terça-feira, 23 de abril de 2013

LIBERDADE



Nos grandes momentos da luta pela livberdade a voz dos poetas anuncia a libertação e abraça os que quebram os laços de servidão.

Aqui paul Éluard traduzido por Carlos Drumond de Andrade

LIBERDADE

Nos meus cadernos de escola
Nesta carteira nas árvores
Nas areias e na neve
Escrevo teu nome

Em toda página lida
Em toda página branca
Pedra sangue papel cinza
Escrevo teu nome

Nas imagens redouradas
Na armadura dos guerreiros
E na coroa dos reis
Escrevo teu nome

Nas jungles e no deserto
Nos ninhos e nas giestas
No céu da minha infância
Escrevo teu nome

Nas maravilhas das noites
No pão branco de cada dia
Nas estações enlaçadas
Escrevo teu nome

Nos meus farrapos de azul
No tanque sol que mofou
No lago lua vivendo
Escrevo teu nome

Nas campinas do horizonte
Nas asas dos passarinhos
E no moinho das sombras
Escrevo teu nome

Em cada sopro de aurora
Na água do mar nos navios
Na serrania demente
Escrevo teu nome

Até na espuma das nuvens
No suor das tempestades
Na chuva insípida e espessa
Escrevo teu nome

Nas formas resplandecentes
Nos sinos das sete cores
E na física verdade
Escrevo teu nome

Nas veredas acordadas
E nos caminhos abertos
Nas praças que regurgitam
Escrevo teu nome

Na lâmpada que se acende
Na lâmpada que se apaga
Em minhas casas reunidas
Escrevo teu nome

No fruto partido em dois
de meu espelho e meu quarto
Na cama concha vazia
Escrevo teu nome

Em meu cão guloso e meigo
Em suas orelhas fitas
Em sua pata canhestra
Escrevo teu nome

No trampolim desta porta
Nos objetos familiares
Na língua do fogo puro
Escrevo teu nome

Em toda carne possuída
Na fronte de meus amigos
Em cada mão que se estende
Escrevo teu nome

Na vidraça das surpresas
Nos lábios que estão atentos
Bem acima do silêncio
Escrevo teu nome

Em meus refúgios destruídos
Em meus faróis desabados
Nas paredes do meu tédio
Escrevo teu nome

Na ausência sem mais desejos
Na solidão despojada
E nas escadas da morte
Escrevo teu nome

Na saúde recobrada
No perigo dissipado
Na esperança sem memórias
Escrevo teu nome

E ao poder de uma palavra
Recomeço minha vida
Nasci pra te conhecer
E te chamar

Liberdade

sexta-feira, 19 de abril de 2013

LER TEATRO




Quando herdei o quarto do meu irmão mais velho que se foi para Moçambique, herdei também alguns dos seus livros que por lá ficaram.

Era menino de 7 anos ou por aí. Um pouco mais tarde pus-me a escafandrar nessa herança de papel e a ler aqueles livros que por lá ficaram. E entre eles havia muitas peças de teatro. Recordo Jean Anouilh, Ionesco, Pirandello, Brecht e outros. Lia-se teatro nesse tempo. Penso que a censura proibia a representação de muitos textos mas não a sua edição em livro. Fiquei com esse hábito: ler teatro. Imaginar teatro a partir do texto.

E depois, passei a ver teatro. E depois ainda a escrever teatro.

Li este texto delicioso do meu querido amigo António Torrado. Fala daquela velha suspeita de o enfezado filho de D. Henrique possa ter sido trocado por outro menino, forte e saudável que viria a ser o nosso D. Afonso Henriques.
Hoje não é hábito ler teatro. As editoras viraram-lhe as costas com a excepção da Cotovia que tem uma belíssima colecção de textos tetrais contemporâneos.

O meu amigo Adelino Cardoso da Lápis de Memórias que não anda atrás de best sellers mas de livros para ler e mastigar editou a peça do António Torrado. E ainda bem

O texto é uma delícia e a representação pelo grupo de teatro Jangada de Lousada, que também tive a possibilidade de ver, é outra delícia. E para todas as idades.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

A FÁBRICA DO TEMPO



E aqui está outro livro delicioso. Da minha muito querida amiga Sílvia Alves, excelente escritora para a infância e contadora de histórias, também conhecida pelo nome quase histórico de Bruxinha de Papel.

As ilustrações são uma festa para os olhos, do Pierre Pratt. Daquelas ilustrações que acrescentam a história que é já de si uma delícia.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

QUERIDO FIM DE SEMANA



A Maria de Lurdes Soares é uma querida amiga, uma mulher que sabe como se escreve e como se produz um livro para crianças

O sol chegou e o tempo começa a chamar-nos para os prazeres de um fim-de-semana mesmo que seja 2ª ou 3ª ou 4ª feira.

