domingo, 8 de janeiro de 2012

LEITURAS 2011 - POESIA

Para meu mal, a poesia não ocupou o lugar determinante que costumo reservar-lhe na minha vida.

A verdade é que a poesia portuguesa anda tristonha. Pouca alma e muita circunstância sem lírica.

É verdade que, ultimamente, não tenho acompanhado tudo o que se publica com a proximidade que gosto. Às vezes é difícil. As publicações de poesia são cada vez mais clandestinas. E isso é comum pela Europa fora com a talvez exceção de Espanha.

É particularmente triste que Portugal, país de poetas desde sempre, ande tão afastado dos Camões e tão dado aos inteligentes "Gaspares".

Já andámos de braço dado com os grandes. Agora... Isto é tudo da 3ª Divisão Regional. Sinais dos tempos...

De poesia vou folheando o que apanho. Tento deitar o olho aos poetas falados nas recensões literárias dos jornais. Apanho um poema aqui, um verso ali, mas nada que me deixe a tremer, a voar, a viver melhor. Nem pior. A coisa parece-me mesmo cinzenta. Talvez, redigo, talvez a culpa seja da minha falta de atenção. Ou talvez não.

Veremos. Porque em arte é o futuro que quase sempre serve de medida à qualidade. Os astros de falso brilho sucedem-se com frequência para logo um pouco mais à frente se apagarem.

E aqui vão algumas das excepções que apanhei na minha rede de apanhar poetas:



Luís Filipe Castro Mendes é um belo e discreto poeta que tem um magnífico domínio oficinal. Mestre no soneto, reconhece-se na sua poesia a influência da lírica camoneana praticada por outros poetas como Natália (mais barroca que camoneana, David Mourão-Ferreira, Manuel Alegre, o próprio Ary dos Santos, Vasco Graça Moura ou Joaquim Pessoa.

Neste livro surpreende-nos pelo abandono dessa lírica mais musical para abraçar um outro escrever,mais lento e tecido em torno de uma reflexão melancólica sobre a vida e o passar do tempo, sobre o mundo e os outros que com o poeta se cruzam, tendo sempre como pano de fundo uma espécie de maravilhosa e inquieta viagem através da Índia.

É um livro para ler e reler. para mastigar. para deixar que a sua beleza nos entre no peito e aí faça ninho.



Não é frequente grandes poetas terem reconhecimento em vida. As nossas elites são demasiado cegas e ingratas. Mas, por vezes, e inesperadamente,acertam.

O prémio Pessoa atribuído ao Pina, como carinmhosamente os amigos o tratam, é justíssimo. E este livro é o primeiro publicado depois desse prémio.

A exigência da sua escrita, a música vigiada, o rigor com que aborda o acto de escrever, tornam a sua poesia e este livro em particular indispensáveis no registo do que de melhor se tem escrito na poesia portuguesa.



O Mia é um excelente amigo, um belo escritor, um homem que tem enriquecido a língua portuguesa.

Parece-me que está a cair fora das modas dos nossos opinistas de jornal. Por isso mesmo é preciso lê-lo. E relê-lo. Dá-lo a ler aos nossos jovens. Passá-lo de mão em mão. Infectar a vida com o seu olhar luminoso. E agradecer-lhe tudo aquilo que generosamente nos oferece na volta de cada poema.




Fora dos circuitos académicos e jornalísticos, aproveitando muitas vezes as possibilidades da blogosfera, vão aparecendo poetas a que é urgente dar atenção. Poetas que é preciso inscrever entre o que de melhor acontece na poesia portuguesa.

É o caso da Licínia Quitério que vai crescendo de poema para poema e de livro para livro. Vai no terceiro e nós agradecemos os livros e o blog (O SÍTIO DO POEMA) onde a sua poesia vai vendo a luz do dia em cada dia e conquistando uma roda de amigos, cúmplices e admiradores.



Não é frequente um primeiro livro ter a força deste livro de Mário Domingos. Experimentem lê-lo. Já não é um jovenzinho nos seus primeiros versos, este jurista, mas traz-nos a frescura de quem pega na matéria de que é feita a vida e a vai tornando em poesia.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

PEDRO OSÓRIO

Morreu um artista. Um grande artista. Um daqueles que nos deixam mais ricos, ao contrário dos que andam a matar este país.

As lágrimas inevitáveis e as memórias que correm nas lágrimas por este grande amigo que se foi.

Fomos companheiros de sonhos, brincadeiras e lutas. Comemos à mesma mesa. Fizemos canções.

Há pouco mais de um mês publicou o seu último disco "CANTOS DE BABILÓNIA".

Até à última hora o Pedro foi um exemplo de paixão pela arte, de vida e de força a lutar contra o destino anunciado pela doença.

Adeus coompanheiro.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

LEITURAS 2011 - LIVRO INFANTIL

A grande produção do livro infantil não permite falar de todos os bons livros que saíram. O Plano Nacional de Leitura e a grande importância que se está a dar nas escolas à promoção da leitura está na origem desta verdadeira avalanche. Não os li a todos. Vejo que continuam a publicar autores como a Margarida Fonseca Santos, António Mota, David Machado,Sílvia Alves Rosário Alçada Araújo, Manuel António Pina, Álvaro Magalhães, Luísa Ducla Soares, Alice Vieira, José Jorge Letria e, à cabeça, o mestre de todos nós que é o António Torrado.

