terça-feira, 27 de março de 2012

ESCREVER NÃO É TRABALHO (?)



O nosso país tem-se destacado internacionalmente por jogadores e treinadores de futebol, mas também pelos escritores como José Saramago, Lobo Antunes, arquitectos como Siza Vieira ou Souto Moura, pintores como Paula Rego, cientistas... Mas não por gestores de empresas, economistas, ministros, comentadores políticos, críticos literários, nem por aqueles que nos dirigem e governam (embora alguns governem tão mal que até têm prémio.

Alexandra Lucas Coelho é uma excepcional jornalista que já nos ofereceu vários livros de crónicas de viagem no Afeganistão, no México, no Egipto durante a revolução e que acaba de publicar o romance "E a noite roda".

Escrevia na sua crónica de 18 de Março na P2 do Público:

"O tempo dos gestores é dinheiro, como o dos canalizadores, mas quem escreve não paga luz, não tem fome, não tem família, não precisa de seguro, de segurança social, nem, mais à frente, de pagar o funeral.

Em Portugal, poetas e prosadores são certamente tão ricos que não precisam de ser pagos quando vão daqui para ali, e fazem textos para colóquios, para revistas, para jornais, e são chamados para debates, para badanas, para prefácios - montras, em suma, em que se podem mostrar e de que portanto beneficiam. O que escrevem não tem preço e o tempo deles não se mede.

Cada vez que alguém acha natural não pagar a quem escreve está a dizer que a literatura é acessória, e a contribuir para que ela desapareça."

Não podia estar mais de acordo com ela.

domingo, 25 de março de 2012

A POBREZA DE VIVER APENAS O PRESENTE



Sigo impreterivelmente as crónicas do meu amigo dr. Daniel Sampaio ao domingo no Público. As suas palavras ajudam-me a pensar, a arrumar e a dar sentido às experiências vividas, a sublinhar ou interrogar convicções próprias.

Respigo o último parágrafo da sua crónica de 18 de Março em que recorda momentos da sua juventude em Sintra onde o pai exercia medicina.

"Fiquei a pensar como deve ser triste e redutor viver um dia depois do outro, sem nada para recordar, sem memórias para partilhar. Como deve ser pobre querer viver apenas o presente, sem âncoras numa história de vida. Como por vezes encontro por aí, naquelas pessoas que riem todo o tempo, nos querem fazer crer que a vida são dois dias e nos inundam de piadas de mau gosto."

segunda-feira, 19 de março de 2012

EB23 Dr. RUI GRÁCIO EM MONTELAVAR



Uma festa foi como fui recebido na Biblioteca Escolar da EB23 dr. Rui Grácio com representação de textos meus feita de forma invulgarmente criativa para o que é normal nos trabalhos escolares.

Quer isto dizer que se serviu de forma muito séria a promoção da leitura e do livro.



Um grupo de meninos empenhados, motivados, divertindo-se e espalhando alegria, recriação da palavra e uma bela capacidade de invenção plástica.

Um mimo.

sexta-feira, 16 de março de 2012

BIBLIOTECA JOSÉ FANHA NA EB1 DA SAPATARIA



Tenho um tremendo orgulho em contar com mais uma Biblioteca Escolar a que foi dado o meu nome. Desta vez a da EB1 de Sapataria, Sobral de Monte Agraço.

Estas são imagens da inauguração com o Sr. Presidente da Câmara Municipal e a presença amiga e honrosa da Dra. Teresa Calçada.



Já existem as Bibliotecas Escolares José Fanha na EB 23 da Venda do Pinheiro, Mafra, EB23 de Pombais e EB 1 do Olival Basto em Odivelas, a EB23 Mestre Domingos Saraiva do Algueirão e EB1 nº3 do Cacém em Sintra e agora a da Sapataria.

Sou ainda padrinho de mais duas Bibliotecas, a EB1 de Lousa em Loures, e a EB1 de Areia em Vila do Conde.

