A comunicação anda a correr. Há poucos anos, um blog era uma forma nova de falar com os amigos mais próximos, os mais distantes e outros até quenm conhecemos e que por isto ou por aquilo vêm meter o nariz naquilo que resolvemos atirar ao mundo.
Apareceram depois os facebooks, Tweeters, etc. São formas de comunicação mais rapida e imediata, mais boca a boca, próprias para mnsagens cada vez mais curtas e menos elaboradas.
Tudo bem. O mundo muda e nós vamos procurando não perder os comboios diversos, os desafios mais inesperados trazidos pelas novas tecnologias.
Alguns vão tentando usar estas novidades para falar, ouvir, comunicar, estar com os outros. Alguns fazem-no das formas mais desinteressantes e superficiais. Outros tentam usar estas tecnologias para não se perderem de si próprios, nem das suas ideias, nem dos seus amigos e dos seus amores, sejam eles quais forem.
Através deste blog tenho-me sentido na obrigação de dar à estampa algumas coisas, imagens, música, ideias, notícias do mundo visto do lado deste poeta e contador de histórias do saltapocinhas que sou. Gosto de pensar que é uma partilha que me deixa mais próximo de amigos que conheço e outras que não mas que não dixam de ser amigos.
Há dias as QUERIDASBIBLIOTECAS fizeram 6 anos!
Durante coisa de mês e meio trouxe para aqui algumas das canções do rock/pop que fizeram parte do melhor da banda sonora da minha vida. Qualququer dia atiro-me às francesas, às espanholas,às brasileiras. Porque foi também através das canções e da sua poesia que eu e a minha geração construímos uma forma de estar, de sonhar, de pensar, de rir e de dançar.
Eu sou eu mais as canções que ouvi e que cantei, e os livros que li, e os filmes e as peças de teatro que que vi.
Vou passar a outra fase, de momento. ca canção para o poema vou partilhar poetas e poemas portugueses e não só Às vezes traduzo poesia. É um exercício de paixão que muito prezo. Também para aqui virão esses poemas de que me aproprio para os recriar na nossa língua.
E aqui fica uma frase do maravilhoso poeta brasileiro Manoel de Barros. Mas que não abre a porta a nenhum pessimismo mas a uma foma notável de mostrar como a poesia nos transporta para outros domínios do entendimento da vida. Aliás já a Luísa Neto Jorge dizia que "O poema ensina a cair"
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
ANTÓNIO RAMOS ROSA
Tinha 89 anos. Hoje mudou de lugar. A vida foi complicada e enorme a obsessão pela poesia. Creio que foi em tempos candidato ao Prémio Nobel. Nunca pertenceu a capelinhas. Perante a ditadura mostrou uma dignidade invulgar mostrando que também escrevendo se resiste. Deixa uma obra imensa. Fica aqui um dos seus poemas mais antigos e também dos mais emblemáticos.
POEMA DUM FUNCIONÁRIO CANSADO
A noite trocou-me os sonhos e as mãos
dispersou-me os amigos
tenho o coração confundido e a rua é estreita
estreita em cada passo
as casas engolem-nos
sumimo-nos
estou num quarto só num quarto só
com os sonhos trocados
com toda a vida às avessas a arder num quarto só
Sou um funcionário apagado
um funcionário triste
a minha alma não acompanha a minha mão
Débito e Crédito Débito e Crédito
a minha alma não dança com os números
tento escondê-la envergonhado
o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal
em frente
e debitou-me na minha conta de empregado
Sou um funcionário cansado dum dia exemplar
Porque não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu
dever?
Porque me sinto irremediavelmete perdido no meu cansaço?
Soletro velhas palavras generosas
Flor rapariga amigo menino
irmão beijo namorada
mãe estrela música
São as palavras cruzadas do meu sonho
palavras soterradas na prisão da minha vida
isso todas as noites do mundo uma noite só comprida
num quarto só
POEMA DUM FUNCIONÁRIO CANSADO
A noite trocou-me os sonhos e as mãos
dispersou-me os amigos
tenho o coração confundido e a rua é estreita
estreita em cada passo
as casas engolem-nos
sumimo-nos
estou num quarto só num quarto só
com os sonhos trocados
com toda a vida às avessas a arder num quarto só
Sou um funcionário apagado
um funcionário triste
a minha alma não acompanha a minha mão
Débito e Crédito Débito e Crédito
a minha alma não dança com os números
tento escondê-la envergonhado
o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal
em frente
e debitou-me na minha conta de empregado
Sou um funcionário cansado dum dia exemplar
Porque não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu
dever?
Porque me sinto irremediavelmete perdido no meu cansaço?
Soletro velhas palavras generosas
Flor rapariga amigo menino
irmão beijo namorada
mãe estrela música
São as palavras cruzadas do meu sonho
palavras soterradas na prisão da minha vida
isso todas as noites do mundo uma noite só comprida
num quarto só
sábado, 21 de setembro de 2013
6 ANOS DE QUERIDASBIBLIOTECAS
Faz hoje 6 anos que iniciei as QUERIDASBIBLIOTECAS. E cá continuo. Não se trata de comunicação de massas. Mas já recebeu quase 160.000 visitas. Gente de bem, estou certo. Gente que partilha valores, paixões, e a grande importância que damos à leitura e à escrita.
Publico aqui mais abaixo o texto do primeiro dia há 6 anos. Está razoavelmente actualizado Eram 3 bibliotecas José Fanha que havia à data. Agora já são 8. Vários livros dei entretanto à estampa.
É claro que os anos foram dando sinal nas dobradiças do corpo. Mas, apesar das indispensáveis desilusões, as convicções, as paixões, a entrega à vida e à palavra dita e escrita, essas continuam com toda a força.
A todos os que por aqui passaram, um grande abraço, muita ternura e vão aparecendo mesmo em silêncio andamos à volta uns dos outros. E isso é muito bom
Cada vez mais as Bibliotecas fazem parte da minha vida.
Gosto de livros. Melhor, gosto de ler. Gosto tanto de ler que não sou capaz de passar um dia sem ler pelo menos uma história, uma página de um romance, um poema, qualquer coisa.
Gosto muito de ler para mim em silêncio e de ler em voz alta. De ler para os outros e de partilhar com todos as viagens, as aventuras, as emoções que a leitura me traz.
Gosto de passear pelas bibliotecas e reencontrar esses velhos amigos que são os livros já lidos. Olha “Os Três Mosqueteiros”! E “O velho que lia romances de amor”! E “O Principezinho”! E “As aventuras de João Sem Medo”!
Também gosto de conhecer novos livros. Deixam água a boca e uma vontade enorme de pegar neles e desatar a lê-los.
Adoro as Bibliotecas. Mas não é só por causa dos livros. É também pelas pessoas que lá trabalham. E as que entram para ler. E as que saem com os livros emprestados debaixo do braço. E as que lá vão contar histórias. E as que escrevem essas histórias.
Também eu gosto de escrever histórias e poemas. Por isso é que vou a muitas escolas e Bibliotecas para ler os meus livros e conhecer os meus leitores. É como se fossemos todos da mesma família. Uma família que encontra um bom bocado de felicidade em volta das palavras, dos livros e das leituras.
Por tudo isto é que, cada vez mais, as Bibliotecas fazem parte da minha vida.
E agora há ainda mais uma razão para estar tão ligado às Bibliotecas. Vai inaugurar-se a terceira Biblioteca com o meu nome! Primeiro foi o Centro de Recursos da Escola EB 23 da Venda do Pinheiro, depois a Biblioteca da EB 1 nº3 do Cacém e, finalmente, inaugura-se no dia 26 de Setembro a Biblioteca José Fanha da Escola EB 1, JI do Olival Basto
Imagine-se! Três Bibliotecas! É um mundo! Não sei se mereço tanto carinho. Não sei se consigo acrescentar-lhes alguma coisa ao muito que já fazem.
Por isso criei este blog para todos, alunos e professores destas e de todas as escolas e de todas as Bibliotecas. Para partilhar as histórias e poemas que vou escrevendo, coisas malucas que ás vezes me acontecem como acontecem a toda a gente, livros e filmes de que gosto muito especialmente, e mais as memórias antigas, algumas fotografias, enfim, bocados grandes e pequenos do que tem sido a minha vida à volta de palavras e livros e leituras.
Publico aqui mais abaixo o texto do primeiro dia há 6 anos. Está razoavelmente actualizado Eram 3 bibliotecas José Fanha que havia à data. Agora já são 8. Vários livros dei entretanto à estampa.
É claro que os anos foram dando sinal nas dobradiças do corpo. Mas, apesar das indispensáveis desilusões, as convicções, as paixões, a entrega à vida e à palavra dita e escrita, essas continuam com toda a força.
A todos os que por aqui passaram, um grande abraço, muita ternura e vão aparecendo mesmo em silêncio andamos à volta uns dos outros. E isso é muito bom
Cada vez mais as Bibliotecas fazem parte da minha vida.
Gosto de livros. Melhor, gosto de ler. Gosto tanto de ler que não sou capaz de passar um dia sem ler pelo menos uma história, uma página de um romance, um poema, qualquer coisa.
