segunda-feira, 7 de novembro de 2011

EVA ou A HISTÓRIA DE DUAS EVAS

A Margarida Botelho conta histórias. Mas as suas histórias não são o ponto de chegada. São um ponto de partida, um caminho que ajuda a crescer, a pensar, a inventar, a voar.

Os seus livros resultam de um trabalho levado a cabo em conjunto com meninos. O que interessa não é apenas que eles leiam e naveguem na narrativa. O que interessa e que eles aprendam a ser. Por isso a Margarida lhes propõe partilhar o melhor de si própria e o melhor da sua arte.

Com ela não se trata de competências. Trata-se de respiração.

Ouvi-a há dias contar as suas viagens e o seu trabalho num campo de refugiados africanos em Moçambique, numa favela brasileira, no meio da Amazónia ou na Índia.

Histórias vividas até ao osso. Transformadas em num livro chamado EVA que conta duas Evas, uma europeia, outra africana.

Uma que tem água para tomar banho, escolas com carteiras e livros, computadores que a põem em contacto com o mundo.

Outra que tem de andar 10 Kms para arranjar água, uma única sala de aulas para muitos muitos meninos, com chão e uma janela, um único professor e um único livro para todos aqueles meninos, e um velho contador de histórias que a põe em contacto com o mundo fantástico das palavras e das histórias.

De tudo isso resultou este filme delicioso. É fácil de fazer e junta simplicidade e altíssima qualidade.

E ler ou dar a ler é isso mesmo, uma urgência, uma partilha, um mergulho na maravilha, uma aposta na grande qualidade, aquela que vai até ao osso.

2 comentários:

Sílvia Alves disse...

A Margarida é um caso exemplar de caminhante por boas causas.
Sem artifícios, com mãos, pés, cabeça e coração.
Podem seguir mais do seu trabaho aqui:
http://www.margaridabotelho.com/pt

António Branco disse...

Um filminho delicioso, como diz.

Mas, quando li o título, achei que se iria referir a Eva e Lilith... ocidentalizado que sou... se calhar até ao osso.

Apenas um reparo. Noto as crianças ocidentais mais tristes, apesar do que têm (e, se calhar, pelo que não têm) e as não ocidentais com um sorriso mais fácil, apesar do que não têm (e se calhar pelo que têm). Não senti os sorrisos das meninas do filme em acordo com a forma como as vejo.

Mas eu posso estar errado no modo como vejo o sorriso das crianças. Posso ter uma visão demasiado plastificada dos sorrisos.