quinta-feira, 10 de setembro de 2009

JEAN COCTEAU

Ainda de coração encantado com o 1º Encontro Nacional de Dezedores de Poesia na Praia da Vitória, trago aqui Jean Cocteau (1889-1963), destacado poeta, romancista, cineasta, designer, dramaturgo, actor e encenador de teatro e membro do Movimento Surrealista francês.




No meu vagabundear por leituras encontrei este poema inédito de Cocteau e aproveitei para o transfigurar para português.



CARTA DE ADEUS A FEDERICO

(Inédito publicado pelo El Cultural de 24/04/09)



Canta.
Pela boca da tua ferida.
Pela boca entreaberta da tua ferida.
Pela boca da tua ferida aberta de par em par.
Pelo olho húmido carmim da tua ferida.
Pela romã resplandecente da tua ferida.
Pelo riso atroz de um cavalo de picador da tua ferida.
Pelo leite obscuro dos lábios de um recém-nascido da tua ferida.
Pela lava do vulcão da tua ferida.
Pela mucosa do ouriço aberto em dois da tua ferida.
Pela taberna onde desperta sobressaltado o cigano da tua ferida.
Pela estrela escarlate das ruínas da tua ferida.
Pela tinta vermelha do último poema da tua ferida.

1 comentário:

Leonor disse...

Que pena que eu tenho de não ter estado no 1.º Encontro Nacional de Dezedores de Poesia. Mas ainda assim sinto-me feliz, porque também o meu coração se encanta cada vez que me lembro das vezes que tive o prazer de assistir ao contacto do José Fanha com as crianças e também connosco - adultos. A ternura que exprime através do olhar, das palavras. É realmente encantador...
Muito obrigada.

Um abraço
Leonor