Gosto muito de ler para mim em silêncio e de ler em voz alta. De ler para os outros e de partilhar com todos as viagens, as aventuras, as emoções que a leitura me traz.
Gosto de passear pelas bibliotecas e reencontrar esses velhos amigos que são os livros já lidos. Olha “Os Três Mosqueteiros”! E “O velho que lia romances de amor”! E “O Principezinho”! E “As aventuras de João Sem Medo”!
Também gosto de conhecer novos livros. Deixam água a boca e uma vontade enorme de pegar neles e desatar a lê-los.
Adoro as Bibliotecas. Mas não é só por causa dos livros. É também pelas pessoas que lá trabalham. E as que entram para ler. E as que saem com os livros emprestados debaixo do braço. E as que lá vão contar histórias. E as que escrevem essas histórias.
Também eu gosto de escrever histórias e poemas. Por isso é que vou a muitas escolas e Bibliotecas para ler os meus livros e conhecer os meus leitores. É como se fossemos todos da mesma família. Uma família que encontra um bom bocado de felicidade em volta das palavras, dos livros e das leituras.
Por tudo isto é que, cada vez mais, as Bibliotecas fazem parte da minha vida.
E agora há ainda mais uma razão para estar tão ligado às Bibliotecas. Vai inaugurar-se a terceira Biblioteca com o meu nome! Primeiro foi o Centro de Recursos da Escola EB 23 da Venda do Pinheiro, depois a Biblioteca da EB 1 nº3 do Cacém e, finalmente, inaugura-se no dia 26 de Setembro a Biblioteca José Fanha da Escola EB 1, JI do Olival Basto
Imagine-se! Três Bibliotecas! É um mundo! Não sei se mereço tanto carinho. Não sei se consigo acrescentar-lhes alguma coisa ao muito que já fazem.
Por isso criei este blog para todos, alunos e professores destas e de todas as escolas e de todas as Bibliotecas. Para partilhar as histórias e poemas que vou escrevendo, coisas malucas que ás vezes me acontecem como acontecem a toda a gente, livros e filmes de que gosto muito especialmente, e mais as memórias antigas, algumas fotografias, enfim, bocados grandes e pequenos do que tem sido a minha vida à volta de palavras e livros e leituras.
terça-feira, 17 de setembro de 2013
A BANDA SONORA DA MINHA JUVENTUDE - 20
Guardei para última canção desta viagem pelos anos 60, "ALL YOU NEED" dos Beatles.
Creio que ouvi-la foi um momento único na minha vida, um momento em que voei a uma altura incomensurável.
A Wikipédia diz sobre esta canção:
"Em 1967, a equipe do canal londrino BBC convidou os Beatles a participarem do primeiro evento transmitido mundialmente via-satélite, ao vivo simultaneamente para 26 países: o programa Our World. Esse trabalho envolveu redes de TV das Américas, Europa, Escandinávia, África, Austrália e Japão.
Foi então solicitado que o grupo escrevesse uma música cuja mensagem pudesse ser entendida por todos os povos do planeta. John Lennon e Paul McCartney começaram a trabalhar separadamente em diferentes letras, até que Lennon acabou escrevendo esse clássico que se encaixou perfeitamente ao objetivo proposto, pois a mensagem de amor contida na canção poderia ser facilmente interpretada ao redor do mundo.
Os Beatles foram transmitidos ao vivo diretamente do Abbey Road Studios em 25 de junho de 1967. A canção foi gravada durante a apresentação, embora eles tivessem preparado antecipadamente – num período de cinco dias – as gravações e a mixagem antes da transmissão. A letra trazia uma mensagem de paz nos tempos da Guerra do Vietnã. Os Beatles convidaram vários amigos para participarem do evento, cantando o coro da canção, entre eles Mick Jagger, Eric Clapton, Marianne Faithfull, Keith Moon e Graham Nash. O programa foi visto por cerca de 350 milhões de pessoas e foi responsável por eternizar ainda mais o nome dos Beatles na História da Humanidade. A gravação desta apresentação pode ser encontrada no álbum Yellow Submarine."
A minha memória atraiçoa-me. Recordo-me de ver esta canção em directo na RTP, sim, mas associava-a à passagem de ano de 67 para 68. Ou Julho ou Dezembro, era 67, o ano de todos os sonhos. Foi para mim um momento de quase indiascritível emoção, um rasgão da negra comunicação no tristíssimo Portugal de então. Chorei a ouvi-la. Era uma cação de paz, de paz, DE PAZ! E nós, é bom que se lembre, estávamos em guerra.
THE BEATLES - ALL YOU NEED IS LOVE
Creio que ouvi-la foi um momento único na minha vida, um momento em que voei a uma altura incomensurável.
A Wikipédia diz sobre esta canção:
"Em 1967, a equipe do canal londrino BBC convidou os Beatles a participarem do primeiro evento transmitido mundialmente via-satélite, ao vivo simultaneamente para 26 países: o programa Our World. Esse trabalho envolveu redes de TV das Américas, Europa, Escandinávia, África, Austrália e Japão.
Foi então solicitado que o grupo escrevesse uma música cuja mensagem pudesse ser entendida por todos os povos do planeta. John Lennon e Paul McCartney começaram a trabalhar separadamente em diferentes letras, até que Lennon acabou escrevendo esse clássico que se encaixou perfeitamente ao objetivo proposto, pois a mensagem de amor contida na canção poderia ser facilmente interpretada ao redor do mundo.
Os Beatles foram transmitidos ao vivo diretamente do Abbey Road Studios em 25 de junho de 1967. A canção foi gravada durante a apresentação, embora eles tivessem preparado antecipadamente – num período de cinco dias – as gravações e a mixagem antes da transmissão. A letra trazia uma mensagem de paz nos tempos da Guerra do Vietnã. Os Beatles convidaram vários amigos para participarem do evento, cantando o coro da canção, entre eles Mick Jagger, Eric Clapton, Marianne Faithfull, Keith Moon e Graham Nash. O programa foi visto por cerca de 350 milhões de pessoas e foi responsável por eternizar ainda mais o nome dos Beatles na História da Humanidade. A gravação desta apresentação pode ser encontrada no álbum Yellow Submarine."
A minha memória atraiçoa-me. Recordo-me de ver esta canção em directo na RTP, sim, mas associava-a à passagem de ano de 67 para 68. Ou Julho ou Dezembro, era 67, o ano de todos os sonhos. Foi para mim um momento de quase indiascritível emoção, um rasgão da negra comunicação no tristíssimo Portugal de então. Chorei a ouvi-la. Era uma cação de paz, de paz, DE PAZ! E nós, é bom que se lembre, estávamos em guerra.
THE BEATLES - ALL YOU NEED IS LOVE
domingo, 15 de setembro de 2013
A BANDA SONORA DA MINHA JUVENTUDE - 19
Paul Simon é um extraordinário compositor e poeta que tem sabido atravessar vários tempos mantendo públicos que atravessam décadas e gerações.
Com Art garfunkel constituiam uma harmonia cara na forma como conjugavam as vozes. Separaram-se e Paul partiu para outras e não menos entusiasmantes aventuras musicais.
As histórias que canta fazem parte da minha vida. E há nas suas canções qualquer coisa que me faz orgulhar-me de pertencer à raça humana e de desconfiar que ainda um dia esta raça vai viver em paz
PAUL AND SIMON - THE BOXER
Com Art garfunkel constituiam uma harmonia cara na forma como conjugavam as vozes. Separaram-se e Paul partiu para outras e não menos entusiasmantes aventuras musicais.
As histórias que canta fazem parte da minha vida. E há nas suas canções qualquer coisa que me faz orgulhar-me de pertencer à raça humana e de desconfiar que ainda um dia esta raça vai viver em paz
PAUL AND SIMON - THE BOXER
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
A BANDA SONORA DA MINHA JUVENTUDE - 18
Duas violas, 3 vozes, excelentes canções, era a recita imbatível deste grupo.
"If I Had a Hammer" é uma canção de música folk composta por Pete Seeger e Lee Hays em 1949. Foi gravada por diversos artistas e tornou-se, na década de 1960, num símbolo na luta do movimento pelos direitos civis
OETER PAUL AND MARY
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
A BANDA SONORA DA MINHA JUVENTUDE - 17
Donovan foi nos seus inícios a versão inglesa de Bob Dylan. Próximo dos Beatles, desenvolveu um estilo eclético e bem-sucedido, que incorporava folk, jazz, pop, psicodelismo e world music, tendo composto e gravado algumas canções qu forem também grandes sucessos de vendas.
A sua música e poesia transmitia valores de paz, amor e amizade e, por isso, foi muito criticado e excluído dos circuitos musicais na altura do punk, tendo regressado em finais dos anos 90 para voltar a lançar várias canções notáveis.
Pessoalmente adoro "Unsleeping city" incluída no extraordinário álbum "POETAS EN NUEVA YORK" em que músicos de várias línguas cantam poemas de Garcia Lorca.
DONOVAN - ATLANTIS
A sua música e poesia transmitia valores de paz, amor e amizade e, por isso, foi muito criticado e excluído dos circuitos musicais na altura do punk, tendo regressado em finais dos anos 90 para voltar a lançar várias canções notáveis.