Por isso, talvez não seja mau começar qualquer fim-de-semana por este fim-de-semana ao sabor de um texto delicioso e das ilustrações ternas e festivas da Raquel Pinheiro.

sábado, 13 de abril de 2013

CREDO



A poesia traz-nos por vezes surpresas e emoções inesperadas.

Às vezes a maré da vida traz-nos um poema que não conhecíamos e nos ilumina e nos enche de júbilo e nos deixa felizes, felizes por não sermos Ministros das Finanças ou do Interior, ou da Medicina ou da Doença, mas poetas ou músicos ou professores, ou puros traficantes de palavras e sentidos.

O meu amigo Pedro Lamares fez-me conhecer um poema da Natália XCorreia que eu não conhecia e que... Façam o favor de ler e vão ver.

CREDO

Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantas,

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o Amor tem asas de ouro.Amen.

Natália Correia

domingo, 31 de março de 2013

TERESA RITA LOPES



Teresa Rita Lopes é um dos mais destacados especialistas na obra de Fernando Pessoa.

A Teresa é também uma poeta de rara delicadeza e simplicidade. E isso é particularmente relevante. Sendo uma académica de imenso prestígio, não se sente na necessidade de se envolver nos mecanismos, respeitáveis por certo, mas emaranhados e retorcidos de uma certa poesia que previlegia a incomunicabilidade.

Digo com muita convicção que a poesia de Teresa Rita Lopes acende uma luz de bondade e ternura e torna a vida num lugar melhor para habitar.

Recebi dela "um cartuchinho de poemas a desejar Boa Páscoa". Não resisto a partilhá-los

com o agradecimento pela arte da Teresa.


Um cartuchinho de poemas a desejar Boa Páscoa

28.3.2013

O POEMA NO POEMA

Durante a infância e adolescência
o dia de hoje
era o da “Visitação às Igrejas”:
Quinta Feira Santa.
Apesar do luto
todas as igrejas da minha cidade de Faro
se enfeitavam para receber as visitas
que também não pareciam enlutadas
mas linguareiras e animadas pelo convívio.
Lembro-me de um poema que nessa altura fiz
não sei se sobrevive escrito
ou apenas assim
na minha lembrança:

As pessoas convivem cochicham
felizes por se encontrarem:
- Ora viva! Há que tempos nos não víamos!
- Olha o Luizinho!
- Veio cá passar as férias. Está a estudar em Lisboa!
- Cheira tão bem!
- É do rosmaninho!
Havia rosmaninho espalhado por todo o chão.
E dei comigo a pensar:
Pena é que Nosso Senhor morra amanhã!

Mas não chegava a ficar triste porque sabia
que o Sábado de Aleluia era uma festa:
ao meio dia em ponto arrancavam-se os panos
de luto dos altares
e agitavam-se com fervor as campainhas
que levávamos de casa!
Brincando brincando
fiz um poema no poema!

…………………………………………………………………….

29.3.13
SEXTA FEIRA SANTA

Está de luto o céu e tudo em redor.
É Sexta Feira da Paixão
dirão que é natural.
Na Quaresma de eu menina
ia neste dia à solene e lúgubre procissão
do Enterro do Senhor
ao compasso das trágicas matracas
com que homens
de negro nos agrediam os ouvidos.
Mas sabíamos
ah sim! que no dia seguinte iríamos ao meio dia
empunhar as nossas campainhas
e enxotar com energia e júbilo
todos os lutos e tristezas para longe
- para a Quaresma seguinte!
Hoje o luto está para durar
- quem o diz? O fosco céu
ou o nosso coração?

……………………………………………………………………………………………


30.3.13

SÁBADO DE ALELUIA

O céu não acompanha o descerrar dos panos de luto
com que nas igrejas de eu menina se saudava
o Sábado de Aleluia!
Lembro-me dele
como de um festivo retinir de campainhas agitadas
para saudar a alegria da Ressurreição.
Toda a Páscoa
é um ritual de fé na renovação da Vida
a recusa da Morte.
Assim também a Primavera.
Mas o céu de hoje está triste
seguramente com os homens
e tem carradas de razão.
Dilúvios em barda
gente afogada e soterrada!
E não haverá Arca de Noé que salve a humanidade
porque
se alguém a fabricasse
não estaríamos livres
de que um bombista à bordo acabasse com a Criação.
Quase me apetece dizer que era bem feito!