Para o trabalho que tenho vinda a fazer como escritor e divulgado de histórias e poesia, é uma grande felicidade saber que~este trabalho é útil e que o meu nome, desculpem a imodéstia, se vai tornando num ponto de referência no que diz respeito à leitura e à sua promoção.

Neste percurso é importante sublinhar o apoio e a cumplicidade das editoras que têm publicado os meus livros na área infanto-juvenil,nomeadamente a Terramar, a Texto e, sobretudo, a Gailivro,.

Estamos na mesma luta com o PNL, a Rede de Bibliotecas Escolares e muitas autarquias no sentido de fazer com que o nosso país mude os seus hábitos de leitura, vença a batalha contra a iliteracia e se aproxime um pouco mais dos países mais desenvolvidos nesta área.

quarta-feira, 14 de março de 2012

EB23 PADRE ALBERTO NETO



É para mim uma grande incógnita perceber porque é há escolas bem organizadas, dinâmicas, com trabalho de grande criatividade como é o caso da EB23 Padre Alberto Neto em Rio de Mouro, Sintra, e outras em que sem uma razão evidente, as pessoas estão desmotivadas, a desorganização reina, as guerrilhas de pelouros e galarotes campeiam, a educação é descurada, o cumprimento estrito dos programas torna-se numa religião bacoca.

Aqui comecei por ser recebido por vários professores entre os quais os Profs. Carlos Pinheiro e João Simões, o diretor, que me apresentou aos meninos que me brindaram com uma excelente exibição musical a partir de um poema meu.



Há escolas e professores para quem a promoção da leitura é um adereço dispensável. Outras e outros como é o caso para quem a leitura é um esteio fundamental do ensino, das humanidades, da ciência e do civismo



São escolas destas que me dão a felicidade de sentir que o meu trabalho é útil a professores e alunos.

Bem hajam por isso.

domingo, 11 de março de 2012

PÁSSAROS PEIXINHOS E UM CAVALO QUE NÃO APARECEU



Há escolas assim, onde a leitura é uma festa e o escritor é um amigo tratado com ternura e encanto.

Foi inesquecível a visita a esta Escola, EB1 da Estação do Agrupamento de Valis Longa, Valongo.

Professoras como a minha amiga Teres Queirós, e várias outras, a Xana, a Célia, a Ana, a Alzira, receberam-me com uma escola cheia de pássaros, peixinhos, sei lá que mais.




E depois, nas escolas, aparecem estes retratos mais ou menos delirantes em materiais também muito diversos. E são tão divertidas as formas que o meu bigode espanador vao tomando...



Entretanto, um menino descobriu um erro grave numa história minha. Em "A Princesa dos pêlos de ouro", o Príncipe percorre o seu país à procura de uma noiva. E nunca se fala do cavalo! História de Príncipe tem de meter um cavalo, protestou o menino.

E a Escola fez um cavalo para que eu não me esqueça. Agora, acho que tenho de escrever a história do cavalo que o escritor deixou no tinteiro.

quinta-feira, 8 de março de 2012

POESIA & ETC NA EB23 ANTÓNIO SÉRGIO DO CACÉM



A EB23 António Sérgio é uma escola da qual já faço um poucochinho parte da mobília "poética".

Há anos que participo na notável Maratona de Poesia organizada com um empenho excepcional pela Professora Graciete com o apoio de outros colegas, auxiliares educativos e alunos que aderem a esta iniciativa de forma entusiástica.



Desta vez não foi a Maratona mas fomos trocar poesia e histórias.

Fico muito feliz quando o meu trabalho serve para ajudar os meninos a crescer olhando para o mundo com olhos diferentes, com asas mais fortes e mais doces.

Às vezes recebo prendas. Às vezes prendas muito invulgares como esta feita pela Professora Belmira Correia e pelos seus alunos. Bem hajam.


segunda-feira, 5 de março de 2012

LER AS ÁRVORES



“Aprendemos alfabetos e não sabemos ler as árvores.”

