segunda-feira, 27 de agosto de 2012

CHEIRO A SOL



E mais um poema de Manoel de Barros. Ando com ele nos bolsos da memória. Há dias assim, em que a poesia não sai do ninho.




Retrato do artista quando coisa: borboletas
Já trocam as árvores por mim.
Insectos me desempenham.
Já posso amar as moscas como a mim mesmo.
Os silêncios me praticam.
De tarde um som de latas velhas se atraca
em meu olho.
Mas eu tenho predomínio por lírios.
Plantas desejam minha boca para crescer
por de cima.
Sou livre para o disfrute das aves.
Dou meiguice aos urubus.
Sapos desejam ser-me.
Quero cristianizar as águas.
Já enxergo o cheiro do sol.

Manoel de Barros


quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O VERBO TEM QUE PEGAR DELÍRIO



MANOEL DE BARROS vai a caminho dos 96 anos. Grande é o poeta! E vivo! E continua a poetar altamente, creio eu.

Salvé Manoel! Viva a poesia!



No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo
O delírio do verbo estava no começo, lá onde a
criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona
para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele
delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é voz de fazer
nascimentos -
O verbo tem que pegar delírio.

Manoel Lopes


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

AMOR SÓ AMOR


De vez em quando desço - ou subo - aos jornais. Tenho evitado frequentar a informação ou aquilo a que se chama informação em Portugal.

Tenho mais que fazer.

Há coisas muito mais importantes a tratar do que ficar a saber os dislates de quem manda no país, os cursos que não tiraram, as asneiras que dizem nos discursos, as aldrabices descaradas, os roubos, os dinheiros escondidos na Suiça ou noutros sítios com menos vacas, as conversas dos comentadores patarecos que falam em economês, o fim dos casamentos dos jogadores de futebol, as operações plásticas das vedetas de ocasião e mais e mais e mais.

Mas no meio dos jornais, lá nos cantinhos mais esconsos, vou encontrando gente que pensa, que também fala da vida real, de coisas importantes e não das outras tontices de comer e deitar fora.

Falo do António Guerreiro, da Alexandra Lucas Coelho, de Frei Bento Domingues, do Professor Daniel Sampaio, de Ana Cristina Leonardo e mais alguns.

Respigo do artigo de domingo 19/08/12 de Alexandra Lucas Coelho no suplemento do Público a história do cantor brasileiro Jards Macalé que, durante a próxima Copa do Mundo no Brasil, tem o plano de desdobrar uma bandeira gigante do Brasil em que em vez de "Ordem e Progresso" esteja escrito "Amor, Ordem e Progresso".

Aliás, macalé já encaminhou para o governo um pedido de alteração da bandeira.

"O primeiro passo será esse.", diz ele. "Depois de desaparecer a Ordem e o Progresso fica o Amor."

Há gente assim pelo mundo fora. Gente que faz das palavras coisa séria. Da arte um caminho. Do amor uma utopia possível.

domingo, 19 de agosto de 2012

A FÚRIA DA AVALIAÇÃO, OU, QUEM NOS AJUDA A PENSAR


Gosto muito de quem me ajuda a pensar. E não foram raras as vezes que António Guerreiro, com a sua coluna AOPÉDALETRA no jonal Expresso, me tem ajudado a pensar sobre diversos assuntos da minha vida ou da vida de todos nós.

Por isso estou-lhe muito grato.

Na semana passada o tema era a avaliação, tema que me provoca e sempre provocou imensa brotoeja.

Sempre achei, enquanto professor, que nada do que fazia podia caber em nenhuma grelha de avaliação. Sempre achei que quem vale a pena, seja professor ou outra coisa qualquer, é quem vive aquém, além de todas as grelhas, quem se porta mal e não se verga perante o sistema, quem se borrifa para os relatórios e ama, ama, ama aquilo que ensina e faz de todo esse amor uma imensa dádiva ao mundo.

E encontrei por aí este cartoon que retrata muito bem todo o processo da avaliação que o António Guerreiro tão bem aborda neste texto seu que reproduzo.


"Para os epistemólogos, a avaliação é um gesto metodológico sofisticado, que releva de uma ciência. Mas a avaliação como prática do aparelho — como aquela a que todos os trabalhadores e instituições estão hoje submetidos — é outra coisa: uma ideologia poderosa e um mecanismo puramente gestionário. Sirva de exemplo a avaliação que o Governo mandou fazer às Fundações, cuja supervisão todos reconhecem como necessária, para que não se tronem instituições especializadas em extorquir dinheiro. A Fundação da Universidade de Lisboa foi avaliada com 7,8 pontos (numa escala de 0 a 100), e até a Gulbenkian ficou a meio da escala. Os resultados — qualquer pessoa de bom senso estará de acordo — estão errados, porque errados estão certamente alguns critérios. Mas o erro maior está no cerne da ideologia da avaliação, que tudo reduz ao mensurável. Medindo, calculando, numerando e comparando, os avaliadores imaginam-se a fazer um trabalho científico. Tão científico que nenhuma décima escapa à medição apuradíssima.