Pessoalmente adoro "Unsleeping city" incluída no extraordinário álbum "POETAS EN NUEVA YORK" em que músicos de várias línguas cantam poemas de Garcia Lorca.
DONOVAN - ATLANTIS
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
A BANDA SONORA DA MINHA JUVENTUDE - 16
os animals era um grupo britânico duro com grande influência do rithm and blues americano como vários dos primeiros grupos ingleses dos início dos anos 60. Eric Burdon, o seu fundador foi criando várias formações do grupo que continuou a tocar e a gravar até aos anos 80 e que teve grande influência sobre muitos outros grupos.
THE ANIMALS - THE HOUSE OF THE RISING SUN
sábado, 7 de setembro de 2013
A BANDA SONORA DA MINHA JUVENTUDE -15
Grupo de culto dos anos 60, os Kinks foram uma das mais fantásticas bandas inglesas dos anos 60, com uma sonoridade muito própria e um humor muito especial
TH KINKS - LOLA
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
A BANDA SONORA DA MINHA JUVENTUDE - 14
A música de Cat Stevens continua a ter a frescura e a força com que espantou a juventude dos anos 60 em que vendeu mais de 40 milhões de discos.
Depois converteu-se ao islamismo e passou a dedicar-se a actividades espirituais e de beneficência.
É sempre bom vermos alguém entregar-se integralmente aos seus sonhos e ideais mesmo que não sejam os nossos.
CAT STEVES - FATHER AND SON
Depois converteu-se ao islamismo e passou a dedicar-se a actividades espirituais e de beneficência.
É sempre bom vermos alguém entregar-se integralmente aos seus sonhos e ideais mesmo que não sejam os nossos.
CAT STEVES - FATHER AND SON
sábado, 31 de agosto de 2013
A BANDA SONORA DA MINHA JUVENTUDE - 13
Não é preciso dizer muito de Leonard Cohen pois desde os anos 60 continua a ser admirado por sucessivas gerações de admiradores.
Seria impensável no início adivinhar o seu sucesso. A voz forte mas pouco versátil. Os temas musicais agradáveis e envolventes mas muito frequentemente monótonos. As letras são belíssimos poemas. mas não será com isso que se faz uma vedeta. No entanto, a verdade é que se fez uma vedeta.
canadiano, judeu, budista, poeta de grande qualidade, Cohen foi um dos momentos mais comoventes da banda sonora da minha juventude e continua a ser de toda a minha vida
LEONARD COHEN & JUDY COLLINS - "SUZANNE"
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
A BANDA SONORA DA MINHA JUVENTUDE - 12
Nascido nos EUA é na Europa que começa a obter o imenso sucesso que depois se estendeu ao seu país de origem.
Guitarrista, cantor e compositor norte-americano. frequentemente citado por críticos e outros músicos como o melhor guitarrista da história do rock.
A sensualidade e violência da suas performances em público, ficaram famosas.
Hendrix foi o ícone dos Festivais de Monterrey, Woodstock, Ilha de Wight e o grande símbolo daquela parte dos jovens de então que se entregaram à droga, especialmente ao LSD, e se deixaram queimar na flor da juventude. Morreu com 28 anos.
JIMI HENDRIX - "HEY JOE"
Guitarrista, cantor e compositor norte-americano. frequentemente citado por críticos e outros músicos como o melhor guitarrista da história do rock.
A sensualidade e violência da suas performances em público, ficaram famosas.
Hendrix foi o ícone dos Festivais de Monterrey, Woodstock, Ilha de Wight e o grande símbolo daquela parte dos jovens de então que se entregaram à droga, especialmente ao LSD, e se deixaram queimar na flor da juventude. Morreu com 28 anos.
JIMI HENDRIX - "HEY JOE"
terça-feira, 27 de agosto de 2013
A BANDA SONORA DA MINHA JUVENTUDE - 11
Melanie Safka começou a cantar num tom entre a pop e o gospel em bares de Greenwich Village quando era estudante de teatro. Em 67 gravou o seu primeiro disco. Em Woodstock fou uma surpresa, tornando-se depois extremamente popular nos EUA e na Europa.
Tenho saudades deste tempo em que havia uma viola, uma melodia, um poema, uma voz e uma grande urgência de falar.
MELANIE SAFKA . LOOK WHAT THEI'VE DONE TO MY SONG
Tenho saudades deste tempo em que havia uma viola, uma melodia, um poema, uma voz e uma grande urgência de falar.
MELANIE SAFKA . LOOK WHAT THEI'VE DONE TO MY SONG
domingo, 25 de agosto de 2013
A BANDA SONORA DA MINHA JUVENTUDE - 10
Os Troggs, grupo britânico dos anos 60, tocavam um rock duro e electrizante e há quem neles reconheça as origens remotas do garage rock e do punk rock. A música deles era o lado da revolta pura e dura de finais dos anos 60.
A canção, que tem tido vida longa, teve múltiplas utilizações em cinema e televisão. Destaco um filme que me divertiu particularmente, "Something Wild", 1986, filme dirigido por Jonathan Demme com Melanie Griffith, Jeff Daniels e Ray Liotta
THE TROGGS - WILD THING
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
A BANDA SONORA DA MINHA JUVENTUDE - 9
Há canções como esta belíssima balada que atravessou décadas e continua a ter uma juventude intocável e a cheirar ao melhor que a humanidade pode dizer de si própria: a amizade e a fraternidade.
Escrita por Carole King e incluída no seu álbum histórico "Tapestry" foi divulgada por James Taylor e ainda hoje os dois se junta para a cantar em público
CAROLE KING & JAMES TAYLOR - YOU'VE GOT A FRIEND
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
A BANDA SONORA DA MINHA JUVENTUDE - 8
Os Credence Clearwater Revival duram de 68 a 72 E deixam-nos uma fantástica quantidade de magníficas canções das quais, apesar da suas origens folk, várias delas têm sido divulgadas por músicos e cantores da Soul Music.
Proud mary, I put a spell on you, Suzy Q, bad Monn rising, Down on the corner, Long as I can see the light, tantas.
Desbri-os melhor pasados anos do que na época e quero crer que são dos grupos mais influentes na música pop/rock de sempre.
CREDENCE CLEARWATER REVIVAL
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
A BANDA SONORA DA MINHA JUVENTUDE - 7
Influnciado por Woody Guthrie ou Pete Seeger, a obra de Bob Dylan nasce no âmbito da música folk americana
Dylan transformou-se num dos maiores ícones da minha geração. Representou um marcado espírito de rebeldia e de itinerância. esteve ligado a muitos movimentos cívicos as suas canções foram hinos que atravessaram os EUA e o mundo.
Muitos foram os cantores e grupos que divulgaram e continuam a divulgar as suas canções. Muitos são os que seguiram o modelo do cantor individualista que vai de terra em terra com a sua viola, as suas canções, os seus poemas, a sua rebeldia. Donovan em Inglaterra surge como uma variante inglesa de Dylan para depois seguir o seu caminho próprio. Em Portugal podíamos reconhecer vários traços dessa mesma influência no início da obra de Jorge Palma.
"Blowin in the wind" é um belíssimo poema cantado carregado de revolta e de poesia que ainda hoje ou de novo hoje faz todo o sentido.
BOB DYLAN - BLOWIN IN THE WIND
Dylan transformou-se num dos maiores ícones da minha geração. Representou um marcado espírito de rebeldia e de itinerância. esteve ligado a muitos movimentos cívicos as suas canções foram hinos que atravessaram os EUA e o mundo.
Muitos foram os cantores e grupos que divulgaram e continuam a divulgar as suas canções. Muitos são os que seguiram o modelo do cantor individualista que vai de terra em terra com a sua viola, as suas canções, os seus poemas, a sua rebeldia. Donovan em Inglaterra surge como uma variante inglesa de Dylan para depois seguir o seu caminho próprio. Em Portugal podíamos reconhecer vários traços dessa mesma influência no início da obra de Jorge Palma.
"Blowin in the wind" é um belíssimo poema cantado carregado de revolta e de poesia que ainda hoje ou de novo hoje faz todo o sentido.
BOB DYLAN - BLOWIN IN THE WIND
sábado, 17 de agosto de 2013
A BANDA SONORA DA MINHA JUVENTUDE - 6
Fetival de Woodstock, o lugar mágico, mítico, onde todos os meus companheiros de juventude sonhara estar. Vivíamos num país cinzento, estúpido, sujo Queríamos voar como a juventude dos outros países.
E não me venham dizer que as consequências deste famoso Verão do Amor foram por vezes negras. Foram. Mas o tempo de sonhar, o tempo de acreditar que o mundo ia mudar, o tempo de voar, esse, por mais que os rapazes um pouco mais novos se fiquem a criticar como quem rói uma noz azeda, esste tempo ninguém nos tira.
Consequências negras estamos agora a ver as que resultam do "maravilhoso" dos gestores que apregoam os encantos da sociedade deo mercado e da desinformação.
Deixem-me continuar a cantar que é preciso encontrar SOMEBODY TO LOVE.
JEFFERSON AIRPLANE - SOMEBODY TO LOVE
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
A BANDA SONORA DA MINHA JUVENTUDE - 5