Erri de Luca, “Três cavalos”

sábado, 3 de março de 2012

COLÉGIO MILITAR - 209 ANOS


Faz hoje 209 anos o velho Colégio Militar onde passei 7 anos da minha vida. Dos 10 aos 17. De 1961 a 1968. Da Invasão da Índia e do começo da Guerra Colonial e do desvio do Santa Maria e do assalto ao Quartel de Beja , tudo acontecido em 1961, até 1968 o ano do esplendoroso Maio de Paris, dos Beatles, dos hippies, do Make Love not war, da grande explosão de criatividade juvenil um pouco por todo o mundo.

Foi um tempo que mexeu com todo o mundo e a que eu e os meus camaradas, íamos assistindo conforme a censura permitia, com os nossos olhos de peixes a nadar apertados dentro do pequeno aquário chamado Portugal.

Foi um tempo em que passei de menino a rapaz, pré-adulto. Em que descobri também a festa que é a poesia e em que aprendi o valor incontornável de palavras como: dignidade, camaradagem e liberdade.

Há quem critique muito o sistema de ensino do Colégio Militar. Não vou aqui discutir a questão. Mas gostava de lembrar alguns dos que por lá passaram e que são pelo menos um emblema que atravessa décadas e décadas de uma das mais antigas instituições portuguesas.

E cá vai meia dúzia: Abel Botelho (romancista), Raúl Ferrão (autor do "Coimbra" e do "Lisboa não sejas francesa" entre centenas de canções), Júlio Dantas, Tomás Alcaide, António Sérgio, Francisco Costa Gomes, Eduardo Lourenço, Artur Semedo, Rão Kyao...

E muitos mais poderia citar. Mas fico-me por duas fotografias desse tempo em que fui jovem num país velho que depois rejuvenesceu e agora anda meio taralhouco a bater com a cabeça nas paredes. Mas isto tem remédio. Lá chegaremos.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

HOMENAGEM A DUDA GUENNES

DIA 2 DE MARÇO, 18H00, NA SPA



Na minha vida tenho tido a sorte e o atrevimento necessário para me cruzar e tornar amigo de pessoas pelas quais nutro grande admiração e simpatia, pessoas de quem me tornei parceiro de causas diversas, de letras, de palcos, de sonhos, sei lá.

Cruzei-me muito com gente dos jornais, da literatura, do teatro e do cinema, da noite e da boémia lisboeta.

Um deles foi o Duda Guennes. Amigo companheiro de escritas, de rebeldias e de ideais. Brasileiro a estabelecer a ponte entre a liberdade de cá e de lá. Jornalista de "A BOLA" onde publicava há cerca de 30 anos a coluna "MEU BRASIL BRASILEIRO".

Era ainda do tempo em que a imprensa desportiva tinha uma qualidade invejável. Sobretudo "A BOLA" por onde andavam o Pinhão, o Víctor Santos, o Homero Serpa... Gente de alto coturno que levava a profissão muito a sério.

Tenho saudade das conversas escaganifobéticas, desarrumadas, deliciosas, que tinha com o Duda quando calhava encontrá-lo.

E lembro as notícias notáveis que nos trazia do Brasil a propósito do futebol.

Aqui vai uma:

"Um dirigente do Botafogo censurava o jogador chamando-o de boémio por suas constantes incursões nas noites cariocas. Garrincha negava mas o dirigente insistia na acusação:
- Você já foi visto várias vezes em boates e quem frequente boates é boémio.
- Por isso, não - defendia-se o Mané Garrincha - O senhor também já foi visto várias vezes em velório e não é defunto."

