADORES - ALEX GOZBLAU


Alex Gozblau nasceu em Itália mas radicou-se em Portugal. A sua obra como ilustrador e designer é das mais interessantes e inovadoras do panorama português que, aliás, conta com uma boa quantidade de excelentes ilustradores.

Por isto esta chamada de atenção a todos os que fazem a gentileza de frequentar este meu blog, para que dêem atenção ao trabalho e aos nomes destes belos ilustradores que produzem o seu trabalho no nosso país.

RAlex Gozblau realizou já várias exposições individuais e o seu trabalho foi distinguido pelo Clube de Criativos de Portugal e pela Society for News Design (EUA) e pela Society for News Design (Ibéria). Em 2009 foi-lhe atribuído o Prémio Stuart de Carvalhais de Desenho de Imprensa patrocinado pela Casa da Imprensa e pelo El Corte Inglês.

O meu livro "Era uma vez a República" tem algumas ilustrações do Alex que, em conjunto com a direcção gráfica do Jorge Silva, contribuíram para a excepcional qualidade gráfica com que resultou.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

ILUSTRADORES - ANDRÉ LETRIA



Diz-se que filho de peixe sabe nadar. Neste caso teríamos de dizer que filho de escritor sabe ilustrar.

Eu, por mim, sou suspeito. Amigo de pai e filho e admirador dos dois, só posso sublinhar que em meia dúzia de anos o André construiu um estilo muito próprio, uma obra notável e uma presença impressionante na ilustração portuguesa.

Há livros ilustrados por ele em que me perco nas suas ilustrações e só depois me lembro que também há um texto e que o livro nasce justamente do diálogo entre um e outro.



Como no caso do Afonso Cruz há também no trabalho do André um sentido da representação popular trabalhada com a erudição simples e eficaz de um verdadeiro artista plástico.



Muitos dos seus livros são verdadeiros regalos para a vista. Também gostava muito de ver um texto meu ilustrado por ele. E tenho a certeza que mais dia menos dia iremops concretizar a amizade que nos une num trabalho comum.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

ILUSTRADORES - TERESA LIMA



Teresa Lima é licenciada em pintura, professora de Artes do Ensino Secundário e recebeu o Prémio Nacional de Ilustração 2006.

O seu trabalho de ilustração prima pela luminosidade e pela delicadeza de linhas impregnadas de poesia e magia.

O trabalho de qualquer ilustrador resulta de uma certa forma de ler a obra que vai ser ilustrada. No caso de Teresa Lima essa leitura vai fundo e é transformada numa obra que, não deixando de servir o texto, consegue constituir-se também num discurso plástico paralelo de um encanto muito especial.




Quero muito ter um dia um livro meu ilustrado pela Teresa. Já lho disse. E ela prometeu que sim. Mas o muito que tem entre mãos apenas permite a certeza de que... Um dia vai ser.




segunda-feira, 8 de agosto de 2011

ILUSTRADORES - AFONSO CRUZ



Continuemos esta visita aos nossos principais ilustradores com a certeza de que temos imenso por onde olhar e apreciar quer em qualidade quer em quantidade.



Falo-vos hoje do Afonso Cruz, um homem completo. Ilustrador, escritor, músico, agricultor, senhor de uma sorriso daqui até à lua e de uma amabilidade própria de quem se entrega à vida sem poeira na alma.

Ganhou o Prémio SPA 2011 para o melhor livro infantil com "A contradição humana".



É já extenso o trabalho que tem no campo da literatura para a infância quer como ilustrador de textos alheios quer como autor dos seus próprios textos.

Os seus "bonecos" têm uma alegria, uma felicidade extensa colorida, um referente nas mais puras representações populares e uma ressonância na tradição surrealista que nos encanta a nós, adultos, e torna numa festa a leitura para os meninos.