Escolhi estes. Poucos mas muito bons. Luzes muito fortes num mar de publicações onde o bom e muito bom se mistura num equívoco por vezes desastroso com o menos bom e aquilo que é apenas comércio e não tem nada a ver com a verdadeira literatura para a infância e juventude.



Começo por um belíssimo livro com texto e ilustrações de Afonso Cruz. Prémio SPA para o melhor Livro de literatura infantil. Uma delícia de humor e inteligência. Uma obra que ajuda a criança a reflectir sobre a sua vida e a crescer sem os rodriguinhos lambe botas da escrita troloró para criancinhas.




Sigo com uma colecção notável, a Gramofone, ilustrações de Afonso Cruz e textos de Margarida Fonseca Santos, Rosário Alçada Araújo, António Mota, Alice Vieira e mais eu próprio.

Livros com preocupação didáctica mas sobretudo muito divertidos. Objectos deliciosos. Literatura da boa. Infelizmente as boas referências não se traduziram num volume de vendas que permita para já que a colecção continue.

Vale a pena apostarmos nestes livros. São bons para nós adultos e para os nossos meninos.



"LULU E O BRONTOSSAURO", Judith Viorst e Lane Smith, ed. Gailivro, outro caso de insucesso de vendas para um livro absolutamente delicioso especialmente para meninos malcriados e respectivos pais. A Lulu tem tanto de insuportável como de divertida. E o brontossauro acaba opor fazer aquilo que seria obrigação dos pais. Uma pérola.



Finalmente uma ilustração de João Vaz de Carvalho para uma editora relativamente recente e de que pouco se dá por ela nas bancas das livrarias, a Bags of Books, que tem um catálogo de grande exigência plástica e em que quase todos os seus livros são uma festa para os olhos.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

LEITURAS 2011 - OS PORTUGUESES

A ficção portuguesa está bem e recomenda-se. Vale a pena visitar toda uma geração que se tem afirmado com grande força e impacto até a nível internacional.

É obrigatório ler escritores como João Tordo, Afonso Cruz, David Machado, Gonçalo M. Tavares, José Luís Peixoto, Paulo Moreirinhas, etc, etc.

Já para não falar dos mais velhos e mesmo dos que já não estão entre nós e que por vezes esquecemos imperdoavelmente como é o caso, por exemplo, de dois grandes escritores de que se comemorou este ano o centenário do nascimento, Manuel da Fonseca e Alves Redol, ou ainda de Raúl Brandão, Aquilo, Ferreira de Castro, José Cardoso Pires (que é preciso ler, reler e treler) Nuno Bragança, Carlos Oliveira, Sttau Monteiro, e etc, etc.

E aqui vão algumas das obras, escolhidas sem programa pré-definido, que fizeram mais ricas as minhas as minhas horas de leitura :




A Alexandra Lucas Coelho leva-nos pela mão neste livro através do México. E que bem nos ajuda ela a conhecer esse país mítico, convulso, divergente, diverso, explosivo, apaixonante. Depois de ler este livro quero ir ao México urgentemente. Não a Cancún ou qualquer dessas praias do roteiro turístico internacional que são todas iguais estejam onde estiverem. mas ao México mesmo, ao fundo do México.
Depois de ler este livro é o que nos acontece, esta inclinação à paixão pela viagem.

Obrigadinho, Alexandra.



A Filomena é uma amiga que eu gosto muito de visitar,ouvindo as suas palavras sábias e doces e deliciando-me com prosa a que a Filomena dá uma respiração muito particular e muito sua.
Estes contos são uma delícia e guardo especialmente memória do último, passado em Sintra, 1908, quando a Rainha vai à Matilde de queijadas para levar um cesto delas de que os príncipes tanto gostam. Matilde (que adivinhamos secreta prima dos dois jovens) despede-se desejando ironicamente muita saúde e muitos anos de vida a Suas Altezas...



Sou suspeito. O Afonso é ilustrador, romancista, músico, agricultor. A sua escrita é divertida, saudável, inteligente, culta, acessível, transbordante de invenção e criatividade, misturando mundos que aparentemente nada têm a ver uns com os outros.
Esta história é inspirada numa outra, verdadeira, de um pintor judeu escondido em casa dos seus avós na Figueira da Foz durante a 2ª Guerra Mundial.
Só que a partir dessa história, o Afonso voa muito, muito alto.



Os retornados foram um acontecimento incómodo durante e logo a seguir ao final da Revolução de Abril e ao Fim do Império Colonial.
Pouco ou nada existe na nossa ficção que fale da gesta desta gente que, em muitos casos, chegou a Portugal com uma mão à frente e outra atrás, e que o Estado Português teve muita dificuldade para ajudar eficaz e atempadamente.
Dulce Maria Cardoso cria uma ficção sem preconceitos sobre os retornados e os hotéis onde muitos foram aboletados, e onde conhecemos os seus problemas, os seus dramas, os seus desajustes e pecadilhos, as suas memórias verdadeiras e mentirosas, os seus sonhos, os seus naufrágios.
Já tinham surgido romances sobre a Guerra Colonial, nomeadamente esse fantástico "Cus de Judas" do António Lobo Antunes. Agora chegou a vez de se falar do retorno.
Também com a ficção se faz História e, também nesse sentido, este livro é importante.