O Duda foi-se embora em Setembro passado e os que têm saudades dele vão lembrá-lo e homenageá-lo e relembrar alguns dos seus textos no próximo dia 2, às 18h00 na SPA.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A NOTÍCIA DA POESIA


“A poesia também são notícias que você dá às pessoas de pequenos factos. Não é: destruíram as torres gémeas, não é grandes notícias, não. A notícia da poesia é essa: fui assaltado por um jasmineiro no jardim da casa da Cláudia.”

Ferreira Gullar, O Público. 19.09.2010

E acrescento eu que se não for a poesia, o boca a boca, o beijo a beijo, quem pode dar-nos notícias, hoje que jornais e televisões estão tão perdidos em negócios de nos obscurecer o coração?

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

ZECA - UTOPIA

Cá estamos, longe da Utopia mas perto das tuas palavras, Zeca.
A sonhar.
Cheios de saudade. Mas teimosos. Como tu eras.
A falar sempre e sempre da Utopia.

A utopia, Zeca

Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
Gente igual por fora
Onde a folha da palma
afaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo, mas irmão
Capital da alegria

Braço que dormes
nos braços do rio
Toma o fruto da terra
É teu a ti o deves
lança o teu desafio

Homem que olhas nos olhos
que não negas
o sorriso, a palavra forte e justa
Homem para quem
o nada disto custa
Será que existe
lá para os lados do oriente
Este rio, este rumo, esta gaivota
Que outro fumo deverei seguir
na minha rota?

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

EB1/JI MIRATEJO



A visita a uma escola está normalmente repleta de surpresas. Aqui um palco muito decorado com uma grande caricatura ao meio e uma representação teatral sobre as histórias dos já famosos e terríveis pássaros Bisnaus, neste caso "O DIA EM QUE O MAR DESAPARECEU"



Ver um escritor ao vivo e conversar com ele sobre os seus livros, a sua profissão, a sua vida, os seus filhos, é muitas vezes um incentivo importante à leitura.



Ser professor é duro nas muitas voltas que o nosso ensino tem levado bem como as alterações aceleradas que a nossa sociedade sofrido.

Os professores cometem erros. Ah! Pois! Têm por vezes práticas questionáveis. Nada para estranhar. Mas também é verdade que eles cumprem um papel fundamental na instrução e na educação dos nossos meninos. Alguns bastantes são muitos bons na sua profissão, outros não tanto assim, alguns escolheram a profissão errada. Mas todos, todos eles precisam de sentir apoio, amizade e respeito.

Gosto deles. Todos. Ou quase. Somos parceiros na mesma aventura. bem hajam.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

CARNAVAL NA EB1/JI da ERICEIRA

Talvez eu pudesse dizer que a leitura nos permite inventar um Carnaval durante o ano inteiro. E se calhar é verdade. A festa de ler permite-nos sonharmo-nos piratas e princesas, bruxas e fadas e tudo, tudo o mais. Até nos permite saber melhor quem somos.



E que palavras se podem pôr em imagens como esta?



Até as bruxas lêem. Senão, onde iriam encontrar a receita dos feitiços?



Um caranguejo de quem fiquei amigo logo à primeira vista.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

A ESCRITA COMO ATREVIMENTO

"Ali a realidade não sabia o que fazer e andava à solta, à caça de autores que se atrevessem a contá-la."

Tomás Eloy Martinez, “O Cantor de tangos”


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

EB23 Dra. MARIA ALICE GOUVEIA - COIMBRA

Continuo hoje esta viagem pela passagem por Coimbra. Agora as recordações da EB23 Dra. Maria Alice Gouveia. Recordações calorosas com a apresentação de vários trabalhos de fantoches doa alunos a partir de histórias minhas.

Como é natural fico muito feliz por contribuir com histórias e poesia para o interesse dos meninos pela leitura e pela escrita.



Num momento da fantástica história "A MULHER ESQUELETO", conto tradicional esquimó que um dia ouvi ao extraordinário contador Tim Bowley em Beja.



Histórias, poemas, palavras que nos levam à emoção e ao incentivo à leitura.



