terça-feira, 10 de julho de 2012

A DITADURA EM QUE VIVEMOS


Não tenho dúvida de que vivemos numa ditadura comandada pelos bancos. E lamento as figuras tontas e cegas (ou nem por isso) de muitos dos nossos dirigentes, jornalistas, políticos, sempre dispostos a obedecer aos grandes patrões para ficar com as migalhas que os fazem sentir-se um poucochinho importantes.


(Magritte)

O parágrafo que se segue é o início do artigo semanal do meu amigo Nicolau Santos no Expreeso. Vale a pena ler. E talvez chorar. Ou lutar contra o status quo, sabe-se lá como. Com indignação certamente, com protesto sempre que se justifique, com desobediência civil porventura.

"A banca, grande responsável pela brutal crise que o mundo ocidental está a viver, não aprendeu nada com o tsunami que criou. Continua a ter o mesmo tipo de práticas e comportamentos, os mesmos estímulos perigosos, a mesma falta de ética para com os depositantes, a mesma arrogância e balofa superioridade que nos conduziram até aqui, a mesma divisa - a ganância é boa -."



1 comentário:

António Branco disse...

depois da crise de 1929, os governos chegaram à conclusão de que os bancos tinham de ser disciplinados pelos Estados. uma das condições colocadas foi a da diferenciação entre bancos comerciais e bancos de investimento. os bancos comerciais recebiam depósitos dos cidadãos e emprestavam às empresas. os bancos de investimento recebiam dinheiro de cidadãos e empresas para compra de acções, de moeda estrangeira, de derivados e de outras coisas que nem sei se têm nome (entidades que sabiam que estavam a correr mais riscos do que no simples depósito a prazo).
e a coisa foi funcionando razoavelmente. em 1999, de repente, acharam que nos Bancos eram todos "bons rapazes", e deixaram os bancos comerciais investir com o dinheiro dos cidadãos depositantes (que nem queriam mais do que fazer depósitos). como nos bancos são todos "bons rapazes", investiram tudo o que tinham (e o que não tinham) em qualquer coisa que mexesse (e que não mexesse - lembro-me de ter lido que havia um fundo de investimento em seguros pagos por morte, isto é, os idosos com dificuldades económicas vendiam o seu seguro de vida - abaixo do seu valor real - a um banco que o comprava, na expectativa de que o idoso morresse, para o receber. o banco juntava vários seguros de vida destes e vendia-os aos cidadãos como "produto derivado" supostamente de alto rendimento... de cada vez que morresse um idoso, o fundo aumentava o seu valor...

apesar de tudo o que sucedeu, a lei não voltou ao que era. os bancos comerciais continuam a comprar o que lhes dá na telha com dinheiro que não é seu... e se não resultou antes... suspeito (nem sei porquê...) que agora não vai resultar.

... tenho a certeza de que nasci no planeta errado. mas agora, já posso fazer pouco...