Os avaliadores são uma seita e a sua mística é a ordem quantitativa pela qual tudo acede a um estado estatístico e entra num ranking. Mas como sabem que o seu trabalho não é interno a um saber, eles precisam que os avaliados (que, por sua vez, são os avaliadores dos outros) lhes outorguem legitimidade, que a creditação seja ao mesmo tempo coerciva e consentida. Esse consentimento tácito é obtido através da autoavaliação que os avaliados são convidados a fazer e que lembre o ritual da autocrítica que era imposto nos regimes comunistas. Pela autoavaliação, o sujeito avaliado confessa os seus pecados, incrimina-se a si próprio, denuncia as suas inclinações menos produtivas. Tudo isso para responder às eternas injunções da burocracia e também para assumir uma cumplicidade estratégica com os avaliadores em posição de mestres."

António Guerreiro, «Ao pé da letra», Expresso-Atual, Portugal, 11.8.2012.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

BIBLIOTECA DE S. LÁZARO EM LISBOA



Há pequenos recantos mágicos em Lisboa. este é um deles. A sala de literatura para a infância na Biblioteca de S. Lázaro em Lisboa, perto do Hospital de S. José.


Aqui estão as publicações infanto-juvenis desde 1900 . Ou melhor, aqui está guardada uma parte da infância de cada um de nós, Biblioteca das Raparigas, Condor ilustrado, Mandrakes, adaptações dos clássicos portugueses por Adolfo Simões Muller, a colecção Marabu e muito , muito mais.

É um espaço de paz e maravilha e posso mostrá-lo aqui a quem não o conhece através dos fotos do meu amigo Carlos Reis. bem haja.


E esta escada traz-me logo à boca aquele poema do David Mourão-Ferreira, "É uma escada em caracol..." que o Camané canta tão bem.

sábado, 11 de agosto de 2012

GANHEI UM POETA


Nunca ganhei a lotaria, o euromilhões, o totobola, nem sequer uma simples rifa de verbena. Mas poetas, já ganhei bastantes.

Desta vez foi o prémio Nobel Tomas Transtromer que me chegou graças ao excelente e continuado trabalho da editora Relógio d'Água e à tradução que me soa muito bem de Alexandre Pastor.

É uma alegria muito grande quando descubro a obra de um poeta que não conhecia e que me leva a novos patamares da relação com a palavra e as suas fantásticas viagens.

As línguas, a falta de imprensa, a insistência na divulgação do Mac Donald cultural, deixam-nos sozinhos da grande poesia, da grande música do mundo, de muito do melhor que alguns irmãos nossos fazem lá nesses seus cantinhos tão fora das grandes auto-estradas culturais

As línguas serão sempre uma ponte e uma barreira. Leio bem em francês e em espanhol. Dá para navegar no italiano. Entendo-me com o inglês corrente mas muito mal com o inglês literário. Gosto das edições bilingues para ler com um olho em cada língua.

Um dia vou aprender inglês a sério para ler no original Shakespeare, Walt Whitman, Ted Hghes, Walace Stevens, Alen Guinsberg, etc, etc.

Também gostava de aprender alemão. E russo, vá lá... Mas há tanto poeta que adoro nas traduções e que escrevem em línguas que nunca aprenderei.

O grego Yanis Ritsos, o russo Tarkoski, pai do realizador de cinema, o checo Vladimir Holan , o indiano Rabindranaz Tagore, o Tonino Guerra que escrevia em romagnolo...

Mas às vezes ganhamos um poeta graças ao Nobel ou a outra circunstância qualquer, como já me tinha acontecido em relação à extraordinária poeta polaca Szymborska.

Devo aos editores estas pequenas vitória e muito, como já disse, à relógio d'Água que é um oásis em Portugal.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O FUTURO QUE HOUVE E O QUE DEIXOU DE EXISTIR


Cresci a acreditar que era preciso andar para a frente. Amanhã ia ser sempre melhor. Trazíamos utopias no bolso. Ideias que falavam de mudança, de amor, de fraternidade, de solidariedade.

Chorei na passagem de ano de 67 para 68 a ouvir os Beatles a cantarem em directo na RTP (a partir da BBC) "All you need is love".

O amor valia muito nesse tempo. O amor que fazia com que cada pequeno gesto ganhasse força e sentido e caminhasse em direcção à maravilha.

O mercado, a bolsa de valores, o crédito bancário eram coisas velhas, sem alegria por dentro, fora de tudo o que fosse humanidade, amizade, futuro.

E nós estávamos carregados de futuro.

Eu cá talvez ainda esteja. Com esta idade não creio que tenha cura.

Mas assisti ao assassinato de vários sonhos. O da democracia chilena estrangulada pelos homens de Pinochet foi dos mais trágicos.

Luís Sepúlveda fala-nos desse crime. O futuro estrangulado de forma brutal.

Mas há muitas for mas de estrangular o futuro. Estamos a viver há alguns anos uma forma "suave" de matar os sonhos de futuro. As estratégias serão diferentes. Mas os mandantes são sempre os mesmos.