Uma apresentação de fantoches sobre "A NAMORADA JAPONESA DO MEU AVÔ" que tem sido uma história muito bem recebida e por vezes com bastante emoção pelos meninos das escolas onde passo.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

PORQUE TE ZANGAS?



“Porque te zangas? – disse Kerbalai agarrando a barriga com ambas as mãos.

- Tu és Pope (sacerdote ortodoxo), eu sou muçulmano, tu dizes: tenho fome. Eu dou-te de comer… Só o rico é que distingue qual Deus é meu e qual Deus é teu, mas para o pobre é igual.”

Antón Tchekhov, “O Duelo”

domingo, 12 de fevereiro de 2012

QUINTA DAS FLORES - COIMBRA

Há escolas onde se sofre em parte porque o projecto de crescimento e aprendizagem azedou numa multiplicação de funções mal estruturadas, naufragou num mar de burocracia, enviesou-se numa cegueira pedagógica de onde foi afastada a paixão de aprender e ensinar.

Há escolas onde os problemas se multiplicam. Outros onde se descomplicam.

Aconteceu-me visitar recentemente duas escolas em polos quase opostos do espectro social. A EB1 nº 50 da Zona J em Chelas, Lisboa, e a EB1 da Quinta das Flores em Coimbra. As fotos são desta última.

A semelhança é que em ambas encontrei professores apaixonados pelo seu trabalho e alunos desejosos de entender o mundo e, comigo, em especial, o mundo da escrita e da leitura.

As perguntas escritas num quadro para que não sejam esquecidas:



As perguntas são preparadas mas acabam por se multiplicar e só muito dificilmente podem ser todas respondidas:



As respostas:

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O SILÊNCIO DOS BONS

Não sou apaixonado pelo estendal de protestos sobre a forma de mail. Parecem-me muitas vezes uma forma menor de protesto. Uma forma de descarregar raivas e invejas por mais bem intencionadas que sejam.

Recebo muitas coisas dessas e sei que uma percentagem dessas mensagens contêm muitas incorreções, inverdades, insinuações oblíquas, quando não acusações torpes.

Outras contêm verdadeiros gritos de pura indignação que não encontram outro caminho senão esta forma de exercício da liberdade. (Estava tentado a dizer da Santa Liberdade mas ainda acabo acusado de estar completamente fora de moda...)

Estes dados no mínimo curiosos chegaram-me do meu amigo António Vicente, cidadão a tempo inteiro e ser humano de excepcional qualidade.

Presidente dos EUA recebe por ano $400.000,00 (291.290,417 Euros);

O Presidente da TAP recebeu, em 2009, 624.422,21 Euros;

O Vice-Presidente dos EUA recebe por ano $ 208.000,00 (151.471,017 Euros);

Um Vogal do Conselho de Administração da TAP recebeu 483.568,00 Euros;

O Presidente da TAP ganha por mês 55,7 anos de salário médio de cada português.


E como comentário uma citação de um daqueles que é um dos santos da minha vida: Martin Luther King.



"O que mais me preocupa não é o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos ou dos sem ética. O que mais me preocupa é o silêncio dos bons."

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

ÂMBITO CULTURAL NO EL CORTE INGLÉS DE LISBOA



São inúmeras, muito respeitáveis e frequentes as actividades culturais promovidas pelo El Corte Inglés.

Entre essas actividades contam-se vários cursos de História da Música, Cinema, Ideias Religiosas, História de Portugal... E Poesia.

Quem os frequenta não paga nada. As inscrições chegam às 800 pessoas.



Trata-se não de cursos de carácter académico mas de cultura geral. Abrem-se portas para que cada um as transponha e use os conhecimentos adquiridos da forma a completar a sua formação.

Um curso de poesia?, perguntarão. Não se trata bem de um curso mas de uma visita à poesia portuguesa através do texto e da voz. Um espaço amável onde o poema e os afectos se cruzam à margem do bulício da cidade.