Teresa Rita Lopes

domingo, 24 de março de 2013

POESIA À MESA




Foi no sábado à noite o encerramento da POESIA À MESA em S. João da Madeira.

Em palco tive o orgulho de acompanhar a sr. D. Eunice Muñoz e o meu querido amigo e declamador Pedro Lamares. Dissemos poemas, falámos de poesia, contámos histórias mais sérias ou mais divertidas, como a do arrumador de carros do Porto que perguntou à Eunice se não tinha morrido. Ela disse-lhe que não e ele insistiu: "Mas tem a certeza? É que eu vi na televisão!".

Connosco também dois músicos maravilhosos, o pianista António Palma e o saxofonista Guto Lucena.

Foi uma noite perfeita, se é que existe a perfeição.

E foi o fechar com chave de ouro de uma inciativa que ano após ano mostra como a poesia ´popular e pode arrastar um número muito significativo de participantes, nomeadamente na noite anterior em que cerca de 300 pessoas estiveram horas a ouvir poesia no Mercado da cidade.



As nossas ditas elites, tradicionalmente iliteradas e avessas ao pensamento e à cultura (falo de muitos dos dirigentes de televisões, directores de jornais, ministros, políticos, etc), fogem da poesia porque não a entendem e fazem da sua iliteracia um espelho onde querem que os portugueses se revejam.

Mas os portugueses também se encontram e se constroem e crescem e se tornam melhores pessoas, mais solidárias, mais profundas, mais felizes, no teatro, na poesia, na leitura. E quando alguém lhes dá a mão e lhes diz: "Querem ouvir este poema?" com a arte de uma pessoa como a Eunice, então as pessoas juntam-se mesmo em torno da voz de quem diz e das palavras de quem escreve.

Acontecimentos como a POESIA À MESA dão-nos a certeza de que este país é mesmo um país de poetas, um país que nos últimos tempos foi invadido por um bando de semi-bárbaros, que mandam em muitas coisas e só têm de bom o facto de estarem a prazo e nunca constarem dos livros do futuro.

terça-feira, 19 de março de 2013

POESIA À MESA



Está a decorrer mais uma jornada da POESIA À MESA em S. JOÃO DA MADEIRA.

Trata-se de uma das mais notáveis, criativas e persistentes celebrações da poesia que conheço em Portugal e tenho o orgulho de estar a ela ligado há vários anos ligado.

Na 6ª feira à noite arranca a peregrinação poética pelas ruas da cidade com o João Reis, o Pedro Lamares, as Associações Culturais da Cidade e mais quem aparecer.

No sábado à noite, no auditório dos PAÇOS DA CULTURA, EUNICE MUÑOZ, PEDRO LAMARES, o pianista ANTÓNIO PALMA, o sax de GUTO LUCENA, e este que se assina.

segunda-feira, 18 de março de 2013

LEONEL NEVES




Leonel Neves, poeta algarvio com obra deliciosa para crianças, tem sido esquecido. Como outros escritores que tiveram uma produção discreta mas de grande qualidade nos anos logo anteriores e logo posteriores ao 25 de Abril. E lembro os casos do Tóssan ou do Carlos Pinhão.

Na estreia do "ZARABADIM", encontrei a Ana Neves, filho do Leonel, que comigo partilhou as tábuas do palco em 1969 numa peça famosa na época "O RACISMO NÃO EXISTE" levada a cena n Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico.

A Ana Neves ofereceu-me um livrinho de poemas póstumos do pai. Vou trazer alguns para aqui. Mas antes quero lembrar a delicadeza e ironia doce da sua poesia para crianças.



(copiado do blog peregrinacultural.wordpress.com)


GIRAFA

Leonel Neves


Tenho pena da girafa
de pescoço grandalhão:
- Como é que a pobre se abafa,
tendo uma constipação?

Coitadinha da Girafa!

Quando eu me constipo, posso
arranjar um cachecol.
Mas com aquele pescoço…
Safa!
Pobre da Girafa!
- Vou oferecer-lhe um lençol.



Em: Bichos de trazer para casa: poemas para crianças, Livros Horizonte: 1981, 3ª ed.

sábado, 16 de março de 2013

ZARABADIM JÁ CHEGOU



É muito bom ver as palavras que escrevemos levadas à cena.Melhor ainda quando os actores e a encenação nos deixam surpreendidos e emocionados.

Foi o que me aconteceu ontem na estreia de ZARABADIM.