É por isso que os poetas, absolutamente zangados mas irresponsavelmente utópicos, só podem escrever que amanhã tem de ser melhor.



"E TUDO O QUE ESTAVA GRÁVIDO DE FUTURO FICOU, DE REPENTE, ENVENENADO DE PASSADO"

Luís Sepúlveda, “A sombra do que fomos”



segunda-feira, 6 de agosto de 2012

NUNO TEOTÓNIO PEREIRA


Tem 90 anos. Está cego. Estava cego de uma das vistas. Acordou há dias e percebeu que a outra vista apresentava sinais perturbadores. Tomou os transportes públicos para ir ao atelier conforme fazia todos os dias. Foi despedir-se de Lisboa. Ao jantar tinha cegado da segunda vista.

Esta história é contada pelo Público na edição de domingo 29.07.12, junto com uma biografia e uma entrevista. Todas de leitura obrigatória.

Nuno Teotónio Pereira é um dos arquitectos míticos para a minha geração, junto com Nuno Portas, Manuel Tainha e outros que não se preocupavam em fazer bolos de noiva pós-modernos para "enfeitar" a cidade e os bolsos dos empreendedores sem respeito pelos espaços colectivos.

Traduziu para português a "Carta de Atenas", bíblia dos arquitectos que procuravam nos anos 50 e 60 responder às necessidades sociais da cidade e da sua arquitectura.

Propunha uma arquitectura que permitisse uma vivência limpa, decente e comunitária.

Foi fundador do MRAR, Movimento para a renovação da arte religiosa. Nesse caminho é emblemática a igreja da Rua Camilo Castelo Branco em Lisboa (projecto conjunto com Nuno Portas, Vasco Lobo, Vitor Figueiredo, P.Vieira de Almeida).

O edifício que projectou para a R. Brancaamp, em Lisboa, conhecido pelo "Franjinhas", provocou uma tremenda discussão pública. mas isso era num tempo em que os animais falavam e apesar da censura e de tudo o mais, a coisa pública, a polis, era discutida na praça pública.

Nuno Teotónio Pereira foi um dos mais destacados membros dos "católicos progressistas", grupo que se levantou contra o Estado Novo, denunciando os crimes da Guerra Colonial, as condições dos presos políticos, os abusos da polícia política.

Integrando a vigília da Capela do Rato na passagem do ano de 72 para 73, contra a guerra e o regime vigente, foi preso e só libertado a 26 de Abril de 74.

Do Nuno Teotónio Pereira, amigo muito querido de quem fui companheiro em várias lutas posso dizer, não receando cair no lugar comum, que tendo perdido a vista continua aos 90 anos a ver muito mais do que muito boa gente este país.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

SIMPLIFICAR OU NÃO SIMPLIFICAR, EIS A QUESTÃO

Repete-se há muito uma discussão em torno da literatura para a infância e juventude sobre o que se deve dar a ler.

Os dois grandes polos da discussão são os que defendem que:

- é necessário simplificar o vocabulário dos livros para jovens já que, lendo coisas simples, se habituam a gostar de ler e poderão depois passar a ler coisas mais elaboradas;

- a simplificação é filha do facilitismo e da estrita intenção comercial já que, quem se habitua a gostar da simplificação dificilmente entenderá aquilo que a leitura lhe pode dar de grande riqueza no olhar para dentro de si e dos outros.

E temos aqui uma achega do meu querido amigo Mário de Carvalho que é das pessoas que melhor escreve em Portugal, das que melhor usa esse instrumento fantástico que é a língua portuguesa.



"SE UM ESCRITOR SE LIMITASSE AO VOCABULÁRIO BÁSICO SERIA COMO UM MÚSICO QUE SÓ USASSE AS SETE NOTAS OU UM PINTOR QUE SÓ RECORRESSE ÁS CORES PRIMÁRIAS."


Mário de Carvalho, “JL”, 21.04.2010

terça-feira, 31 de julho de 2012

PALAVRAS ROUBADAS AOS LIVROS


Leio quase sempre de lápis na mão. Para guardar esses pequenos momentos de luz que os escritores nos oferecem e que nos fazem reflectir, olhar para as coisas de um ângulo inesperado.

Sublinhar, deixando nas páginas lidas os comentários surgidos no momento, as reflexões ou as emoções que não queremos perder, serve-nos também para dar mais consistência à leitura, deixar marca dela, permitir voltar a ela apen em torno das ideias que especialmente nos comoveram.

Fazer este trabalho de leitura é agarrar o efémero, fazer da leitura uma passagem de tempo que guarda um pedaço desse tempo na memória e que fica registada nas margens dos livros lidos.

E aqui vai uma dessas frases apanhadas com uma rede de apanhar asas e sentidos.

“- CUIDADO, MINHA NETA. ESCREVER É PERIGOSA VAIDADE. DÁ MEDO AOS OUTROS."