Outro amigo grande. O Mário é quanto mim uma das pessoas que melhor utiliza a língua portuguesa. A sua ficção varia entre relatos e contos brilhantemente galhofeiros e com alguns toques de loucura, caso de livros seus como "Os casos do Beco das Sardinheiras" ou "A inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho", ou quando navega num mar de intensa melancolia como é o caso do romance "Um Deus passeando na brisa da tarde" que é, quanto a mim, um dos 3 ou 4 melhores romances portugueses depois do 25 de Abril.
Ler o Mário é indispensável para a nossa lusitana saúde. Ler esta história é cumprir uma viagem desopilante ao mundo da nossa pequena maneira de ser trafulhas, quer se seja um respeitável proprietário de drogarias, quer uma cabeleireira ou um bandideco de 3ª categoria.
Uma delícia para comer e chorar por mais.

sábado, 31 de dezembro de 2011

BORA EMIGRAR PARA DENTRO



Vieira da Silva


2012

Bora emigrar para dentro em 2012. Para dentro do país, para dentro da poesia, para dentro da decência, muito para dentro desta querida Pátria que se chama Portugal.

Bora fazer um ano do caneco e deixar financeiros, políticos, economistas e respectivas primas reduzidos à sua cassete miserável, à sua razão vergonhosa, à sua incompetência provada.

Bora trazer kilos de cultura para a rua e dar o braço uns aos outros, e dar uma ajuda a quem precisa e fazer ouvir a nossa voz de cristal.

Bora contar a história de um país feliz. Era uma vez, no País das Fadas, dos dragões, dos marinheiros, dos reis e das princesas... Deve haver algum país assim. Tem de haver um país assim. Quem o conseguir apanhar com uma rede de apanhar felicidades avise rapidamente!

Bora ser gente e mostrá-lo a quem não anda com a cegueira da crise metida na alma.

Bora sermos muitos.

Bora não choramingar.

Bora mostrar que nós, os da cultura, das palavras, das histórias, do teatro, nós a quem bastam 3 tostões de poesia para almoçar, nós bailarinos, saxofonistas, pianistas e poetas, palhaços e fazedores de prodígios diversos, nós nós nós, NÓS TRABALHOS! E GOSTAMOS DE TRABALHAR! E TRABALHAMOS PARA O BEM COMUM!

Nós fazemos o país enriquecer maravilhosamente todos os dias!

A miserável teoria da crise em que nos mergulharam toca o estômago. É verdade. Mas não faz mirrar a viagem das nossas cabeças, o mar da nossa música, a cor dos nossos telas, o riso dos nossos rostos, a magia das nossas palavras, o produto bruto da nossa criatividade!

Por isso, e em nome de toda esta gente venho dizer-vos a quase todos:

Bom Ano de 2012!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

CALL MARX

Esta foi o Manuel Freire que me enviou.

E da maneira como as coisas estão talvez valha a pena voltar a dar uma passagem de olhos pelo velho Karl.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

PORTO DE MÓS

Outra escola. A EB1 de Porto de Mós.



A CONTAR UMA HISTÓRIA



AS PERGUNTAS DOS MENINOS



AS DEVIDAS RESPOSTAS

domingo, 25 de dezembro de 2011

AINDA NATAL

Por vezes recebemos pequenas prendas muito belas. Esta veio do meu querido amigo Nuno Gomes dos Santos.

Contra a feiura do mundo que nos tem sido dado viver, vale a pena insistir, resistir, e espalhar estes pequenos momentos de beleza.

sábado, 24 de dezembro de 2011

FESTAS E NATAIS, BEIJOS E PRENDAS, E OUTROS QUE MAIS



Paul Klee

Este ano a coisa está complicada. Entre festas e Natais, beijos e prendas e outros que mais, desejamos felicidades sabendo que para muitos dos que passam ao nosso lado as coisas estão negras e o desejo de felicidades até pode soar a cinismo.
Sabemos que os sacrifícios são pedidos aos que têm menos e não aos que têm mais.
Sabemos que todos têm aceite esses sacrifícios sem reacção consistente. Sem duvidar. Sem interrogar. Sem capacidade para criar alternativas, para sonhar, para resistir, para exigir outro presente e para dar o primeiro passo no sentido da sua construção.
Não sabemos o que será a nossa vida e a dos nossos filhos no próximo Natal.
Sei que a degradação das condições económicas pode conduzir à degradação dos afectos e isso assusta-me.
Pergunto-me se daqui a um ano ainda estará em uso a palavra “desejo” e a palavra “felicidades”, a palavra “paz” e a palavra “amor”.
Mas enquanto essas palavras existirem, enquanto tiverem um bocadinho de verdade dentro de si, enquanto não tivermos de pagar para as usar, enquanto não as gastarem como tostões, deixem-me desejar a todos os meus amigos um Natal e um Ano Novo cheios de Paz, Felicidade e Amor.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

MAFRA . SALGADOS

E aqui vamos a mais uma viagem por escolas recentemente visitadas.