Trata-se da peça de teatro que nos leva numa viagem ao fundo do chapéu de um mágico onde conhecemos o LIVRO-QUE-SABE-TUDO que é um excelente contador de histórias permanentemente interrompido por tudo e por todos e em primeiro lugar pelo PALHAÇO que põe quase tudo de pernas para o ar, o PINGUIM PARAFUSO PISTARIM, inventor de máquinas fantásticas como a palavreira que produz palavras, a BAILARINA que é linda, linda, linda, como ela própria não se cansa de repetir e a GALINHA que tem um ovo para chocar de onde vai nascer um pintainho.

E nós, crianças e adultos, também renascemos um bocadinho no final da peça que nos faz sorrir num intervalo da vida tão dura que é a nossa hoje em dia e da necessária que temos de travar para a mudar, como disse na estreia o Carlos Alberto Moniz que é o autor das canções.

Queridos amigos em geral e professores em particular, levem os vossos meninos. Não se vão arrepender.

domingo, 10 de março de 2013

ZARABADIM



ZARABADIM foi um programa de televisão em 1984, com texto meu e da Dulce - então - Fanha, canções do carlos Alberto Moniz.

Uma das actrizes era a minha amiga Ângela Pinto. Agora ela e o Helder são directores (será assim que se diz?) do excelente grupo de Teatro "A TENDA" .

Quiseram relembrar esse programa, homenageá-lo, com um novo texto agora para teatro.

ZARABADIM estreia-se na próxima 6ª feira. E vai estar um mês em cena.

Queridos amigos e amigas: apareçam e levem os vossos meninos.

sexta-feira, 1 de março de 2013

PORTUGAL É LINDO

POR ISSO:



É amanhã às 16h00 a partir do Marquês de Pombal.

Contra a política antipatriótica do nosso desgoverno que tanto fala de democracia esquecendo que onde há fome não há democracia.


domingo, 24 de fevereiro de 2013

ROMANCE DE AMOR

RETRATO DO ESCALDANTE ROMANCE DE AMOR ENTRE OS SENHORES MINISTROS E OS SEUS BEM AMADOS PATRÕES DOS BANCOS.



(Pintura de Georges Grozs)

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

domingo, 17 de fevereiro de 2013

A POESIA E A VIDA


Há quem escreva apenas por dentro das palavras. Sem delas sair. Sem as transpirar no calor da vida.

Comigo, vida e palavras sempre andaram a passo. Fazem-me falta as palavras para tornar a vida mais habitável.

O meu querido amigo Nicolau Santos, que escreve e diz poesia pelos cantos desta cidade, também mistura economia e poesia. Coisa de diálogo improvável. Mas eu digo e repito que quando um economista mergulha na poesia ainda talvez possa haver uma salvação para o mundo.

Este poema, saído dos meus 40 anos de poesia, veio no Suplemento Económico do Expresso de dia 2.

Obrigado Nicolau. Um imenso abraço poético.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

PARQUE DOS POETAS - INAUGURAÇÃO DA 2ª FASE


A Câmara Municipal de Oeiras inaugura a Zona B da 2ª Fase do Parque dos Poetas no dia 16 de fevereiro, a partir das 17 horas.

Trata-se de uma festa aberta a toda a população que reúne Poesia, por José Fanha acompanhado por músicos da Roda do Chorinho de Lisboa - Eduardo Miranda (bandolim) e Carlos Lopes (acordeão) - e Música, com momentos protagonizados por João Gil e Luís Represas.

Vai ser bom e eu sinto-me todo orgulhoso por ficar ligado a este parque único e maravilhoso.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

POESIA EM PORTIMÃO - DIA 14, 5ª FEIRA


A Biblioteca Manuel Teixeira Gomes em Portimão, magnificamente dirigida pela dra. Dora Pereira, é uma daquelas de que guardo doces memórias. Já por ali passei muitas vezes em várias colaborações de grande intensidade.

(Pena é que a crise leve a que algumas Câmaras comecem os cortes pela cultura e pelas Bibliotecas. Por mais que possamos insistir na importância fundamental da cultura, especialmente necessária em tempos de crise, grande maioria dos nossos políticos leva muito tempo a aprender.)

Tinha ir a Portimão mostrar o meu novo livro e partilhar alguns poemas com quem por lá costuma e quiser aparecer.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

POESIA E JAZZ NA SPA


Quando se juntam 40 anos de vida num livro não se junta nada. Não são 40 anos. É uma pequena parte desses 40 anos. Falta tudo o resto.

No entanto, muita gente tinha de mim uma imagem limitada. "O tipo da Cornélia", dizem uns. "Um poeta de agit-prop" dizem outros. Outros ainda reduzem-me ao escritor para a infância, outros ao animador cultural.

A verdade é que a minha vida tem sido muito variada e sempre em volta das palavras. Preocupei-me sempre mais em fazer, participar, partilhar, do que em procurar dar brilho à obra própria.