“A confissão da leoa” , Mia Couto

terça-feira, 24 de julho de 2012

DAS ESTÁTUAS AO QUOTIDIANO



Venho falar-vos de Eduardo Salavisa que se define a si próprio como desenhador do quotidiano. Na sua vida de professor desenvolveu o diário gráfico como instrumento educacional para encorajar os alunos a desenhar.


Encontrei-o há dias. Ou melhor, reencontrei-o. Não sabia que nos tínhamos cruzado nos exames de uma disciplina que assustava os menos dotados dos que andavam na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa (como eu andei e onde me formei em Arquitectura).

A disciplina era Desenho de Estátua. Fiz 3 vezes o exame (que durava 16 horas, 4 manhãs), dois para entrar na Escola, mais 1 no final do 1º ano. O professor era Mestre Lagoa Henriques.

As estátuas a desenhar eram sorteadas em cada exame. Não havia muitas. Meia dúzia, talvez. A mim calhou-me sempre a Vénus de Milo. Acabei por saber desenhá-la de cor em todas as posições possíveis. Infelizmente, desenhar nunca foi arte que desenvolvesse especialmente.


O Eduardo publicou vários livros cm os seus desenhos. São os Diários de Viagens que aconselho fortemente os meus amigos a procurarem e mergulharem neles como num prazer muito especial.

O blog dele vale muito a pena visitar e por lá ficar a "viajar" pelos seus desenhos.

http://diario-grafico.blogspot.pt/


sexta-feira, 20 de julho de 2012

FALAR DE LIVROS


Repetir o mesmo texto em dois blogs em que participo, parece um pouco pretensioso. No entanto, penso que os leitores de um e outro talvez não sejam coincidentes.

A Leitura é uma paixão minha. E a reflexão escrita sobre essa mesma Leitura constitui um exercício que muito prezo e me ajuda a melhor entender e absorver o lido. Esse exercício tenho-o trazido a público no blog "7leitores" em conjunto com vários outros leitores "obsessivos".

Escrevi este textinho a propósito desse mesmo exercício e tenho a esperança que possa interessar também a leitores que sejam frequentadores deste blog e não do outro.


(Com muita admiração e amizade a Helena Vasconcelos e Eugénio Lisboa)


Receio muito o exercício da opinião, sobretudo quando se torna "profissional" e de olho gordo posto na gorjeta; quando procura criar poder e influência sob a capa da reflexão e da especialização; quando vive das modas, ou seja, do negócio de circunstância; quando usa as cinco estrelas, quatro garfos, três parafusos e meio, uma qualquer tabela classificativa; quando intencionalmente magoa, exclui, ignora.

Exemplos destes lemos larga e regularmente nas páginas de crítica literária, musical, cinematográfica, teatral, de artes plásticas, etc,dos nossos jornais.

"O intelectual, o mandarim universitário, o rato de biblioteca não frequenta a escola da bravura.”, afirma Georges Steiner.

("Quatro entrevistas com Georges Steiner", Ramin Jahanbegloo, Ediçõs Fenda, Lisboa, 2006)


Quando falo de livros falo de uma leitura conduzida de dentro da minha vida. Um encontro humilde e apaixonado, sem outras preocupações que não as de permitir que essa leitura me acrescente. E há um rio que corre do livro lido ao meu encontro , um rio por onde circulam pequenas luzes que me vão iluminar hoje e amanhã e depois.

Citado por Harold Bloom ("Ler" Junho 2012), afirmava Oscar Wilde que: "A crítica literária é a única forma civilizada de autobiografia".



O problema será talvez quando não se tem biografia e só se tem opinião. Mas o pior ainda é quando a ausência de biografia implica a incapacidade de amar e faz com que o opinante se esconda por baixo da capa enganosa de um saber que se a si próprio como único critério de análise.

Eu leio com paixão. E quando a paixão não se solta e os livro nada me acrescenta ao acto de tactear a vida com os dedos, então nem falo desses livros. Secam à nascença. Ficam muito bem guardados na gaveta do esquecimento.

Voltando a Bloom: "Quando somos mais velhos, queremos que a crítica - como o ensino, a leitura, a escrita - não seja apenas humanista, seja também humana. Tem de ser amor à literatura antes de mais nada.

E acrescente-se de novo Georges Steiner:

“Ler não é sofrer mas, falando com propriedade, estarmos prontos a receber em nossa casa um convidado, ao cair da noite.”

Vale a pena ler os grandes leitores. Aprendemos muito com eles. Harold Bloom, Georges Steiner, Eduardo Lourenço.

E eu sei pouco. Mas tenho para a troca.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

EB1 GALEGOS - PENAFIEL


Tempo de pousio e de reviver memórias das muitas escolas por onde passei e de que não dei de imediato notícia mas que guardo com muita ternura no coração.

Aqui estão imagens da EB1 de Galegos



terça-feira, 10 de julho de 2012

A DITADURA EM QUE VIVEMOS


Não tenho dúvida de que vivemos numa ditadura comandada pelos bancos. E lamento as figuras tontas e cegas (ou nem por isso) de muitos dos nossos dirigentes, jornalistas, políticos, sempre dispostos a obedecer aos grandes patrões para ficar com as migalhas que os fazem sentir-se um poucochinho importantes.


