domingo, 27 de março de 2011

NUNO HIGINO



Disse-me uma vez a Cristina Carvalho que já éramos amigos há muito tempo mas só agora é que nos conhecemos.

Com o Nuno Higino aconteceu-me o mesmo. Poeta e escritor para a infância, conheço há muito o seu trabalho literário tão cheio de delicadeza e amabilidade.

Não o conhecia pessoalmente e, quando nos cruzámos há poucos dias em S. João da Madeira na "POESIA À MESA", foi como se nos conhecêssemos há muito e selámos essa amizade com um belo e grande abraço.

E aqui fica um seu poema inédito publicado no jornal Labor.


"As crianças têm um rio de peixes nos braços:
movem-nos como um cardume profundo, movem a manhã
e ela nasce. As crianças olham as águas e respiram
devagar: enchem de ar a menina dos olhos e expiram
a infância, inundam o mundo com um cardume de manhãs.
As crianças são peixes solares, um areal cego
de manhãs: os braços são feitos de água,
metem o mundo dentro do balde e esvaziam-no
no mar: as crianças têm um rio de peixes
no pensamento, um cardume de pensamentos
a rebentar nos braços."

2 comentários:

Licínia Quitério disse...

Gosto muito do poema. Obrigada.
Beijinho.

António Branco disse...

aprendi a dar abraços longos há poucos anos. e não são para todos, que nem os entendem...
gostei muito do poema.
um abraço.