O El Corte Inglés praticamente não faz publicidade destes cursos. Mas o público que os conhece acorre em grande quantidade. A responsável é uma bela senhora, a Susana Santos,apaixonada pela poesia e excelente anfitriã.

O trabalho dela e da sua equipa são um exemplo raro para aquelas algumas-muitas empresas e empresários portugueses para quem a cultura ainda é com frequência uma inutilidade descartável.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

SE O MEU TELEMÓVEL VOASSE



Anda aí um concurso. Ideia minha em colaboração com o IAC.

Decorre entre 1 de fevereiro e 31 de maio.

O concurso destina-se aos alunos dos estabelecimentos de ensino público e privado que frequentem os Ensinos Básico, Secundário e Profissional, no ano letivo de 2011/2012. O projeto pretende contribuir para a defesa da não discriminação consignada no artigo 2.º da Convenção Sobre os Direitos da Criança, apelando à criatividade das crianças e dos jovens.

São vários os objetivos que norteiam este concurso, como, por exemplo: Exprimir valores relativos à multiculturalidade e ao direito à diferença; Desenvolver a capacidade de interligação da imagem e da palavra; Adquirir técnicas básicas de construção de um guião para uma história contada por imagens.

Pretende-se que os grupos de alunos constituídos para o concurso desenvolvam projetos criativos com recurso ao telemóvel (fotografia e/ou filme), ilustrando a temática “Direito à Diferença - Eu Mais Tu”, partindo das seguintes orientações:

- 1.º, 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico: Contar uma história através de 6 imagens, fotografias tiradas com telemóvel, unidas por um texto narrativo ou poético complementar.
Não se procura que o texto explique as imagens ou que as imagens ilustrem o texto, mas que se complementem e se iluminem.

- Ensino Secundário: Construir um percurso visual através de um pequeno filme acompanhado por palavras que o iluminem e tornem o seu sentido mais vasto e diverso, a partir de um guião previamente construído.

Para efeitos de uma melhor operacionalização da candidatura são definidos os seguintes escalões:

Escalão A - alunos do 1.º ciclo do Ensino Básico;
Escalão B - alunos do 2.º do Ensino Básico;
Escalão C - alunos do 3.º ciclo do Ensino Básico;
Escalão D - alunos do Ensino Secundário e Profissional.

Do regulamento constam todas as condições de apresentação das candidaturas.

Para consulta do regulamento e mais informações, aceder ao sítio do Instituto de Apoio à Criança - IAC.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O QUE GANHA UM ESCRITOR?



(Alguns autores para a infância e juventude têm feito nas escolas um papel algo semelhante ao que faziam em tempos idos as carrinhas da Gulbenkian que corriam o país até aos mais abandonados recantos. Falo de companheiros que com maior ou menor frequência "andam na estrada" de escola em escola como Luísa Ducla Soares,António Torrado, José Jorge Letria, António Mota, Margarida Fonseca Santos, Sílvia Alves, Margarida Botelho, eu próprio e uns quantos mais)

Tenho verificado em muitas escolas que há algum desconhecimento por parte de professores, alunos e pais quanto ao que ganha um escritor com os livros que publica.

Esse desconhecimento gera por vezes pequenos e grandes equívocos levando a que, na presunção de que os direitos do autor são vastos e farfalhudos, se espera que o escritor esteja disponível a colaborar com as escolas sem nenhum pagamento em troca, como se fosse sua obrigação dar esse apoio que seria suportado, na imaginação de muitos, pelas vendas de livros e fantásticos direitos daí ade-vindos.

Por isso venho esclarecer em nome meu e dos meus companheiros escritores para a infância e juventude que exercem uma função pedagógica importante, percorrendo as escolas de Norte a Sul do país a contar histórias, conversar com os meninos, colaborar com os professores, promover o livro e a leitura:

Direitos de Autor para livros de prosa: 10% da venda ao público

Direitos de Autor para livros ilustrados no meu caso:

1ª hipótese: 8% do preço de venda ao público até que se considerem pagas as ilustrações; 10% do preço de venda ao público depois de estarem vendidos 5 mil exemplares.