(Magritte)

O parágrafo que se segue é o início do artigo semanal do meu amigo Nicolau Santos no Expreeso. Vale a pena ler. E talvez chorar. Ou lutar contra o status quo, sabe-se lá como. Com indignação certamente, com protesto sempre que se justifique, com desobediência civil porventura.

"A banca, grande responsável pela brutal crise que o mundo ocidental está a viver, não aprendeu nada com o tsunami que criou. Continua a ter o mesmo tipo de práticas e comportamentos, os mesmos estímulos perigosos, a mesma falta de ética para com os depositantes, a mesma arrogância e balofa superioridade que nos conduziram até aqui, a mesma divisa - a ganância é boa -."



sábado, 7 de julho de 2012

PERGUNTAS INGÉNUAS


Há muitos lugares comuns que de tanto ser repetidos acabam por parecer verdade. É sempre bom interrogá-los para não andarmos a dizer coisas por encomenda.

Aqui vão algumas dúvidas minhas que, noutro contexto completamente diferente, são da mesma família das que Brecht deixou em muitos dos seus poemas.

PORQUE É QUE A INICIATIVA PRIVADA É MELHOR QUE O ESTADO? E PARA QUEM?

COMO É QUE UM PAÍS PODE SOBREVIVER BEM SEM TER UM GOVERNO EFECTIVO DURANTE 18 MESES COMO A BÉLGICA?

PORQUE É QUE NÃO NOS DIZEM NADA SOBRE O QUE E PASSA NA ISLÂNDIA? E COMO É QUE AQUELE PAÍS SOBREVIVEU - E BEM - À CRISE?

PORQUE É QUE PAÍSES COMO O PERU NÃO PAGARAM A DÍVIDA AO FMI E ENTRARAM NUM CICLO DE DESENVOLVIMENTO?

ÀS VEZES FALAM MUITO EM NÓS. DIZEM QUE NÓS GANHÁMOS. QUE FOMOS ÀS MEIAS FINAIS. QUEM SOMOS NÓS EXACTAMENTE? QUEM DE NÓS É QUE GANHOU? E QUEM PERDEU?

E a última mas talvez a que vai mais fundo na dúvida:

O INVESTIMENTO CRIA MESMO EMPREGO? OU REDUZ?

(Nick Hannauer, multimilionário americano: "Um consumidor de classe média cria muito mais emprego que um capitalista como eu."

Director da emprea alemã IG Metall (há cerca de 25 anos) afirmou que o investimento não cria mais emprego, pelo contrário, suprime-o.)


quinta-feira, 5 de julho de 2012

VALONGO



Muitas turmas de várias escolas, 4ºs anos, no anfiteatro da Biblioteca Municipal de Valongo com escolas de Valongo a que me unem laços de especial afecto.

Fiquei babado. Estou habituado a andar pelo palco. Mas desta vez fiquei pouco à vontade, na plateia, a assistir as meninos que representavam e cantavam textos meus.

A sessão foi uma delícia. Um banho de ternura. E só no final subi ao palco.



quarta-feira, 27 de junho de 2012

TEM QUE SER


Ao fim do 9º ano, a minha filha Matilde disse-me que queria ir para Medicina. Avisei-a que era um objectivo ambicioso e que teria de trabalhar muito e bem para lá chegar. Ela respondeu-me: "O que eu quero, eu faço."

Deixou-me sem resposta e babado de orgulho. Logo de seguida, quando olhei para ela, devolvendo-lhe esse orgulho nos meus olhos, encolheu os ombros e disse: "TEM DE SER!"

E eu que estou farto de ouvir dizer a tanta gente" Tem de ser..." fiquei a pensar na diferença. E cheguei à conclusão que a diferença estava na exclamação para um lado e nos 3 pontinhos para outro.


(Miró)

Este país está tão cheio de três pontinhos... Tão cheio de "Assim assim...", "Cá se vai andando devagarinho...", "É preciso aguentar...", "Tem de ser.."

Precisamos tanto de gente que diga "TEM DE SER!" e que o diga na cara de quem nos tira qualidade de vida e dignidade e nos enche de mal viver porque obedece cegamente aos grandes senhores do capital.

É preciso um grande vento de mudança neste país, nesta Europa, neste Mundo. TEM DE SER!


(Picasso)

domingo, 24 de junho de 2012



A Biblioteca Municipal de Tábua é uma daquelas (felizmente muitas) onde somos sempre recebidos por um sorriso dos mais largos.

Porque as pessoas que ali trabalham sabem que estão a fazer bem um trabalho imprescindível ao futuro deste país: promover o livro e a leitura.

Gente que se chama Ana Paula, Filipe, Luís, Cátia, Ana e mais nomes não sei que a minha memória nem sempre me deixa ficar bem.

Eles e todos os que trabalham nesta área andam a navegar contra o economicismo, contra a iliteracia de quem governa, contra a escassez de meios.