EB1 Sanches de Brito em Salgados, Mafra



É bom contar histórias. E soltar as vozes nas lengalenga cantaroladas onde as palavras se vão desfiando nesse velho prazer de as lançar ao mundo.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O ÚLTIMO A SAIR

Nos últimos anos da ditadura dos coronéis no Brasil, o governo criou o slogan:
"BRASIL, AME-O OU DEIXE-O"

O povo escrevia por baixo: "O ÚLTIMO A SAIR FECHA A LUZ DO AEROPORTO".

É claro que há pessoas que podíamos exportar, alguns governantes, alguns gestores de empresa, comentadores e opinantes sobre economia da televisão, etc, etc. Não sei se algum país minimamente atento os quereria. Mas isso é outra questão.

Falando a sério...

Eu gosto de Portugal. Gosto muito. E ensino os meus filhos a amarem o seu país. E a darem-lhe o seu melhor. Por isso:

domingo, 18 de dezembro de 2011

A MORTE SAIU À RUA



José Dias Coelho, pintor, foi assassinado pela PIDE, em 19 de Dezembro de 1961, na Rua da Creche, que hoje tem o seu nome, junto ao Largo do Calvário, em Lisboa.

Zeca Afonso cantou o crime numa das suas mais belas e comoventes canções.



sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

OLHA ELES A LER

É muito bom ver os meninos a ler. E é muito bom vê-los a ler um livro que escrevemos. E é bom sentir que o menino que eu ainda sou, é capaz, por vezes, de encantar outros meninos.



O de cima está a ler "OS SAPATOS DO PAI NATAL".

O de baixo está a ler "O MEU AMIGO ZECA TUM-TUM".

sábado, 3 de dezembro de 2011

A TEIA

Já me habituei aos domingos com a leitura do artigo do Prof. Daniel Sampaio na Pública. As suas reflexões sobre a educação, a família, os adolescentes são conhecidas. A sua forma de pensar ajuda-nos a nós a pensar melhor.

Esta teia vai para além da educação e fala-nos das consequências da crise na vida de cada um de nós. E acaba com uma asa de esperança quando afirma que só os jovens são capazes de destruir a teia,

Eu gosto de ouvir estas palavras. E digo por mim aos mais jovens: força! ajudem-me a crescer um pouco convosco. Bora lá dar cabo desta tal teia que nos estrangula a todos.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

OS DIREITOS DA CRIANÇA

A Assembleia Geral das Nações Unidas, no dia 20 de Novembro de 1959, aprovou a Declaração dos Direitos da Criança.

Os principais direitos são:

Todas as crianças são iguais e têm os mesmos direitos, não importa sua cor, raça, sexo, religião, origem social ou nacionalidade.
Todas as crianças devem ser protegidas pela família, pela sociedade e pelo Estado, para que possam se desenvolver fisicamente e intelectualmente.
Todas as crianças têm direito a um nome e a uma nacionalidade.
Todas as crianças têm direito a alimentação e ao atendimento médico, antes e depois do seu nascimento. Esse direito também se aplica à sua mãe
As crianças portadoras de dificuldades especiais, físicas ou mentais, têm o direito a educação e cuidados especiais.
Todas as crianças têm direito ao amor e à compreensão dos pais e da sociedade.
Todas as crianças têm direito à educação gratuita e ao lazer
Todas as crianças têm direito de ser socorridas em primeiro lugar em caso de acidentes ou catástrofes.
Todas as crianças devem ser protegidas contra o abandono e a exploração no trabalho.
Todas as crianças têm o direito de crescer em ambiente de solidariedade, compreensão, amizade e justiça entre os povos.



No dia 21 de Novembro, na Assembleia da República, comemorou-se o aniversário da
Declaração dos Direitos das Crianças.

Várias escolas ali apresentaram projectos que põem em relevo este ou aquele direito. Cada escola levou um padrinho. De braço dado com o IAC, fui padrinho da EB1 Frei Luís de Sousa.

Foi bom.

Um amigo meu conhecedor dos meandros daquela casa quis levar-me a visitar a principal sala de sessões. Estava a falar o Ministro das Finanças, disseram-nos. O meu amigo travou-me logo o passo com receio... "Foge que o tipo ainda nos rouba a carteira!"

sábado, 19 de novembro de 2011

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS PÊRO DA COVILHÃ



Muita meia sola levo gasta a dizer poemas, contar histórias elevar os meninos e os jovens deste país a ganharem gosto pela leitura.

Há muito que fazer ainda. Muita pedra a partir. Muito boa vontade a incentivar. É necessário não deixar que o trabalho do PNL e da Rede de Bibliotecas Escolares se esboroe. É indispensável chamar pais e professores, autarcas, políticos e empresários à tarefa urgente de promover a leitura.

Porque o nosso país só mudará quando se tornar num país verdadeiramente leitor. Leitor do seu próprio destino.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

AMIGOS MAIORES QUE O PENSAMENTO



Aqui vai, conforme recebi_

Projecto “Amigos Maiores que o Pensamento”

I

Tempos de borrasca invadem-nos a alma!