Chegou a altura de publicar 40 anos de poesia graças ao Adelino Castro,da editora Lápis de Memórias, que me convidou a publicar estes 40 anos de poesia.

Ficaram de fora os dois livros mais recentes e ainda inéditos, para um segundo volume onde juntarei por certo algumas letras de canções e muitas traduções de poesia de autores do mundo que tnho feito ao sabor do tempo. E é claro que ainda há os livros para crianças e jovens. E o teatro. E os guiões de cinema e televisão, mas isso são outras contas mais complicadas porque excessivamente amarradas às circunstâncias

Eu próprio não tinha imagem do conjunto do meu trabalho como poeta. Nunca o tinha olhado em conjunto. Uma parte significativa estava inédita.

Julgo que as pessoas podem agora ler-me sem preconceitos. De uma ponta quase à outra. Algumas pessoas têm ficado surpreendidas.

A apresentação pública tem assumido diversas formas, nalgumas tenho estado acompanhado por músicos como os meus queridos amigos António Palma e Nanã Sousa Dias, aqui na sessão que fizemos a 5 de Fevereiro na SPA.

(Fotos do meu amigo Zaluar Basílio)


sábado, 26 de janeiro de 2013

LIVROS QUE EU QUERO LER EM 2013


A literatura em língua portuguesa está viva e recomenda-se. É difícil acompanhar a quantidade de bons escritores que têm aparecido em Portugal, em Agola, Moçambique e Brasil.

faço um esforço e sou sempre muito recompensado.











terça-feira, 22 de janeiro de 2013

LIVROS QUE EU QUERO LER EM 2013

A LER


Aqui estão alguns dos livros da prateleira das urgências.

Estou ansioso para que os interstícios do tempo que a vida nos permite me deixem pegar nestes e noutros livros que estou ansioso por ler.








A RELER

As grandes obras lemo-las sempre pela primeira vez. Vamo sempre encontrar novos pormenores, novas formas de olhar e de pensar.

Há livros que podemos sempre reler. Devemos fazê-lo porque constituem pilares importantes da nossa civvilização, da nossa identidade.



sábado, 19 de janeiro de 2013

ESCREVER PARA SER - OFICINA DE ESCRITA IMAGINATIVA



OFICINA ESCRITA
IMAGINATIVA
"ESCREVER PARA SER"
CONDUZIDA POR JOSÉ FANHA

INSCRIÇÕES PARA: escrevereser@gmail.com
INFORMAÇÕES PARA: escrevereser@gmail.com e 964 245 818



01 FEV // 19 ABR (10 sessões)
sextas, das 19h00 às 21h30
Junta de Freguesia de Carnide (Largo das Pimenteiras, 6)

A verdade é que tudo na nossa civilização está escrito.
As leis, as crenças, a História. Tudo. E é pela palavra que nós
nos entendemos connosco próprios, com os outros,
com a voz do mar ou o brilho das estrelas.

ESCREVER organiza-nos, inquieta-nos, questiona-nos.
ESCREVER abre-nos caminhos por dentro de nós, faz-nos entender melhor a nossa vida.
ESCREVER faz-nos sair de nós e experimentar outras vidas.
ESCREVER faz-nos pôr palavras no rosto das coisas, torna-nos vizinhos do universo.
ESCREVER faz-nos rir e chorar.
ESCREVER ajuda-nos a escrever o romance da nossa vida.
Muitas vezes temos ouvido falar de escrita criativa como se a criatividade na escrita resultasse de uma cartilha de técnicas e truques que permitissem a cada um tornar-se num escritor de sucesso.
A criatividade é uma atitude perante a vida. Uma forma de olhar. Uma maneira de questionar a máquina do mundo. Pode ser-se criativo independentemente da área em que se trabalhe e a que se aplique essa criatividade.
Quanto a mim, no entanto, a escrita está muito para além dos sucessos. Quem escreve trabalha como se fosse um mineiro na mina do seu próprio peito e dos seus sentimentos. Depois de partir nesse caminho o escritor pode interrogar-se para saber o que pretende da escrita. Pode querer descobrir e contar a sua história. Ou contar outras histórias reais ou inventadas. Ou pôr em palavras um projecto. Ou dar notícias. Ou caminhar pelas palavras como um peregrino em busca de algum Deus.

ESCRITA DIARÍSTICA
ESCRITA FICCIONAL: O Conto e o Micro-Conto
ESCRITA PARA CRIANÇAS
ESCRITA PARA AUDIO-VISUAIS: O Guião
ESCRITA POÉTICA