Mas estão felizes porque são úteis, porque dentro de cada história, de cada livro, de cada biblioteca há cavalos a correr a galope para dentro da nossa alma.

Estive por lá na V Tábua de Leituras. E aqui fica prova na fotografia com a linda "andorinha" Helena Duque, a querida Luísa Ducla Soares, aminha amiga Carla Maria Rebelo, professora bibliotecária e a filha Matilde.

A festa durou uns dias. Foi bom. Foi muito bom.




sexta-feira, 22 de junho de 2012

XINGANDELE, O CORVO DE COLARINHO BRANCO


Regressando a Luandino Vieira,aqui fica notícia do seu livro:

"XINGANDELE, O CORVO DE COLARINHO BRANCO", ed. Letras e Coisas



É uma história para crianças, talvez. Para homens de coração lavado, certamente. Fala de um corvo que quer ser muito importante e, como tal, respeitado. E termina assim:

"Até hoje, o Senhor Kilombelombe Kia Xingandele, está a morar sozinho na torre do Liceu.

Tenho dito."

Acrescenta ainda o autor:

"Esta fábula urbana foi-me narrada em quimbundo e explicada em português pelo mais-velho António Lamb, natural da Kibala, em 1966, no campo de trabalho de Chão Bom, Tarrafal, Ilha de Santiago, em Cabo Verde."

Fico cá comigo a pensar como é importante ouvir as histórias que os mais-velhor têm para contar.

terça-feira, 19 de junho de 2012

LUANDINO VIEIRA


Há cerca de 15 dias tive o imenso prazer de conhecer Luandino Vieira. Escritor angolano, 14 anos preso no Campo de Concentração do Tarrafal.



Em 1965 a Sociedade Portuguesa de Autores, então presidida por Manuel da Fonseca, atribuiu o Prémio Camilo Castelo Branco ao seu romance "Luuanda". Essa ação fez com que a PIDE levasse a cabo uma famosa acção de desmantelamento da Sociedade.

Depois da Independência, Luandino desempenhou diversos cargos oficiais, até se retirar para Portugal onde vive em Vila Nova de Cerveira.

Entrei aí numa pequena livraria ligada a uma pequena editora que dá a conhecer literatura angolana. E dei com um homem que é para mim um mito.

Relembrei então que lá por volta de 1984 visitei em Cabo Verde o antigo campo de concentração que eraà data uma escola de sargentos do exército caboverdeano.

O comandante era um estudioso da história daquela terrível prisão do estado colonial e fascista português.

Levou-me pelo campo fora e contou-me pequenas histórias, nomeadamente a da janela gradeada onde Luandino, quando preso, dava migalhas de pão aos passarinhos e disso fazia o seu pequeno poema sem palavras mas cheio de amor à vida e aos outros, sejam pássaros, sejam homens.

Junto a essa janela, a pedido do comandante, acabei a dizer poesia aos homens do aquartelamento.

Como é fácil de calcular foi um momento único na minha vida. Revivê-lo com Luandino foi ainda mais.





sábado, 16 de junho de 2012

IDEIAS NOVAS

A falta de luz nestes dias enche muita gente de escuridão, de desespero, do sentimento de falhanço na vida. Estamos no reverso do 25 de Abril em que todas as portas se abriam à nossa frente.

"Adivinhar o presente
isso é que é mais complicado
tem o acesso bloqueado"

Sérgio Godinho, do álbum "Mútuo consentimento"

Sei pouco de política. Sei apenas das pessoas e das suas emoções. E este país está emocionalmente nas lonas.

Os nossos governantes continuam a dar cabo do país na sequência de outros que começaram a dar cabo do país,em colaboração com aqueles que ganham muito com este miserável esfrangalhanço que já dura há anos.

É claro que eles dão cabo da vida a muita gente com etes cortes na saúde, nas reformas,etc, etc. Mas não creio que fiquem muito preocupados. Porque essa muita gente junta não tem cara nem nome. Talvez fosse diferente se vissem o rosto de cada um dos pobres naufragados nos naufrágios que tão laboriosamente lhes têm provocado.

Olho por vezes para as fotografias destes governantes e penso que até talvez não sejam más pessoas. Têm famílias, pais e mães, filhos. Um ou outro terá a sua ou o seu amante. Leituras muito poucas, naturalmente. Vão ao futebol. Até talvez tenham alguns sentimentos subtis embora embotados. Gostam sobretudo de aparecer muito lustrosos nos noticiários. Alguns arranjam-se bem na vida. Outros nem por isso. Vários deles devem ser até uns tipos porreiros para os copos.

Não creio é que sejam tão inteligentes que tenham inventado sozinhos toda esta escuridão. Alguém os ensinou. Alguém os comanda. Eles não são más pessoas. Talvez apenas pouco dotados. Bons paus mandados. Muito obedientes mas sem nenhumas ideias próprias.