Ainda assim, cada pedaço, cada fresta do nosso imaginário comum
continua, teimosamente, a esvoaçar ao encontro dos desafios que
geram o nosso descontentamento.
Por rotas seculares, em ladeiras escorregadias, palmilhando carreiros
de esperança… por todas as formas de andar de cabeça erguida… a
humanidade tem vindo a calcorrear, pedra a pedra, calçada a calçada, o
devir de um novo mundo.
Foi com essa inquietação, com essa incessante busca do homem livre,
que o Zeca e o Adriano se alistaram em combate…

II

Sabemo-lo e orgulhamo-nos disso: José Afonso e Adriano Correia de
Oliveira foram exemplos de cidadania política, cultural e social. Tinham
uma capacidade de intervenção indiscutível que, ainda hoje, pode e
deve servir de estímulo para todos quantos não abdicam das causas da
liberdade e da dignidade humana.
Conscientes de que a intervenção activa e intencional deve ser parte
indissociável da vida, Zeca e Adriano nunca deixaram de ser militantes a
tempo inteiro nas causas em que acreditavam, sempre com espírito de
solidariedade, de generosidade, da vida colectivamente partilhada.
Fizeram das cantigas os hinos de que precisávamos para melhor
falarmos dos nossos anseios e aspirações, para lutarmos por uma
sociedade livre e verdadeiramente democrática.
A concretização dos nossos sonhos é diariamente ameaçada e sentimos
bem real e concreta a necessidade de manter desfraldadas ao vento as
bandeiras que ergueram. Queremos que a postura e a mensagem
destes e de outros homens amigos maiores que o pensamento - sejam
cada vez mais conhecidas e que continuem a servir-nos de inspiração
nos caminhos da nossa luta colectiva. Com Zeca e Adriano reafirmamos:
há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não!



III

Num tempo que nos exige respostas firmes, o projecto AMIGOS
MAIORES QUE O PENSAMENTO pretende contribuir activamente para a
divulgação da vida e obra destes homens, não numa perspectiva
saudosista, porque percebemos a necessidade de redefinir e
diversificar as formas de acção, mas como ponto de partida consensual:
a cultura é uma arma e o legado cívico e cultural que nos deixaram estes amigos são
exemplo e estímulo para a estrada que temos de percorrer.
Em 2012, faz, respectivamente, 25 e 30 anos que José Afonso e Adriano Correia de
Oliveira decidiram pegar na trouxa e zarpar. Usemo-los como pretexto de celebração
propulsor da convergência necessária entre todos os que vieram por bem e quiserem
lutar por um mundo melhor, porque é tempo de ir para a rua gritar!
Cantos velhos, cantos novos; lutas velhas, lutas novas… Unidos pelos tons maiores
dos nossos sonhos, pelo arco-íris da diversidade, estaremos juntos e não nos
deixaremos esmorecer… mesmo quando os ventos não prestem ou as marés não
convenham.
Em 2012, juntos seremos, como o foram e sempre serão o Zeca e o Adriano, AMIGOS
MAIORES QUE O PENSAMENTO!

Novembro de 2011


Projecto “AMIGOS MAIORES QUE O PENSAMENTO”

ABC-Piano Bar, S.Mamede de Infesta - Matosinhos
ABRIL- Associação Regional para a Democracia e o
Desenvolvimento, Lisboa
A Presença das Formigas, Porto/Vila do Conde
Associação Cultural Convento de San Payo, V. N. Cerveira
Associação 25 de Abril (delegação norte), Porto
Associação Casa da Achada – Centro Mário Dionísio, Lisboa
Associação Cultural A Cadeira de Van Gogh, Porto
Associação Cultural "Saco de Gatos" - Gato Vadio, Porto
Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto
Associação José Afonso (núcleo do norte)
Associação José Afonso (núcleo região de Aveiro)
Associação "Os Carrilanos", Castrelo do Val, Ourense/Galiza
Bar SVBVRA, Braga
Blog "Diário de Felgueiras"
Café Marinhos, Porto
Café Pedra Nova, Porto
Café Cultural, Senhora da Hora - Matosinhos
Casa do Povo da Longra, Longra-Felgueiras
Casa Viva, Porto
Centro Artístico, Cultural e Desportivo Adriano Correia de
Oliveira, Vila Nova de Gaia
Centro de Música Tradicional - Sons da Terra, Sendim -
Miranda do Douro
Chamaste-m’ó? Porto
Círculo de Arte e Recreio, Guimarães
Colectivo "Xestal", Galiza/Portugal
Colectivo "Zeca Afonso", Galiza/Portugal
CulturDança- Escola de Danças, Vila Nova de Gaia
Cultureprint-Cooperativa Cultural, Porto
De Outra Margem, Galiza/Portugal
do Imaginário Associação Cultural, Évora
d'Orfeu Associação Cultural, Águeda
Doze Arte Livre Grupo de Teatro, S. Mamede de
Infesta - Matosinhos
Alagamares-Associação Cultural, Sintra
Associação Cultural e Recreativa "As Formigas de Macieira",
Macieira da Lixa.
Duo "Xico de Carinho/Humberto Herédia", Galiza
Enfarte - colectivo de intervenção artística, Barcelos
EsferaNegra - Associação Cultural , Barcelos
Fundação Escultor José Rodrigues, Porto
Galeria Porto Oriental, Porto
Gentalha do Pichel, Santiago de Compostela, Galiza
Grupo "Canto D´Aqui", Braga
Grupo Coral Canto Décimo, Ovar
Grupo Musical "Rolada Infantl", Galiza
Grupo Coral Vox Populi, S. Pedro da Cova
Honeysound, Barcelos
Jornal " Mudar de Vida", Lisboa
"mc" - Mundo da Canção, Porto
Movimento "Precários Inflexíveis", Portugal
Oficina de Teatro de Almada - Associação, Almada
Orfeão de Matosinhos
Origem Tradicional (secção de música folk/tradicional do Grupo
Cultural de S. Mamede Este - Braga)
Palmilha Dentada- Companhia de Teatro, Porto
Projecto Carl Orff - Educação Musical, Matosinhos
Projecto Cultura e Cidadania, Mira.
Projecto "Uma Vontade de Música", Porto
Roda:Mola - Teatro Infantil e de Marionetas de Barcelos
Sapato 43 - Associação Cultural para a Construção do
Conhecimento pela Arte, Porto
Seiva Trup- Teatro Vivo, Porto
Sindicato dos Professores do Norte
Site - StreetArt, Portugal
Sment - Plataforma Artística, Barcelos
Sociedade Cultural “Na Virada” , Cangas do Morrazo - Galiza
Tane Timor-Associação Amparar Timor, Porto
Teatro Art’Imagem, Porto
Teatro Ensaio, Porto
Terra Viva - Associação de Ecologia Social, Porto
Tertúlias Itinerantes, Felgueiras
Unicepe - Coop. Livreira de Est. do Porto, CRL, Porto
Lefre de Caldereta - Asociación Cultural - Ferrol, Galiza
Loja do Júlio - Livraria , Guimarães
Entidades subscritoras do projecto:
amigosmaiores@gmail.com