Mas há mais. O Afonso tem escrito pequenos grandes romances que me têm encantado e que aconselho todos a ler. "Os livros que devoraram o meu pai, "A boneca de Kokoschka". "O pintor debaixo do lava-loiças". Não percam.

Tenho a sorte de já ter um livro ilustrado por ele. Está aqui ao lado. Enviei-lhe na altura um mail a dar-lhe os parabéns pelo trabalho. Na volta contou-me que o primeiro livro de poesia que tinha lido era um livrinho meu.

Ficámos amigos para o resto da vida. Pois Canté (como cantava o GAC).

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

ILUSTRADORES - MARIA KEIL

Muitas vezes passamos por obras de artes plásticas, de arquitectura, de azulejaria ou lemos livros ilustrados e não temos a curiosidade de saber quem é o autor desses cenários da nossa vida.

Lemos livros aos nossos filhos ou netos. Dizemos-lhes quem é o autor do texto e esquecemo-nos de referir o nome da do ilustrador ou simplesmente do autor da capa quando capa tem um autor reconhecido.

Algumas Bibliotecas Municipais já fazem exposições do trabalho destes ilustradores. Bem hajam. Porque esse trabalho merece a nossa atenção e o nosso reconhecimento.

Gostava de falar dos ilustradores, do seu trabalho, das suas obras e sobretudo, de lhes sublinhar o nome.

A decana dos ilustradores é a Maria Keil. Mãe do meu amigo Pitum Keil do Amaral. Desenhadora, pintora, azulejista, ceramista, designer, cenografista, ilustradora. Faz 97 anos no próximo dia 9 de Agosto.

Aqui por baixo a capa de uma revista que ela desenhou em... 1947.




O trabalho da Maria Keil faz parte da minha vida, da dos meus filhos e da de muitos de nós. São dela, por exemplo, os azulejos das primeiras estações do metropolitano de Lisboa.

E como não lembrar as ilustraçoes que ela fez para vários livros, especialmente os da Matilde Rosa Araújo?



A alegria dos seus trabalhos como ilustradora, a aparente simplicidade do seu traço, a clareza do rosto dos meninos que ela lançou e lança aos livros para crianças são peças dedliciosas da arte de fazer livros onde se casam texto e imagem.



sexta-feira, 29 de julho de 2011

UM LIVRO RARO

Caros amigos,

O meu querido amigo Alberto Trovão do Rosário publicou um livro que aconselho todos a ler.

Intitula-se "INVENTÁRIO DO MEU MUNDO"

Trata-se de um conjunto de pequenos textos, reflexões diversas, ideias, impressões e poemas servidos por uma escrita de grande qualidade.
Não se trata de um diário nem de nada que possamos definir numa palavra. É um belíssimo livro que podemos ler de trás para a frente ou da frente para trás.

Podemos abri-lo a meio e deliciarmo-nos com uma ou duas ou três páginas de reflexões, poesia e magnífica prosa. Trata-se de um inventário de quem tem uma vida cheia para inventariar e partilhar connosco o que dessa vida entendeu verter em palavras.

Um exemplo para todos nós. Porque todos temos uma vida para inventariar. E esse percurso é o melhor que podemos oferecer aos amigos, à família, à gente que não anda no mundo por andar.

O Alberto meteu ombros à tarefa de inventariar uma vida e fê-lo com grande brilho e posso dizer que este exemplo nos ajuda e muito a que cada um encontre um caminho para fazer o seu próprio inventário.



Como a distribuição do livro tem sido muito deficiente, tomei a iniciativa de fazer chegar notícia a amigos e companheiros de livros, de sonhos, de aventuras diversas, ou seja, àqueles que julgo, gostarão muito de o ler.

Criei um email próprio para o encomendarem à cobrança e ao preço especial de 15 Euros. O livro aparecer-les-á em casa pelo correio por isso não se esqueçam de enviar a morada.

inventarioencomenda@gmail.com

Grande abraço amigo,

José Fanha