Não se pode fazer uma história da música pop dos anos 60 sem falar desta canção. Êxito arrebatador poor volta de 67, continua a ser um marco fundamental O grupo, considerado um dos mais impotantes do rock progressivo, teve mais alguns sucessos como Homburg ou Conquistador mas foi com esta notável canção que ficou conhecido até hoje.
Era bom namorar ao som de Whiter Shade of Pale E estávamos no tempo do Make love not War.
PROCOL HARUM A WHITER SHADE OF PALE
terça-feira, 13 de agosto de 2013
A BANDA SONORA DA MINHA JUVENTUDE - 4
A Joan Baez foi e uma voz fundamental dos anos 60.
Mulher de convicções fortes, activista política até hoje, a sua voz extraordinária e a sua viola atravessaram os EUA cantando as canções de Bob Dylan, de Pede Seeger, a música folk e tradicional americana, mexicana, chilena.na, argentina.
Tem agora 72 anos. Actuou há 3 anos na Casa da Música no Porto e no Coliseu de Lisboa.
Ouço sempre com especial emoção muitas das suas interpretações que continuam a fazer parte da Banda Sonora da minha vida.
JOAN BAEZ WE SHALL OVER COME
Mulher de convicções fortes, activista política até hoje, a sua voz extraordinária e a sua viola atravessaram os EUA cantando as canções de Bob Dylan, de Pede Seeger, a música folk e tradicional americana, mexicana, chilena.na, argentina.
Tem agora 72 anos. Actuou há 3 anos na Casa da Música no Porto e no Coliseu de Lisboa.
Ouço sempre com especial emoção muitas das suas interpretações que continuam a fazer parte da Banda Sonora da minha vida.
JOAN BAEZ WE SHALL OVER COME
domingo, 11 de agosto de 2013
A BANDA SONORA DA MINHA JUVENTUDE - 3
Banda britânica de R&B que durou do início dos anos 60 até meados dos anos 70 e que teve diversas formações.
Gravaram várias canções do grande Bob Dylan, entre elas esta excelente "Mighty Queen"
MANFRED MANN, MIGHTY QUEEN
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
A BANDA SONORA DA MINHA JUVENTUDE - 2
Os TURTLES foram uma banda da California de rock folk. daquelas bandas que deixam uma canção e desaparecem
Na música é assim. Há aqueles que tudo o que fazem é fantástico, os Beatles, por exemplo. Outros que deixam uma canção que atravessa os anos e se mantém fresca e feliz.
Esta canção é de 67 e representa bem o espírito da época. A busca da felicidade e do colectivo.
Que bom que é, não foi?
THE TURTLES, SO HAPPY TOGETHER
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
A BANDA SONORA DA MINHA JUVENTUDE - 1
Para bem ou para mal, otempo da nossa juvntude vai-nos agarrado á pele pela vida fora. E podemos dizer que cada um tem uma banda sonora desses mesmos anos de juventude
Eu tinha 10 anos em 1961. Cresci, fui jovem, plenamente jovem, nos anos 60 e início dos anos 70. Guardo ainda comigo a memória dessa banda sonora quase interminável de grandes canções e de uma imensa lista de cantores, grupos e músicos. Não haveria uma capacidade de produção muito elaborada mas havia o prazer de fazer uma melodia e cantá-la com uma viola e uma voz, ou pouco mais que isso.
Em torno da música vivia-se uma festa que falava de coisas boas e bonitas, paz, amor, liberdade.
Sabemos que esta festa por vezes azedou. Mas é bom recordar as canções que ainda hoje se podem ouvir e que ainda hoje podem servir de exemplo para quem queira fazer da canção um meio para juntar gente e soletrar as palavras mais belas que soubermos dizer.
Se essas canções são ainda hoje magníficos golpes de asa, as imagens dos seus cantores estão muitas vezes agarradas a um gosto de época que nos pode fazer sorrir se compararmos com o que se faz hoje.
É bom sorrir em Agosto. Por isso vou aqui fazer uma viagem às canções da minha juventude começando com uma canção que ainda hoje me enternece e faz mexer qualquer coisinha no peito, por um grupo inglês que, entre 64 e 68 quase chegou a atingir a fama dos Beatles
HERMAN'S HERMITS -THERE'SE A KIND OF HUSH
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
ANABELA DIAS: UMA BELA ILUSTRADORA
Volto hoje aos ilustradores. Gosto de divulgar o seu trabalho. Porque muitas vezes passam despercebidos. Merecem ser referidos, apontados, sublinhados, porque é por vezes muito bela a sua arte, mas passa frequentemente despercebida. Contribuem para a beleza de um livro e, frequentemente, quanto melhor é o seu trabalho, mais discreto na elegância com que fazem sobressair o texto e se apagam perante esse texto.
Há dias, no PORTO DE CONTOS, conheci a Anabela Dias. Uma pessoa muito simpática e uma ilustradora cujo trabalho merece ser visto com atenção.
Ora vejam lá.
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
segunda-feira, 22 de julho de 2013
50 ANOS DE "OS VAMPIROS"
Uma festa muito bela na Aula Magna de Lisboa, no último sábado, com Xico Fam,nhais, Manuel Freire, João Afonso, Pedro Fragoso, Luís Pasrtor, Lusdes Guerra, Rogério Cardoso Pires, Vox Ensemble e mais este que se assina.
sábado, 20 de julho de 2013
segunda-feira, 8 de julho de 2013
ENTRE SONHO E FRICÇÃO
O Ondjaki é daquelas pessoas que mal conhecemos inauguramos logo uma longa amizade como dizia o O'Neill. Há nele uma alegria, uma enorme generosidade e um tão imediato desejo de companheirismo que nos deixa completamente rendidos.
Nos jornais que se guardam e acumulam para ler um dia em que se tenha tempo, apanhei uma entrevista ao JL de há tempos. E respiguei esta frase a propósito dos dias difíceis:
"Há dias em que me apetecia simplesmente que as coisas estivessem já num melhor rumo Não só para Angola mas para o mundo todo. Mas entre utopia e desencantamento, vamos dançando, falando. Entre sonho e fricção vamo contornando."
sexta-feira, 5 de julho de 2013
ANA BISCAIA - PRÉMIO NACIONAL DE ILUSTRAÇÃO
A minha amiga ANA BISCAIA ganhou o Prémio Nacional de Ilustração com "A CADEIRA QUE QUERIA SER SOFÁ".
Parabéns! Ela merece muito. É uma pessoa invulgar e uma ilustradora muito talentosa e que trabalha muito à margem do lugar comum.
E eu fico duplamento satisfeito porque temos um projectinho para um livro um bocadinho maluco que vai começar a ser trabalhado lá para Setembro.
E parabéns também ao Adelino Castro, esditor da LÁPIS DE MEMÓRIAS, pelo risco que assume e pelo prazer em fazer livros para quem gosta de livros.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
PELO MENOS UM BOM POEMA
A minha amiga Ana Margarida Cruz, professora de Filosofia em Vila Nova de Poiares, faz da página do Facebook uma forma delicada e entusiasmante de falar das suas paixões. E a sua maior paixão é a poesia e a leitura. Temos isso em comum Andamos sempre a roubar coisas um ao outro para lhes dar ainda maior divulgação.
Roubei-lhe esta citação de Goethe e esta ilustração de André da Loba. tenho a certeza de que muito mais opesoas as vão também levar.
Bem haja Ana Margarida.
"Devemos ouvir pelo menos uma pequena canção todos os dias, ler um bom poema, ver uma pintura de qualidade e, se possível, dizer algumas palavras sensatas"
Goethe
Ilustração DE André da Loba
Roubei-lhe esta citação de Goethe e esta ilustração de André da Loba. tenho a certeza de que muito mais opesoas as vão também levar.
Bem haja Ana Margarida.
"Devemos ouvir pelo menos uma pequena canção todos os dias, ler um bom poema, ver uma pintura de qualidade e, se possível, dizer algumas palavras sensatas"
Goethe
Ilustração DE André da Loba
segunda-feira, 1 de julho de 2013
PORQUE A LIBERDADE OFENDE
ELA É TÃO LIVRE QUE UM DIA SERÁ PRESA. "PRESA POR QUÊ?". "POR EXCESSO DE LIBERDADE". "POR EXCESSO DE LIBERDADE". "MAS ESSA LIBERDADE É INOCENTE?".. "É". "ATÉ MESMO INGÉNUA". "ENTÃO, POR QUÊ A PRISÃO?" "PORQUE A LIBERDADE OFENDE".
Clarice Lispector
Descobri a Clarice há alguns anos. A leitura tem estas coisas, a imensa felicidade de descobrir, de vez enquando, novos autores que nos acrescentam, que nos trazem uma nova inquietação, úm novo júbilo, um olhar mais profundo sobre as coisas da vida,um poucoquinho mais de felicidade.
Clarice teve uma exposição maravilhosa na Gulbenkian. Clarice está na moda. Algumas modas irritam-me. Já vi fazerem-se modas á volta de coisas de circunstância, poetas de leva-e-traz, coisas breves que passam e não deixam marca na praia do coração.
Mas a moda de Clarice é uma moda muito boa e que eu espero que perdure. porque ler Clarice é uma festa para a inteligência.
"ELA ACREDITAVA EM ANJO E, PORQUE ACREDITAVA, ELES EXISTIAM" ("A hora da estrela", Clarice Lispector)
quinta-feira, 27 de junho de 2013
AS CASAS PARA USAR E AS CASAS PARA NÃO MEXER
E aqui fica um texto do próximo 2º volume do "DIÁRIO INVENTADO DE UM MENINO JÁ CRESCIDO"
AS CASAS PARA USAR E AS CASAS PARA NÃO MEXER
A minha mãe levava-me às vezes a visitar uma senhoras que têm casas onde não se pode mexer em nada. Só se pode ver.
Todas as coisas que existiam nessas casas eram coisas muito caras. Os candeeiros cheios de vidrinhos, as cortinas cheias de cordões, as mesas cheias de tacinhas, as tacinhas cheias de dourados e tudo tão cheio de coisas que nem podia dar um espirro com medo de estragar alguma daquelas coisas.