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

NOVO LIVRO DE MIGUEL REAL


Um dos escritores que mais aprecio e admiro entre os que têm aparecido nos últimos 10/12 anos é o Miguel Real. Foge dos projectores. Não frequenta as luzes Não se pretende Pop-star da literatura. Escreve apenas. E muito bem.

Já nos cruzámos várias vezes e fomos construindo amizade e cumplicidade em torno da escrita.

O Miguel é um belíssimo escritor e um excelente ser humano. O que é que podemos querer mais?



Dia 15 é o lançamento do seu novo romance "A GUERRA DOS MASCATES". É-me impossível estar lá. Mas peço aos meus amigos que apareçam e me representem bem.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

EVA ou A HISTÓRIA DE DUAS EVAS

A Margarida Botelho conta histórias. Mas as suas histórias não são o ponto de chegada. São um ponto de partida, um caminho que ajuda a crescer, a pensar, a inventar, a voar.

Os seus livros resultam de um trabalho levado a cabo em conjunto com meninos. O que interessa não é apenas que eles leiam e naveguem na narrativa. O que interessa e que eles aprendam a ser. Por isso a Margarida lhes propõe partilhar o melhor de si própria e o melhor da sua arte.

Com ela não se trata de competências. Trata-se de respiração.

Ouvi-a há dias contar as suas viagens e o seu trabalho num campo de refugiados africanos em Moçambique, numa favela brasileira, no meio da Amazónia ou na Índia.

Histórias vividas até ao osso. Transformadas em num livro chamado EVA que conta duas Evas, uma europeia, outra africana.

Uma que tem água para tomar banho, escolas com carteiras e livros, computadores que a põem em contacto com o mundo.

Outra que tem de andar 10 Kms para arranjar água, uma única sala de aulas para muitos muitos meninos, com chão e uma janela, um único professor e um único livro para todos aqueles meninos, e um velho contador de histórias que a põe em contacto com o mundo fantástico das palavras e das histórias.

De tudo isso resultou este filme delicioso. É fácil de fazer e junta simplicidade e altíssima qualidade.

E ler ou dar a ler é isso mesmo, uma urgência, uma partilha, um mergulho na maravilha, uma aposta na grande qualidade, aquela que vai até ao osso.

sábado, 5 de novembro de 2011

PRECISAMOS DE LITERATURA E NÃO DE RESUMOS



Precisamos de literatura como de pão para a boca. Para ser. Para crescer. Para voar.

Dizia noutro dia a minha amiga Margarida Botelho que "A leitura é a didáctica dos afectos". Estou de acordo.

Mas ler é duro, por vezes. E bom. É muito bom esta descoberta da palavra e da sua força carnal, telúrica, transcendente.

Tenho a certeza de que fazer reduções, resumos ou caricaturas das grandes obras para que as crianças se vão "habituando", é um caminho perverso, espertalhote e safardanas.

Que me desculpem os confrades da escrita que resumiram grandes obras para os meninos se irem "habituando" aos "Maias", ao "Auto da Barca do inferno", às "Lendas e Narrativas", ao "Memorial do Convento", etc etc.

Este caminho esquece que as grandes obras da literatura não são só a narrativa que contêm. Literatura é linguagem, mergulho na palavra, escrita que serve para narrar uma história.

Os meninos que ficam a saber a história dos Maias não ficam a conhecer o sumo, o desenvolvimento da frase, o uso brilhante do adjectivo, a festa da língua em que Eça era mestre.

Saber apenas uma história é curto e perigoso. Permite até que as crianças pensem que já não precisam de ler os "Maias" porque já sabem a história.