Por isso deixo aqui as palavras de António Nova, Reitor da Universidade de Lisboa, citado por Nicolau Santos, no Expresso de hoje, dia 16:

"Precisamos de ideias novas que nos deem um horizonte de futuro. Precisamos de alternativas. Há sempre alternativas. A arrogância do pensamento inevitável é o contrário da liberdade.E nestes estranhos dias, duros e difíceis, podemos prescindir de tudo, mas não podemos prescindir nem da Liberdade nem do Futuro."

quinta-feira, 14 de junho de 2012

BARREIRO




Mais duas escolas. Ests no Barreiro. Terra mítica da resistência. No tempo da Lisnave, da Siderurgia, das Sociedades recreativas,do teatro popular.

Primeiro na Escola 2/3 D. Luís de Mendonça Furtado.

Depois na EB1 nº 4.

E aqui foi na rua, o lugar nobre da poesia.

Foi bom





segunda-feira, 11 de junho de 2012

SORRI

Às vezes o riso é também uma bela forma de resistir às agruras da vida, ao desemprego, à exploração, ao facto de sermos tão pequeninos como os brincos dos nossos jogadores, tão pequeninos como os disparates dos nossos eleitos disparatantes, tão pequeninos como a falta de dignidade frente às exigências dos grandes que mandam discricionariamente neste mundo.

Charlot foi um mestre da grandeza.

E nós somos grandes, como os romances dos nossos maiores romancistas, e os poemas dos nossos grandes poeta, e os projectos dos nossos grades arquitectos, e a arte dos nossos grandes artistas, e a inteligência dos nossos grandes pensadores, e a ciência dos nossos grandes cientistas, todos eles raramente a dar a cara na pantalha da (des)informação.

Por tudo isto e muito mais:

quarta-feira, 6 de junho de 2012

AO TELEFONE


Um boi encontra um carneiro e pergunta-lhe:

-Então? Como vai isso?

-Cá se vai andando, com a cabeça entre as ovelhas.

Á autoria deste diálogo é do Manuel Freire e do Chico Fanhais e muitos amigos concordarão por certo que é um bom retrato deste país.


sexta-feira, 1 de junho de 2012

SÁTÃO


Vou andando pelo país. Pelas escolas do país. A contar histórias e a dizer poemas. A falar de livros e leituras. Alegremente. Com algum cansaço quando vai chegando o fim do ano.

Muito poderei contar destas viagens. Do esforço de professores que, por vezes, em condições difíceis. Da alegria dos meninos, da nossa relação frequentemente muito intensa em volta da magia das palavras.

Desta vez fui a Sátão. Em cima, fotografias da visita à EBI Ferreira de Aves. Em baixoà a EB1 de SátãO.






quarta-feira, 30 de maio de 2012

COISAS DA VIDA

Há muitos opinantes por aí. Gente que fala muito e vive pouco. Escrevem e dizem muita coisa que, como diria O'Neill, "é só mentira, só mental".

Por vezes sinto algum pudor em falar da minha vida, das pessoas que conheci, das circunstâncias, das pequenas histórias que dão sabor ao vivido.

A minha amiga Cristina Carvalho deu a conhecer no Facebook esta frase de Max Aub que me limpou uma parte desse possível pudor:

‎"Há três categorias de homens: os que contam a sua história; os que não a contam; os que não a têm."

Max Aub nasceu em Paris, de pai alemão e mãe francesa, ambos de origem judia. Viveu em Valência desde os onze anos. Depois da vitória de Franco na Guerra Civil Espanhola refugiou-se em França e depois no México, onde viveu até morte.
Aub é um escritor muito interessante de quem, em português foram publicados: "Crimes exemplares" (ed. Antígona), "Campo fechado" (ed. Campo das Letras, "As boas intenções" (ed. Ulisseia).

domingo, 27 de maio de 2012

UM GRANDE ARTISTA

O meu amigo Zeca Medeiros, um grande artista, realizador de televisão (quem se lembra de "Xailes negros" ou "Mau tempo no canal"?, e também poeta, cantor e actor.

O Zeca é um grande clown que faz exercícios perigosíssimos sobre a palavra e a voz. Ouvi-lo cantar é um privilégio à beira da grande emoção.

Combinámos fazer uma canção os dois. Vai ser lindo.

sábado, 26 de maio de 2012

VIAGENS POR ESCOLAS E BIBLIOTECAS


Nas viagens que vou fazendo por escolas e bibliotecas do país vou ficando cada vez mais com admiração pelo trabalho das bibliotecárias e bibliotecários, quer das Bibliotecas Municipais quer das Escolares.

Trabalho tantas vezes esforçado, insistente e teimoso, tantas vezes também tão feliz, alegre, explosivo.

Nas últimas semanas estive com a Sónia em Pombal, a Cristina Taquelim em Beja, a Marlene em Odemira, a Anabela Eusébio e a Clarisse Silva em Trouxemil, a Maria João em Mangualde.

E mais professoras e professores Bibliotecários em Castro Verde, Odemira, Vilamoura, Beja, Sátão, Mangualde, Vila Nova de Poiares,Coimbra, Porto de Mós, marinha Grande...