Essas casas estavam muito limpas. Tão limpas que nem eram casas. Eram só limpeza. Tinham cheiro a cera e havia sempre plásticos em cima dos sofás, e tapetes pobrezinhos em cima de tapetes mais ricos e naperons em cima das televisões.
Nós entrávamos, víamos tudo, estava visto, “Que lindo, que lindo!”, dizia a minha mãe. E depois ela e a dona da casa iam conversar para a cozinha.
Eu, como não sabia o que é que havia de fazer, punha-me a pensar e ficava cheio de pena daquelas casas. Tinham sempre os estores fechados e lá dentro só havia sombras e cheiro a remédio para as baratas e por isso eram casas muito tristes. Não viam o sol e a lua, não ouviam gargalhadas, nem espirros, nem meninos a chorar, nem mães a cantar para os filhos adormecerem.
Quando eu for grande quero ter uma casa sem plásticos por cima dos sofás. Uma casa onde possa pular e, às vezes, rebolar pelo chão e adormecer num sofá quando o sol começa a ir-se embora. Quero uma casa com cheiros de comida e de pessoas, onde se possa tocar e mexer. Porque, se ninguém mexer nelas, as casas ficam muito tristes e podem até morrer.
AS CASAS PARA USAR E AS CASAS PARA NÃO MEXER
A minha mãe levava-me às vezes a visitar uma senhoras que têm casas onde não se pode mexer em nada. Só se pode ver.
Todas as coisas que existiam nessas casas eram coisas muito caras. Os candeeiros cheios de vidrinhos, as cortinas cheias de cordões, as mesas cheias de tacinhas, as tacinhas cheias de dourados e tudo tão cheio de coisas que nem podia dar um espirro com medo de estragar alguma daquelas coisas.
Essas casas estavam muito limpas. Tão limpas que nem eram casas. Eram só limpeza. Tinham cheiro a cera e havia sempre plásticos em cima dos sofás, e tapetes pobrezinhos em cima de tapetes mais ricos e naperons em cima das televisões.
Nós entrávamos, víamos tudo, estava visto, “Que lindo, que lindo!”, dizia a minha mãe. E depois ela e a dona da casa iam conversar para a cozinha.
Eu, como não sabia o que é que havia de fazer, punha-me a pensar e ficava cheio de pena daquelas casas. Tinham sempre os estores fechados e lá dentro só havia sombras e cheiro a remédio para as baratas e por isso eram casas muito tristes. Não viam o sol e a lua, não ouviam gargalhadas, nem espirros, nem meninos a chorar, nem mães a cantar para os filhos adormecerem.
Quando eu for grande quero ter uma casa sem plásticos por cima dos sofás. Uma casa onde possa pular e, às vezes, rebolar pelo chão e adormecer num sofá quando o sol começa a ir-se embora. Quero uma casa com cheiros de comida e de pessoas, onde se possa tocar e mexer. Porque, se ninguém mexer nelas, as casas ficam muito tristes e podem até morrer.
terça-feira, 25 de junho de 2013
NOTÍCIAS DE UM PAÍS ONDE SE LÊ
Aqui vos trago notícias de um país onde se lê. Um país que, por vezes, parece clandestino porque os jornais não falam dele. E muitos dos nossos dirigentes nem sabem que existe E, às vezes, nem sabem que existe leitura.
O "DIÁRIO INVENTADO DE UM MENINO JÁ CRESCIDO" (que já vai na sua 7ª edição - a imagem já vem atrasada) foi um livrinho feito com um enorme prazer e que já tem a continuação à vista. São histórias de quando eu era menino escritas para as minhas filhas, para lhes contar como era na infância este pai, e que o meu filho mais velho ilustrou como trabalho de final do curso Superior de Pintura.
É claro que nem tudo aconteceu como vem contado. Quem conta um conto acrescenta um ponto. Mas essa viagem à memória da infância é um exercício que me dá um imenso prazer, como ainda o dá a procura da forma de contar que bem respeite essa memória e estabeleça possíveis pontes entre infâncias e tempos diferentes.
Recebo agora uma bela notícia: o "Diário" foi o livro mais requisitado durante o ano no Centro de Recursos da EB23 da Venda do Pinheiro. É claro que o facto de o Centro de Recursos se chamar "Poeta José Fanha" dá uma ajudinha a esta popularidade. Mas quem merece todos os elogios é a professora bibliotecária Jacqueline Duarte, uma daquelas fantásticas professoras que vão muito para além de todas as metas no trabalho de promoção do livro e da leitura. Bem haja.
terça-feira, 18 de junho de 2013
LEMBRO-ME
É cada vez maior a importância de preservar e transmitir memória num tempo que devora cada vez mais rapidamente o passado, mesmo o passado próximo. E quando se esquece o passado ficamos sem chão para construir o futuro
Neste caso, o meu amigo João Pedro Messéder faz um trabalho simples, liso, comovente e tão importante que é o de dirigir-se: a um público já nascido e crescido num país onde as liberdades democráticas são uma realidade - cada vez mais ameaçadas, é certo, apesar de duramente conquistadas pela luta do povo ao longo de quarenta e oito anos de ditadura salazarista e machista.
E dirige-se a esse público para contar desse país antes da democracia e da liberdade, desse tempo cinzento e burro da ditadura. E vem dizer-nos de que é que se lembra, das pequenas e das grandes coisas, para que todos possam ler melhor estes dias que nos são dados viver e em que ideias e factos e momentos estão ancorados nas esperanças e nos medos de quem viveu o antes e o depois.
A editora é a LÁPIS DE MEMÓRIAS do Adelino Castro e a ilustradora é a fantástica ANA BISCAIA. Tudo amigos.
sexta-feira, 14 de junho de 2013
IF I HAD A HAMMER
Sabe bem lembrar esta canção criada por Pete Seeger e aqui cantada pelos PETER, PAUL AND MARy.
Foi um hino das lutas pelos direitos civis na América.
Hoje em que os professores estão a romper o medo atávico e a partir para uma luta tão justa como urgente, volta a ser importante lembrar, como nesta canção, que :
It's the hammer of justice
It's the bell of freedom
It's the song about love between
my brothers and my sisters
If I Had A Hammer
If I had a hammer
I'd hammer in the morning
I'd hammer in the evening
All over this land
I'd hammer out danger
I'd hammer out a warning
I'd hammer out love between
My brothers and my sisters ah-aaah
All over this land
If I had a bell
I'd ring it in the morning
I'd ring it in the evening
All over this land
I'd ring out danger
I'd ring out a warning
I'd ring out love between
My brothers and my sisters ah-aaah
All over this land.
If I had a song
I'd sing it in the morning
I'd sing it in the evening
All over this land
I'd sing out danger
I'd sing out a warning
I'd sing out love between
My brothers and my sisters ah-aaah
All over this land.
I got a hammer
And I got a bell
I got a song to sing
All over this land
It's the hammer of justice
It's the bell of freedom
It's the song about love between
My brothers and my sisters
All over this land
All over this land
All over this land
All over this land
All over this land
Foi um hino das lutas pelos direitos civis na América.
Hoje em que os professores estão a romper o medo atávico e a partir para uma luta tão justa como urgente, volta a ser importante lembrar, como nesta canção, que :
It's the hammer of justice
It's the bell of freedom
It's the song about love between
my brothers and my sisters
If I Had A Hammer
If I had a hammer
I'd hammer in the morning
I'd hammer in the evening
All over this land
I'd hammer out danger
I'd hammer out a warning
I'd hammer out love between
My brothers and my sisters ah-aaah
All over this land
If I had a bell
I'd ring it in the morning
I'd ring it in the evening
All over this land
I'd ring out danger
I'd ring out a warning
I'd ring out love between
My brothers and my sisters ah-aaah
All over this land.
If I had a song
I'd sing it in the morning
I'd sing it in the evening
All over this land
I'd sing out danger
I'd sing out a warning
I'd sing out love between
My brothers and my sisters ah-aaah
All over this land.
I got a hammer
And I got a bell
I got a song to sing
All over this land
It's the hammer of justice
It's the bell of freedom
It's the song about love between
My brothers and my sisters
All over this land
All over this land
All over this land
All over this land
All over this land
terça-feira, 11 de junho de 2013
ACHIMPA
.jpg)
A minha amiga, Catarina Sobral é uma jovem e excelente ilustradora, se se pode chamar ilustração em estrito senso ao que ela faz. Mas também não vale a pena discutir essas minudências. É bom É diferente. É pessoal E é muito divertido.
Com "Achimpa" a Catarina ganhou o prémio SPA para livros infantis. Viva! Parabéns.
.jpg)
E se querem saber o que é Achimpa leiam o livro. partilhem-no. Vale a pena. É uma beleza. Num formato invulgar. Numa aposta da editora Orfeu Mini na qalidade.
sábado, 8 de junho de 2013
QUANDO O SOL ESTÁ A BRILHAR
quarta-feira, 5 de junho de 2013
AS FOLHAS MORTAS

