segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

POETAS & MAÇONS - ANTERO DE QUENTAL

Foram muitos os poetas maçons ou os maçons poetas. Cito alguns:

Marquesa de Alorna
Bocage
Filinto Elísio
Almeida Garrett
Camilo Castelo Branco
Feliciano de Castilho
Antero de Quental
Jaime Cortesão
Teixeira de Pascoais
Camilo Pessanha
Vitorino Nemésio
José Gomes Ferreira

Para muitos será surpreendente esta lista a que há que acrescentar Fernando Pessoa que não deixando qualquer evidência sobre a sua eventual iniciação e participação nalguma Loja Maçónica concreta, era um maçon de convicção e vasta cultura maçónica como o atestam os muitos textos e poemas onde essa cultura circula, nomeadamente a famosa carta a Salazar em que fortemente contesta a proibição da Ordem Maçónica.

Sabemos que é muito diverso o grau de empenhamento no trabalho maçónico destes poetas. Alguns dedicaram-lhe de alma e coração parte importante das suas vidas. Outros não terão passado da Iniciação ou pouco mais.

Vou trazer para aqui alguns poemas, tentando entender o que é que pode haver de comum entre a condição do poeta e a do maçon.


ANTERO DE QUENTAL (1842 – 1891)



MAIS LUZ !



Amem a noite os magros crapulosos,
E os que sonham com virgens impossíveis,
E os que se inclinam, mudos e impassíveis,
À borda dos abismos silenciosos...

Tu, lua, com teus raios vaporosos,
Cobre-os, tapa-os e torna-os insensíveis,
Tanto aos vícios cruéis e inextinguíveis,
Como aos longos cuidados dolorosos!

Eu amarei a santa madrugada,
E o meio-dia, em vida refervendo,
E a tarde rumorosa e repousada.

Viva e trabalhe em plena luz: depois,
Seja-me dado ainda ver, morrendo,
O claro sol, amigo dos heróis!

2 comentários:

JOÃO SILVA disse...

Gostaria de saber se Camilo Castelo Branco foi REALMENTE maçon e qual a obediência.

Agostinho Costa disse...

Camilo Castelo Branco foi maçon “iniciado no Porto, em casa
de José Passos, no Oriente da Maçonaria do Norte, talvez em 1846 ou 1847.” V. MARQUES,
A. H. de Oliveira – “Castelo Branco (Camilo)”. In Dicionário de Maçonaria Portuguesa. Lisboa:Editorial Delta, 1986, vol. I, colunas 294-295.

Agostinho Costa