quarta-feira, 4 de março de 2009

BOXE E LARANJAS



Na sua juventude de estudante de Belas Artes, o Rolando Sá Nogueira teve a tentação do boxe, desporto muito popular pelos anos 40, e foi praticar num famoso clube de então, o Mouraria.

Ao fim de algum tempo de treinos foi-lhe marcado o primeiro combate, julgo que no Coliseu.

Os colegas de Belas Artes estavam entusiasmadíssimos tanto mais que o Rolando era muito alto e tinha aquilo que se chama um belo caparro.

João Abel Manta (outro grande Mestre tão esquecido)era e foi durante toda a vida um grande ou mesmo o maior amigo de Rolando Sá Nogueira. Foi ele ue me contou esta história.

João Abel não pôde ir assitir ao combate do amigo na noite anterior, mas na manhã seguinte estava de pedra e cal à porta das Belas Artes à espera do, esperava ele, vitorioso amigo Sá Nogueira.

Quando Rolando Sá Nogueira apareceu à esquina, vinha cabisbaixo, macambúzio, pouco glorioso.

- Então, pá, ganhaste? - perguntou-lhe João Abel.

- Não... Perdi...

- Perdeste? Porquê? O adversário era um grande calmeirão?

- Não... O gajo era muito pequenino... Eu é que não fui capaz de bater num tipo daquele tamanho.

Assim terminou a aventura do Rolando como boxeur. A sua obra, essa permanece, por exemplo, nos azulejos da estação de Metro das Laranjeiras.

As suas laranjas são tão doces como era envergonhadamente irónico o riso com que tornava todas as desgraças relativas.


2 comentários:

Mar Arável disse...

Mas se mesmo anões

forem poder

devemos malhar

no ministro

mariam disse...

José Fanha,

um post muito 'fresco'!

ainda hibernante, passei para desejar que tenha um resto de dia (que 'dizem' ser da Mulher!) muito Feliz! seguido de muitos outros não menos fantásticos!

deixo um abraço, o sorriso de sempre e saudades!
mariam