Farto-me de falar de Prévert. Foi um dos meus primeiríssimos amores na poesia. Volta e meia volto a ele. À poesia, às colagens, às canções.
E aqui ficam uma colagem e uma canção que é daquelas raras e maravilhosas canções que me ajudam a reconciliar-me comigo e com o mundo. Uma canção de amor, uma canção sobre o fim do amor, aqui cantada por uma imensa senhora da canção: Juliette Gréco.

domingo, 2 de junho de 2013
A DEMOCRACIA E O CAPITALISMO

Há pessoas que devemos ouvir, pessoas que nos ajudam a pensar melhor as razões do lugar desconfortável que esta sociedade nos vai reservando.
Uma dessas pessoas é o meu querido amigo, o Profeeor Boeventura Sousa Santos.
Reproduzo o artigo dele na última VISÃO sobre democracia e capitalismo. Explicado assim paraece tão fácil E se calhar é mesmo fácil. Mas não para todos certamente..
"A relação entre democracia e capitalismo foi sempre uma relação tensa, senão mesmo de contradição. O capitalismo só se sente seguro se governado por quem tem capital ou se identifica com as suas "necessidades", enquanto a democracia é o governo das maiorias que nem têm capital nem razões para se identificar com as "necessidades" do capitalismo, bem pelo contrário. O conflito é distributivo: a pulsão para a acumulação e concentração da riqueza por parte dos capitalistas e a reivindicação da redistribuição da riqueza por parte dos trabalhadores e suas famílias. A burguesia teve sempre pavor de que as maiorias pobres tomassem o poder e usou o poder político que as revoluções do século XIX lhe concederam para impedir que tal ocorresse. Concebeu a democracia liberal de modo a garantir isso mesmo, através de medidas que mudaram no tempo mas mantiveram o objetivo: restrições ao sufrágio, primazia absoluta do direito de propriedade individual, sistema político e eleitoral com múltiplas válvulas de segurança, repressão violenta de atividade política fora das instituições, corrupção dos políticos, legalização dos lóbis. E sempre que a democracia se mostrou disfuncional, manteve-se aberta a possibilidade do recurso à ditadura, o que aconteceu muitas vezes.
No imediato pós-guerra, muito poucos países tinham democracia, vastas regiões do mundo estavam sujeitas ao colonialismo europeu que servira para consolidar o capitalismo euro-norte-americano, a Europa encontrava-se devastada por mais uma guerra provocada pela supremacia alemã, e, no Leste, consolidava-se o regime comunista que se via como alternativa ao capitalismo e à democracia liberal. Foi neste contexto que surgiu o chamado capitalismo democrático, um sistema assente na ideia de que, para ser compatível com a democracia, o capitalismo deveria ser fortemente regulado, o que implicava a nacionalização de setores-chave da economia, a tributação progressiva, a imposição da negociação coletiva e até, como aconteceu na então Alemanha Ocidental, a participação dos trabalhadores na gestão das empresas. No plano científico, Keynes representava, então, a ortodoxia económica e Hayek a dissidência. No plano político, os direitos económicos e sociais foram o instrumento privilegiado para estabilizar as expectativas dos cidadãos e defendê-las das flutuações constantes e imprevisíveis dos "sinais dos mercados". Esta mudança alterava os termos do conflito distributivo mas não o eliminava. Pelo contrário, tinha todas as condições para o acirrar logo que abrandasse o crescimento económico, o que se registou nas três décadas seguintes. E assim sucedeu.
Desde 1970, os Estados centrais têm vindo a gerir o conflito entre as exigências dos cidadãos e as exigências do capital, recorrendo a um conjunto de soluções que gradualmente foram dando mais poder ao capital. Primeiro, foi a inflação, depois, a luta contra a inflação acompanhada do aumento do desemprego e do ataque ao poder dos sindicatos, a seguir, o endividamento do Estado em resultado da luta do capital contra a tributação, da estagnação económica e do aumento das despesas sociais decorrentes do aumento do desemprego e, finalmente, o endividamento das famílias, seduzidas pelas facilidades de crédito concedidas por um setor financeiro finalmente livre de regulações estatais, para iludir o colapso das expectativas a respeito do consumo, educação e habitação.
Até que a engenharia das soluções fictícias chegou ao fim, com a crise de 2008, e se tornou claro quem tinha ganho o conflito distributivo: o capital. Prova disso: o disparar das desigualdades sociais e o assalto final às expectativas de vida digna da maioria (os cidadãos) para garantir as expectativas de rentabilidade da minoria (o capital financeiro). A democracia perdeu a batalha mas só não perderá a guerra se as maiorias perderem o medo, se revoltarem dentro e fora das instituições e forçarem o capital a voltar a ter medo, como sucedeu há 60 anos."
quarta-feira, 29 de maio de 2013
ESCULTURAS PARA HABITAR... OU TALVEZ NÃO

O Arquitecto Calatrava tem deixado a marca do seu magnífico desenho pelas grandes cidades do mundo. É um excepcional criador de objectos urbanos. Um escultor de espaços arquitectónicos.
Eu que sou arquitecto não praticante, mas arquitecto, não posso deixar de admirar os objectos de Calatrava, entre os quais a Estação do Oriente no Parque das Nações. Não gosto de lhes chamar arquitectura mas escultura urbana.
Explico. Também sou utente e com muita frequência da Estação. Não a vejo só de fora. Uso-a. No Verão e sobretudo no Inverno. Deixo inúmeras vezes o carro no estacionamento e tenho de percorrer centenas de metros e várias escadas rolantes para chegar às bilheteiras e às plataformas para apanhar o comboio.

Além deste percurso longo e doloroso para quem tem hérnias discais como eu e uma mala de rodinhas para levar por ali fora e por ali acima, acresce o extremo incómodo das plataformas. São lindas. Mas o vento, o frio e a chuva fustigam quem tem de esperar pelo comboio. Tem sido o meu caso vezes sem conta.
É claro que a Estação foi feita para a Expo 98 que se inaugurou em pleno Verão e tinha uma utilização muito intensa.
Mas não era apenas para isso. Era e é para continuar no tempo. E aí é que a porca torce o rabo.
Sempre entendi a Arquitectura como uma forma de arte para habitar. O arquitecto tem de responder a várias ordens de problemas, técnicos, de desenho,de inserção no espaço urbano, de resposta aos programas de utilização, de procura dessa conjunção que faz as obras raras que é a de juntar beleza e conforto.
Um dos mais fantásticos e delirantes textos sobre este tema chama-se "Se os impressionistas fossem dentistas". Woody Allen no seu melhor. Vale a pena lê-lo e pensar que aquele dentista que fazia obras de arte na boca das pessoas sem querer saber do seu conforto tem uma atitude semelhante à de alguns artistas que esquecem o seu público e as respectivas necessidades.
A Estação do Oriente é bonita vista de fora. Muito incómoda por dentro. Não me parece uma obra de arte boa para habitar. A não ser para os sem abrigo que a partir das 22/23h00 estendem papelão, velhos cobertores e mantas nas longas bancadas e ali dormem enrolados na solidão, no álcool, nos cães. De madrugada têm de sair. Às vezes, quando chego tarde, vejo-os nas tarefas de fazer a cama. Outras vezes chego tão cedo que ainda estão a beber o primeiro bagaço e a partir para os seus descaminhos na cidade.
Tremo sempre ao vê-los. Mas dou graças por terem ao menos esta morada e peço que o Deus dos comboios vele sempre pelo seu sono.
segunda-feira, 27 de maio de 2013
EU NÃO QUERO VOLTAR À MINHA VIDA
Devo confessar que nunca fui um daqueles exdrúxulos e deslumbrados apreciadores da poesia de Adília Lopes.
Talvez porque sempre fui contra a corrente das modas de ocasião. Talvez porque frequentei muito e continuo a frequentar poetas como Cesariny, Prévert, Breton e outros que caminharam com outro fôlego, outro programa e outro construído olhar sobre a coisa da escrita.
A moda Adília Lopes tem esmorecido ultimamente. Os deslumbrados mudam de negócio periodicamente e desviam-se para outras novidades. Às vezes até fazem de conta que nem se lembram de quem ela é e das loas que lhe teceram.
E eu, como sou um homem livre, até da carga dos possíveis preconceitos, e que estou sempre disponível para me deixar tomar pela força de um poema, dei, pela primeira vez, com um poema de Adília Lopes que me agarrou pela garganta e me virou do avesso.
Fiquei feliz porque encontrar um bom poema é sempre uma festa. E tenho de agradecer ao meu amigo Nicolau Santos que continua um belíssimo trabalho de divulgação da poesia portuguesa nos seus artigos sobre economia no jornal Expresso
Cá vai mais um abraço, meu caro Nicolau, já que os abraços não se gastam como os tostões.
A ELISABETH FOI-SE EMBORA
(com algumas coisas de Anne Sexton)
Eu que já fui do pequeno almoço à loucura
eu que já adoeci a estudar morse
e a beber café com leite
não posso passar sem a Elisabeth
porque é que a despediu senhora doutora?
que mal me fazia a Elisabeth
a lavar-me a cabeça
não suporto que a senhora doutora me toque na cabeça
eu só venho cá senhora doutora
para a Elisabeth me lavar a cabeça
só ela sabe as cores os cheiros a viscosidade
de que eu gosto nos shampoos
só ela sabe como eu gosto da água quase fria
a escorrer-me pela cabeça abaixo
eu não posso passar sem a Elisabeth
não me venha dizer que o tempo cura tudo
contava com ela para o resto da vida
a Elisabeth era a princesa das raposas
precisava das mãos dela na minha cabeça
ah não haver facas que lhe cortem o
pescoço senhora doutora eu não volto
ao seu antiséptico túnel
já fui bela uma vez agora sou eu
não quero ser barulhenta e sozinha
outra vez no túnel o que fez à Elisabeth?
a Elisabeth era a princesa das raposas
porque me roubou a Elisabeth?
a Elisabeth foi-se embora
é só o que tem para me dizer senhora doutora
com uma frase dessas na cabeça
eu não quero voltar à minha vida
Talvez porque sempre fui contra a corrente das modas de ocasião. Talvez porque frequentei muito e continuo a frequentar poetas como Cesariny, Prévert, Breton e outros que caminharam com outro fôlego, outro programa e outro construído olhar sobre a coisa da escrita.
A moda Adília Lopes tem esmorecido ultimamente. Os deslumbrados mudam de negócio periodicamente e desviam-se para outras novidades. Às vezes até fazem de conta que nem se lembram de quem ela é e das loas que lhe teceram.
E eu, como sou um homem livre, até da carga dos possíveis preconceitos, e que estou sempre disponível para me deixar tomar pela força de um poema, dei, pela primeira vez, com um poema de Adília Lopes que me agarrou pela garganta e me virou do avesso.
Fiquei feliz porque encontrar um bom poema é sempre uma festa. E tenho de agradecer ao meu amigo Nicolau Santos que continua um belíssimo trabalho de divulgação da poesia portuguesa nos seus artigos sobre economia no jornal Expresso
Cá vai mais um abraço, meu caro Nicolau, já que os abraços não se gastam como os tostões.
A ELISABETH FOI-SE EMBORA
(com algumas coisas de Anne Sexton)
Eu que já fui do pequeno almoço à loucura
eu que já adoeci a estudar morse
e a beber café com leite
não posso passar sem a Elisabeth
porque é que a despediu senhora doutora?
que mal me fazia a Elisabeth
a lavar-me a cabeça
não suporto que a senhora doutora me toque na cabeça
eu só venho cá senhora doutora
para a Elisabeth me lavar a cabeça
só ela sabe as cores os cheiros a viscosidade
de que eu gosto nos shampoos
só ela sabe como eu gosto da água quase fria
a escorrer-me pela cabeça abaixo
eu não posso passar sem a Elisabeth
não me venha dizer que o tempo cura tudo
contava com ela para o resto da vida
a Elisabeth era a princesa das raposas
precisava das mãos dela na minha cabeça
ah não haver facas que lhe cortem o
pescoço senhora doutora eu não volto
ao seu antiséptico túnel
já fui bela uma vez agora sou eu
não quero ser barulhenta e sozinha
outra vez no túnel o que fez à Elisabeth?
a Elisabeth era a princesa das raposas
porque me roubou a Elisabeth?
a Elisabeth foi-se embora
é só o que tem para me dizer senhora doutora
com uma frase dessas na cabeça
eu não quero voltar à minha vida
domingo, 19 de maio de 2013
MANUEL RIVAS

