segunda-feira, 31 de março de 2008

ANTONI TAPIÉS

Deus existe
e dança no seu gesto largo
ao largo da penúria
dos metais unívocos.

Deus sorri
contente
mergulhando as mãos no barro.
Tu serás de terra e ocre
tu de fogo
tu de cinzas e silêncio
tu raiz ou mel ou ave.

Deus te deu a porta e a laranja.
Abrirás a porta.
Teu será o fruto
a curva
o sumo.
Correrás o labirinto.
Tomarás para ti a lama
os trapos
e as paixões.

Seguirás em busca
da turfa do poema.

José Fanha, "Elogio dos peixes, das pedras e dos simples"