
Faz hoje 209 anos o velho Colégio Militar onde passei 7 anos da minha vida. Dos 10 aos 17. De 1961 a 1968. Da Invasão da Índia e do começo da Guerra Colonial e do desvio do Santa Maria e do assalto ao Quartel de Beja , tudo acontecido em 1961, até 1968 o ano do esplendoroso Maio de Paris, dos Beatles, dos hippies, do Make Love not war, da grande explosão de criatividade juvenil um pouco por todo o mundo.
Foi um tempo que mexeu com todo o mundo e a que eu e os meus camaradas, íamos assistindo conforme a censura permitia, com os nossos olhos de peixes a nadar apertados dentro do pequeno aquário chamado Portugal.
Foi um tempo em que passei de menino a rapaz, pré-adulto. Em que descobri também a festa que é a poesia e em que aprendi o valor incontornável de palavras como: dignidade, camaradagem e liberdade.
Há quem critique muito o sistema de ensino do Colégio Militar. Não vou aqui discutir a questão. Mas gostava de lembrar alguns dos que por lá passaram e que são pelo menos um emblema que atravessa décadas e décadas de uma das mais antigas instituições portuguesas.
E cá vai meia dúzia: Abel Botelho (romancista), Raúl Ferrão (autor do "Coimbra" e do "Lisboa não sejas francesa" entre centenas de canções), Júlio Dantas, Tomás Alcaide, António Sérgio, Francisco Costa Gomes, Eduardo Lourenço, Artur Semedo, Rão Kyao...
E muitos mais poderia citar. Mas fico-me por duas fotografias desse tempo em que fui jovem num país velho que depois rejuvenesceu e agora anda meio taralhouco a bater com a cabeça nas paredes. Mas isto tem remédio. Lá chegaremos.


















3 comentários:
Obrigada por partilhar com a Família Colegial. Bem-haja!
Estou fascinada, como uma pessoa que viveu na fase da historia do nosso País com tanta adversidade e mudança e consegue ser e escrever com tanta inspiração.
Peço desculpa por estar a comentar e não escrever tão bem como gostaria e exprimir aquilo que sinto ao ler o seu blogue.
Os meus mais sinceros parabéns!
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