No IV Encontro de Escritores Lusófonos que decorreu mais uma vez em Odivelas, conheci vários escritores da Guiné, Cabo Verde, Moçambique, Angola, Brasil. Reencontrei vários amigos, o Ascêncio de Freitas, o João de Melo, entre outros. E conheci um notável escritor e poeta galego, o manuel Rivas de que já li vários livros entre os quais o notável "O lápis do carpinteiro"
O Manolo é daquelas pessoas com quem, mal o conhecemos, inauguramos a palavra amigo, como dizia o O'Neill. Aqui fica um belo poema dele.
SOMOS LO QUE SOÑAMOS SER
Somos lo que soñamos ser
Y ese sueño, no es tanto una meta
Como una energía
Cada día es una crisálida
Cada día alumbra una metamorfosis
Caemos, nos levantamos
Cada día la vida empieza de nuevo
La vida es un acto de resistencia y de reexistencia
Vivimos, revivimos
Pero todos esos tienen la memoria
Somos lo que recordamos
La memoria es nuestro hogar nómada
Como las plantas o las aves emigrantes
Los recuerdos tienen la estrategia de la luz
Van hacia delante
A la manera del remero que se desplaza de espaldas para ver mejor
Hay un dolor parecido al dolor de muelas
A la pérdida física
Y es perder algún recuerdo que queremos
Esas fotos imprescindibles en el álbum de la vida
Por eso hay una clase d melancolía que no atrapa
Sino que nutre la libertad
En esa melancolía como espuma en las olas
Se alzan los sueños.
Manuel Rivas.
quinta-feira, 16 de maio de 2013
OMELHORAMIGO.BLOGSPOT.COM
Foi o meu amigo Alberto Serra que me avisou: "Vai lá ver o blog! Não percas! Eu vou lá todos os dias!"
E eu fui E gostei. Muito. Mais ainda, agradeço as traduções partilhadas pelo David Vaz Pinto. Traduzir poesia é uma festa e um ofício maravilhoso. Neruda chamava-lhe "Trocar de rosa".
E aqui fica um poema de Gabriel Celaya (1911-1991), poeta espanhol do período do pós-guerra civil, um dos mais destacados representantes do que se chamou a "poesia comprometida".
Tudo vale a pena
Tudo vale a pena.
Espero ansiosamente telegramas que digam,
por exemplo: "Foste aceite", ou: "Boa viagem. Abraços."
Pago o que for preciso por um cognac decente;
perco noites inteiras com uma miúda qualquer.
Tudo vale a pena.
Tudo me arrebata e é isso o que é terrível;
tudo me apaixona e é, ainda assim, tonto;
tudo deveria parecer-me nada,
mas as coisas de nada são a minha vida, o meu tudo.
Tudo vale a pena.
Exibo o capital social do meu negócio
como um pele-vermelha a sua arrogante pena.
É uma miséria; não significa nada;
mas o meu sangue pulsa: vivo, sou feliz.
- Gabriel Celaya
terça-feira, 14 de maio de 2013
O MEU AMIGO PINTO
Já conheço o meu amigo Joaquim Pinto talvez desde antes do 25 de Abril. E quando quero o cabelo bem cortado lá vou a correr pedir assento na sua cadeira e entregar a melena desgranhada à sua arte de cabeleireiro laureado
É um oficial ímpar do seu ofício. Já recebeu muitos prémios. Foi duas vezes campeão europeu de cabeleireiros.
Tem desde sempre o seu estabelecimento (Cabeleireiros Pinto's)na cave do Apolo 70, ali quase ao lado das antigas instalações da RTP.
Cortou o cabelo a muita gente famosa deste país. Artistas de teatro e de televisão, jornalistas, pintores, escritores, políticos, presidentes da República e capitães de Abril. Tem um livro pronto para dar conta justamente de toda essa gente que teve e continua a ter sentada na sua cadeira.
Com eles conversa com uma calma e afabilidade delicadíssimas e uma capacidade invulgar de não magoar ninguém mesmo quando numa e noutra cadeira estão sentados inimigos dos de pantalha, de campanha eleitoral ou mesmo dos figadais.
Já aqui falei dele. E mais hei-de falar. Porque merece sendo um grande profissinal e um maravilhoso ser humano.
Já lá não cortava o cabelo há uns dois anos. Os cabeleireiros comigo não se governam... Mas sempre que lá vou venho mais leve, do cabelo que voou, da conversa e da amizade que me fazem sentir mais confortável e ligeiro neste momento tão pesado e negro em que nos movimentamos por estes tempos.
Grande abraço, Pinto. E talvez desta vez demore menos tempo para levar o meu já reduzido cabelo a visitá-lo outra vez.
domingo, 12 de maio de 2013
PLANTAR A LUA
quinta-feira, 9 de maio de 2013
domingo, 5 de maio de 2013
ARMANDO CALDAS

Amanhã no teatro Ruy de Carvalho pelas 21h00 decorre a homenagem ao Armando Caldas, um homem de bem que tem dedicado toda a sua vida ao Teatro e à cultura, animando espaços diferentes, fazendo do seu trabalho uma forma de mostrar que a cultura está viva e recomenda-se e mais, que é e sempre foi uma forma de fazer com que as consciências se levantem e mobilizem numa relação intensa com a cidadania.
Cruzámo-nos várias vezes, primeiro no 1º Acto Clube de Teatro em Algés, antes do 25 de Abril, depois numa peça que o Armando encenou, "Noivado no Dafundo" de Almeida Garrett, para a qual eu e o Carlos Alberto Moniz fizemos as canções, e depois um pouco por toda a parte ao sabor da vida.
Segunda feira lá estarei para lhe dar um abraço imenso e para lhe dizer: "Bem hajas Armando por tudo o que nos deste!"
sexta-feira, 3 de maio de 2013
"NÃO CONSIGO ENCONTRAR A ESPERANÇA NESTE MOMENTO"

No último número do suplemento "Actual" do Expresso, é publicada uma muito interessante entrevista com o escritor John Le Carré.
Devo dizer que Le Carré é um dos escritores que me é imprescindível. Gosto muito da sua escrita E, normalmente, é um homens cujas opiniões vale a pena ler e mastigar.
Cito:
"Nunca fui feliz como rapaz, homem, marido, pai, professor, até começar a escrever. Pintava, escrevia má poesia, fazia ilustração. Gostava de agradar às pessoas, era um mestre do entretenimento, mas cada dia que passava sentia-me mais desgostoso. Comecei a escrever e aí pensei: Isto é o que eu sou."
(A propósito de Tony Blair e da guerra do Iraque) "Não há crime maior do que atirar um país para a guerra a partir de falsos pressupostos."
" Não consigo encontrar a esperança neste momento. Continuo à espera dela para perceber onde é que os meus filhos e os meus netos irão viver."
º
terça-feira, 30 de abril de 2013
LER E PENSAR