De todos recolho esse grande desejo de espalhar o gosto pela leitura. Quer, dizer, esse ofício de construir o futuro dos nossos jovens e do nosso país. Porque um país que não lê será sempre um país pobre cultural e economicamente.

Grande parte das nossas elites prIma pela iliteracia, ou seja, incapaz de organizar um pensamento verdadeiramente estruturado e consistente. Por isso, esta batalha pela leitura é por vezes tão ingrata.

Mas não se esqueçam, queridos amigos dos livros, que água mole em pedra dura...




terça-feira, 22 de maio de 2012

AINDA S. JOÃO DA MADEIRA



O meu excelente amigo Patrice Almeida enviou-me mais algumas fotografias da "POESIA À MESA" em S. S.João da Madeira.

Primeiro de uma noite calorosa de conversa e poesia com Simone de Oliveira e Nuno Feist ao piano.


Depois, com meninos de uma escola do 1º ciclo a aprender a fazer quadras, uma coisa que parece muito simples e é muito mais complexa do que parece.



domingo, 20 de maio de 2012

NÓS QUE SOMOS TÃO RICOS

Nós que somos ricos, tão ricos quanto se pode ser, devíamos juntar as nossas vozes às deste jornalista mexicano cujo belo texto um amigo me fez chegar.

“Tenho a intenção de processar a revista "Fortune", porque fui vítima
de uma omissão inexplicável. Ela publicou uma lista dos homens mais
ricos do mundo, e nesta lista eu não apareço. Aparecem: o sultão de
Brunei, os herdeiros de Sam Walton e Mori Takichiro.
Incluem personalidades como a rainha Elizabeth da Inglaterra, Niarkos
Stavros, e os mexicanos Carlos Slim e Emilio Azcarraga.
Mas eu não sou mencionado na revista.
E eu sou um homem rico, imensamente rico. Como não, vou mostrar a
vocês: Eu tenho vida, que eu recebi não sei porquê, e saúde, que
conservo não sei como.
Eu tenho uma família, esposa adorável, que ao me entregar sua vida me
deu o melhor para a minha; meus filhos maravilhosos dos quais só
recebi felicidades, netos com os quais pratico uma nova e boa
paternidade.

Eu tenho irmãos que são como meus amigos, e amigos que são como meus irmãos.

Tenho pessoas que sinceramente me amam, apesar dos meus defeitos, e a
quem amo apesar dos meus defeitos.

Tenho quatro leitores a cada dia para agradecer-lhes porque eles lêem
o que eu mal escrevo.

Eu tenho uma casa, e nela muitos livros (minha esposa iria dizer que
tenho muitos livros e entre eles uma casa).

Eu tenho um pouco do mundo na forma de um jardim, que todo ano me dá
maçãs que iria reduzir ainda mais a presença de Adão e Eva no Paraíso.

Eu tenho um cachorro que não vai dormir até que eu chegue, e que me
recebe como se eu fosse o dono dos céus e da terra.

Eu tenho olhos que vêem e ouvidos para ouvir, pés para andar e mãos
que acariciam; cérebro que pensa coisas que já ocorreram a outros, mas
que para mim não haviam ocorrido nunca.

Eu sou a herança comum dos homens: alegrias para apreciá-las e
compaixão para irmanar-me aos irmãos que estão sofrendo.

E eu tenho fé em Deus que vale para mim amor infinito.

Pode haver riquezas maiores do que a minha?

Por que, então, a revista "Fortune" não me colocou na lista dos homens
mais ricos do planeta?


Armando Fuentes Aguirre (Catón)

sexta-feira, 18 de maio de 2012

ABRIL EM MAIO - SANTA MARIA


Estou apaixonado pela Ilha de Santa Maria nos Açores. Pela natureza, pela paz, pelas pessoas de coração imenso que me receberam a mim e aos outros convidados para mais este Festival ABRIL EM MAIO, organizado pelo Clube ASAS DO ATLÂNTICO.

Daqui, da península, (em vez de continente, como diz o Zeca Medeiros) fomos eu, a Maria do Céu Guerra e o Carlos Mendes.


A receber-nos maravilhosamente e a fotografar cada passo nosso, a Ana Loura (que eu rebaptizei como a "Toupeirinha Vermelha", mais a Cris, mais o Tó Pincho. Gente da mais bela humanidade que tenho conhecido.


Dos Açores estavam o meu muito querido amigo Zeca Medeiros com o Maninho, magnífico guitarrista.

É

E mais um grupo de jovens da Escola Secundária de Santa Maria a tocarem um reportório de José Afonso e José Mário Branco. E ainda o Roberto Freitas.

Foram duas noites inesquecíveis como inesquecível foi a manhã passado por todos na Escola Secundária.

Quem não foi não sabe o que perdeu. Mas preparem-se porque esta gente não dá tréguas. Para o ano há mais.


quinta-feira, 17 de maio de 2012

PARABÉNS XICO



O Xico faz anos hoje! Bora dar-lhe os parabéns! E desejar-lhe tudo o que ele mais deseja: saúde, paz e uma grande volta na forma como o mundo nos vai levando.