Mais idiota ainda é transformar os "Maias" em gatos e coisas tão destravadas como esta que já vi. É transformar alta culinária em comida de fast food.

Não podemos baixar a exigência neste campo.

Não acredito que quem se habitue à fast food passe um dia a gostar de chanfana, arroz de lingueirão ou feijoada à transmontana. Por isso também sempre achei que habituar as crianças a lerem obras menores e redutoras as leve algum dia a gostar das grandes obras com tanto de complexidade como de capacidade para nos maravilharem de forma única.

Desconfio ainda que os professores, editores e outros que gostam muito destes resumos e caricaturas que vou encontrando por algumas Bibliotecas Escolares, são pessoas que nunca leram os originais e que lá no fundo, no fundo, não gostam mesmo de ler.



Quem lê escreve-se a si próprio.

Quem gosta de ler, a sério a sério, quem ama os clássicos, leva aos seus meninos essa paixão, dá-lhes chaves para entrarem nessa festa intensa e saborosa, das obras que muito acrescenta à nossa humanidade e que nos foram deixadas por Cervantes, Eça, Melville, García Marquez, Hemingway, etc, etc, etc

Ler é bom e só quem gosta de ler é capaz de passar o vício aos outros. Esta parece-me ser a questão fundamental.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

LICÍNIA QUITÉRIO

Já aqui tenho falado desta bela poeta que é a minha amiga Licínia Quitério. Aqui vai um textinho que ela publicou no Facebook. E, já agora, para quem goste de poesia é indispensável vivitar o seu blog O SÍTIO DO POEMA



‎"Não, não está escuro. Caminha de olhos fechados. Não tenhas medo. Sente a terra debaixo dos pés. Vai em frente, devagar. Não abras os olhos ainda. Sim, cheira a água do rio. E a ervas também. Continua. O rio não está no teu caminho. Ouves? As rãs. Ouves? As cigarras. Não, não pares. Não abras os olhos. Não tenhas medo. É bom, não é? Quando eu disser, só quando eu disser, abre os olhos. Espera um pouco. Caminha devagar, assim. Agora! Abre os olhos!".

Foi quando a luz das estrelas iluminou o caminho, as árvores, a prata do rio. O escuro ficou lá atrás, nos olhos cegos de outras luzes. Ainda hoje, passada que foi a foz do rio, há uma voz no escuro a dizer: "Fecha os olhos. Vai em frente. Sente a terra." Depois é só esperar pela ordem: "Agora! Abre os olhos." E a luz das estrelas volta a iluminar a estrada, limpos os olhos da cegueira dos dias.

sábado, 29 de outubro de 2011

"LUSCO-FUSCO" de CRISTINA CARVALHO



A minha amiga Cristina Carvalho, essa mesmo, a filha do poeta António Gedeão, a Cristina que escreveu dois livros deliciosos "O gato de Upsala" e "Nocturno" (que tem Chopin como personagem principal, acaba de publicar um novo livro: "LUSCO FUSCO".

É um livro cheio de fadas, e até salamandras. Uma delícia. De lamber os beiços. E, ainda por cima, é daqueles livros para todas as idades. E com aquela escrita doce e envolvente que a Cristina nos oferece.

Conclusão: de que é que estão à espera? Faz favor de o lerem depressa.


quinta-feira, 27 de outubro de 2011

ILUSTRADORES - MARTA TORRÃO



Volto aos meus amigos ilustradores com a Marta Torrão. formada em ilustração pela escola ARCO e que recebeu o Prémio Nacional de Ilustração em 2004.



Encontro desenhos e ilustrações e desenhos da Marta um pouco por toda a parte do meu caminho ligado aos livros.

Ilustrações de livros infantis, cartazes, desdobráveis. As suas ilustrações têm dado cara às campanhas de leitura da Câmraa Municipal de Lisboa. E &.



Há qualquer coisa de lúdico, de quem se diverte muito a fazer o seu trabalho, tal e qual uma criança se diverte a lançar balões de sabão ao ar.

Só que estes balões, esta aparente simplicidade ternurenta dos seus desenhos, nós sabemos que dão muito trabalho e exigem uma entrega enorme ao seu belo ofício que todos agradecemos e apreciamos.



segunda-feira, 24 de outubro de 2011

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

TEATRO JANGADA

Há coisas boas no Facebook. Não sou viciado mas por vezes sabe bem receber notícias de longe no espaço ou no tempo.

É o caso desta fotografia. 25 de Abril de 2008 (creio eu). Naquele auditório Municipal foi bonita a festa, pá... Muito bonita.

E aqui estamos, o Zé Jorge Letria, o Samuel, eu e o Teatro Jangada de Lousada.



Tenho ouvido dizer que a cultura vai levar muitos cortes.É o costume. E é natural. As nossas elites dirigentes há séculos que, com raras excepções, primam pela falta de qualidade humana, técnica e cultural. Pensam pequenino.

Estas elites não sabem ou evitam lembrar que hoje em dia as chamadas indústrias culturais correspondem a 10% do PIB.

