domingo, 15 de março de 2009

OS VOSSOS FILHOS NÃO SÃO TOSTÕES

Leio no Público de hoje:

"O Presidente da CONFAP, órgão supostamente representativo das associações de pais e, por essa via, dos pais portugueses, continua igual a si mesmo. Ontem reivindicou escolas abertas 12 horas por dia. Não como escolas, mas como depósitos de filhos. A ministra da Educação ouviu e gostou. E o ministério vai por certo continuar a subsidiar de forma generosa este tão fiel apoiante."




Não há palavras para o delírio palrante a que algumas pessoas chegam. Quem anda no ensino sabe bem de mais o que isto representa de infâmia e incremento à degradação da instituição escolar, da família, da educação dos nossos filhos.

Não pára a hipoteca que está a ser feita ao futuro destes jovens como pessoas e como cidadãos.

Os ingleses diriam: SHAME ON YOU!

Eu, em português, usaria certamente uma expressão muito mais pesada. Mas como sou um homem da poesia sei que podemos sempre em poesia encontrar o voo de algum poeta que se aplique à situação.

Lembrei-me do O'Neill e do seu poema "Deixa", publicado no início dos anos 50 (no tempo do fascismo, não sei se recordam...).

"PAIS

que fazeis?

OS VOSSOS FILHOS

não são tostões

GASTAI-OS DEPRESSA!"

4 comentários:

Maria disse...

Há eleições este ano. As três que sabemos.
Houve uma manifestação na sexta-feira. enorme, como sabemos.
Sinto um ventinho bom de alguma mudança. Cabe-nos a nós torná-la possível.

Beijos

Tiago Carvalho disse...

Os alunos andam cada vez mais agitados, não têm tempo para estar juntos, fazer tudo o que necessitam fora da vista dos adultos. Agora andam com aulas de substituição quando falta um professor, em casa ficam a jogar infinitamente os vídeo jogos ou passivamente a ver televisão, os pais cada vez tem menos tempo para estarem com os filhos e querem ficar ainda com menos tempo. Não se admirem que um dia aconteça uma dessas tragédias numa das nossas escolas.
"Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem."
Bertolt Brecht

Rita Carrapato disse...

E parece que têm como referência uma escola algures no Norte já a funcionar desde o "nascer ao pôr do sol". E dizem eles, a funcionar muito bem.

Será que neste funcionar bem alguém se terá lembrado de perguntar aos meninos se estão felizes, se brincam, se lhes resta um bocadinho de tempo para se aninharem nos braços dos pais, se os seus direitos, enquanto crianças, estão a ser minimamente respeitados?

Também estou preocupada com tamanha cegueira. Quem vai lucrar mesmo com isto tudo serão, daqui por uns anitos, os psicólogos (exageradamente em moda), que não vão ter mãos a medir com tanta depressão e tristeza a entrar-lhes porta dentro.

mariam disse...

José Fanha,

parabéns p'lo post. apontou o dedo e muito bem!
sabe, conheço casos em que os pais (reincidentes) tiveram por diversas vezes que ser chamados via tm para irem buscar os seus filhos ao ATL...já a noite ia alta! e nem um pedido de desculpa, como se ficassem 'ilibados de culpa' com a multa que lhes é cobrada na mensalidade... e estou a 'falar' de famílias com bons recursos económicos... que adultos serão estes meninos?!

um grande abraço, e saudades
mariam