A revista LER de Novembro passado trouxe uma excelente entrevista com Alberto Manguel. Muitas razões haveria para trazer aqui as afirmações e reflexões de Manguel. Ficam apenas 3 citações. Haverá quem as discuta ou critique. E ainda bem. É para isso que nos servem estes assaltos ao texto. Estes recortes Para nos abanar, inquietar, ancorar, porventura
“Há uma definição do crítico canadiano Northop Frye do que é um clássico: é uma obra cuja circunferência é sempre maior que a do melhor dos seus leitores.”
“A Divina Comédia é um texto infinito E há textos bidimensionais que são só superfície, onde um leitor não pode penetrar sem o quebrar. É o caso dos livros de Paulo Coelho.”
“Sem querer parecer paranóico, creio que as autoridades estatais funcionam em colaboração com as grandes empresas para manter a ideia de que o consumo arbitrário é necessário.”
Alberto Manguel , revista “LER”, Nov. 2012
sábado, 27 de abril de 2013
ENCONTRO

Hagar Peeters, poeta Holandesa que o meu amigo Nicolau Santos publicou na sua coluna sobre economia no Expresso. O jornal vale pelos poemas que o Nicolau publica. O resto são notícias e opiniões quase todas descartáveis. Os poemas, esses hão-de ficar. Obricado Nicolau. Grande abraço.
ENCONTRO
Ele não apareceu.
Talvez tenha adoecido ou ficado debaixo de
um eléctrico. Talvez outra pessoa se pusesse na conversa com ele.
Talvez se tenha esquecido do relógio,
ou o relógio se tenha esquecido de lhe dar o tempo certo.
Talvez o carro não pegasse,
ou tenha ficado avariado a meio do caminho.
Talvez alguém lhe telefonasse quando ia a sair de casa,
dizendo-lhe que tinha de ir a um funeral
ou que a mãe dele tinha morrido.
Talvez tenha encontrado um antigo conhecido.
Talvez tenha tido uma discussão no emprego,
tenha sido despedido e esteja a esconder
a cabeça debaixo de uma almofada.
Talvez a ponte estivesse fechada e
a seguinte também.
Talvez o semáforo permanecesse vermelho.
Talvez o multibanco tenha engolido o cartão
ou a meio do caminho tenha reparado que se esquecera
do porta-moedas.
Talvez tenha perdido os óculos,
não conseguisse deixar de ler,
houvesse um programa que ele queria acabar de ver,
não conseguisse dar a volta à fechadura da porta,
não encontrasse as chaves em sítio nenhum e
o cão dele de repente começasse a vomitar.
Talvez não houvesse um telefone por perto,
não encontrasse o restaurante
ou esteja à espera noutro sítio, por engano.
Talvez – a última possibilidade,
incompreensível e inesperada –
ele tenha deixado de me amar.
(in Genoeg gedicht over de liefde vandaag, 1999,
tradução de Maria Leonor Raven-Gomes)
quinta-feira, 25 de abril de 2013
AGORA DEVE-SE BEBER, DANÇAI

Porque nunca é demais lembrar esse momento tão longe dos olhos, dos mandantes e das ruas, e tão perto do coração.
HÉLIA CORREIA
25 DE ABRIL
Agora deve-se beber, ohé, dançai
sobre este chão que estala com o cheiro
das coisas prometidas, com o fresco
tambor da ansiedade.
É a festa, mulheres!
Que sangue vibra,
que flor ou menstruo? Cor
que abotoais nas blusas, que atirais
na direcção do sol.
Espantosamente
se desfaz a montanha.
Hoje é a ceifa, ohé!
Beijai a terra,
soletrai-a com sede e devagar
como se toma a posse do amor
e se mordem os frutos.
Salve, mãe, o teu ventre perfumado
pelo nosso triunfo.
Bebamos, pois o vinho destas vozes,
soltemos estes cravos como potros
embriagados.
Como intensas éguas
incendiárias.
Cantai, cantai, crianças, o esplendor
de que nasceis herdeiras.
Erguei nas vossas mãos o ar por onde
esvoaça esta alegria.
Que ninguém adormeça.
Por que dias,
meses a fio, e anos, dançaremos
por sobre a claridade.
Vinde, bebei, ciganos:
eis a pátria.
terça-feira, 23 de abril de 2013
LIBERDADE

Nos grandes momentos da luta pela livberdade a voz dos poetas anuncia a libertação e abraça os que quebram os laços de servidão.
Aqui paul Éluard traduzido por Carlos Drumond de Andrade
LIBERDADE
Nos meus cadernos de escola
Nesta carteira nas árvores
Nas areias e na neve
Escrevo teu nome
Em toda página lida
Em toda página branca
Pedra sangue papel cinza
Escrevo teu nome
Nas imagens redouradas
Na armadura dos guerreiros
E na coroa dos reis
Escrevo teu nome
Nas jungles e no deserto
Nos ninhos e nas giestas
No céu da minha infância
Escrevo teu nome
Nas maravilhas das noites
No pão branco de cada dia
Nas estações enlaçadas
Escrevo teu nome
Nos meus farrapos de azul
No tanque sol que mofou
No lago lua vivendo
Escrevo teu nome
Nas campinas do horizonte
Nas asas dos passarinhos
E no moinho das sombras
Escrevo teu nome
Em cada sopro de aurora
Na água do mar nos navios
Na serrania demente
Escrevo teu nome
Até na espuma das nuvens
No suor das tempestades
Na chuva insípida e espessa
Escrevo teu nome
Nas formas resplandecentes
Nos sinos das sete cores
E na física verdade
Escrevo teu nome
Nas veredas acordadas
E nos caminhos abertos
Nas praças que regurgitam
Escrevo teu nome
Na lâmpada que se acende
Na lâmpada que se apaga
Em minhas casas reunidas
Escrevo teu nome
No fruto partido em dois
de meu espelho e meu quarto
Na cama concha vazia
Escrevo teu nome
Em meu cão guloso e meigo
Em suas orelhas fitas
Em sua pata canhestra
Escrevo teu nome
No trampolim desta porta
Nos objetos familiares
Na língua do fogo puro
Escrevo teu nome
Em toda carne possuída
Na fronte de meus amigos
Em cada mão que se estende
Escrevo teu nome
Na vidraça das surpresas
Nos lábios que estão atentos
Bem acima do silêncio
Escrevo teu nome
Em meus refúgios destruídos
Em meus faróis desabados
Nas paredes do meu tédio
Escrevo teu nome
Na ausência sem mais desejos
Na solidão despojada
E nas escadas da morte
Escrevo teu nome
Na saúde recobrada
No perigo dissipado
Na esperança sem memórias
Escrevo teu nome
E ao poder de uma palavra
Recomeço minha vida
Nasci pra te conhecer
E te chamar
Liberdade
sexta-feira, 19 de abril de 2013
LER TEATRO

Quando herdei o quarto do meu irmão mais velho que se foi para Moçambique, herdei também alguns dos seus livros que por lá ficaram.
Era menino de 7 anos ou por aí. Um pouco mais tarde pus-me a escafandrar nessa herança de papel e a ler aqueles livros que por lá ficaram. E entre eles havia muitas peças de teatro. Recordo Jean Anouilh, Ionesco, Pirandello, Brecht e outros. Lia-se teatro nesse tempo. Penso que a censura proibia a representação de muitos textos mas não a sua edição em livro. Fiquei com esse hábito: ler teatro. Imaginar teatro a partir do texto.
E depois, passei a ver teatro. E depois ainda a escrever teatro.
Li este texto delicioso do meu querido amigo António Torrado. Fala daquela velha suspeita de o enfezado filho de D. Henrique possa ter sido trocado por outro menino, forte e saudável que viria a ser o nosso D. Afonso Henriques.
Hoje não é hábito ler teatro. As editoras viraram-lhe as costas com a excepção da Cotovia que tem uma belíssima colecção de textos tetrais contemporâneos.
O meu amigo Adelino Cardoso da Lápis de Memórias que não anda atrás de best sellers mas de livros para ler e mastigar editou a peça do António Torrado. E ainda bem
O texto é uma delícia e a representação pelo grupo de teatro Jangada de Lousada, que também tive a possibilidade de ver, é outra delícia. E para todas as idades.
quarta-feira, 17 de abril de 2013
A FÁBRICA DO TEMPO

E aqui está outro livro delicioso. Da minha muito querida amiga Sílvia Alves, excelente escritora para a infância e contadora de histórias, também conhecida pelo nome quase histórico de Bruxinha de Papel.
As ilustrações são uma festa para os olhos, do Pierre Pratt. Daquelas ilustrações que acrescentam a história que é já de si uma delícia.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
QUERIDO FIM DE SEMANA
A Maria de Lurdes Soares é uma querida amiga, uma mulher que sabe como se escreve e como se produz um livro para crianças
O sol chegou e o tempo começa a chamar-nos para os prazeres de um fim-de-semana mesmo que seja 2ª ou 3ª ou 4ª feira.
Por isso, talvez não seja mau começar qualquer fim-de-semana por este fim-de-semana ao sabor de um texto delicioso e das ilustrações ternas e festivas da Raquel Pinheiro.
sábado, 13 de abril de 2013
CREDO

A poesia traz-nos por vezes surpresas e emoções inesperadas.
Às vezes a maré da vida traz-nos um poema que não conhecíamos e nos ilumina e nos enche de júbilo e nos deixa felizes, felizes por não sermos Ministros das Finanças ou do Interior, ou da Medicina ou da Doença, mas poetas ou músicos ou professores, ou puros traficantes de palavras e sentidos.
O meu amigo Pedro Lamares fez-me conhecer um poema da Natália XCorreia que eu não conhecia e que... Façam o favor de ler e vão ver.
CREDO
Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantas,
Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,
Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,
Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o Amor tem asas de ouro.Amen.
Natália Correia
Subscrever:
Mensagens (Atom)

.jpg)





















.jpg)



