Mesmo que o PIB se acabe e o governo vá de férias, mesmo que passemos a pagar mais do que ganhamos para ter o direito a trabalhar,mesmo que os orçamentos se transformem em buracos e os buracos em orçamentos, mesmo que com o nosso esforço colectivo consigamos salvar os BPP'ês e outros não sei quês, mesmo que o país feche para obras, a cultura continuará como espaço de reflexão, de indignação e, às vezes, até de luta.

"Não há machado que corte a raiz ao pensamento..." Lembram-se?

Por isso devemos lembrar estes grupos que persistem pelo país fora mantendo de pé o amor ao teatro. E devemos sublinhar o esforço de algumas autarquias que continuam, com maior ou menor esforço, a manter o seu apoio a uma vivência cultural consistente
e frutífera.

domingo, 16 de outubro de 2011

BORIS VIAN E A INDIGNAÇÃO

Num tempo de indignação vale a pena lembrar um grande e admirável indignado: BORIS VIAN.

Boris Vian foi Engenheiro Químico, trompetista de Jazz, romancista ("O Outouno em Pequim", "Espuma dos dias", etc), inventor da Patafísica, poeta, autor de canções como LE DÉSERTEUR.


Monsieur le Président
Je vous fais une lettre
Que vous lirez peut-être
Si vous avez le temps
Je viens de recevoir
Mes papiers militaires
Pour partir à la guerre
Avant mercredi soir
Monsieur le Président
Je ne veux pas la faire
Je ne suis pas sur terre
Pour tuer des pauvres gens
C'est pas pour vous fâcher
Il faut que je vous dise
Ma décision est prise
Je m'en vais déserter
Depuis que je suis né
J'ai vu mourir mon père
J'ai vu partir mes frères
Et pleurer mes enfants
Ma mère a tant souffert
Elle est dedans sa tombe
Et se moque des bombes
Et se moque des vers
Quand j'étais prisonnier
On m'a volé ma femme
On m'a volé mon âme
Et tout mon cher passé
Demain de bon matin
Je fermerai ma porte
Au nez des années mortes
J'irai sur les chemins
Je mendierai ma vie
Sur les routes de France
De Bretagne en Provence
Et je dirai aux gens:
Refusez d'obéir
Refusez de la faire
N'allez pas à la guerre
Refusez de partir
S'il faut donner son sang
Allez donner le vôtre
Vous êtes bon apôtre
Monsieur le Président
Si vous me poursuivez
Prévenez vos gendarmes
Que je n'aurai pas d'armes
Et qu'ils pourront tirer

E aqui, Serge Reggiani canta LE DÉSERTEUR antecdedido por um belíssimo poema de Rimbaud

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

WOODY GUTHRIE

Vale a pena recordar figuras cujo nome se vai apagando na poeira do tempo.

W0ody Guthrie, que em plena 2ª Guerra Mundial escreveu na viola "This machine kills fascists", foi um excepcional cantor folk americano que correu o seu país a cantar apoiando lutas sociais e sindicais e que é considerado grande inspiração para outros cantores como Bob Dylan, Pete Seeger ou o grupo Peter Paul and Mary.

A canção que aqui fica, "This land is your land", é hoje cantada pelos meninos de muitas escolas ao território americano

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

RTP MEMÓRIA, DIA 14, 19H00

SEXTA FEIRA, DIA 14, DAS 19H00 ÀS 20H00

ESTAREI NA RTP MEMÓRIA

NUM DIÁLOGO BEM DISPOSTO COM A MARIA JOÃO GAMA

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

ILUSTRADORES - GÉMEO LUÍS



Gémeo Luís nasceu em Lourenço Marques em 1965. Professor na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e na Escola Superior de Artes e Design.



Gémeo Luís tem-nos oferecido um trabalho de poesia plástica. Por vezes parece que as suas deliciosas ilustrações voam do texto e ganham autonomia num mundo de delicadíssima magia. No entanto, o texto está sempre presente em referências diáfanas e encantatórias.



Um livro do Gémeo Luís é sempre um prazer para a vista que cumpre a dupla função de objecto de leitura e de prazer visual.


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

GATO GATAFUNHO



A minha querida amiga Ana Paula Faria criou uma chancela editorial que tem vindo a ganhar cada vez mais prestígio entre pais e educadores preocupados com a pro moção do livro e da leitura.

No sábado inaugurou uma livraria no Centro Comercial do Chiado (entradas pela Rua da Misercórdia ou/e pela Rua Nova da Trindade).

Foi uma festa bonita que juntou as caixinhos cheias de histórias do Delphim Miranda, as canções do Pedro Branco, os poemas do moçambicano Elmar Goçalves, as histórias fantásticas e delirantes do argentino Rudolfo Castro & etc.

A Loja de Livros GATAFUNHO é um espaço pequenino e mágico, com um catálogo de perder a cabeça de livros para o público infantil, e que vai ter actividades para crianças todos os sábados pelas 15h30. E está ainda disponível para visitas de escolas e grupos de crianças.

O melhor contacto é o do Facebook: GATAfunho loja de livros.

Na inauguração lançámos um desafio a poetas, escritores, fotógrafos, artistas plásticos & etc para desenharem um gato ou escreverem um pequenina história com um gato e enviarem para a GATAFUNHO. A Ana Paula Faria fará perto do Natal uma espocição desses trabalhos.

Bora, pessoal, vamos atirar-nos ao GATAFUNHO!