2ª hipótese, quando texto e ilustração se equivalem: 5% do preço de venda ao público.

Estes Direitos são pagos anualmente no mês de Abril a seguir a cada ano. Quer isto dizer que os direitos dos meus livros vendidos em 2012 ser-me-ão pagos na melhor das hipóteses em Abril de 2013.

Considerando que o valor médio de venda ao público de um livro para a infância anda entre os 7 e os 10 euros, será fácil fazer as contas e perceber de que valores se fala quando falamos de Direitos de Autor.

É claro que poderíamos vender milhares ou milhões de livros mas há que sublinhar o facto de que Portugal é um país pequeno e, apesar do muito que se está a fazer através do PNL, da Rede de Leite Pública e da Rede de Bibliotecas Escolares, continua a ser ainda o país da Europa onde menos se lê.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

EB1 PAREDE 4

Mais uma visita a uma escola do 1º Ciclo. Levado pela minha amiga Sofia Barros, mãe que colabora intensamente com a escola.

Aproveito para referir a importância da presença dos pais nas escolas. Não como contestantes. Mas também. Sobretudo como colaborantes críticos e cúmplices do processo global de educação dos filhos. Pais que não se demitam do seu papel de educadores e de parceiros da escola.

Noutra escola não muito longe de Lisboa, há uns 15 dias, tinha meninos a dormirem à minha frente enquanto eu contava histórias.

Diz-me a experiência que pode haver duas razões para isto: fome ou falta de sono. Era falta de sono. Havia pelo menos um menino que comprovadamente via televisão no seu quarto até às 4 horas da manhã!

É claro que meninos assim vão ter terríveis problemas no processo de crescimento e aprendizagem.

Todos nós precisamos de crescer e para isso é preciso pensar e questionar comportamentos mesmo aqueles que por vezes parecem maqis óbvios e certinhos e compostinhos.

Mas aqui, nesta escola, viva-se um ambiente saudável. E havia uma biblioteca e, como em muitas escolas, um professor bibliotecário a fazer um trabalho maqnífico.

E aqui vão as memórias visuais:



O Rúben.



O conjunto de meninos mais este menino grande que sou eu.



O Vasco.

sábado, 21 de janeiro de 2012

O ESPAÇO E A MEMÓRIA

Há escolas que guardam memória de si próprias. Essa memória mostra-nos que aquele espaço, aqueles corredores e salas e recreios não estão fechados no presente. Trazem consigo uma história de outras pessoas que ali passaram, o que implica um reconhecimento nobre da sua existência no tempo, uma dignidade resultante dessa validação do espaço escolar.

Andei numa escola antiga de muitos anos. O Colégio Militar. Vai fazer 209 em breve. Por ali passaram nomes respeitabilíssimos. Militares, escritores, músicos. Nomes como Tomás Alcaide, Raúl Ferrão (Autor da famosa canção "Coimbra"), o Marechal Francisco Costa Gomes, Rão Kiao, António Sérgio, Eduardo Lourenço, Artur Semedo...

As paredes guardam secretas memórias que nos infectam quando somos pequenos e estamos a crescer e queremos ter raízes fortes e razões para crescer.


Tenho visitado várias vezes a EB23 Francisco de Arruda, no Alto de StºAmaro, em Lisboa. A minha mãe foi professora de música ali. O director, antes do 25 de Abril era Calvet de Magalhães, um homem do Estado Novo mas também um homem da modernidade das artes.

O espaço desta escola foi alargado e modernizado. Mas felizmente mantiveram uma memória viva dos muitos anos que esta escola já comemorou.

Entre essas memórias encontrei uma velha cabine telefónica onde a minha amiga Lurdes Caria, magnífica professora bibliotecária, me apanhou.